4 BULGULAR ve YORUM
4.1 Durumların Genel Özellikleri
4.1.1 Beyza
No dia a dia, as aulas da Silvia sempre se iniciavam com um encontro na roda, que rapidamente se transformava em alguma brincadeira. Ela, inclusive, fez questão de ressaltar, na entrevista, que considera os jogos e brincadeiras uma marca do seu trabalho, o que se comprova, na prática. Em todas as suas aulas que assisti houve um tempo reservado para essas atividades. Quanto a isso, para Silvia,
a brincadeira não é essa coisa [...] essa coisa quando fica muito apelativa [...] ‘vão fazer uma roda! Vamo dar a mão!’ Não tem isso, assim. Pelo menos eu não penso dessa maneira [...] Então, a brincadeira mesmo, o intuito das minhas brincadeiras e jogos é juntar todo mundo, porque, a princípio, eles chegam super ativos. Então é juntar pra poder fazer a roda. Eu não consigo só sentar na roda e falar: ‘gente, vão sentar na roda?’ Eu sempre puxo alguma coisa. Eu puxo uma canção e eles vêm [...] ou eu começo fazendo um ritmo e eles vêm e sentam fazendo o ritmo. Sempre tem uma passagem pra vir pra essa roda. É porque sempre tinha que começar com alguma conversa (SILVIA, 2008).
Na primeira aula que assisti, no fim de agosto, houve um rápido aquecimento, através de uma brincadeira de andar pela sala, seguindo um ritmo de samba, tocado pelo Chris, batendo palmas e trocando de lugar com os colegas através da troca de olhares. Depois, Silvia relembrou um canto que haviam começado a aprender na última aula, ensinou alguns trechos novos e passaram a cantar, enquanto Silvia ia
chamando a atenção para alguns aspectos musicais. Após isso, pegaram os instrumentos para aprender a executar a música, a turma foi dividida com o Chris, e Silvia ficou trabalhando com os violões, xilofone e metalofone.
Na segunda, no fim de setembro, a brincadeira envolvia a leitura rítmica de figuras geométricas espalhadas pelo chão da sala, que os educandos organizavam, um de cada vez, mas sempre trocando idéias com outros colegas, de diversas formas, formando figuras maiores. Num segundo momento, essa atividade passou a ser realizada com baquetas, que Silvia distribuiu aos educandos. No fim, a turma foi dividida com o Chris e Silvia ficou trabalhando harmonia e melodia da música “Aluá” com alguns, nos instrumentos.
Quando a aula terminou, ficamos conversando na sala e Silvia me disse o que haviam feito nas últimas aulas. Trabalharam com figuras geométricas. Os meninos haviam proposto formas diferentes de leitura das figuras, sem ser linearmente, e começaram a formar figuras com as figuras, como eu havia visto hoje. Depois, haviam começado a trabalhar a música “Aluá”. Ficou muito tempo passando a melodia. Disse que, pra eles tocarem aquilo hoje, necessitou de um bom tempo. Silvia achava a música tranqüila de aprender, mas o difícil, em sua opinião, seria juntar todas as partes. Explicou-me que pretendia, no arranjo para o festival, trabalhar as figuras antes da música. Chris chegou e disse que estava escrevendo o arranjo. Ficou conversando comigo e com Silvia como seria. Chris estava muito interessado no arranjo. Silvia disse a ele que gostou de suas idéias e ficaram combinando coisas de ordem prática (SILVIA, notas de Campo, 2008).
Na terceira aula, no começo de setembro, a conversa no início da aula foi longa, em função de problemas que haviam ocorrido no ônibus que levava os educandos ao projeto. Um falatório se estabeleceu. Monique e Diego eram os mais exaltados. Falavam alto e ficavam acusando a monitora do ônibus de fofoqueira. Parece que eram eles os principais envolvidos na confusão. Depois de muito tumulto, Silvia disse:
“Tá”. Para tentar encerrar as conversas. Pede atenção novamente. Fala, rapidamente, que o que interessava a ela era que todos fossem pessoas bacanas dentro do projeto. Depois perguntou: “a gente entrou para a sala de música. A gente veio aqui pra fazer o que?” Vieram duas respostas de dois educandos: “tocar” e “música”. Um outro pergunta: “que música?” Silvia completa: “Dá pra fazer música de cara emburrada pro outro, brigando com o outro, falando palavrão, descontando, esperando a hora pra dar uma resposta pra outra pessoa, dá pra fazer música assim?” Um menino respondeu: “não”. Silvia concordou com ele. Monique diz: “fessora, vão esquecer esse negócio e vão fazer a aula? (SILVIA, notas de Campo, 2008).
A aula seguiu com uma atividade que consistia em andar pela sala, partir de um pulso, e formar grupos, rapidamente, com um número de educandos que Silvia informava quando o pulso parava. Depois, se reuniram e ficaram escutando
gravações que fizeram na última aula de sons que procuraram pelo CEPE. Então, Silvia pediu que cada um procurasse um objeto sonoro pelo clube e que se encontrassem na churrasqueira em cinco minutos. Na churrasqueira, em roda, cada educando mostrava o som de seu objeto para os colegas e Silvia comentava sobre suas características. No fim da aula, Silvia ainda propôs que executassem algo, usando aqueles objetos, a partir de um ritmo que Chris produzia num instrumento. Nesse momento, a confusão de sons era tão grande que Silvia não pode conter a turma. A aula terminou.
Depois da aula, fiquei um tempo conversando com Silvia e ela me disse que haviam, na aula retrasada, assistido dvds dos grupos Stomp e Barbatuques. Chris estava perto e corrigiu que era Stomp e Partimpim. Silvia concordou. Depois, explicou que conversaram um pouco sobre som e ruído, fizeram alguns exercícios de percussão corporal e se dividiram em grupos para pesquisar os sons do clube. Por fim, comentou que os meninos estavam loucos para ficar tocando “esmurrando” os instrumentos e por isso não estava trabalhando com os instrumentos ainda. Segundo Silvia, esse era o motivo daquelas atividades (SILVIA, notas de Campo, 2008).
Na última aula que acompanhei, no fim de outubro, uma inundação na sala de música atrasou muito o início da oficina. Quando cheguei, Silvia, Chris e alguns educandos estavam limpando a sala, os instrumentos e colocando tudo para secar na área da churrasqueira. Fiquei lá com eles e cheguei a pensar que nem haveria aula. Mas houve. Como estavam sem os instrumentos, ficaram fazendo atividades com as figuras geométricas e cantando a melodia da música “Aluá”. Silvia ficou tentando acertar com eles o encaixe da melodia com os compassos alternados que surgiam da disposição das figuras, indicando o início e fim das frases musicais. A aula não durou muito e a concentração da turma estava muito difícil nesse dia.