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3. AVRUPA BİRLİĞİNİN GENİŞLEMESİ VE TÜRKİYE AVRUPA BİRLİĞİ İLİŞKİLERİ

3.1. Avrupa Birliği Genişleme Süreci

Uma das questões centrais para a presente pesquisa está relacionada ao vínculo formado entre as grandes empresas militares e de segurança privada, e seu maior cliente, o Estado norte-americano. A hipótese traçada na introdução para o presente estudo deixa aberta a relação de precedência entre a formação das PMSC e a criação da demanda por esses serviços. Isso quer dizer que nem os interesses dos atores privados elucidam completamente a maneira como se criam espaços para esse tipo de serviço, nem as oportunidades encontradas pelo Estado na exploração de suas relações no mercado privado esgotam as possíveis causas para o fenômeno. Pelo contrário, como será possível perceber adiante, as duas hipóteses podem ser complementares. A relação lógica possível a partir desse dado é: os benefícios mútuos retirados da relação entre as PMSC e o Estado sugerem que as duas dinâmicas se criaram concomitantemente. O Estado fez as PMSC tanto quanto as PMSC fizeram o contemporâneo Estado neoliberal.

O presente capítulo será dedicado a explorar a relação entre a DynCorp e o seu maior cliente, o Estado norte-americano. O objetivo é chamar atenção para a via de duas mãos que interliga os diferentes setores da administração com as empresas, de maneira a alimentar interesses mútuos. Como veremos, a indústria militar cavou espaços para que pudesse influenciar as decisões dos governos, processo que tornou possível chegarmos ao estágio atual de dominância da opção privada em diversos setores associados à segurança. Por outro lado, o Estado norte-americano estimulou, desde meados do século XX, a formação de um “mercado da força”, do qual colhe uma série de benefícios.

O capítulo está dividido em quatro partes. A primeira demonstra a enorme preponderância do governo federal dos EUA como o principal cliente da DynCorp. Essa empresa, na forma como ela se constitui nos dias de hoje, não existiria sem a força da demanda de seu principal cliente. A segunda parte, um reflexo do que foi descrito na seção 2.1, traça um histórico do processo de transferência de funções militares ao mercado por parte do governo dos EUA. A enorme demanda por serviços militares não se criou em um ato, mas sim dispersa por um longo período de tempo que se inicia no pós-II Guerra Mundial. A terceira parte investiga a outra

face da moeda, ou seja, como a DynCorp se tornou, por seu lado, uma força de demanda por mais privatizações e terceirizações. Serão descritos os principais meios utilizados pela empresa para influenciar a ação de Estado. Por fim, a quarta parte discute as tentativas atuais de se regular, ou não, a atuação das PMSC. Como será possível perceber, tanto as empresas quanto os Estados colhem benefícios de um setor que opera em grande medida sem regulação.

No limite, o que se busca demonstrar nesse capítulo é que se formou uma relação mutualista entre o Estado e as PMSC. Reiterando, a explicação que enxerga as empresas como parasitas de um Estado que sofre pressões para agravar os processos de terceirizações parece não esgotar as explicações possíveis. Por outro lado, uma hipótese que enxergue o Estado como uma instituição completamente autônoma dos processos sociais e econômicos, na qual as empresas seriam apenas acessórios para a ampliação de seu poder e capacidade de ação, também perderá de vista parte importante dos processos observados até o momento.

5.1 O grande cliente – a DynCorp e o governo federal dos Estados Unidos

Conforme mostrado no capítulo anterior, o Governo Federal dos Estados Unidos foi, ao longo da história recente da DynCorp, o maior cliente da empresa. Essa condição não é privilégio da empresa. Pelo contrário, a grande força de demanda para as PMSC foi proveniente desse grande cliente. O governo norte- americano fez com que o mercado para as grandes PMSC tivesse um aspecto bastante particular, o que Sean McFate chama de monopsônio, um mercado com apenas um comprador, ou um monopólio pelo lado da demanda e não da oferta. De acordo com o autor:

At present, the market for force is not a free market but rather a monopsony, a market with a single buyer. The current market marker for modern force is the United States, as it has turned to the private sector in unprecedented ways to support its wars in Iraq and Afghanistan. (MCFATE, 2014, p.71)

O conceito de monopsônio explica a condição da DynCorp de maneira bastante precisa. De acordo com dados de 2010, os últimos dados detalhados abertos disponíveis, 97% das receitas da DynCorp provinham de contratos com o governo dos Estados Unidos. Como já foi possível observar no capítulo anterior, mesmo em casos onde o cliente envolvido não é algum setor do governo dos

Estados Unidos, as verbas e receitas são provenientes de fluxos de cooperação ou ajuda provenientes dos EUA. É o caso, por exemplo, das verbas destinadas ao combate ao cultivo de drogas na Colômbia. Para o caso da Colômbia, embora os contratados da DynCorp estejam envolvidos em atividades junto à polícia ou exército locais, os pagamentos para seus serviços são canalizados pelo seu contrato junto ao DoS (DYNCORP, 2010, p.14). Mesmo para os casos dos clientes que não sejam o governo federal dos Estados Unidos, as operações da DynCorp obedecem às fidelidades da política externa desse cliente. Os três demais clientes da empresa, Kuwait, Oman e EAU, são Estados que recebem ajuda militar, e onde estão instaladas bases militares norte-americanas.

Além de uma grande concentração das receitas para um cliente, existe também uma grande predominância de algumas agências do governo. Abaixo podemos observar de que maneira estavam distribuídas as fontes de receitas da DynCorp em 2010:

Figura 3 - Receitas da DynCorp, por cliente (ano fiscal 2010) 31%

49% 8%

7%

2% 3%