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9.  YENİLEME PROJESİ: PROJENİN HEDEFLERİ ve YAŞANAN GERÇEKLİK157 

9.6  Değerlendirme 167 

Tendo por inspiração a concepção de “mapa de rotas” desenvolvida por Phaal, Farrukh e Probert (2010) – em especial, seu desdobramento para o estudo da formação de novas indústrias (Phaal et al., 2011) –, propõe-se uma nova estrutura conceitual para integrar os conceitos das perspectivas teóricas de empreendedorismo como design que se desenvolveram:

o “mapa de rotas empreendedoras”. Uma exposição dessa estrutura e de suas implicações para o estudo da formação de novas organizações é feita a seguir (Figura 2).

Figura 2 – Mapa de rotas empreendedoras

Como num mapa de rotas típico, a estrutura também é formada por múltiplas camadas interdependentes, que se desdobram ao longo do tempo. Três períodos são considerados:

a) Passado: pois, de acordo com a perspectiva evolucionária, a história “importa”, de modo que as rotas futuras são dependentes das rotas passadas (i.e. path dependence); b) Futuro: pois, de acordo com a perspectiva criativa, a imaginação pode mobilizar as

rotas passadas de maneiras inesperadas para criar novas rotas futuras (i.e. path

creation);

c) Presente: pois consiste no momento em que a continuidade ou mudança de rota será efetivamente projetada (designed), como produto da tensão entre dependência evolutiva e independência criativa.

Passado e futuro têm, a princípio, igual peso (i.e. largura da coluna), pois não há justificativa teórica para supor, a priori, a predominância de um ou outro sobre o design. Já o presente, também por convenção, é representado relativamente mais estreito, pois, no limite, pode ser tratado como um momento entre passado e futuro. Contudo, é explicitado, pois, ainda que breve, é nele que história e imaginação se encontram, resultando no projeto da realidade porvir. Assim, considera-se que, conceitualmente, o presente é categoria imprescindível para o estudo da formação organizacional, pois, sem ele, não há design, podendo a dinâmica do processo ser novamente reduzida à estática da estrutura.

Nesse sentido, o mapa de rotas empreendedoras, enquanto estrutura conceitual de propósito integrativo, diferencia-se do mapa de rotas genérico proposto por Phaal, Farrukh e Probert (2004a) (Figura 1), pois, neste, o presente é suprimido. Além disso, nessa representação, o futuro predomina largamente sobre o passado, a primeira questão-chave é “aonde queremos ir?” e não há a pergunta “de onde viemos?” anteriormente a “onde estamos agora?”. Assim, a influência da história sobre as rotas fica estruturalmente reduzida.

Já nos mapas de rotas para o estudo de formação industrial, o eixo temporal abrange exclusivamente o passado (Phaal et al., 2011). Essa característica é apropriada para a investigação retrospectiva da história de indústrias que já emergiram, mas não prevê o estudo, em tempo real, de OEFs, nas quais a imaginação de possibilidades futuras pode afetar o presente assim como (ou mais do que) o passado.

Em todos os casos, portanto, considerar os três períodos da maneira como foi feito no mapa de rotas empreendedoras confere-lhe um potencial de integração conceitual superior.

No que diz respeito às camadas, o mapa de rotas empreendedoras é composto por quatro categorias principais de conteúdo dos elementos representados:

a) Artefato: evidências de estabelecimento das fronteiras da organização e de trocas intra e (principalmente) extra fronteira;

b) Agência: manifestações humanas, individuais e coletivas, da intenção de se criar uma nova organização;

c) Estrutura interna: aspectos ambientais não humanos/sociais sobre os quais os agentes detêm controle direto – i.e. recursos; e

d) Estrutura externa: aspectos ambientais sobre os quais os agentes (podem ter influência, mas) não detêm controle direto – i.e. ambiente externo.

Essa divisão e sua nomenclatura estão fundamentadas na noção de Simon (1996, p. 113) de que artefatos (como é o caso de novas organizações) estão centrados, precisamente, na interface entre ambiente externo e interno, sendo seu design moldado, não apenas por essas estruturas ambientais, mas também pela agência humana. Assim, a estrutura concorda com o paradigma do empreendedorismo como design, o qual reconhece o ser humano como agente idiossincrático que influencia o processo de estruturação39

Figura 2 (Augier & Sarasvathy, 2003; Sarasvathy, 2004). Daí a disposição das camadas da forma como representadas ( ): o artefato no centro, como uma estrutura fronteiriça entre as estruturas externa e interna, mediado em relação a essas pela agência.

Essa disposição está alinhada, ainda, com a noção de dualidade da estrutura, advogada pela perspectiva estruturacionista (e.g. Chiasson & Saunders, 2005; Sarason, Dean, & Dillard, 2006; baseados, principalmente, em Giddens, 1984). Afinal, por meio da representação da intermediação pela agência entre os níveis de estrutura (i.e. externo, fronteiriço e interno), estas são presumidas (pelas potenciais relações entre camadas adjacentes) tanto como meio quanto como produto da agência. Dessa forma, conceitualmente, o mapa de rotas

39 Ainda que atribuindo-lhe diferentes níveis de influência sobre o processo, dependendo da perspectiva de

empreendedoras transcende, em princípio, a dicotomia entre estrutura e agência, reforçando seu caráter integrativo.

Esse caráter é também reiterado pelo fato de as definições das categorias selecionadas como camadas estarem fundamentadas nas quatro propriedades essenciais de uma nova organização identificadas por Katz e Gartner (1988): fronteira e trocas, na camada “artefato”; intenção, na “agência”; recursos, na “estrutura interna”; e, implicitamente, fronteira, novamente, na “estrutura externa”. Essa fundamentação faz do mapa de rotas empreendedoras um mapa especialmente apropriado para o estudo da formação organizacional, pois prevê o surgimento dessas quatro propriedades, as quais, em tese, uma vez ocorridas conjuntamente, configuram uma nova organização.

Além disso, essa concepção de uma organização como a interface, mediada pela agência, entre uma estrutura externa e uma estrutura interna constituída por recursos é também consistente em relação ao arcabouço teórico da administração estratégica. Nessa disciplina acadêmica, cujo objeto (i.e. o desempenho e a conseqüente sobrevivência – ou não – de organizações) a coloca em relação direta com o empreendedorismo (e.g. Gonçalves, Muniz, Freitas, & Cheng, 2009; Hitt, Ireland, Camp, & Sexton, 2001), estrutura e agência também são os construtos centrais, sendo que, na corrente de pesquisa voltada para os aspectos estruturais, pode-se dizer que duas perspectivas teóricas principais se desenvolveram: a perspectiva focada no ambiente interno (representada, principalmente, pela visão baseada em recursos) e a perspectiva focada no ambiente externo, representada pelas visões baseadas na indústria e em instituições (Mellahi & Sminia, 2009; Peng, Sun, Pinkham, & Chen, 2009).

A primeira enfatiza o ambiente interno da organização enquanto um complexo de recursos como o principal fator explicativo das estratégias adotadas (Barney, 1991; Wernerfelt, 1984) e, portanto, corrobora a definição de estrutura interna do mapa de rotas empreendedoras. Já as visões baseadas na indústria e em instituições focam no ambiente externo, destacando, respectivamente, as forças setoriais de mercado (Porter, 1980; 1985) e o contexto institucional formal (e.g. regras) e informal (e.g. normas) mais amplo (Peng et al., 2009), estando associadas, portanto, a estruturas externas.

A consideração da agência nos níveis individual e coletivo também contribui para que a arquitetura do mapa seja mais integrativa, pois torna-a apropriada para acomodar tanto abordagens de viés mais psicológico quanto sociológico. Nesse sentido, a perspectiva da efeituação, com seu enfoque na evolução dos processamentos simbólicos e das categorizações semânticas dos agentes (Sarasvathy, 2001; 2004), e a perspectiva do desvio atento, com sua ênfase na agência enquanto parte da rede de ações de atores (Garud, Kumaraswamy, & Karnoe, 2010), são exemplos de abordagens igualmente englobadas pela estrutura conceitual do mapa.

Semelhantemente, a divisão da camada “artefato” em fronteira e trocas também é significativa, pois, de acordo com Katz e Gartner (1988), as trocas com o ambiente externo só se estabelecem a partir da delimitação clara da fronteira organizacional. Por outro lado, pode- se supor que a fronteira só se estabelece claramente a partir de trocas. Assim, o mapa permite o estudo da interdependência entre essas duas propriedades ao longo do tempo. Além disso, permite explicitar a relação entre a formação do artefato enfocado (i.e. a organização) e a formação de outros artefatos (e.g. tecnologias, produtos) que lhe servem como estabelecimento de fronteira e base de trocas. Reforça, assim, a capacidade conceitual do mapa de integrar, em múltiplos níveis, o fenômeno da formação organizacional, como se demanda (e.g. Fuller, Warren, & Welter, 2006; McKelvey, 2004).

Essa integração se dá pela explicitação da relação causal entre os diversos elementos, a qual, no mapa de rotas empreendedoras, é representada por setas unidirecionais, formando as rotas. Assim, uma seta de um elemento A para um elemento B no mapa representa causalidade pressuposta, i.e. A “causou/está causando/causará” B (sendo que a causalidade pode ser de diferentes tipos – c.f. McKelvey, 2004).

Representando dessa maneira as relações causais presumidas, a estrutura integra, conceitualmente, tanto a perspectiva evolucionária, quanto a da descoberta e a criativa. A perspectiva evolucionária estaria representada, por exemplo, em rotas interligando, ao longo do tempo, elementos de uma mesma (sub)camada (e.g. recursos técnicos) pouco explicados por elementos de outras (sub)camadas, evidenciando, possivelmente, um aprisionamento histórico (i.e. lock-in) no desenvolvimento daquele aspecto (e.g. competência tecnológica) pela organização, devido à especialização cumulativa e hermética. Já a perspectiva da

descoberta poderia estar representada, por sua vez, por rotas que, a partir de elementos tidos como oportunidades descobertas na estrutura externa, derivam implicações por eles determinadas sobre as configurações do artefato e dos recursos. Por fim, a perspectiva criativa, por outro lado, apontaria para rotas com diversas bifurcações imaginadas que, partindo da estrutura interna e da agência atual, apontariam para possibilidades de descontinuidades futuras, inclusive nas estruturas externas.

Proposto dessa forma, portanto, o mapa de rotas empreendedoras também se diferencia dos mapas de rotas anteriores no que diz respeito às camadas. Diferentemente do que se sugere na literatura (Phaal & Muller, 2008), as camadas e subcamadas foram definidas com base na categoria de conteúdo que representariam, e não no tipo de conhecimento envolvido (i.e.

know-what, know-why, know-how). Partiu-se, nesse caso, da premissa de que um mesmo

conteúdo pode representar mais de um tipo de conhecimento, dependendo de suas relações. Ou seja, presumiu-se que um equipamento (i.e. recurso físico), por exemplo, pode ser tanto a motivação – know-why – para o desenvolvimento de uma tecnologia (i.e. recurso técnico) quanto sua implicação – know-how. Afinal, o interesse pelo desenvolvimento de uma tecnologia pode ter sido tanto uma decorrência da aquisição de um equipamento quanto a sua causa. Nesse sentido, optou-se por representar o tipo de conhecimento, alternativamente, nas ligações entre os elementos, de tal forma que a orientação da seta representasse a direção de causalidade pressuposta, e não necessariamente a precedência histórica.

Em suma, porém, as diferenças fundamentais que se destacam são o sistema cuja dinâmica as camadas visam representar e a maneira como as características estruturais do mapa são definidas. No que se refere ao sistema, os mapas de rotas tradicionais concentram-se em organizações existentes ou indústrias emergentes; já no mapa de rotas empreendedoras o sistema é uma OEF. Além disso, sob a ótica das ciências do artificial, enquanto nesses mapas o foco é o design de artefatos técnicos (i.e. tecnologias e produtos) no contexto de organizações e indústrias, o mapa de rotas empreendedoras foca no design da própria organização enquanto um artefato social.

Por fim, nos mapas de rotas existentes na literatura, a base para a concepção de sua estrutura é a experiência prática (e.g. checklist em Phaal, Farrukh, & Probert, 2010, p. 90); no mapa de rotas empreendedoras, as categorias selecionadas são derivadas das teorias de formação

organizacional, em uma arquitetura que permite integrar os pontos de vista das principais perspectivas que se desenvolveram em torno do estudo desse processo. Isso torna este mapa, mais do que uma referência para o suporte à tomada de decisões, uma estrutura conceitualmente robusta para a orientação da pesquisa acadêmica voltada para o fenômeno da formação de novas organizações.

Nesse sentido, o objetivo do próximo capítulo é revisar a literatura especificamente dedicada ao estudo dos spin-offs acadêmicos de alta tecnologia para avaliar de que maneira esse arcabouço teórico especializado permite refinar os conceitos genéricos representados pelo mapa de rotas empreendedoras, a fim de melhor orientar a pesquisa voltada para a investigação da formação de CTOAs.

3 CENTROS TECNOLÓGICOS DE ORIGEM ACADÊMICA

Na literatura especializada em spin-offs acadêmicos, agência e estrutura também são construtos teóricos basilares. Afinal, enquanto alguns trabalhos concentram-se em identificar níveis de análise de estruturas externas e internas que influenciam diretamente a atividade de

spin-off, outras linhas de pesquisa focam na agência que tem de ocorrer para que uma nova

firma de origem acadêmica seja criada e se desenvolva.

Este capítulo sintetiza ambas as contribuições. Para tanto, caracteriza-se o fenômeno dos spin-

offs acadêmicos de alta tecnologia, revisando-se as nomenclaturas, as definições, as

tipologias, as correntes de pesquisa e os modelos de processo de desenvolvimento relacionados a esse tipo específico de empreendimento.