6. Tam Üyelik Süreci KOB ve Ulusal Program
6.3. Katılım Ortaklığı Belgesi
Os poemas deste grupo ambientam-se no thalamos que, como o kômos, é um cenário típico da poesia amorosa. Este grupo é composto por XXXIII – A.P. 5.151, XXXIV – A.P.5.152 (sequenciais, portanto) e XXXVI – A.P.5.174.
Os dois primeiros poemas são complementares por conta de seus conteúdos e pelo enfoque em outra personagem, kènwy (pernilongo), deixando Zenófila, de certa forma, em segundo plano.
O poema XXXIII se inicia com a caracterização de pernilongos que invadiram o thalamos onde se encontram os amantes Zenófila e a persona. Sabe-se que estão no thalamos à noite por conta da referência ao kènwy, nuktÕj (noite), ÛpnJ (durma). A caracterização dos pernilongos ocupa o dístico inicial do poema e constitui também uma grande invocação dos mesmos, dado que a persona, após listar todas as características - 'OxubÒai kènwpej, ¢naid◊ej a∑matoj ¢ndrîn / s∂fwnej, nuktÕj knèdala dipt◊ruga (Pernilongos de gritos agudos, desavergonhados, dos homens sugadores / de sangue, criaturas aladas da noite) – implora-lhes que não incomodem o breve sono de Zenófila.
XXXIII (A.P. 5. 151)
Pernilongos de gritos agudos, desavergonhados, dos homens sugadores de sangue, criaturas aladas da noite,
imploro, deixai que Zenófila, em paz um pouco, durma. Vede, comei a carne dos meus membros.
Mas por que falo em vão? As feras implacáveis 5 se deleitam aquecidas pelo corpo delicado.
Mas agora vos advirto, feras terríveis, deixai a audácia ou conhecereis a força que uma mão ciumenta tem.
XXXIII
'OxubÒai kènwpej, ¢naid◊ej a∑matoj ¢ndrîn s∂fwnej, nuktÕj knèdala dipt◊ruga,
baiÕn Zhnof∂lan, l∂tomai, p£req' ¼sucon ÛpnJ eÛdein, t¢m¦ d', ≥doÚ, sarkofage√te m◊lh.
ka∂toi prÕj t∂ m£thn aÙdî; kaπ qÁrej ¥tegktoi 5 t◊rpontai truferù crwtπ cliainÒmenoi.
¢ll' 'ti nàn prol◊gw, kak¦ qr◊mmata, lˇgete tÒlmhj, À gnèsesqe cerîn zhlotÚpwn dÚnamin.
Apesar de Zenófila ser inserida no poema no segundo dístico, a única característica da personagem presente neste poema está no terceiro - truferù crwtπ (pelo corpo delicado), que além de ser um atrativo para a persona, também o é para os pernilongos que t◊rpontai truferù crwtπ cliainÒmenoi (se deleitam aquecidas pelo corpo delicado).
No terceiro dístico, ponto de virada do poema, a persona oferece seus membros aos pernilongos, mas em seguida reconhece que a sua súplica não surtiu efeito, pois os pernilongos “se deleitam aquecidos pelo corpo delicado”. O sexto verso é construído belissimamente por demonstrar, na própria sintaxe do verso, a imagem dos pernilongos ao redor da pele delicada de Zenófila, já que os vocábulos que dizem respeito aos insetos- t◊rpontai e cliainÒmenoi Y estão posicionados nas margens do verso, enquanto os únicos atributos de Zenófila estão na posição central.
O quarto e último dístico é composto de uma ameaça direta aos pernilongos que sofrerão com as consequências do ciúme da persona, por não terem ouvido a súplica. A advertência – prol◊gw (advirto) - contrasta com o imperativo presente no verso 3 - l∂tomai e é uma resposta à audácia dos pernilongos que insistiram em incomodar o breve sono de Zenófila. Caso a advertência não surta efeito, a persona se valerá da força.
É interessante que, sutilmente, Meleagro atribui à persona o ciúme em um contexto que não é de uma traição real. Tal elemento gera comicidade que é corroborada por outros momentos do epigrama: 1) o destaque para o pernilongo no poema e sua caracterização; 2) a súplica dirigida a um inseto e 3) o deleite destes insetos. Todos estes elementos e a finalização do poema fazem com que estejamos diante de uma cena cômica, que de certa maneira continua no próximo epigrama.
Em XXXIV o cenário é dúplice, pois temos uma cena entre a persona e um pernilongo, que provavelmente se passa no thalamos da persona e a outra cena desenvolvida em outro thalamos, onde estão Zenófila e outro companheiro não nomeado.
XXXIV (A.P. 5. 152)
Voa para mim, pernilongo, mensageiro veloz, e, após tocar as orelhas de Zenófila, isso sussurra : “Acordado ele te espera e tu, ó esquecida dos amores, dormes.” Eia voa, voa amante da música.
Fala baixo, sem acordar seu parceiro de leito 5 para que não mova contra mim as dores do ciúme.
Se me trouxeres a pequena, com pele de leão te cobrirei, mosquito, e te darei um bastão para empunhares.
XXXIV
Pta∂hj moi kènwy tacÝj ¥ggeloj, oÜasi d' ¥kroij Zhnof∂laj yaÚsaj prosyiqÚrize t£de·
‘ ¥grupnoj m∂mnei se· sÝ d', ð lˇqarge filoÚntwn eÛdeij’. eia p◊teu, na∂ filÒmouse p◊teu·
¼suca d\e fq◊gxai, m¾ kaπ sÚgkoiton œge∂raj 5 kinˇsVj œp' œmoπ zhlotÚpouj ÑdÚnaj.
Àn d' ¢g£gVj t¾n pa√da, dor´ st◊yw se l◊ontoj, kènwy, kaπ dèsw ceirπ f◊rein ˛Òpalon.
As personagens deste epigrama – persona, pernilongo e Zenófila – são apresentados nesta ordem no dístico de início do epigrama. Neste momento, não há mais um séquito de pernilongos, mas apenas um que é caracterizado como mensageiro veloz, que tem a incumbência de levar uma mensagem que deve ser
sussurrada nos ouvidos de Zenófila. O sussurro antecipa ao leitor que ela está acompanhada no leito.
O conteúdo da mensagem é explícito no terceiro verso em conjunto com a característica única de Zenófila: lˇqarge filoÚntwn (esquecida dos amores); a qual denota que a personagem possui outros amores além da persona. O sono de Zenófila no segundo dístico se contrapõe à insônia da persona que aguarda ansiosamente a presença da amada. Também neste dístico, apresenta-se a característica musical do pernilongo.
No terceiro dístico seguem os cuidados a serem tomados pelo mensageiro veloz, os quais retomam os sussurros do segundo verso - ¼suca d\e fq◊gxai (fala baixo). A consequência, se os cuidados não forem tomados, é semelhante àquela do poema anterior, pois qualquer falha pode suscitar as dores do ciúme na persona.
O ponto de virada, que causa maior comicidade no poema, é o último dístico, que traz as recompensas a serem ganhas pelo pernilongo se ele trouxer Zenófila para junto da persona. Composta de dor´ l◊ontoj (com pele de leão) e ceirπ f◊rein ˛Òpalon (um bastão para empunhares), a recompensa remete aos artefatos de Hércules e essa escolha por parte de Meleagro denota a sua astúcia ao atribuir características hercúleas, portanto, a um pernilongo. Bem como no poema anterior, a comicidade advém da designação de uma tarefa humana a um pernilongo e de sua recompensa. Pode-se aventar que tal atributo foi escolhido por conta da tarefa extremamente difícil, se não impossível, de se retirar a amante dos braços de outro.
O último epigrama deste grupo, XXXVI – A.P. 5.174, também mostra a
persona afastada de Zenófila, a qual está adormecida no seu thalamos. A
(lindo rebento) – junto ao seu nome e remete ao poema XXXI pelo caráter floral dessa atribuição.
XXXVI (A.P. 5. 174)
Dormes, Zenófila, lindo rebento. Oxalá sobre ti agora,
como Sono sem asas, eu pudesse penetrar nos teus cílios, para que esse aí, o que encanta até os olhos de Zeus,
não perambule ao teu redor e que somente eu possa te possuir.
XXXVI
EÛdeij, Zhnof∂la, truferÕn q£loj· e∏q' œpπ soπ nàn ¥pteroj e≥sÇein Ûpnoj œpπ blef£roij,
æj œpπ soπ mhd' oátoj Ð kaπ DiÕj Ômmata q◊lgwn foitˇsai, k£tecon d' aÙtÕj œgè se mÒnoj.
Após caracterizar a personagem, a persona explicita o seu desejo irrealizável como em XXXV: penetrar como Sono sob os cílios da amada e fazer com que ela durma um sono eterno. Como em XXXV, o seu desejo é iniciado pela conjunção e∏q' e é justificada com um argumento de fundo mitológico. Em mais um momento Meleagro equivale a disposição das palavras nos versos e o sentido das mesmas: o artigo e o seu referente - soπ blef£roij (teus cílios) - estão separados dentro do dístico e entre eles estão exatamente o sono sem asas que os penetraria se o desejo fosse realizado - nàn ¥pteroj e≥sÇein Ûpnoj œpπ (agora como sono sem asas eu pudesse penetrar sob).
O segundo dístico argumenta a favor do desejo, pois se ele for realizado a
persona conseguirá afastar Eros de Zenófila de modo que ela não se apaixone por
nenhum outro. Ao invés de nomeá-lo, a persona vale-se do atributo mais forte de Eros: oátoj Ð kaπ DiÕj Ômmata q◊lgwn (o que encanta até os olhos de Zeus), ou seja, se os encantos de Eros se apoderam até mesmo de Zeus, como não o faria com uma simples mortal? O poema é finalizado com a segunda parte do argumento do desejo, a qual é proporcionar à persona a exclusividade dos favores amorosos de Zenófila.
Como tentamos mostrar na leitura deste grupo de poemas, o cenário do
thalamos, tão presente na poesia amorosa, propicia o único encontro entre a persona e Zenófila, o qual é interrompido pelos pernilongos. Diferentemente do
grupo anterior, cujo fio condutor era justamente a caracterização da personagem, este grupo compreendeu a relação entre a persona e Zenófila, permeada pelo ciúme e pela presença de um terceiro elemento que separava ambos. Embora o foco não tenha sido o delinear das características, elas não deixaram de estar presentes: truferù crwtπ (pelo corpo delicado - XXXIII), lˇqarge filoÚntwn (esquecida dos amores - XXXVI), truferÕn q£loj (lindo rebento - XXXVI).