Segundo Giancarlo Corazza, em seu texto Il concetto di Edifício Intelligente, “um edifício
é uma construção destinada a alojar pessoas, fornecendo a elas as condições necessárias para desenvolver do melhor modo as atividades previstas”. Ainda que tal definição seja “puramente
arquitetônica”, já pressupõe a existência de uma série de instalações e serviços necessários para manutenção das condições de habitação e trabalho no edifício (CASTRO NETO,1994:9).
Hoje em dia, a maioria dos edifícios possui uma quantidade de instalações e serviços que funcionam de maneira totalmente independente uns dos outros, e quase sempre instalados em etapas distintas da vida do edifício, adaptando-se deste modo à situação existente e sem influenciar na sua concepção estrutural. A partir desta realidade e graças às novas tecnologias da informação e das comunicações, aparece uma “nova forma de projetar e construir” adotada nos modernos edifícios, nos quais se observa uma estrutura que se adapta aos desenvolvimento das novas tecnologias, não somente integrando as instalações anteriormente mencionadas, como também iniciando novas aplicações (CASTRO NETO,1994:9,10).
Surgem, então, o que se pode conceituar como Edifícios de Alta Tecnologia ou Edifícios
Inteligentes, referência comercial dada a esta classe de edifícios que o IBI (Intelligent Buildings
oferecem um ambiente produtivo e econômico através da otimização de quatro elementos básicos – Estrutura, Sistemas, Serviços e Gerenciamento, bem como das inter-relações entre eles” (CASTRO NETO,1994:10).
Os primeiros antecedentes dos “Edifícios de Alta Tecnologia” estão ligados à procura, a partir da crise energética, de fórmulas para a economia de energia (a terceira parte da energia utilizada pelo mundo desenvolvido é consumida pelo setor de edificação, com um custo que tem sido incrementado anualmente em 40%). À necessidade de uma administração eficaz da energia unem-se fatores como os novos métodos de trabalho, através dos meios de informática, que tiveram nos últimos anos um desenvolvimento vertiginoso, produzindo, de forma paralela, uma redução nos custos dos equipamentos de informática graças basicamente às novas gerações dos microprocessadores (CASTRO NETO,1994:10).
Durante muito tempo, as edificações tiveram no elevador o item de mais alta sofisticação tecnológica, acompanhado, em alguns casos, por sistemas rudimentares de sinalização, como os usados em hotéis e hospitais nas décadas de 60 e 70. Somente na década de 80 é que, de uma forma mais acentuada, a tecnologia digital mesclou-se com a construção civil, para agregar valor às edificações. Assim, começaram a surgir as primeiras automações prediais, que logo foram seguidas por tantas outras, a ponto de gerar um ramo negocial competitivo no mercado imobiliário (MARTE,1995:7).
No mundo atual, várias entidades mundiais esforçam-se para a construção da information
superhighway, a superestrada da informação, fusão das telecomunicações com a informática, onde a tecnologia da informação e a globalização da economia mundial poderão conduzir a uma nova forma de organização social, cujos impactos poderão ser comparados aos provocados pelo Revolução Industrial. Nesse contexto, novas tecnologias estão sendo exigidas no ambiente de trabalho e nas moradias. Mudanças conceituais na arquitetura, projeto das instalações e na própria utilização das edificações estão transformando esses ambientes (MARTE,1995:13).
Atribui-se o nome de Edifícios com Alta Tecnologia ou Edifícios Inteligentes às edificações que incorporam esses novos conceitos tecnológicos. Segundo a ABCI – Associação Brasileira da Construção Industrializada – “Edifícios com Alta Tecnologia são aqueles que
possuem um bom e atualizado projeto e uma construção racional e econômica; ou aqueles que são bem projetados e construídos, levando-se em conta as exigências de uso e evolução tecnológica” (MARTE,1995:13,14).
Os objetivos fundamentais dos edifícios com alta tecnologia são proporcionar segurança, controle de energia, eficácia e comodidade, e parte destes objetivos podem ser alcançados nos
edifícios de hoje através de vários níveis de automação em áreas distintas e com equipamentos diversos, abrangendo: a) telemática com serviços de voz, dados e imagens (telefones com chaves multifunção, correio eletrônico, fax, etc.); b) automação de escritórios (birótica) com equipamentos, softwares e redes de comunicação (editoração de documentos, arquivo eletrônico, etc.); c) domótica com novos serviços sendo oferecidos às residências (vídeo-texto, ensino à distância, etc.); d) automação predial, com algumas funções do edifício sendo automatizadas num paralelo à automação de processos (SDCD – Sistemas Digitais de Controle Distribuído), conforme a Figura 3.18 (MARTE,1995:14).
Figura 3.18 – Automação e inteligência para edifícios com alta tecnologia
A primeira característica classificatória de sistemas de edifícios com alta tecnologia é sua flexibilidade quanto às mudanças de layout dos ambientes, postos de trabalho e equipamentos. A arquitetura deve, portanto, ser amparada por uma equipe multidisciplinar (engenharia de estruturas, instalações e sistemas) que definirá até que ponto os edifícios se tornam flexíveis e próprios para receberem sistemas de automação, e os preparará para suportar incrementos tecnológicos as áreas de telecomunicações e de automação de escritórios (MARTE,1995:15).
Em estudo feito nos Estados Unidos sobre custos envolvidos durante a vida útil de uma edificação, concluiu-se que ao longo de 40 anos o arcabouço físico (construção, instalações e manutenção) correspondia a menos de 4% do total do custo da edificação, considerando-se também os dispêndios com equipamentos (3%) e salários pagos a seus ocupantes (93%). Ainda segundo este mesmo estudo, a produtividade dos profissionais alocados em edifícios com determinados graus de automação subiu de 9% a 10%. Castro Neto (1994:17,18)19 também faz uma comparação entre as consequências para as edificações com e sem automação predial. Um