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Üniversitesi I. Ulusal Tarih Kongresi (30 Nisan – 2 Mayıs 1997) Tarih ve Milliyetçilik, s 328.

3.3.4. Amerikan Misyonerlerinin Eğitim Faaliyetler

É importante ressaltar que, além do arcabouço teórico, a PDT constitui-se enquanto método de pesquisa-ação. Utiliza-se de proposta metodológica específica que prioriza a construção de grupos de reflexão sobre o trabalho. Entretanto, nesta seção, não será dada ênfase no método de ação em PDT propriamente dito, tendo em vista que o mesmo não foi utilizado em sua forma clássica neste estudo.

Todavia, serão sublinhados quatro aspectos considerados centrais no contexto de uma tese que tem como proposta compor com esta clínica do trabalho. São eles: demanda da pesquisa; importância e condições para livre circulação da palavra, postura dos pesquisadores e interpretação dos dados.

Em PDT, a pesquisa inicia-se a partir da existência de uma demanda, considerada decisiva para o andamento do processo. Se, entre outros aspectos, a PDT busca estudar o prazer e o sofrimento no trabalho, além das estratégias defensivas para fazer frente ao último, Dejours considera que isso só é possível a partir da explicitação do desejo e do voluntariado dos participantes (Dejours, 2000, 2004a,b, 2012a).

Entretanto, sabe-se que a demanda, em grande parte dos casos, não é explicitada de forma natural. “O pedido decorre de um processo espontâneo ou deve ser solicitado, ou mesmo provocado? ” (Dejours, 2004b, p. 87). O próprio autor levanta uma série de questionamentos em relação às condições nas quais uma demanda pode ser considerada suficientemente clara para que seja dada por encerrada a fase de pré-pesquisa.

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Assim, para que isso seja possível, investe-se significativamente no trabalho de elaboração da demanda, de forma que a mesma seja construída, significada, compartilhada e validada por todos aqueles que desejam compor um estudo nos moldes da PDT. Para Dejours (2004a,b, 2012b), a validade e a autenticidade do próprio estudo são, muitas vezes, determinadas pela qualidade deste trabalho.

Dejours (2004b) compreende que a explicitação do vivido no trabalho pode trazer consequências importantes para os indivíduos e respectivos coletivos, tanto no que tange às relações sociais no trabalho quanto à gestão da organização do mesmo. Desta forma, os pesquisadores não poderiam assumir sozinhos tais riscos que, em última instância referem-se ao futuro daquele conjunto de trabalhadores.

No trabalho de elaboração da demanda, é possível a explicitação de todos os riscos decorrentes da pesquisa para posterior tomada de decisão sobre a continuidade da mesma. Sugere-se ainda que, a lacuna ou a omissão da demanda e, no limite, a não existência dela, impedem o acesso aos aspectos subjetivos manifestos na relação do sujeito com o trabalho (Dejours, 2004a,b; Uchida et al., 2011).

Ressalta-se, entretanto, que, em PDT, o trabalho de elaboração da demanda configura-se como uma das etapas que impõe algumas das maiores dificuldades para utilização deste referencial teórico-metodológico enquanto proposta de ação. Trata-se de momento delicado e complexo por envolver uma infinidade de atores e demandar tempo significativo de investimento.

A importância do trabalho da demanda está estreitamente vinculada ao uso da linguagem verbal, principal ferramenta da ação em PDT. Para acessar o

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vivido, o subjetivo, as inter-relações, Dejours considera fundamental o recurso à palavra. Para o autor, trata-se da única via de acesso à realidade localizada no âmbito do invisível, ou seja, no mundo subjetivo e que pode tornar inteligível e consciente aspectos desta natureza (Dejours, 2004c,d).

É por meio da palavra e, consequentemente da organização de discursos em contextos dialógicos que, segundo o autor, é possível pensar, elaborar, organizar e compreender as experiências vivenciadas de forma subjetiva. No contexto da ação em PDT, ocupa lugar de destaque para a mediação de quatro aspectos: a relação entre trabalhadores e pesquisadores; a relação entre os trabalhadores; as experiências coletivas que embasam a própria construção do coletivo e; a possibilidade de objetivação das vivências, todas, subjetivas (Dejours, 2004c,d, 2012b; Molinier, 2013).

Questiona-se, entretanto, quais são os contextos favoráveis à elaboração da experiência subjetiva, nos quais haja, portanto, a livre circulação da palavra22;

em seguida, questiona-se ainda, como compreender o aspecto da autenticidade da palavra que é proferida, sabendo-se que, eventualmente, as falas podem ser articuladas de forma esvaziada (Dejours,2004b-d).

Sabe-se que o sofrimento não é acessível de forma direta, que sua expressão pode ser impedida pelas defesas psíquicas e que, eventualmente, os sujeitos também possuem interesses estratégicos e/ou estão submetidos a qualquer tipo de pressão ou ameaça, fato que impede sua livre expressão (Dejours, 2004b).

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Desta forma, para a PDT, o aspecto da veracidade e da autenticidade da palavra dirigida aos pesquisadores configura-se como um dos grandes desafios de validação de pesquisas do tipo clínico, como é o caso daquela proposta pela disciplina. Trata-se, assim, de mais um dos motivos pelos quais o momento de construção da demanda é considerado fundamental e o papel dos pesquisadores se torna ainda mais relevante e audacioso (Dejours, 2004a-d).

Por estudar sujeitos e coletivos inseridos em situações de trabalho específicas, numa dada temporalidade, as investigações sempre tratam dos casos de modo particular e singularizado. Soma-se a isso o fato de que, tanto o pesquisador como a equipe de pesquisa envolvida também estão localizados frente à situação investigada, ou seja, sua familiaridade com o campo e sua bagagem de conhecimento influenciam a forma como vão conduzir o processo de pesquisa, as descobertas e interpretação dos achados. Ressalta-se, portanto, a importância de se considerar também a subjetividade, as angústias e defesas dos pesquisadores, mobilizadas a partir do contato com o campo da pesquisa (Dejours, 2004a-d; Molinier, 2013).

Perceber o outro e, perceber a si na relação com o outro e com o campo de pesquisa configura-se como uma situação de risco, segundo Dejours (2004d). Em PDT, tal configuração se dá a partir do binômio escuta e discurso arriscados, ou seja, que mobilizam subjetivamente, buscam a intercompreensão e a transformação individual e coletiva a partir do vivido conjuntamente. Acometem não apenas aqueles que demandam o estudo, mas também os pesquisadores envolvidos (Dejours, 2004a-d, 2012b; Molinier, 2013).

Sendo assim, o pesquisador, considerado como peça chave na ação em PDT, engaja-se na pesquisa também com uso de sua subjetividade, ou seja, é a

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partir dela que percebe e interpreta o vivido. Soma-se a isso suas experiências clínicas em PDT ou em áreas correlatas (psiquiatria, psicopatologia, etc), que também contribuem na interpretação do conteúdo que chama a atenção (Dejours, 2004a,b,d; Molinier, 2013).

Possuem a vantagem de, mesmo engajados, estarem relativamente distantes da situação estudada o que, para Dejours, facilita a construção de certa posição privilegiada de interlocução, aspecto que pode auxiliar os trabalhadores a explicitarem, por meio dos respectivos discursos, as vivências de sofrimento e prazer no trabalho (Dejours, 2004a,b,d).

O trabalho de interlocução se dá a partir da explicitação, expressão e interpretação feitas por alguém que não conhece inicialmente o contexto estudado. Talvez seja justamente deste aspecto que emerja o movimento de conscientização dos trabalhadores: explicar a outrem aquilo que é desconhecido, por vezes, até para eles mesmos.

Destaca-se, portanto, que a PDT se constitui a partir de um método que dá ênfase à intersubjetividade, tanto no momento de coleta, como na interpretação dos achados. A última se faz, normalmente, em três momentos: o primeiro, sempre subjetivo; em seguida, a análise pautada no conhecimento teórico e, por fim, a validação / restituição junto ao grupo estudado. Ressalta-se ainda a importância de uma equipe e/ou um supervisor, externo às atividades de campo, que possa auxiliar, de forma geral, no processo de interpretação (Dejours 2004a-d; Uchida et al., 2011; Molinier, 2013).

Observa-se que não são reveladas verdades ou provas de aspectos referentes ao período anterior ao da realização do estudo. A pesquisa traz à tona fragmentos de uma realidade vivenciada na situação configurada pela própria

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pesquisa, por meio da interpretação dos discursos. Sedo assim, enquanto disciplina que se utiliza da técnica da interpretação, a PDT situa-se no bojo das ciências histórico-hermenêuticas (Dejours, 2004a-d).