4.BULGULAR VE YORUM
E. Birçok bilim insanı birbiriyle iş birliği yapar, yarışmaz.
Além de APLs, as aglomerações geográficas de firmas e instituições se dispõem em uma infinidade de tipologias, como distritos industriais, clusters etc. Tais aglomerações em redes se organizariam como cadeias de fornecimento em função de uma empresa-âncora e, entre as quais, a cooperação seria um elemento fundamental para o grau de competitividade das mesmas (Cassiolato e Szapiro, 2003).
Ao se falar em clusters, porém, alguns autores defendem que não é a cooperação, mas sim a competição entre as companhias aglomeradas que acabaria contribuindo para esse grau de competitividade das mesmas. Contudo, o que não pode haver é a consideração dos clusters como sendo apenas “uma concentração setorial e espacial de firmas com ênfase em uma visão de empresas como entidades conectadas nos fatores locais para a competição nos mercados globais” (Cassiolato e Szapiro, 2003, p. 36). Há mesmo a idéia, ligada a Schumpeter, dos cluster banks, defendida pela necessidade dos empreendedores convencerem os bancos a fornecerem crédito para financiar atividades inovativas e assim, geralmente, há dificuldade para que PMEs tenham acesso ao crédito (Mytelka e Farinelli, 2005).
Muitas vezes grandes empresas é quem têm essa preferência, o que compromete o estabelecimento de uma concorrência por novas empresas. A experiência aglomerada permite que muitas PMEs tenham acesso ao aprendizado e à inovação, mas, diante da relutância dos bancos, elas podem não cumprir esse papel-chave na devolução e na manutenção da inovação em um aglomerado. Além disso, quando obtidos, os empréstimos são elevados – os quais resultam, em grande parte, de assimetrias de informação. “Isso tem duas dimensões. Por parte das empresas, deve-se à ausência de registros de contabilidade adequados e de documentação financeira. Por parte dos bancos, origina-se na ausência de ferramentas e metodologias apropriadas para avaliar a confiabilidade de clientes potenciais” (Mytelka e Farinelli, 2005, p. 368). No Brasil, esse é também um grande problema relacionado às PMEs (Leone,1991;Leone,1995) e gera o paradoxo do “empreendedor sem crédito” (Tonholo, 2007).
Os empreendedores devem assumir riscos na direção da expansão ou da consolidação de seu mercado. “Isso é ainda mais verdadeiro quando a natureza intangível das atividades requer que qualquer inovação seja certificada e protegida, de forma a gerar
renda para os empreendedores” (Petit, 2005, p. 134). Para o autor, quanto mais informações os produtores obtiverem sobre os consumidores, maior será a capacidade de produção e reorganização da linha de produção diante da reação dos consumidores às inovações. Petit recorre às idéias de Kaldor: “se essa dinâmica de diferenciação de produto generalizada leva a ganhos de produtividade, o que, por sua vez, favorece os salários, levando à expansão da demanda, obtemos uma dinâmica cumulativa de crescimento econômico” (Petit, 2005, p. 133).
Mas o autor duvida que esse círculo virtuoso possa ocorrer. Primeiro, porque produtores externos podem também beneficiar-se dessas informações e tirar maior proveito delas que os domésticos. Segundo, a reorganização das linhas de produção busca mais economias de escopo do que de escala, objetivo que leva a outras “reorganizações da produção entre empresas (terceirização, joint ventures, acordos etc) e afeta a divisão dos ganhos de produtividade (...). A terceira razão pode ocorrer no descompasso entre os processos de aprendizado realizados pelos consumidores e aquele que ocorre na produção” (Petit, 2005, p. 133).
A partir dos exemplos estudados, Cassiolato e Szapiro (2003) propõem uma forma de organização dos arranjos produtivos para países em desenvolvimento a partir de dois tipos de transformações: i) uma estratégia de aprofundamento da especialização e gradual
upgradding da produção, visando a um aumento da qualidade do produto (valor adicionado
por unidade produzida), com foco em nichos de mercado, onde existirão importantes limites tanto à agregação de valor quanto à própria competividade em longo prazo e ii) diversificação para diferentes produtos, envolvendo a reorganização da produção, estabelecimento de novas relações entre as firmas, instituições locais etc.
Nesse ponto, pode ocorrer a transformação de um aglomerado industrial monoproduto para um aglomerado industrial organizado ao longo de uma filière. “As ligações entre firmas (verticais e horizontais) se tornam mais intensas e surgirá o desenvolvimento de um sistema de firmas e instituições mais completo (...) É neste caso que o grau de territorialidade aumenta significativamente. Tecnologia e trabalho qualificado tornam-se intrínsecos ao sistema local” (Cassiolato e Szapiro, 2003, p. 49). Isto significa que a evolução do aglomerado se dá através de mudanças verticais em direção a capacitações complementares, para frente e para trás.
O desenvolvimento econômico não é só geração de riqueza, mas também inclui a “criação de novas atividades que dão origens a mudanças qualitativas e, portanto, a mudanças na composição do desenvolvimento econômico. Por sua vez, a criação de novas atividades gera mudanças estruturais” (Saviotti, 2005, p. 291). Dentre essas mudanças, a importância, também no plano econômico, reside no papel da diversidade – também crucial no campo da cultura. Tal importância da variedade – aqui entendida como medida do grau
de diferenciação do sistema econômico – é conectada ao desenvolvimento da economia a partir de duas hipóteses:
i) o aumento da variedade é um requisito necessário para o desenvolvimento econômico a longo prazo; ii) o aumento da variedade, levando a novos setores, e o crescimento da produtividade em setores preexistentes são aspectos complementares, e não independentes, do desenvolvimento econômico. (...) Seguindo a fórmula schumpeteriana, o aumento crescente da produtividade das rotinas, que constituem o fluxo circular, cria os recursos necessários para a inovação, sem a qual o desenvolvimento econômico estancaria (Saviotti, 2005, p. 293, 294).
Seu ciclo pode ser resumido no seguinte quadro:
Quadro 3 - Ciclo virtuoso dos fatores variedade e seleção →
→ → →
Aumento da produtividade Atividades de busca – protótipos de novos bens e serviços Aumento da variedade líquida
(variação original – seleção concorrencial)
Novos bens e serviços – selecionados pela concorrência
← ← ← ←
Fonte: Saviotti, 2005, p. 294
Se, na biologia, o número de nichos (subconjuntos especializados de um habitat no qual apenas uma espécie pode sobreviver) que podem existir em um determinado habitat (gama de recursos disponíveis para uma ou mais espécies) é proporcional ao tamanho deste habitat, para o autor, de forma similar, na economia um nicho é um subconjunto especializado de um mercado.
Assim nichos não só podem preceder, como também podem tornar-se requisitos para a formação ulterior de um mercado. Uma nova tecnologia, por exemplo, pode não se mostrar melhor que as anteriores e, ao mesmo tempo, pode não interessar aos consumidores – e elas só o conseguirão após um tempo de acumulação do aprendizado. (Saviotti, 2005)
No entanto, se ela for direcionada para um nicho (espaço reduzido, mas com características comuns), os efeitos de acumulação do aprendizado nesse nicho podem ser mais rápidos e incrementar a dita tecnologia de forma que ela se torne acessível e interessante a um maior grupo de usuários, propiciando, ainda que lentamente, um novo mercado. Saviotti lembra ainda que o processo de criação de um nicho pode ocorrer de duas formas: através da especialização de uma tecnologia existente ou de uma tecnologia totalmente nova (inovação radical) (Saviotti, 2005, p. 309).