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4.2. Dünyada Kalite Ödülleri

4.2.4. EFQM

A estrutura física do Suplemento Literário apresenta grande relação com seu conteúdo e com algumas mudanças que vão ocorrendo progressivamente a cada publicação.

Sua composição estritamente textual composta por notícias, crônicas e notas, excluía a publicação de charges, ilustrações, anúncios comerciais, fotos ou qualquer tipo de manifestação não-verbal.

Trata-se, portanto, de uma estrutura fechada, que se voltava à leitura, à informação, porém, mas que não deixava a seriedade de que se compunha ofuscar textos humorísticos, como os que aparecem na seção “Histórias singulares”, de que se comentará.

A parte gráfica do Suplemento seguia o mesmo padrão em todos os números: compunha-se sempre de 16 colunas6, 8 em cada página:

5Cf. Eça de QUEIRÓS. Correspondência. 2vols, leitura, coordenação, prefácio e notas de Guilherme de Castilho.

Lisboa, Imprensa Nacional /Casa da Moeda, 1983.

6Cada uma das divisões verticais, geralmente padronizadas, de uma página (...) ou de uma tabela, separadas por fio

Como se pode observar na figura, no alto da página aparece em destaque o título Suplemento Literário da Gazeta de Notícias. A letra utilizada em sua escrita tem tamanho maior que as letras das seções internas e segue um estilo rebuscado de escrita, como se fosse uma letra “enfeitada” ou enriquecida, com aspecto totalmente diferente da letra empregada no restante do informativo.

O título Suplemento Literário aparece em itálico enquanto que "Gazeta de

Notícias” permanece apenas com a formatação “rebuscada”, sem outro tipo de destaque:

Nestas seis primeiras palavras do título do Suplemento destaca-se a norma padrão da língua portuguesa da época: aparecem duas letras “pê”, em “Suplemento” e dois tês, em "Literário". Nota-se, ainda, a ausência de acentuação nos vocábulos "literário" e "notícias".

Durante todo o corpo do texto foram notadas também outras palavras em que se verá esse aspecto da linguagem que se utilizava naquele momento, inclusive em títulos de seções, como “Ciências”, escrito como “Sciências” e “Belas Artes”, escrito como “Bellas Artes”.

Logo abaixo do título, no canto superior esquerdo, aparece um pequeno sumário, que teria, como finalidade, fornecer ao leitor os títulos das seções e de algumas matérias, permitindo um acesso rápido ao conteúdo:

Abaixo do sumário, aparecem os artigos, ou seja, “Textos jornalísticos interpretativos e opinativos, mais ou menos extensos, que desenvolvem idéias ou comentam assuntos a partir de uma dada fundamentação” (RABAÇA, p.25, 1978).

Nos seis números, os textos que integram as colunas iniciais, pertencem a Eça de Queirós7 . Portanto, logo abaixo do sumário viriam a coluna assinada por Eça, única de lugar fixo no Suplemento.

Os demais textos e seções não tinham uma posição fixa no Suplemento. Geralmente tentava-se manter a página em que apareciam, porém, há muitos exemplos de seções que estão em lugares totalmente diferentes comparando-se sua posição entre os números.

A inserção dos textos era, portanto aleatória, sem lugar fixo. Assim também era feito com relação à presença ou ausência dos textos, ou seja, não havia nem rigidez com relação à fixação de uma coluna para uma determinada seção, nem com relação a mantê-la no número.

Com base nisto, pode-se dizer que, em relação à estrutura o Suplemento Literário era maleável, ou seja, alterações eram feitas de acordo com a vontade ou a necessidade do diretor, e, portanto, não existiam regras rígidas para sua apresentação formal.

E se ocorria maleabilidade para a questão formal, isto ocorria também com relação ao conteúdo dos textos que se publicavam a cada mês. Observando-se atentamente o Suplemento, nota-se que a inserção ou a exclusão de determinadas seções ocorria sem regras. A flexibilidade com relação aos conteúdos também é um fato notório, pois retira-se, por exemplo, uma seção sobre livros, como “Livros Novos” e insere-se um outro texto menos literário.

Pode-se destacar ainda sobre a estrutura do Suplemento, que esta preservava alguns aspectos da diagramação do periódico ao qual pertencia, ou seja, da Gazeta de Notícias, mas também tinha peculiaridades. Com relação a estas características, pode-se evidenciar a total ausência de anúncios ou gravuras ou outro tipo de sinalização que pudesse romper com a fluência

das seções. O Suplemento constituía-se de um informativo inteiramente formado por linhas textuais e não se pode achar nele nenhum exemplo de publicidade ou mesmo de anúncios publicitários ou notas de falecimento em destaque. Estas últimas características, por sua vez, integravam comumente as páginas da Gazeta. No entanto, desta se preserva a diagramação, especificamente no que concerne às colunas, mantendo-se o mesmo número de colunas por página, oito no total.

Normalmente os títulos das seções aparecem em destaque, com uma letra maior que as do restante do texto. Os títulos dos textos dentro de cada seção também aparecem destacados, mas em tamanho menor.

O tamanho de cada seção varia de acordo com a necessidade que o texto impõe, mas geralmente não ultrapassam a duas colunas e meia. Para comprovar tal indicação, tem-se , como testemunha, o autor da seção “Os Teatros”: os artigos que nele iriam sair não deveriam ser extensos, pois o diretor do Suplemento o queria “muito variado”:

Como este artigo já está muito estirado, e o Eça de Queirós quer o suplemento muito variado, não posso desenvolver o caso; mas há uma tal penúria de peças em Paris, dignas de atenção, que é possível que para o próximo número eu me ocupe desta, não pelo que ela vale, mas para tornar saliente a injustiça relativa de Sr. Sarcey, em relação ao autor de

Mar. (18/01, SL 1)8

Como se pode notar, o diretor Eça de Queirós tinha como intuito manter no Suplemento textos de pouca extensão, com a finalidade de que nas duas páginas de cada número coubessem a maior quantidade possível de assuntos, e também para que os artigos não se tornassem muito longos, a fim de não produzir cansaço ao serem lidos. Um outro testemunho, coletado da seção “O Dinheiro” demonstra estas preocupações: “- Filho, não acha que doze tiras

8Para referenciar os exemplos das seções, utilizaremos a data de publicação do artigo e também o número

cronológico de publicação do suplemento literário, com estas indicações. Exemplo: ( 18/01, SL 1.) – para uma seção que tenha saído no primeiro número do Suplemento literário, que tem a data de 18 de janeiro. Quando houver mais de um texto intitulado, colocar-se-á seu título, na referência.

sobre dinheiro é muito papel? Quem diz isso é o diretor do Suplemento, e eu tenho de deixar o resto para outra vez”. (18/01, SL1)

Mais uma vez pode-se notar também a direção de Eça e o modo como conduzia a produção do Suplemento.

Lembrando-se mais uma vez que o objetivo que se pretendia com o Suplemento Literário era o de relatar “a Europa em resumo9”, ou seja, mostrar uma quantidade significativa de assuntos relacionados ao Velho Mundo para aqueles que viviam no Brasil, fossem brasileiros, fossem europeus. Para isso, faz-se necessário observar o conjunto temático formado pelas seções, pois nota-se que alguns dos textos e seções integrantes do Suplemento não se relacionavam nem às artes nem à literatura, apesar de seu título incluir o adjetivo “literário”.

Dessa forma, portanto, cabe a tentativa de saber o por quê eram escolhidos determinados temas e determinadas seções que não eram literárias a integrarem um Suplemento que se diz literário.

Assim, poderá ser verificado se havia correlação entre o título Suplemento Literário e o conteúdo que nele era veiculado, e se poderá compreender se se tratava de uma ferramenta estritamente literária ou de um encarte autônomo que tinha também a tarefa de informativo cultural, de informativo sobre variedades.