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Öğretmen Beyza ile İlgili Bulgular ve Yorum

4 BULGULAR ve YORUM

4.2 Öğretmenlerin Genel Pedagojik Bilgilerine İlişkin Bulgu ve Yorumlar

4.2.1 Öğretmen Beyza ile İlgili Bulgular ve Yorum

No dia a dia, as aulas seguiram sempre uma linha bem definida. Com os educandos assentados em roda, nas cadeiras de braço, tipo escolar, que existem na sala de música da Nossa Casa, Gustavo, sempre com um violão, normalmente iniciava com exercícios de aquecimento vocal e percepção, utilizando um metalofone que passava de mão em mão por todos os meninos. Os exercícios baseados no método Kodály tinham lugar nesse primeiro momento.

Nas duas primeiras aulas que acompanhei, uma no início e outra no fim de setembro, após esses primeiros exercícios de percepção e aquecimento, começava o ensaio das músicas, ainda com os educandos assentados nas cadeiras, em roda. Sete ou oito músicas eram ensaiadas por aula. Eram, normalmente, as mesmas, mas havia ensaios que privilegiavam uma ou outra, conforme a necessidade ou de acordo com a construção dos arranjos. Esses arranjos, a uma ou duas vozes, sendo que alguns continham ostinatos sustentados por um grupo ou até um momento de solo, pareciam ser pré-concebidos por Gustavo, que os testava e adaptava conforme a assimilação pela turma e os resultados.

As aulas eram sempre dinâmicas e ordenadas. Após um rápido encontro na roda, no instante seguinte, Gustavo anunciava uma música ou atividade e, imediatamente, começava a cantar, ou fazia a introdução ao violão, para marcar entradas. Quase sempre sem parar de tocar ou cantar, realizava pequenas

correções, incentivava algum grupo específico ou algum educando, chamava a atenção de alguém, fazia elogios individuais ou ao grupo ou qualquer outro comentário. Quando parava no meio de uma música era para reorganizar a turma, reforçar algum combinado, corrigir afinação ou ensinar alguma novidade no arranjo.

Os intervalos entre as atividades, ou entre as músicas, eram mínimos, apenas o necessário para algum comentário ou para responder a alguma questão individual ou do grupo. Quando surgia a necessidade de comentar qualquer assunto teórico ou técnico, a abordagem era objetiva e numa linguagem acessível, que parecia ser bem compreendida pelos educandos.

As práticas do que Gustavo chamou de “improviso solto” aconteciam no decorrer dos ensaios e a partir da harmonia da própria música que estava sendo trabalhada. Algumas vezes, Gustavo apenas anunciava essa atividade, sem nem mesmo precisar parar a música, mas nem sempre os meninos se entregavam a ela.

Presenciei uma dessas sessões de “improviso solto” na primeira aula que acompanhei. Estavam ensaiando a música “Nossa Casa Blues”, a mesma que ensaiavam na turma do Maurício, mas, desta vez, seria só o canto. Além do improviso, o trecho abaixo é um exemplo da preocupação que Gustavo diz ter em relação à entrega, à exposição, ao perder o medo de errar (KOELLREUTTER, 1998), através das brincadeiras e desafios. É, também, um exemplo da forma prática com que trata de questões musicais com os educandos (KATER, 2004).

Gustavo para a música, apesar de que o menino do violão continuou tocando, e propõe que fizessem solos. Explica que, normalmente, no blues, se carrega na pronuncia das sílabas: “a gente pega uma sílaba e joga o desenho pra baixo ou pra cima, como se fosse um morrinho” (Faz um movimento com a mão imitando as curvas de um morro).

Gustavo começa a cantar e faz um ornamento no fim de uma frase na palavra blues. Isso chama a atenção da turma. Até o menino do violão parou. Gustavo pergunta: “percebem o que eu fiz com o blues?” A turma começa a rir. Alguns começam a cantar imitando. Gustavo chama novamente a atenção explicando: “quando a gente vai cantar blues, a gente carrega nesses desenhos assim”.

Começa a dar exemplos cantando e colocando ornamentos em partes da música. Os meninos voltam a brincar, tentando imitar o que ele fez. Sugere que cada um faça um pouquinho. Eles vão fazendo e Gustavo vai dando dicas. O clima é descontraído. Gustavo dá exemplos em que sobe o desce as notas nos ornamentos.

Letícia pergunta: “pra que isso, fessor?” Gustavo responde: “é como se fosse um enfeite no vocal, a gente chama de ornamento. Nós vamos chamar de enfeite”. Gustavo pega o violão e começa a dar exemplos de como isso poderia ser feito na música.

Um menino reclama. Gustavo diz: “vocês não escutaram”. Outro diz: “ah, ficou maior esquisito com esse trem de...” (cantou tentando imitar o que o Gustavo tinha feito). Letícia comenta, em meio a um falatório: “fessor, esse trem parece uma sirene de ambulância estourada”.

Gustavo pede a atenção da turma pra tentar escutar o que ele está querendo mostrar. Canta mais uma vez, fazendo os ornamentos. Estão atentos ao seu canto.

No final do exemplo, ele carrega mais no ornamento e a turma volta a comentar, rir e reclamar. Uns cantaram junto com ele e ele disse: “é, é isso aí!”.

Então, Gustavo propõe que cada um agora tente cantar do seu jeito, cada hora um. Diz: “eu dei o exemplo, agora vocês se virem pra cantar. Vocês estão escutando pouco. Quem escuta pouco, aprende pouco também”.

A turma estava muito agitada neste momento e ele pediu silêncio algumas vezes. Por fim, disse seriamente: “estou pedindo silêncio três vezes, vai ter que ter a quarta?” Pergunta a um menino que estava conversando se ele quer ir beber água. A turma faz silêncio, ele conta e começa a tocar o violão.

Pablo começa a cantar, fazendo os ornamentos. O resto da turma está em silêncio. Pablo estava fazendo bem. Em uma parte, perde o controle da voz. A turma ri, mas ele rapidamente recupera a afinação. Quando ele termina, recebe um elogio do Gustavo: “muito bem, cara essa é a intenção”.

Alguém comenta, brincado: “O cara, é o cara!”. Gustavo diz: “gente, escuta a música!”. Mais um menino canta. Estava fazendo dentro da proposta e a turma em silêncio, ouvindo. De repente ele mesmo ameaça começar a rir enquanto canta, mas retoma e vai até o fim. Um outro começa, meio desafinado. Gustavo diz: “afinação!” e canta um pedacinho com ele. O menino pega o tom e segue cantando. Ele não experimenta os ornamentos. Perde a afinação de novo. Gustavo canta junto e ele recupera. Na última palavra, da última frase, ele faz um ornamento. Enquanto ele terminava Gustavo já estava chamando a Letícia dizendo a ela: “cantar do seu jeito, mais solto”.

Ela canta, muito timidamente, faz o ornamento apenas uma vez. Quando ela termina, Gustavo chama mais um. Ele não quer, chama outro. João!

João começa bem baixinho, quase não dava para ouvir sua voz. Gustavo volta e pede pra ele começar de novo. Começa cantando com ele. Ele continua cantando, baixinho. Gustavo diz: “mais alto, João, mais coragem! Se joga, cara!” Aí ele sobe a voz e faz um ornamento interessante. Recebe um elogio do Gustavo: “Isso, cara! Isso aí, bacana!” Gustavo diz: “espera aí!” (para que desse o tempo de início do turn around) e continua: “se joga, vai, de novo, agora!” Ele então fecha a música cantando com vontade e fazendo um ornamento legal. Gustavo elogia. A turma se agita quando, no final, Gustavo grita: “Uooouu!”

Chama Luiz. Ele canta, fazendo ornamentos interessantes. Alguns estão batendo o pulso, de leve, na cadeira ou com os pés. No final, Gustavo diz o típico “Oooié!” das performances de blues.

Outro menino começa a cantar. Começa baixinho e vai aumentando a voz aos poucos. Surpreende no final fazendo uma voz rouca, típica dos cantores de blues. Gustavo diz mais um “Ooooié!” A turma se agita. Alguém diz: “Esse é o cara!”.

Gustavo chama todos pra cantar. Todos cantam. Ele pede: “mais alto, gente!”. A turma canta. Gustavo fala que aquilo que eles estavam fazendo é o que ele tinha mostrado para eles. No final, Gustavo diz: “ano que vem a gente vai treinar isso” (GUSTAVO, notas de Campo, 2008).

É interessante, nesse exemplo, que essa aula ocorreu após o episódio relatado por Maurício, quando propôs criar um blues, encontrou resistência, devido ao estranhamento da turma com o estilo, e desenvolveu todo aquele processo de discussões, assistirem ao dvd e criar a música “Nossa Casa Blues”. Aqui, a resistência inicial parece ter sido em função do medo da exposição, devido ao jeito de cantar (GREEN, 1996) que, segundo uma das meninas, parecia “uma sirene de ambulância estourada”. Mas, no final, um dos meninos chegou a imitar a voz rouca dos cantores de blues.

A partir da terceira aula observada, no início de novembro, é que o formato mudou um pouco. Após os exercícios de aquecimento e percepção, o ensaio das

músicas, já pensando na proximidade do festival, passou a ocorrer com o grupo de pé, agrupado de acordo com as vozes e trabalhando uma movimentação, bem simples, que acompanhava o canto. Um dos meninos, que nas aulas anteriores não se envolvia tanto com a prática do canto, agora tocava instrumentos de percussão e acompanhava o grupo junto com Gustavo ao violão. A última aula que acompanhei foi no meio de novembro e o ensaio seguiu a mesma linha. Esse modelo mais fechado de oficina parece estar relacionado ao aproveitamento máximo do tempo para a vivência do cantar coletivamente.