1.1. Çevre Sorunları ve Çevre Sorunlarının Nedenleri
1.1.2. Çevre Eğitimi
1.1.2.4. Çevre Eğitim Programları ve Modelleri
1.1.2.4.2. Bronfenbrenner’in İnsan Gelişiminin Çevrebilim
A ordem das sociedades diferencia, classifica, hierarquiza e traça os limites proibidos por interditos. Contém e condiciona os papéis e os modelos de conduta.
George Balandier55
O discurso nacionalista varguista buscou projetar o Estado Nacional como a instância responsável por inaugurar uma nova ordem social no País, “(...) uma espécie de renascimento de todos os nossos valores, uma revalorização de todas as nossas energias”. Essas mudanças, para melhor, foram consideradas um “um autêntico milagre”56. O esforço para demarcar o lugar do regime na História projetou a representação de uma nova ordem social denominada pelos ideólogos do regime de “Cultura Política”.
Almir de Andrade, no editorial do segundo volume da revista, revelou o cerne dessa ordem. Apregoava que o homem, por meio da cultura, produz valores, cria arte e pensamento, costumes e tradições, formas de convivência e hábitos sociais, em resumo, traduz a vida em sua plenitude. Mas, como ser social, esse homem orienta-se por um ideal de vida organizada. Assim sendo, esforça-se para disciplinar, organizar e coordenar as forças sociais. “A cristalização desse esforço é a ordem política – as formas de governo, as instituições, o Estado.”57.
Em suma, era a política, materializada no Estado, que assegurava, pela organização dos elementos de sua cultura, o desenvolvimento de uma coletividade na direção do bem comum. Perpassa todo o discurso a projeção do “Estado Nacional” como força diretora do social, eixo fundamental para a construção da representação do Estado/tutor. É essa função tutelar do Estado que consagrava uma representação da ordem social marcada pela concórdia, pelo espírito de paz e tolerância e harmonia. A evolução social não permitiria formas plurais de organização, seguiria um roteiro traçado pelo Estado:
55 BALANDIER, 1982, p.23.
56 FUSCO, Rosário. Brasil social, intelectual e artístico. Cultura Política, n. 4, jun. 1941b, p.215. 57 ANDRADE, Almir. Política e cultura. Cultura Política, n. 2, abr. 1941b, p.6.
Hoje, podemos afirmar que existe uma política brasileira que é uma autêntica expressão do nosso verdadeiro espírito social. Nesse espírito social ajustaram-se as necessidades do nosso presente às conquistas do nosso passado para formarem essa permissão tríplice da política, que nos concede agir, pensar e criar (...)58
Essa nova concepção de política ancorava-se numa percepção da história que privilegiou a categoria coexistência temporal em relação à de sucessão temporal59. O passado é presente e comporta uma “essência” que deve ser recuperada, imprimindo-lhe um sentido de continuidade, condição fundamental para a plena realização do presente. Logo, passado e presente não são entendidos como etapas sucessivas no tempo, mas como coexistentes: “O Estado Nacional, inaugurado em 37, sem ser um retorno às fontes do passado brasileiro, é a aplicação inteligente da experiência desse mesmo passado”60.
Os articulistas do Estado Novo argumentam que cada povo é portador de uma cultura constituída por elementos peculiares e, por isso, deve conceber as instituições sociais e políticas de acordo com o seu gênio nacional. Há um projeto político implícito na realidade brasileira, desde os primórdios de nossa história, definido por seus traços originais. A originalidade do Estado Novo foi recuperar e dar concretude a esse projeto: “O Estado Nacional e o estadista que assumiu a responsabilidade de sua criação não foram um fato gratuito na história do nosso País, muito pelo contrário, representam uma dádiva do passado feita ao presente do Brasil”61. O cerne do discurso da nova ordem encontrava-se na adequação entre a “política/Estado/líder” e a “alma nacional”, que se edificou, especialmente, por meio de um discurso de desqualificação do modelo liberal, imputando-lhe uma natureza de desordem.
Sobressaía o realismo e o objetivismo do regime para promover a obra de adaptação das instituições à realidade nacional. A recuperação da realidade é garantida pela abordagem sociológica que permeia o objetivismo tecnocrático recorrente no pensamento autoritário brasileiro62. Assim, a política retomava seu sentido original e superior e inspirava uma ordem social assentada no verdadeiro ideal democrático “(...) de solidariedade humana, de respeito ao trabalho e aos frutos do trabalho, de lealdade e sinceridade na cooperação de
58 FUSCO, Rosário. Brasil social, intelectual e artístico. Cultura Política, n. 1, mar. 1941a, p.228.
Grifos meus.
59 VELLOSO, 1982, p.83-86. 60 FUSCO, 1941b, p.214.
61 PEIXOTO, Sílvio. Tradição política como principio da unidade nacional. Cultura Política, n. 3,
p.175-187, maio 1941, p.176.
todos os homens para o bem comum – sem distinções privilégios, nem de raças, nem de classes, nem de fortunas”63.
Almir de Andrade toca em uma das preocupações centrais do Estado Novo, a construção de uma ética positiva do trabalho. Nesse processo, o Estado Novo apropriou-se de uma concepção que compreendia o trabalho:
(...) como condição humana; como formador do homem; como elemento de coesão entre os homens; como elemento mediador da relação entre homem e sociedade e entre homem e natureza; como atividade produtiva. Como fonte de riqueza, abundância e progresso. Como fonte de conhecimento do bem e do mal64.
Essa representação positiva do trabalho conformou um discurso em que o trabalho é representado como a fonte de todos os valores e, sobretudo, como uma virtude, concepção na qual se assentou a ordenação do mundo do trabalho. Por ora, cabe ressaltar que a noção de progresso e o ideal de bem comum foram eixos articuladores das representações acerca do trabalho, e esse, por sua vez, vinculava-se a uma construção inerente ao novo ordenamento, a nação brasileira.
Na visão de Paulo Augusto de Figueiredo a existência da nação pressupõe organização social, unidade moral, ordenação política, configuração jurídica e, especialmente, razões filosóficas de vida, fins claros a orientar os rumos dessa coletividade. Contudo, nas experiências históricas de constituição nacional, “(...) nem sempre é a nação que determina a formação política do Estado, muitas vezes é este que cria, até coercitivamente, a nação”. O autor atribuía ao Estado Novo a descoberta de “um modo nacional de ser e um fim a atingir”, de reajustamento de nossos processos sociogênicos, uma vez que esse Estado é, acima de tudo, um imperativo de nossa vocação e de nossas realidades próprias. Tais realidades não se restringem apenas aos aspectos geográficos e econômicos, incluem também as realidades étnica, psicológica, moral, enfim, “(...) as nossas realidades cósmicas, humanas, telúricas e anímicas”65. Essas adquirem contornos de legitimidade face a um passado tanto remoto quanto recente. Se por um lado elas estão inscritas em nossas tradições, por outro só foram reveladas pela ação do Estado Nacional, instância que delineou a fisionomia da nação.
63 ANDRADE, 1941a, p.5. 64 DUTRA, 1997, p.295.
65 FIGUEIREDO, Paulo Augusto de. O Estado brasileiro e o sentido do nacionalismo. Cultura
Monte Arraes, um dos que se entregou ao esforço de explicar a nossa constituição nacional, atribuiu os pilares de nossa nacionalidade à influência portuguesa:
De Portugal adveio-nos a concepção do governo pessoal que, regendo na fase colonial, resistiu a todas as perturbações doutrinárias que lhe foram opostas, para afirmar-se, na história brasileira, por todo o período imperial e pelos da primeira e segunda república, até culminar, em forma definida, no Estado nacional, instituído pela Constituição de 10 de novembro de 1937. E é a essa circunstância histórica que, ao nosso ver, devemos, principalmente, a unidade política e administrativa do país66.
Dessa forma, esses argumentos convergem para uma noção de unidade de pensamento político, componente da tradição brasileira desde o tempo colonial que somente assumiu traços nacionais com a instituição do Estado Novo. Essa visão hiperbólica da ação do Estado, mais precisamente dos “poderes pessoais” agindo no sentido de promover a associação entre a moral e o social, entre as aspirações e a realidade nacional, emanava de uma concepção de nação na qual o Estado era o seu grande articulador. Ainda, Arraes expressa as especificidades da nação brasileira, ressaltando o papel do catolicismo, do homem branco e de suas contribuições políticas para a unidade nacional. Quanto ao elemento humano, advoga:
Se, de fato, faltava a cada um dos três grupos da fusão primitiva um ideal de uma forma política orgânica e representativa, não minguava em qualquer deles a convicção inabalável de que o poder pessoal (...) representava o melhor caminho para atingir um ideal de grandeza nacional. Somente admissível em face da crescente expansão da unidade espiritual e política67.
Portanto, a unidade nacional resulta da existência de um povo que, diante de uma unidade linguística, cultural e histórica, se identifica pelos costumes e interesses comuns. No projeto nacionalista varguista a revelação dessa unidade e a condução do homem ao seu destino foram obras do Estado Novo:
A organização das várias instituições, de ordem econômica, social, jurídica, política, constitui apenas um método de construção de algo que supera todas as entidades: - o homem. Mas o homem ampliado, o homem em sua expressão coletiva: - o povo. (...) Em última análise: - o que a nova política busca é dar ao brasileiro, como povo, uma razão nacional de viver68.
66 ARRAES, Monte. A influência do poder pessoal na unidade política do Brasil. Cultura Política, n.
1, mar. 1941, p.62. Grifos meus.
67 ARRAES, 1941, p.67. Grifos meus. 68 FIGUEIREDO, 1942, p.43.
A ideia-imagem de povo articulada pelo discurso oficial é abonada pela existência de uma “razão nacional de viver”. Com efeito, a nação imaginada pelo discurso estadonovista é a expressão de um povo caracterizado tanto por tradições nacionais quando por necessidades, sonhos e esperanças comuns organizadas e conduzidas pelo Estado.
Visto assim, o discurso oficial, ao buscar esclarecer e justificar uma forma específica de organização social, bem como o destino de uma coletividade, recorreu aos mitos políticos da sociedade contemporânea. Esses não se diferenciam muito dos mitos sagrados das sociedades tradicionais, pois correspondem a discursos que contêm uma história primordial e, por isso, vinculam-se a uma identidade coletiva.