Üniversitesi I. Ulusal Tarih Kongresi (30 Nisan – 2 Mayıs 1997) Tarih ve Milliyetçilik, s 328.
3.3.2. Yunanistan’ın Eğitim Faaliyetler
3.3.2.1. Arnavut Milliy etçiliğinin Yuvası: Zosimaia Rum İdadis
A psicodinâmica do trabalho, criada em 1980, mas enunciada desta forma, ou seja, com o uso dessa nomenclatura apenas em 1993, tem suas origens marcadas pela psicopatologia do trabalho. Pretende-se, nesta seção, reconstruir brevemente essa história, dando relevância aos aspectos considerados essenciais17.
Na França, o período que sucedeu a segunda guerra mundial foi marcado pelo surgimento da psicopatologia do trabalho. O nascimento desta disciplina, teve como origem as discussões produzidas em 1946, período em que ocorreu,
17 Isabelle Billiard foi a principal autora a se debruçar profundamente sobre esta temática. Os resultados deste trabalho encontram-se compilados na obra: Billiard I. Santé mentale et travail: l'émergence de la psychopathologie du travail [Saúde Mental e Trabalho: a emergência da psicopatologia do trabalho]. Paris: Ed. La Dispute; 2001.
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também na França, o Colóquio de Bonneval. Especificamente naquele ano, este colóquio teve como tema a etiologia das doenças mentais. A ocasião contou com a participação de psiquiatras importantes na época, tais como Henry Ey, Jacques Lacan e Lucien Bonafé. A organogênese, a psicogênese e a sociogênese eram, respectivamente, as perspectivas adotadas por cada um destes atores, ao sustentarem suas argumentações em torno da questão da origem das doenças mentais (Molinier, 2013).
Destaca-se, neste contexto, importante avanço da psiquiatria, na medida em que houve abertura significativa de espaço para discussão acerca de outros determinantes, que não apenas o físico-fisiológico, para compreensão das neuroses e psicoses. O interesse pelas vivências e pelos contextos de inserção dos sujeitos, abriu espaço para que o cenário do trabalho pudesse também ser identificado como possível disparador dos processos de adoecimento mental.
Para a psicopatologia do trabalho, existem doenças mentais que tem como origem determinadas situações de trabalho, ou seja, a relação de causa e efeito é direta. Trata-se de tese apoiada na vertente da sociogênese das doenças mentais (Dejours, 2004b,c; Dejours; Gernet, 2012c; Molinier, 2013).
Foi também neste período que o efeito terapêutico do trabalho no tratamento das doenças mentais foi recolocado em evidência. Autores como François Tosquelles, Paul Sivadon, Claude Veil foram os principais expoentes da época (Molinier, 2013).
Contudo, no âmbito da psicopatologia do trabalho, dá-se destaque a Louis Le Guillant que, a partir de estudos clínicos, procurou provar a existência da relação direta entre organização do trabalho e descompensações mentais. Seus primeiros estudos clínicos foram realizados com mulheres que, atualmente
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estariam inseridas no bojo das atividades de serviços: as telefonistas e as empregadas domésticas (Dejours, 2004b; Molinier, 2013).
Em seu primeiro estudo, largamente conhecido pelos pesquisadores da área, realizou entrevistas clínicas com telefonistas dos correios franceses que haviam vivenciado afastamento do trabalho por, no mínimo, três anos, em decorrência de sintomas de “fadiga nervosa”. O trabalho destas profissionais consistia em colocar os clientes em contato no menor tempo possível, utilizando equipamento de controle manual e sob supervisão constante, inclusive para ir ao banheiro. Evidenciou-se, portanto, uma imersão em ambiente de trabalho constantemente tenso (Molinier, 2013).
Le Guillant constatou inicialmente, nesta população, a presença de distúrbios do sono, somáticos, da esfera cognitiva, do humor e do caráter. Constatou ainda, o desenvolvimento de estratégias de defesa para que conseguissem evitar que o tempo fora do trabalho fosse invadido por questões do trabalho. Algumas destas estratégias eram as de fazer longas caminhadas ao sair do trabalho ou ficar em silêncio ao chegar em casa18 (Molinier, 2013).
Já o seu segundo estudo, teve como alvo as incidências psicopatológicas provenientes da condição inerente ao trabalho das empregadas domésticas, que, segundo o autor, é perpassado pela dominação, servidão, invisibilidade, submissão e isolamento. A partir de seu trabalho no hospital “Ville-Évard”, ele percebeu a grande incidência de empregadas domésticas entre os pacientes psiquiátricos. Mas foi, sobretudo, a partir do caso das irmãs Papin, e de sua
18 Para maior detalhamento consultar: Molinier P. O trabalho e a psiquê: uma introdução à psicodinâmica do trabalho. Brasília: Paralelo 15, 2013.
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interpretação acerca do crime cometido por elas, que procurou sustentar a tese do trabalho enquanto causa das descompensações psíquicas19 (Molinier, 2013).
Destaca-se que, ambos os casos ilustram aspectos importantes do “drama vivido” a partir de situações de trabalho. Entretanto, para além deles, nunca se pôde atestar a existência do nexo entre uma situação específica de trabalho, ou mesmo da natureza específica de algum trabalho e o desenvolvimento de doenças mentais.
No caso das telefonistas, mesmo diante dos relatos de uma situação de vulnerabilidade e da presença de sintomatologia psiquiátrica, não havia, nos relatos, traços que levantassem indícios de estados que se aproximassem de quadros psicóticos, por exemplo. Permaneciam conscientes das suas dificuldades e a cessação da sintomatologia ocorria após um período de distanciamento da situação de trabalho. Já no caso das empregadas domésticas, se era real o elo entre as respectivas condições de trabalho e as descompensações psiquiátricas, o desencadeamento das últimas certamente seria diferente em razão das histórias de vida e vivências singulares de cada uma delas (Molinier, 2013).
A falta de provas sobre o elo entre adoecimento mental e situação específica de trabalho fez com que tal disciplina fosse deixada, no contexto francês, pelos psiquiatras sociais que priorizaram, a partir de então, demais estudos e intervenções baseados em outros referenciais, tais como a psiquiatria de setor ou a psicoterapia institucional (Molinier, 2013).
19 Christine e Lea Papin eram, além de irmãs, serventes de uma pequena família burguesa da década de 1930. Assassinaram mãe e filha – as patroas - de forma abrupta e violenta. Para mais detalhes, consultar Molinier P. O trabalho e a psiquê: uma introdução à psicodinâmica do trabalho. Brasília: Paralelo 15, 2013.
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Destaca-se ainda, neste período, os trabalhos de Jean-Jacques Moscovitz em sua pesquisa junto aos condutores de trem franceses, que se queixavam de um sistema de controle automatizado, a ser implantado nos trens, que acabava por prescindir da existência de um segundo condutor. Utilizou-se de entrevistas em grupo como forma de aproximação da população estudada. Teve, portanto, grande importância na construção do método em Psicodinâmica do Trabalho. Contribuiu ainda, para o fim da tese da sociogênese da doença mental ao colocar em evidência a angústia vivenciada pelos condutores que, na época, foi interpretada em termos de investimento libidinal, sinalizando, então, futuro diálogo com a psicanálise a ser realizado por Dejours anos depois (Molinier, 2013).
Ao longo da década de 1970, a psicopatologia do trabalho foi colocada à margem dos estudos em psiquiatria social. No final desta década, Dejours foi o principal expoente a retomar o interesse pela disciplina quando, em 1980, publicou sua primeira obra neste campo “Travail usure mentale: essai de psychopathologie du travail”20. A princípio, tal obra poderia ser considerada uma
extensão dos trabalhos de Le Guillant. Contudo, já neste momento, o autor trouxe importantes contribuições, marcando, então, diferenças significativas com relação à psicopatologia do trabalho tradicional, que, mais adiante formariam o escopo de uma nova disciplina, a Psicodinâmica do Trabalho (Dejours, 2004b,c; Uchida et al., 2011; Molinier, 2013).
Em suas investigações, o autor levantou questionamentos que colocariam em evidência a tese de causa e efeito dos adoecimentos mentais do trabalho.
20 Em português a obra foi publicada com o título: “A loucura do trabalho – Estudo de
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Sobretudo num período pós-guerra, com a retomada da industrialização e reconstrução do continente europeu, certamente existiam inúmeras situações de trabalho organizadas de forma potencialmente patogênica, ou seja, planejadas a partir de processos produtivos fragmentados, repetitivos e, sobretudo, com tarefas desprovidas de sentido aos trabalhadores (Dejours, 2000; Molinier, 2013).
Entretanto, não encontrou vestígios epidemiológicos a partir dos quais pudesse detectar que patologias mentais do trabalho estivessem presentes, de forma predominante, no cenário da época. Os trabalhadores não apresentavam sintomatologia frente aos possíveis conflitos gerados por organizações potencialmente adoecedoras.
Fazendo uma leitura deste tipo de situação pela perspectiva da psicanálise, Dejours, colocou em evidência não apenas os mecanismos individuais de defesa, mas as possibilidades de desenvolvimento de estratégias coletivas para que os grupos pudessem se defender de situações perpassadas pelo medo e pelo tédio, que, segundo o autor, constituem-se enquanto alguns dos principais “perigos psíquicos” (Dejours, 2004g; Molinier, 2013).
Há, desta forma, uma importante inversão conceitual: o que anteriormente chamava a atenção dos pesquisadores pelo fato de ser visível e manifesto explicitamente (a sintomatologia psiquiátrica), dá lugar a um fenômeno de natureza invisível, e ao enigma que este fato coloca em evidência (manutenção de um estado de normalidade diante dos constrangimentos vivenciados no trabalho) (Dejours, 1998, 2004b,c,f; Uchida et al., 2011; Dejours; Gernet, 2012c; Molinier, 2013).
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Para os médicos, engenheiros do trabalho e, mesmo para os ergonomistas, habituados a focarem sua atuação em aspectos do mundo do visível, tal contribuição foi considerada, na época, uma grande novidade conceitual. A esfera psíquica e toda subjetividade dos trabalhadores estariam, a partir de então, ao lado de questões como conforto físico e demanda cognitiva. Soma-se a isso, o destaque para existência de uma racionalidade subjetiva que, segundo Dejours, também guiaria as ações dos sujeitos; racionalidade esta, vinculada à proteção de si, da própria sobrevivência e da manutenção da saúde (Lancman; Uchida, 2003; Dejours, 2004b,c,f,h; Molinier, 2013)
Nesta mesma época, outra importante contribuição do autor foi a ênfase na possibilidade de realização de si e da vivência do prazer a partir de situações de trabalho. Tem-se, com esta premissa, mais uma inversão conceitual: o que antes era fonte de adoecimento, poderia agora ser encarado como um caminho para realização de si e para o desenvolvimento subjetivo. Destaca-se, neste contexto, contribuição fundamental da psicanálise freudiana na construção desta nova disciplina, inclusive para ampliação da perspectiva de contribuição do trabalho para a vida dos sujeitos (Dejours, 2004b,f; Sznelwar et al., 2011; Molinier, 2013).
Observa-se, portanto, que Dejours avançou, inicialmente, a partir de inúmeras lacunas deixadas pela psicopatologia do trabalho. Contudo, entre os anos de 1980 e 1993, Dejours ainda continuaria a nomear a nova disciplina desta forma. Foi apenas em 1993, com a publicação da segunda edição do livro
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“Travail, usure mentale”, que ele anunciou a mudança de nominação21 (Molinier,
2013).
Atualmente o autor defende que a psicopatologia do trabalho seja uma ramificação, um braço, uma subdisciplina, da psicodinâmica do trabalho (Molinier, 2013). Enquanto a primeira continua tendo como foco as descompensações individuais na relação do sujeito com seu trabalho, já que a inexistência de doenças mentais específicas do trabalho não elimina a existência de descompensações relacionadas a ele, a segunda define-se pela “análise psicodinâmica dos processos intersubjetivos mobilizados pelas situações de trabalho” (Dejours, 1993, p.206).