II. BÖLÜM
2.1.2 Değerlendirme
Das instituições da presidência da república, analisamos o efeito dos poderes institucionais de veto, agenda e decreto, bem como o ciclo eleitoral do presidente sobre reformas tributárias.
Poder de agenda
Contrariando as expectativas, não houve evidência da influência do poder de agenda. Apenas no teste com estimadores intragrupo esse poder foi significante no nível de 10%, nas reformas da tributação da renda. De acordo com o modelo de Baron e Ferejohn (1989), o detentor do poder de agenda possuiria vantagem estratégica na aprovação de seus projetos. Contudo, o modelo também prevê que a possibilidade de emendar reduz o poder de agenda. Supomos que essa seja a explicação para o resultado, i.e., a capacidade de emendar está presente em todos os países latino-americanos e, por essa razão, as propostas do presidente para reformar o sistema tributário não são aprovadas, a menos que haja negociação com o parlamento para evitar que as emendas desfigurem os projetos inciais. As maiores evidências encontradas nas variáveis da legislatura fortalecem esse raciocínio.
Poder de decreto
Podemos entender o poder de decreto como um caso especial de poder de agenda, em que o presidente impõe sua política, sob condição de revisão posterior pelo parlamento. Trata-se de um poder que garante mais força institucional ao presidente da república. Muito se tem debatido sobre a necessidade desse poder na América Latina. Nossos resultados indicam que o
poder de decreto influi na aprovação de reformas tributárias da renda, especialmente, reformas expansivas e incentivos direcionados. O efeito é semelhante ao encontrado na presença da câmara alta: contrário a reformas expansivas e favorável93 a incentivos direcionados. O nível de significância de
1% foi notado com o modelo estático. No modelo dinâmico, os sinais foram mantidos, mas a significância caiu ao nível de 10%. Em contraste, a evidência sobre reformas da tributação do consumo surgiu apenas nos incentivos direcionados, cujo efeito foi também positivo, no nível de significância de 10%, no teste com o modelo estático.
Comparando os resultados da presidência com os resultados da legislatura, observamos que esta apresenta mais variáveis significantes. O poder de decreto é o único poder presidencial que se mostrou significante nos testes. Sem ele, é provável que o presidente enfrentasse dificuldade para impor sua agenda de reformas tributárias. Nesse raciocínio, o poder de decreto deve ter sido importante para equilíbrio das forças entre os poderes executivo e legislativo, no que tange a reformas tributárias da renda, na América Latina.
Notamos que o presidente com poder de decreto, de alguma forma, busca redistribuir a carga de tributos da renda. Essa afirmação tem por base o nível de significância de 1% e sinal positivo encontrados para o poder de decreto no teste com incentivos na tributação da renda, no modelo estático. Em geral, o direcionamento tende a prejudicar a equidade do sistema tributário, exceto se a atuação presidencial levar o sistema para um ponto mais próximo da equidade. Conferir poder de decreto ao presidente, portanto, é esperar incentivos tributários aos grupos de sua escolha. É razoável supor que o presidente não seja neutro, como ator político racional, que busca manter o poder.
De fato, Castanheira et al. (2012) afirmam que propostas equitativas de reformas tributárias seriam muito improváveis. Com base nos pressupostos do
93 Quando há inversão do sinal do coeficiente de regressão em função do tipo de reforma,
supomos que a ausência de significância (ou baixa significância) nos testes envolvendo todas as reformas decorre do cancelamento de efeitos contrários. Com efeito, o poder de decreto e a variável do bicameralismo não foram significantes nos testes com todas as reformas, embora o tenham sido nas reformas expansivas e direcionadas-redutoras, com sinais contrários.
voto probabilístico, esses autores sustentam que o agenda setter (no caso, o presidente) não tem incentivo para propor reforma que agrade a todos, pois seu oponente pode ser capaz de propor algo que agrade a maioria e vencer as eleições.94 É, pois, natural que o presidente proponha reformas direcionadas
aos que lhe podem garantir apoio vital para manter-se no cargo.
Todavia, o resultado não indica a deterioração da equidade do sistema tributário. Os números não trazem evidências sobre os grupos beneficiados. Portanto, não sabemos, apenas com os resultados desse estudo, se o poder de decreto melhora distribuição da carga tributária.
No caso de reformas expansivas, o sinal negativo mostra que o poder de decreto reduz-lhes a probabilidade de ocorrência. Com efeito, se os parlamentares gozarem da livre capacidade de emendar, o presidente tem no poder de decreto um instrumento disciplinador, evitando o aumento descontrolado dos impostos.
Poder de veto
O poder de veto aparece significante nos testes com reformas expansivas, mas o nível de significância é baixo. O sinal é positivo nas reformas expansivas do consumo e negativo nas reformas expansivas da renda. Considerando o nível de significância, não destacamos evidência do poder de veto sobre reformas tributárias.
Ciclo eleitoral presidencial
Alesina (1988), Rogoff e Sibert (1988) e Barberia e Avelino (2011) destacam a importância dos ciclos eleitorais para reformas fiscais. Mahon (2004) havia verificado indícios de que reformas tributárias seriam mais prováveis nos primeiros anos de governo. O mesmo efeito aparece em nossos testes, tanto no consumo, como na renda. O nível de significância foi de 1% no modelo dinâmico e de 10% no modelo estático. Considerando resultados de outros autores, nossos testes confirmam a influência do ciclo eleitoral do
presidente. A probabilidade de encaminhamento de reformas tributárias seria maior nos primeiros anos de mandato, possivelmente, devido ao fato de que o presidente costuma gozar de maior popularidade logo após as eleições.