• Sonuç bulunamadı

B. Bölge Planlaması

4. Bölgesel Gelişme Konusunda Örgütlenme Önerileri

Uma revista também pode ser considerada uma instituição, mesmo apresentando características próprias e diferentes, pois participa do processo de criação de valores específicos de seus participantes em um determinado espaço-tempo histórico (Figueirôa, 1997). Os periódicos médicos funcionaram como “instituições típicas” na fase de institucionalização da ciência no Brasil (Ferreira, 1996). Considerando essas noções, a Sociedade de Medicina e a revista “Amazonas Médico” foram instituições importantes na criação dos espaços de ciência no Amazonas, permitindo a visualização dos debates e as práticas médico-científicas no Estado.

Em 1917 é criada a Sociedade de Medicina e Cirurgia do Amazonas

(SMCA) e também é reativada a revista “Amazonas Médico”.76 A SMCA não foi

a primeira Sociedade do gênero porque em 12 de abril de 1899 foi fundada a “Sociedade de Medicina e Pharmácia do Amazonas”, tendo como órgão de imprensa a Revista Médica do Amazonas, cujo primeiro número foi publicado no mesmo ano. Aquela Sociedade e Revista colaboraram com a reformulação do serviço de Higiene do Estado, em 1899. A primeira Sociedade e a sua Revista tiveram uma existência de poucos meses (Amazonas Médico, n. 1, 1918, p.1).

Em 1909, um grupo de médicos funda a revista Amazonas Médico, cuja primeira fase, teve dez números, sendo posteriormente denominada de

Primeira Fase.77 A Revista teve dez números publicados e tinha uma tiragem

mensal. Os médicos fundadores e editores eram: Jorge de Moraes, Alfredo da Matta, Astrolábio Passos e Galdino Ramos. Os objetivos eram: “o estudo e elucidação das múltiplas questões que se relacionam com a medicina e a cirurgia clínicas e tratar dos interesses profissionais em ordem a manter o prestígio da classe, firmando a doutrina do coleguismo, do respeito mútuo, cuja resultante seria a estima e veneração publicas” (Amazonas Médico, n. 1, 1918, p.1). Os números (ns. 3 e 5-6), que tivemos acesso desta fase do Amazonas Médico tinha como estrutura: clínica cirúrgica, higiene, clínica obstétrica, deontologia, clínica oftalmológica, página literária, demografia sanitária, noticiário, observações meteorológicas.

+* $ $ ' H.

3 @ "# 0$ 1 6 - ' >:

++ $ "5 # ! $ * ! ' >'

F ? - ' $ BB BD

A Segunda Fase da Amazonas Médico se inicia com a fundação da SMCA, em 1917, sendo que o primeiro número é de março de 1918 e encerra com o número 13-16, em 1922. Os redatores permaneceram os mesmos da primeira fase, tendo somente o acréscimo do médico Figueiredo Rodrigues. Alfredo da Matta foi o redator-chefe da Amazonas Médico em toda a segunda fase e na terceira assumiu a revista como propriedade particular. A revista além de ser um órgão de divulgação das idéias médicas tinha como objetivo “fazer um apanhado da marcha evolutiva das ciências médicas no mundo culto, com especial empenho no Brasil” (art. 21, parágrafo 4).

L ? - ' $ BBB BD

A Terceira Fase compreende o período em que Alfredo da Matta publica, como único autor, tendo somente dois números: 17 (1941) e 18 (1944). Nessa terceira fase a Revista vem acompanhada por um sub-nome: “Amazonas Médico: Medicina – Ciências Naturais”, e traz explicitamente o nome do autor como “Redator-Proprietário: Dr. Alfredo da Matta” (ver figura acima).

A revista Amazonas Médico é um importante documento para a análise das ciências no Amazonas, porque concentra as produções e os debates médicos por duas décadas. As temáticas são diversificadas, mas há um predomínio das “doenças de clima quente” (ver o anexo 3). Destacam-se as produções de Alfredo da Matta que utilizava a revista como espaço de diálogo com os colegas, pois muitos artigos publicados foram frutos de exposições na SMCA. Outra característica da revista é a tentativa de romper com o aspecto local do periódico, buscando atrair autores de outros países. Essa preocupação pelo alcance da publicação está expressa no número 13-16, de 1921, que traz a biografia de vários cientistas latino-americanos e de médicos locais. Há indícios de que o redator da revista mantinha contatos com alguns cientistas, e

que também publicava em revistas de países da América do Sul e América Central. Os cientistas apresentados são os seguintes: Juan Santos Fernandes, J. Lopes-Silvero Fernandez, Finlay (Cuba); A. Laveran (França); E. Odriozola, Edmundo Escomel, Carlos Paz Soldan (Peru); Juan José Martinez (Nicarágua); I. Gonzalez Martinez (Porto Rico); Feliz R. Paez (Venezuela); Ricardo Aguilar (Costa Rica); Luis E. Migone (Paraguai); J.M Estrada Coello ( Equador). Os médicos locais também estão representados nessa edição: Samuel Uchoa, Miranda Leão, Alfredo da Matta, Manoel Joaquim Cavalcanti de Alburquerque, Antônio Ayres de Almeida Freitas, Jayme Aben-Athar (Pará), Astrolábio Passos, Fulgêncio Martins Vidal, Jeremias Valverde.

Os estatutos da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Amazonas retratam os interesses desse grupo de médicos e como entendiam a o seu papel na sociedade local:

1. Unir a classe médica do Amazonas;

2. Estudar a climatologia, nosologia e história natural médico regionais;

3. Estudar as bases para o saneamento da capital e das localidades, e para a profilaxia da predominante demográfica – a malária, bem como da tuberculose, da ancilostomose, da leishmaniose, morféia, etc;

4. Advogar a fundação de um instituto bacteriológico, seroterápico e vacinogênico;

5. Pleitear a criação e instalação de um curso de Medicina Tropical, para médicos, na Universidade de Manaus;

6. Trabalhar pela construção de um edifício para maternidade e secundar os esforços do Instituo de Proteção e Assistência á Infância no Amazonas;

7. Curar as questões referentes à Deontologia Médica, tanto no tocante ás relações dos profissionais entre si, quanto na parte que regula os deveres dos clientes para com o médico;

8. Combater o exercício ilegal da medicina e obstetrícia, por meios educativos e suasórios, auxiliando a Repartição Sanitária na aplicação de medidas coercitivas legais;

9. Pugnar pela regularização do serviço das farmácias em ordem a ficar a manipulação sob a direta fiscalização de profissional legalmente habilitado; 10. Traçar a história da medicina e das instituições médicas entre nós; fazer o elogio histórico dos sócios falecidos; organizar conferências e congressos científicos;

11. Fundar uma biblioteca de obras antigas e modernas sobre a medicina, cirurgia e ciências acessórias, e um museu médico-cirurgico e de produtos medicinais de nossa flora;

12. Criar uma caixa de beneficência para amparar os associados;

13. Criar um jornal médico, que seja órgão oficial da Sociedade, no qual se achem arquivados todos os seus trabalhos.

O que fica evidente na SMCA são os interesses de classe ou a “união da classe médica”, buscando garantir a exclusividade da prática médica e a elaboração de medicamentos, questão que já era abordada nos Estatutos de Saúde e Higiene, desde o século XIX. As preocupações científicas com relação ao estudo e a criação de um Curso de Medicina Tropical fazem parte do interesse pela especialização através da sua realidade específica, ou seja, pela presença de endemias caracterizadas como “tropicais”, pela localização geográfica e pelo clima quente e úmido. As tentativas de criar uma Faculdade de Medicina se fazem presentes desde a criação da Escola Universidade Livre de Manaus, no entanto, a proposta da Sociedade era identificar a “vocação” regional para a pesquisa e ensino médico.

A criação de um “museu” e de uma “biblioteca” daria o suporte para a pesquisa, contribuindo para a estabilidade da instituição na região. O problema de continuidade das instituições de pesquisa era uma realidade na região. Exemplo desse fato foi o Museu Botânico do Amazonas, fundado pela Princesa Imperial do Brasil, em 1882, que teve a direção do botânico Barbosa Rodrigues. O botânico promoveu expedições pelo interior para a coleta de material, suprindo o horto na sede, em Manaus. Havia um museu com um vasto acervo etnográfico. No entanto, com a proclamação da República, as autoridades políticas não destinaram o apoio necessário para a continuidade das atividades. O botânico se transferiu para o Jardim Botânico no Rio de Janeiro (Pereira, 1942). Essa é outra instituição que merece uma pesquisa mais cuidadosa, pois possibilita a reflexão sobre as instituições científicas no Amazonas.