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C) SUNUM BİÇİMLERİ
2) Soru - Cevap
Para que o valor segurança e o princípio da segurança jurídica sejam impostos e tenham asseguradas suas observâncias, são essenciais alguns instrumentos.
O primeiro deles é a normatividade — só existindo normas que devam ser observadas há segurança. Isso porque, em uma sociedade onde cada um faça o que bem entender, sem preocupação alguma com normas que devam ser cumpridas, o caos será instaurado.
Apenas com um Direito efetivamente posto, ainda que apenas em tese conhecido por todos, é possível falar-se em segurança jurídica. Ao praticar determinada conduta na sua vida social, todo indivíduo sabe qual a conseqüência que daquele ato
39 Id. Ibid.
40 O princípio da segurança jurídica (proteção à confiança) no direito público brasileiro e o direito da
administração pública de anular seus próprios atos administrativos: o prazo decadencial do art. 54 da lei do processo administrativo da União (Lei n° 9.784/99) in Revista eletrônica de Direito do Estado. Número 2 (abril/maio/junho de 2005). pp. 4-5.
poderá advir. Da mesma forma, os demais, sendo possível guiar as práticas sociais de forma equilibrada e atingir a paz social e a segurança.
Na common law, o sistema dos precedentes é fundamental para a segurança jurídica, pois traz previsibilidade às condutas, em que a legislação não é exaustiva na regulamentação das matérias. É como se a jurisprudência substituísse o papel importante da legislação na civil law. Zweigert e Kötz bem demonstram que já o raciocínio do juiz da common law é dirigido à busca de previsibilidade e, por conseqüência, de segurança:
“Essas regras gerais e princípios, que os juízes de common law extraem do corpo dos casos por um método indutivo e comparativo, dá ao sistema de direito baseado nos casos concretos um grau considerável de ordem sistemática e previsibilidade.” 41
Perelman, sobre a distinção do Direito com a moral, anota que, no Direito, são importantes os precedentes e a jurisprudência na interpretação da lei, tendo em vista a segurança jurídica. A previsibilidade é essencial, pois, nas palavras de Perelman, “apenas com essa condição que a paz judiciária poderia ser assegurada numa sociedade civilizada”42. As regras jurídicas e a sua interpretação são importantes, assim, para o comportamento da sociedade como um todo. Na moral, ao contrário, as regras de justiça observadas dizem respeito somente ao comportamento individual do agente, às suas próprias decisões e às das pessoas que são modelos em sua conduta.
Em segundo lugar, além da previsibilidade trazida pelas normas, sejam postas pelo legislador ou construídas pelo julgador, é essencial que, em determinado momento, a regra do caso concreto, fruto da decisão judicial, torne-se definitiva, não podendo mais ser questionada. Se assim não fosse, mesmo após o desfecho de uma demanda, prevaleceria a insegurança, já que o jurisdicionado não poderia guiar sua conduta, pois ainda existiria incerteza quanto ao passado (ao julgado que não se tornou definitivo). Kevin M. Clermont é preciso:
41 ZWEIGERT, Konrad, KÖTZ, Hein. Introduction to Comparative Law. p. 269. Tradução nossa de:
“These general rules and principles, which Common Law judges have drawn out of the mass of case material by an inductive and comparative method, give the case-law a considerable degree of inner systematic order and hence of community and predictability.”
“A idéia básica por trás da coisa julgada é que, em determinado momento, a busca pela verdade deve cessar: a justiça demanda que haja um fim do litígio. Conseqüentemente, todo sistema legal, desde sua origem, gera uma idéia comum de coisa julgada para tornar as decisões definitivas. O melhor exemplo desse objetivo comum da coisa julgada é que, para que qualquer sistema judicial opere, uma decisão deve ter pelo menos um mínimo de obrigatoriedade. Essa essência da coisa julgada — sua missão de definir um julgamento pelos seus efeitos de obrigatoriedade — não é opcional para o sistema. Se os litigantes pudessem simplesmente reabrir suas disputas decididas, não haveria um fim do litígio nem a afirmação da autoridade judicial. A finalidade não é apenas uma fiscalização eficiente, mas uma condição necessária de um Judiciário.” 43
Explicando, tem-se que a segurança jurídica é valor principal do sistema, obtido por meio da garantia de que determinada lei preexistente será aplicada por magistrado que, prolatando sentença, exaure a sua função e a situação objeto da decisão não mais poderá ser alterada. Ou seja, pela positividade, decidibilidade e, por fim, recrudescimento da decisão, é trazida a segurança jurídica às relações sociais, e obtida a paz, objeto da jurisdição, enquanto expressão de poder do Estado. É um processo, com início na edição da lei, meio com o julgamento pelo Poder competente, e fim com a imutabilidade da decisão — aí, todos se conformam e a paz social enfim é obtida.
De nada adiantaria ter-se apenas a lei ou a decisão que pudesse a qualquer momento ser questionada e novamente debatida. Para as relações sociais fluírem regularmente e com segurança, essencial a previsibilidade, para o futuro e para o passado.
Cândido Dinamarco é preciso, no ponto:
43 CLERMONT, Kevin M. Principles of Civil Procedure. p. 297. Tradução nossa de “The basic idea
behind res judicata is that at some point the pursuit of truth must and should cease: justice demands that there be an end to litigation. Consequently, every legal system, from its beginnings, generates a common core of res judicata law to make decisions final. The prime example of this common core of res judicata is that, in order for any nascent judicial system to operate, a decision must have at least some minimal bindingness. This essence of res judicata — its mission of defining ‘judgment’ through its binding effects — is nonoptional for the system. If disputants could just reopen their adjudicated disputes, there would be neither an end to litigation, nor any beginning of judicial authority. Finality is not just and efficient policy, it is a necessary condition for the existence of a judiciary.”
“Nos últimos tempos, vem ganhando força a convicção do poder que o juiz tem de adaptar seus julgamentos às realidades sociais, políticas e econômicas que circundam os litígios postos em juízo — e cresce com isso a impressão de que a sentença criasse o direito do caso concreto ao inovar em relação aos julgados anteriores e aos próprios textos legais. Mera ilusão. Se isso fosse verdade, aberto estaria o caminho para o arbítrio, numa verdadeira
ditadura judiciária em que cada juiz teria a liberdade de instituir normas segundo suas preferências pessoais. Tal seria de absoluta incompatibilidade com as premissas do due processo of law e do Estado-de-direito, em que legalidade racional e bem compreendida vale como penhor das liberdades e da segurança das pessoas.”44
Cármen Lúcia Antunes Rocha bem destaca que:
“Afirma-se a coisa julgada como manifestação necessária ou como decorrência precisa da segurança jurídica, em virtude do que as decisões judiciais devem se revestir de intangibilidade absoluta após o seu trânsito em julgado.”45
A existência de normas (sejam legisladas ou não), de parâmetros para os julgadores (sejam vinculativos ou não), a presença das características da imutabilidade (o que foi decidido não ficará indefinidamente sendo questionado) e da previsibilidade para os jurisdicionados (para que possam guiar suas condutas futuras), são elementos essenciais para que seja implementado o valor segurança jurídica.
Independentemente do sistema — common ou civil law — essas características devem estar presentes — norma, decisão e imutabilidade — ainda que com contornos e forças distintas, consoante a seguir será estudado.