4 BULGULAR ve YORUM
4.2 Öğretmenlerin Genel Pedagojik Bilgilerine İlişkin Bulgu ve Yorumlar
4.2.2 Öğretmen Nergis ile İlgili Bulgular ve Yorum
No dia a dia das oficinas, Gal prioriza uma aula programada e objetiva. Na primeira que assisti, no fim de agosto, os poucos instrumentos que havia na sala, três ou quatro jambés, só foram utilizados quando a aula estava quase terminando. O restante do tempo foi dedicado ao aprendizado de um canto africano, iniciando pelo estudo métrico da melodia, a partir da letra anotada em um quadro, com as
sílabas separadas entre barras de compasso, até o momento em que todos cantaram e os jambés foram tocados, para acompanhar o canto, por Gal e três dos educandos.
Ainda nessa primeira aula, pude perceber que a presença da Gal, por seu jeito se vestir, sua postura centrada e sempre coerente, seu tom de voz firme e suave ao mesmo tempo, suas habilidades enquanto instrumentista e a nítida paixão que demonstra possuir em relação à sua profissão, era um fator que contribuía no envolvimento da turma numa atividade que, por exigir que ficassem assentados e concentrados por muito tempo, talvez não tivesse sucesso na pessoa de um outro educador.
C.O. Me surpreendeu que os meninos se mantivessem comportados diante de uma atividade tão longa e repetitiva, mas estavam. A impressão que me dava é que essa tranqüilidade da turma era decorrente de um respeito (não medo) e uma confiança nos objetivos da Gal (GAL, notas de campo, 2008).
Kater (2004) ressalta que, voluntariamente ou não, o aluno assimila padrões de comportamento do professor na construção de sua própria identidade.
O educador musical, como qualquer professor, presta-se, querendo ou não, como modelo de referência para seus alunos, não só do ponto de vista musical (sua competência técnico-específica, digamos), mas também enquanto pessoa humana que é. Sua postura singular, maneira de ser e de estar, opiniões e comportamentos atuam ininterruptamente para eles como viva ilustração (KATER, 2004, p.45).
Gal, com essa turma dos mais velhos, falava sobre a responsabilidade que tinham de aprender mais e ajudar os mais novos das outras turmas. Essa referência foi feita logo no início dessa mesma aula.
Com uma voz suave, falando baixo, mas com firmeza, Gal começa a aula. Lembrou rapidamente que eles estavam, nas últimas aulas, trabalhando um ritmo, mas que agora iriam parar para aprender uma música que já estava sendo aprendida pelos meninos da primeira turma e esta turma deveria aprender para acompanhá-los. Não foi dito quando seria esse encontro.
Informou que era uma música pequena, uma música africana e que, além de participar no canto, essa turma iria dar uma força no ritmo que era “bem forte, então vamos precisar de vocês pra dar uma força pra eles. Pra isso tem que entender aqui”. Para, pois alguns conversam um pouco e atrapalham a aula.
Sem perder muito tempo chamando atenção, Gal retoma a aula. Volta a falar que, pra tocar, pra entender o ritmo, iriam primeiro entender a música “que é bem facinha”. Informou que depois iriam trabalhar com as vozes, mas que ainda não era o caso. Agora iriam entender o ritmo pra poder dar a base pra que a outra turma pudesse cantar, “ou até tocar, mas com mais facilidade e tranqüilidade” (GAL, notas de campo, 2008).
A segunda oficina, em meados de setembro, seguiu a mesma linha, mas os exercícios envolviam leitura rítmica das figuras geométricas, com sinalizações de métrica e intensidade, desta vez somente com palmas, sem instrumentos. No fim dessa aula, depois de todas as atividades com as figuras, presenciei uma situação em que as atividades de leitura se transformavam em brincadeiras, como referido por Gal na entrevista.
Foto 25: Gal. Oficina com leitura rítmica de figuras geométricas Fotografia de Rodrigo Teixeira
C.O. Gal foi passando todos os exemplos. Não tinha mais a atenção de toda a turma como no início da aula. Parecia que a turma já estava muito impaciente. No geral, executavam os trechos, mas qualquer erro ou comentário de alguém era motivo para conversas paralelas, discussões e dispersão.
Por fim Gal lançou um desafio bem humorado: “vamos chegar no último aqui, no prêmio de um milhão”. Contou e a turma foi fazendo a linha de triângulos que ela apontou. Ao final comemoraram. Gal propôs o último, em que só tocavam no tempo dois, fraco. Deu a entrada e eles tocaram. No fim, Gal comentou sobre um som que alguém estava fazendo com um anel durante o exercício. Depois Gal diz: “todo mundo consegui tocar tudo. Agora vamos direto, daqui até aqui. Rumo ao prêmio de um milhão”. A turma se agitou com o desafio. Uns reclamaram. Uma menina pediu a ela que mostrasse o prêmio antes colocando em cima da mesa. Combinaram, então, que seria do início ao fim do quadro. Fizeram silêncio e Gal disse: “Vão fazer bem lento. Olhar bem a figura, vocês já sabem o que é forte, fraco e silêncio”. Disse ainda: “se tiver um erro volta, zera”. A turma protestou. Alguém sugeriu que fizessem em grupo de dois, mas Gal pediu que fizessem uma geral, com todo o grupo.
Foram fazendo, se embolaram algumas vezes, mas Gal seguiu. Consertaram o ritmo até que não teve mais jeito e pararam. Um tremendo falatório se estabeleceu. Quando diminuiu um pouco o barulho, Gal tentou recomeçar por duas vezes. Na terceira, mesmo que não houvesse silêncio completo ainda, começaram novamente. Gal ia pedindo calma durante a execução e marcava o ritmo. A turma embolou um pouco em algumas partes, mas chegou até ao fim do exercício. Comemoraram. Uma menina diz: “acabou a aula, fessora”. Gal diz que sim, mas antes de encerrar, diz: “O que que faz errar? Vocês já reconhecem a figura e sabem onde é forte, fraco e silêncio, mas na ansiedade, vai rápido, vai rápido e não consegue”. Disse que fariam mais na próxima aula. Alguém pergunta: “de novo?” Uma menina responde alto, em meio ao falatório dos colegas: “Não é de novo, não, uai. Não aprendeu tem que fazer mais”. Com a turma saindo, Gal brinca: “Oh, olha o prêmio de um milhão aqui com ele” (GAL, notas de campo, 2008).
Na terceira oficina, no fim de setembro, todos os educandos estavam com instrumentos de percussão. Foi o primeiro ensaio do “Bolero”, de Ravel, que foi executado no festival de musica por aquela turma e a aula seguiu mais ou menos o mesmo padrão: leitura do ritmo, escrito no quadro em partitura tradicional, enquanto Gal dava dicas de um melhor desempenho técnico para cada instrumento.
Até aqui, não havia presenciado nenhuma aula que saísse desse formato, apesar de que, na primeira aula, Gal, apresentando a atividade que seria feita a partir do canto africano, fez referência a uma.
“Gal comentou rapidamente com a turma que aquela música era um canto infantil africano, que falava sobre brincadeiras de meninos do Senegal, como já haviam visto em um vídeo que foi assistido em outra oficina” (GAL, notas de campo, 2008).
Foi a partir da última oficina que assisti, no fim de outubro, a um mês do festival de música, que eu percebi uma maior movimentação dos educandos, em clima de ensaio, com a percussão reunida em uma sala, dois educandos com violões, em outra, um grupo de meninas com flautas doce e Gal se dividindo em dar atenção a cada grupo. Nesse dia, Vaval, monitor de dança, auxiliava Gal com os meninos da percussão.