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2. Avrupa Birliği’nin Organları

2.2. Avrupa Birliği Bakanlar Konseyi

A presente dissertação teve como objeto de estudo os epigramas de autoria de Meleagro. Seguindo a edição de Gow & Page48, o nosso corpus é composto por 132 epigramas que se encontram nos livros IV, V, VI, VII, IX, XII e XVI da AP, sendo que a grande maioria deles está dividida entre os livros V e XII. A concentração dos epigramas de Meleagro nos livros que tratam do tema amoroso não esconde o fato de que esse é o fio condutor de sua produção e, por sua vez, o desta dissertação. Sendo assim, convém tratar, mesmo que em poucas palavras, do epigrama amoroso e de como Meleagro desenvolveu tal tema.

Diferentemente do epigrama funerário e do votivo, cujas origens podemos traçar49, a gênese do epigrama amoroso tem sido bastante debatida.

[...] Na cultura grega arcaica, temas amorosos estavam confinados ou na poesia lírica e, portanto, cantados, ou na poesia elegíaca e então geralmente recitados nos simpósios. Mas por volta de 300 a.C., entretanto,

48 Gow & Page (2008, vol. I).

49 Gutzwiller (1998, p. 314). Tais epigramas tiveram duas procedências: ou recolhidos dos locais onde estavam

inscritos a titulo de preservação para a posteridade ou foram compostos à moda de inscrição a fim de serem inscrições reais para serem recitados ou para publicação. Apenas pichações kalÒj parecem ter feito parte das

epigramas sobre tópicos amorosos estavam sendo compostos por Asclepíades de Samos e talvez por Filitas de Cós e outros também. Alguns comentadores têm sugerido que epigramas primeiramente entraram na lista de tipos literários por meio de performances orais de simposiastas como entretenimento do jantar. Os temas amorosos cabem perfeitamente nesse ambiente de performance e muitos epigramas helenísticos eróticos dramatizam o cenário simposial.

Sabe-se que o desejo amoroso era um tópico de importância na poesia simposial clássica e arcaica, onde se mesclava com o vinho. Encontramos o desejo representado em iambos e epodos de Arquíloco, trímetros de Semônides e iambos coliâmbicos de Hipônax. Além disso, é importante ressaltar a arcaica mélica de Safo, Íbico e Anacreonte, com maior recorrência, e a poesia de Alceu e Álcman50, que também trataram desses temas. Nesse sentido, “o epigrama simposial-amoroso formou o seu caráter ao adaptar a linguagem e os temas da elegia antiga ao ritmo e às estruturas do verso inscrito51”, o que aconteceu por uma espécie de “contaminação inevitável”, pois tanto epigramas – antes sepulcrais e votivos – quanto elegias podem ter composto um único livro de epigramas52. A leitura desses livros, portanto, deve ter influenciado os seus leitores-poetas que passaram a mesclar esses gêneros distintos e formaram um novo subgênero do epigrama. Foi também por conta disso que a diferença entre epigrama e elegia tornou-se obscura53.

Outro fator que talvez tenha influenciado o tratamento do amor no epigrama é a longa tradição filosófica e retórica do tratamento especulativo sobre eros; afinal,

50 Bowie (2007, p. 97-8). Cf. Giangrande (1967, p. 93-177). 51 Gutzwiller (1998, p. 117). 52 Ibid., p. 314. 53 Cf. Gentili (1967, p. 39-90).

todas as escolas filosóficas helenísticas se preocuparam com o tema, cada uma à sua maneira54.

Uma vez adotado como tema, o amor foi, então, tratado de diversas formas pelos epigramatistas. Podemos encontrar na leitura dos epigramas experiências eróticas, reflexões sobre a paixão, alteração de emoções consecutivas, o excesso de vinho para curar as dores do amor, descrição dos sintomas do amor, caracterização do objeto amoroso, entre outros.

Imerso nesse universo tão heterogêneo, Meleagro comporá seus epigramas tendo em mente os epigramas de Calímaco, Asclepíades, Posídipo e um epigramatista anônimo cujo enfoque era a tópica pederástica. Segundo Gutzwiller55, as contribuições de Calímaco e de Asclepíades para as composições de Meleagro foram, respectivamente, a representação da reflexão sobre a experiência amorosa e a representação da forte emoção erótica.

A grande parte de seus epigramas, que será o nosso objeto direto de estudo - gira em torno de três personagens: Heliodora (16 epigramas), Zenófila (12) e Muisco (11). Trabalharemos com a devoção desses números consideráveis de epigramas a um amado no sentido de certificarmos que 1) a caracterização de uma personagem é possível mesmo no gênero epigramático e 2) que essa é mais uma estratégia de construção da Guirlanda de Meleagro que é intrínseca aos epigramas de sua autoria.

54 Fantuzzi and Hunter (2004, p. 341).

2 Alguns pressupostos teóricos

Para tratarmos dos epigramas selecionados de Meleagro, é preciso explicitar alguns pressupostos teórico-metodológicos que norteiam os comentários subsequentes. O vetor da discussão é a caracterização de personagem, conceito central para os estudos, por exemplo, sobre os poemas homéricos ou sobre a tragédia e a comédia ática. Para tal, recorreremos, em primeiro lugar, à reflexão de autores antigos sobre a construção do êthos pelo discurso, e, posteriormente, à crítica moderna sobre a caracterização de personagens no epigrama helenístico56.

Por mais que possa parecer paradoxal afirmar-se a existência de caracterização de personagens no epigrama grego por causa da intrínseca exiguidade desse gênero, ela mesma é, contudo, uma motivação criativa. O pequeno espaço do qual dispõe o poeta para a sua composição o desafia a ser o mais hábil possível para com a caracterização da(s) personagem(s) e assim, realizar o seu poema. Desse modo, os traços das personagens devem ser claros e sucintos para que o leitor tenha, ao final da leitura, seja ela feita individualmente ou em grupo, real ideia do sentido do poema, que em grande parte é construído em vista da caracterização da personagem, como tentarei mostrar na análise dos ciclos.