2. TOPLUMSALLAŞMA SÜREÇLERİ
2.3. Boyun Eğme (İtaat)
O meio ambiente é termo abrangente e sujeito a controvérsias, entretanto, uniformizar o seu conceito é um dos primeiros passos para trabalhar com AIA e desenvolver um estudo ambiental. Segundo ERICKSON (1994), meio ambiente “simplesmente significa os entes físicos, químicos, biológicos e sociais, condições e
dinâmica que os rodeiam”. Muitos autores subdividem-no em meio ambiente físico, com componentes abiótico, biótico e ecológico e o meio ambiente social, com componentes pessoal, interpessoal e institucional (WESTMAN, 1985; ERICKSON, 1994; GLASSON; THERIVEL; CHADWICK, 1999). O entendimento que se tem pela legislação ambiental brasileira é que os componentes ecológicos e os sociais constituem o meio ambiente. A própria Resolução Conama 001/86 prevê que o diagnóstico do meio ambiente para a confecção de um EIA deve contemplar o meio físico, meio biológico e os ecossistemas naturais e o meio socioeconômico (ou meio antrópico).
Os impactos, como preveni-los, mitigá-los (ou potencializá-los, no caso de impactos positivos) e compensá-los, são o enfoque central de um EIA. Para determiná-los, emprega-se uma série de atividades e métodos técnico-científicos. As principais atividades subseqüentes na execução de um EIA, segundo SÁNCHEZ (2003), consistem em: definição do termo de referência; estudos de base; identificação dos impactos; previsão dos impactos; avaliação dos impactos e plano de gestão.
De acordo com SÁNCHEZ (2003), “a identificação das questões relevantes (scoping, na língua inglesa) vai definir o conteúdo do EIA, uma vez que irá direcionar a coleta de dados e sua análise”. O estabelecimento de um termo de
referência é uma etapa imprescindível, segundo DIAS (2001), para a definição dos
impactos significativos. Os temas relevantes a serem abordados no estudo de base são definidos pelas interações projeto x meio, por razões de ordem científica e social. Há vários métodos conhecidos para determinar os termos de referência de orientação para condução do EIA, como analogia a casos similares, experiência e opinião de especialistas e consulta ao público.
Na composição do estudo de base ou diagnóstico ambiental, devem ser considerados os atributos dos componentes do ambiente que podem ser afetados ou modificados pelo projeto. A coleta de dados por inventário, seleção de indicadores ambientais ou parâmetros a serem monitorados, deve ser orientada para possibilitar comparações entre a situação prévia e a pós-projeto. Indicadores ambientais são parâmetros representativos de processos ambientais e do estado do ambiente (SÁNCHEZ, 2003). Os indicadores fundamentam as previsões com cunho científico
sobre o provável cenário futuro, devendo ser utilizados também no acompanhamento e gestão ambiental. Definir o período e método de amostragem e delimitar a área que sofrerá as conseqüências são essenciais nessa etapa. Para sua realização, deve ser conhecida a dinâmica dos ecossistemas naturais e as inter-relações complexas entre os componentes bióticos e abióticos (INSTITUTO TECNOLÓGICO GEOMINERO DE ESPAÑA, 1998). Igual paralelo deve ser feito à abordagem do meio social.
WESTMAN (1985) discute a aquisição e apresentação dos dados relacionados aos compartimentos do ambiente que constituem o sistema ecológico (ar, solo, água e biota), também denominado biofísico ou simplesmente físico, em um estudo ambiental. Para o compartimento solo, os atributos estáticos da paisagem podem ser usados como indicadores de processos dinâmicos e da resposta à ação humana como, por exemplo, erosão e transporte de sedimentos. A forma de apresentação dos dados coletados, geralmente, é gráfica (mapas temáticos, com dados de geomorfologia, solos, vegetação, clima, água, fauna), cuja escala está condicionada ao nível de detalhamento e aos limites da área de estudo. Os dados podem ser representados em seções verticais e modelos digitais de terreno e, ainda, ser armazenados em um sistema de informações geográficas, que é apropriado para fornecer uma análise uni ou bidimensional de um projeto, em particular com base na variação dos atributos da paisagem. A água é caracterizada pela concentração dos elementos presentes e comparada a padrões de referência.
Várias técnicas são empregadas e discutidas na literatura para a identificação
dos impactos ambientais (WESTMAN, 1985; WATHERN, 1988; CANTER, 1996;
ORTOLANO, 1997; INSTITUTO TECNOLÓGICO GEOMINERO DE ESPAÑA, 1998; SÁNCHEZ, 2003). Citam-se algumas das descritas por esses autores, que são as mais aplicadas em estudos ambientais no país, sendo apontados vantagens e pontos negativos no seu emprego:
• checklists ou listas de verificação referem-se a listas de vários impactos associados a um tipo específico de projeto. Esse método tem como principal vantagem reunir os mais prováveis impactos associados a um projeto. Em contrapartida, não possibilita ilustrar as interações entre os impactos e a interpretação de impactos indiretos. Esse método pode,
ainda, resultar em categorias extensas, o que tende a desviar a atenção dos impactos mais significativos;
• matrizes, também conhecido como método de causa-efeito, consistem em analisar de maneira qualitativa a correspondência entre uma ação e suas conseqüências sobre o meio. A matriz mais conhecida é a de LEOPOLD et al. (1971), que foi o primeiro método estabelecido para avaliação de impacto ambiental, na qual foram correlacionadas 100 ações a 88 efeitos ambientais, resultando em 8800 interações. Essa matriz pode ser considerada uma série de checklists para diferentes ações, remetendo assim aos mesmos problemas dessa técnica. A possibilidade de atribuição de pesos aos parâmetros permite sumarizar essa grande quantidade de dados por meio de um índice para a tomada de decisão. Entretanto, as contribuições de diferentes elementos e ações podem ficar diluídas; • redes de interação são métodos que privilegiam o intercâmbio entre os
componentes ambientais e, conseqüentemente, as relações causa-efeito, o sentido da alteração e a identificação de impactos indiretos. Em contrapartida podem resultar em cenários complexos e de difícil aplicabilidade;
• overlay ou sobreposição de mapas é uma técnica em que cartas temáticas são analisadas conjuntamente, o que permite avaliar os impactos espacialmente, embora restritos a um número reduzido. É um método bastante aplicado a estudos de alternativas de empreendimentos lineares. A previsão dos impactos ambientais é uma etapa posterior à identificação que busca informar sobre a magnitude e intensidade das mudanças nos sistemas naturais e sociais decorrentes do projeto (SÁNCHEZ, 2003). Os métodos descritos na literatura para previsão de impactos relacionam-se a diversos campos da ciência que dispõem de ferramentas específicas para antecipar as variações dos fenômenos que estudam como: modelos matemáticos, de balanço de massas e estatísticos; comparação e extrapolação; experimentos de laboratório e de campo; simulações e modelos analógicos; e julgamento de especialistas (GLASSON; THERIVEL; CHADWICK, 1999; SÁNCHEZ, 2003).
A etapa subseqüente na confecção do EIA corresponde à avaliação dos
impactos ambientais. Nessa etapa pretende-se atribuir significância dos impactos
previstos, sempre considerando o contexto socioambiental em que o empreendimento se insere.
O termo impacto significativo é bastante controverso, conforme assinalado por BEANLANDS (1993b) e THOMPSON (1990). Este último autor destacou a importância da distinção entre magnitude e significância. A primeira é resultado da predição empírica (previsão dos impactos) e a segunda, expressão do custo do impacto previsto para a sociedade (avaliação de impactos). Após correlação de 24 metodologias de AIA a 15 critérios de avaliação, esse autor ressaltou, ainda, que métodos quantitativos devem ser usados como ferramentas para ajudar a avaliação e expressão da interação entre projeto e meio, sempre com a ajuda da consulta pública.
DUINKER; BEANLANDS (1986) consideram as perspectivas estatística, ecológica, social e do projeto como relevantes à definição de um critério específico para discutir significância de impacto. ANDREWS et al. (1977 apud DUINKER; BEANLANDS, 1986) propuseram, para determinar a significância dos impactos, a adoção dos seguintes critérios: magnitude, extensão espacial, duração, probabilidade de ocorrência, segurança na previsão do impacto, existência de conjuntos de valores preestabelecidos (por exemplo, padrões de qualidade do ar e da água) e polêmica sobre o desenvolvimento proposto (interesse público e as repercussões políticas). GLASSON; THERIVEL; CHADWICK (1999) apontam outros critérios para classificação dos impactos, como: físico e socioeconômico, de curto e longo prazo, local e estratégico, adverso e benéfico, reversível e irreversível, quantitativo e qualitativo, distribuído por grupo e/ou área e referente a outros desenvolvimentos.
Esses critérios para avaliação dos impactos são combinados e/ou ponderados entre si, de modo a determinar sua significância. Assim, muitas das avaliações dos impactos ambientais de projetos vêm sendo executadas de modo simples e freqüentemente pragmático, delineadas mais na experiência e opinião com conhecimento do que em análises sofisticadas ou complexas. O método mais formal é a comparação com padrões legais. Também são aplicadas análises custo-benefício, multicritério e de decisão (GLASSON; THERIVEL; CHADWICK, 1999).
Os impactos que afetam o meio ambiente podem ser ainda descritos como diretos, indiretos ou cumulativos. Assim, segundo ERICKSON (1994), “impactos diretos são mudanças nos componentes e processos do meio ambiente que resultam imediatamente de uma ação ou projeto relacionado à atividade”; “impactos indiretos correspondem a modificações na dinâmica e nos componentes do meio ambiente que são conseqüências dos impactos diretos”; e “impactos cumulativos4 são os efeitos agrupados dos impactos diretos e indiretos resultados de dois ou mais projetos em uma mesma área e região”. Esse último tipo de impacto geralmente é abordado em outro tipo de instrumento de gestão ambiental, a Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) e os dois primeiros são objetos de AIA e devem ser contemplados no EIA.
As medidas mitigadoras são propostas após os impactos serem avaliados, de modo a reduzir seus efeitos adversos no caso dos negativos. Essas medidas incluem práticas e procedimentos de controle comprometidos, especificamente, em atenuar ou acentuar as conseqüências de um projeto proposto (ERICKSON, 1994). Em INSTITUTO TECNOLÓGICO GEOMINERO DE ESPAÑA (1998), alerta-se para a importância da aplicação de medidas preventivas (ou inerentes ao projeto), geralmente associadas à fase de concepção e definição do projeto, pelas quais a escolha da tecnologia ou processo é ferramenta básica para alcançar esse objetivo. SOUZA (2000) destaca que além das preventivas, as medidas mitigadoras englobam ações corretivas que podem ser de ordem técnica, política ou econômica. As medidas compensatórias são aplicadas para contrabalançar os impactos ambientais de projetos quando implementados (CUPERUS et al. 2001). Essas últimas correspondem àquelas mudanças que não podem ser revertidas ou minimizadas. As medidas mitigadoras e compensatórias, geralmente, são organizadas nos planos de gestão do empreendimento, por vezes, denominados planos de controle ambiental.
Após a finalização e análise do EIA, a etapa que antecede a decisão é a consulta pública. Essa etapa representa elevada importância à aprovação do projeto e envolve uma série de mecanismos particulares para sua preparação e realização.
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Os atributos que caracterizam efeitos cumulativos, conforme SPALING (1994), referem-se a perturbações múltiplas, causas complexas, processos interativos, limites espaciais expandidos e permeáveis, horizontes de tempo estendidos e período de exposição. COOPER; CANTER (1997) identificaram como questões-chave na avaliação de impactos cumulativos a definição do processo de acúmulo, determinação dos limites espaciais e temporais e o uso de métodos e monitoramento dos impactos previstos.