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4.4. Annelerin ve Çocukların Problem Çözme Becerilerine İlişkin Nitel Bulgular

4.4.1. Annelerin Kendi Problem Çözme Becerilerine İlişkin Nitel Bulgular

Nas Teses, os termos disfóricos /profanidade/ e /opressão/ concretizam-se como uma sociedade marcada pela luta de classes e pelas tragédias que isso implica. Elas configuram um presente durativo que se estende do passado (início da história e do declínio) até o momento atual, num acúmulo de derrotas e de barbárie, que é a história humana na perspectiva dos oprimidos, perspectiva que se adota nas Teses. A /sacralidade/ e a /liberdade/, por outro lado, configuram uma sociedade sem classes:

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Löwy (2005, p. 46) faz referência à Teologia da Libertação, na América Latina, e outros movimentos que, anos depois de Benjamin, realizaram uma associação coerente entre teologia e marxismo.

num passado remoto (fora da história), concretizado como “paraíso” e entendido como um comunismo primitivo; e no futuro concretizado como o fim da sociedade de classes pela intervenção na história por uma instância portadora do traço /sagrado/ e pela restituição/redenção dos oprimidos, o que corresponde, assim, a uma volta à origem, ao passado primordial.

A tese I indica aquilo que carrega o traço /sagrado/ e que, portanto, é capaz de permitir a atuação na redenção e a vitória na luta de classes. Essa indicação está relacionada à articulação, nas Teses, entre marxismo e teologia, a qual carrega o sema /sagrado/. Veja-se o texto a seguir:

Conhecemos a história de um autômato construído de tal modo que podia responder a cada lance de um jogador de xadrez com um contralance, que lhe assegurava a vitória. Um fantoche vestido à turca, com um narguilé na boca, sentava-se diante do tabuleiro, colocado numa grande mesa. Um sistema de espelhos criava a ilusão de que a mesa era totalmente visível, em todos os seus pormenores. Na realidade, um anão corcunda se escondia nela, um mestre no xadrez, que dirigia com cordéis a mão do fantoche. Podemos imaginar uma contrapartida filosófica desse mecanismo. O fantoche chamado

“materialismo histórico” ganhará sempre. Ele pode enfrentar qualquer

desafio, desde que tome a seu serviço a teologia. Hoje, ela é reconhecidamente pequena e feia e não ousa mostrar-se (BENJAMIN, 1987, p. 222).

No texto, a possibilidade de vitória do materialismo histórico está relacionada ao serviço que lhe pode prestar a teologia, que atua de forma secreta (“dirigia com cordéis a mão do fantoche”), mas decisiva (“mestre no xadrez”). Aqui faz-se útil uma análise sêmica. A teologia, na alegoria do autômato, caracteriza-se pelo sema /contraído/ (“anão corcunda”; “pequena”), quanto à forma, ao passo que o materialismo histórico apresenta o sema oposto, /dilatado/, observado no fantoche colocado numa grande mesa. A teologia é caracterizada ainda, quanto à dimensão espacial, pelo sema /interioridade/ (“se escondia nela, não ousa mostrar-se”), não se prestando à visão também porque

“feia”, “corcunda”. O materialismo histórico, por outro lado, é visível, sendo marcado

pelo sema /exterioridade/ (“podia responder a cada lance de um jogador de xadrez com um contralance”; “sentava-se diante do tabuleiro, colocado numa grande mesa”).

A alegoria e seu comentário tomam, assim, a relação entre teologia e marxismo como sendo de complementaridade. A teologia, que carrega o sema /sagrado/, é aquela cuja perícia conduz de maneira interna as ações visíveis do materialismo histórico, relação que permite assegurar a vitória na luta de classes. A interação se dá, desse modo, à semelhança da relação entre alma (teologia) e corpo (marxismo), em uma união

dessas unidades como já observamos no poema O Conde D. Henriques, de Fernando Pessoa. Essa relação que anula a aposição em favor de uma complementaridade é observada também na Tese IV, que reproduzimos a seguir:

A luta de classes, que um historiador educado por Marx jamais perde de vista, é uma luta pelas coisas brutas e materiais, sem as quais não existem as refinadas e espirituais. Mas na luta de classes essas coisas espirituais não podem ser representadas como despojos atribuídos ao vencedor. Elas se manifestam nessa luta sob a forma da confiança, da coragem, do humor, da astúcia, da firmeza, e agem de longe, do fundo dos tempos. Elas questionarão sempre cada vitória dos dominadores. Assim como as flores dirigem sua corola para o sol, o passado, graças a um misterioso heliotropismo, tenta dirigir-se para o sol que se levanta no céu da história. O materialismo histórico deve ficar atento a essa transformação, a mais imperceptível de todas (BENJAMIN, 1987, p. 223-224).

Aqui a teologia, as “coisas refinadas” e “espirituais”, forma como que uma disposição de espírito (a alma) na luta de classes: “sob a forma da confiança, da coragem, do humor, da astúcia, da firmeza” . Grande parte disso se deve ao fato de essas características estarem relacionadas a um olhar para o passado, à rememoração,

conceito bastante evocado em Benjamin. “[Elas] agem de longe, do fundo dos tempos”,

diz o texto, que complementa afirmando: “o passado [...] tenta dirigir-se para o sol que se levanta no céu da história”.

A teologia é o que parece permitir a rememoração, que leva o passado marcado pelas tragédias da luta de classes a ter implicações no presente, como um chamado à redenção. Ela vai, como já foi explicado na apresentação do texto (vide seção 1.1.2), contra a ideologia do progresso, que toma o passado como um acúmulo de conquistas da humanidade. A atuação da teologia, como disposições do espírito que levam à rememoração, é marcada novamente como não visível, não evidente (“um misterioso heliotropismo”; “a transformação mais imperceptível de todas”), como a alma que conduz o corpo.

Essa análise da relação entre teologia e marxismo está em sintonia com o que já afirmamos, citando Scholem (1995, p.142), que aponta como um dos objetivos das Teses justificar a necessidade da teologia no/para o materialismo histórico. Löwy (2005,

p. 59), no mesmo sentido, afirma que “se não for estimulada por algumas qualidades

morais, a classe dominada não conseguiria lutar por sua liberdade”, o que confirma o que dissemos sobre o campo de atuação da teologia: a dimensão interna, as disposições do espírito que permitem a vitória pela classe proletária.

A classe proletária é, então, na relação estabelecida entre materialismo histórico e teologia, a instância marcada com o sema /sagrado/, a instância que deve apresentar uma corporalidade que atue pela redenção/revolução, animada por disposições de espírito conferidas pela teologia. A Tese VI é a que melhor explicita esses traços da instância redentora, como se pode ver a seguir:

Articular historicamente o passado não significa conhecê-lo “como ele de

fato foi”. Significa apropriar-se de uma reminiscência, tal como ela relampeja

no momento de um perigo. Cabe ao materialismo histórico fixar uma imagem do passado, como ela se apresenta, no momento do perigo, ao sujeito histórico, sem que ele tenha consciência disso. O perigo ameaça tanto a existência da tradição como os que a recebem. Para ambos, o perigo é o mesmo: entregar-se às classes dominantes, como seu instrumento. Em cada época, é preciso arrancar a tradição ao conformismo, que quer apoderar-se dela. Pois o Messias não vem apenas como salvador; ele vem também como o vencedor do Anticristo. O dom de despertar no passado as centelhas da esperança é privilégio exclusivo do historiador convencido de que também os mortos não estarão em segurança se o inimigo vencer. E esse inimigo não tem cessado de vencer (BENJAMIN, 1987, p. 224).

O texto faz referência direta à figura do Messias, instância ligada ao /sagrado/ e responsável pela redenção dos oprimidos e pela vitória sobre o Anticristo, outro conceito teológico. O Anticristo é relacionado aqui à classe dominante, razão pela qual o texto alerta o historiador para o risco de, ao reproduzir a tradição dessa classe, tornar- se um instrumento dela (“entregar-se às classes dominantes, como seu instrumento”). O historiador marxista, assim como a classe proletária, deve relacionar-se com o passado contemplando nele aquilo que incita a busca da redenção62.

Essa forma de relação com o passado é indicada pela expressão “apropriar-se de uma reminiscência”, que se opõe à história oficial, isto é, o passado como, entre aspas, ele de fato foi, o passado contado de acordo com a tradição ligada às classes

dominantes, questão que retomaremos à frente. Essa história oficial, a “real”, pela

aproximação com as noções da metafísica platônica, deve ser vista como o lugar do engano (à maneira do mundo sensível) e da dissimulação ideológica; já o passado apreendido como reminiscência é algo cuja verdade está fora da história oficial (à maneira do mundo das ideias de Platão, acessíveis graças às reminiscências)63. Essa

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A crítica de W. Benjamin ao historicismo, cuja representação do passado mostra-se afinada com a ideologia do progresso e com os interesses da classe dominante, será examinada mais detalhadamente no Capítulo 3, quando tratarmos das estruturas narrativas, na medida em que isso concretiza a etapa narrativa da sanção. O mesmo se dá com relação às críticas à social-democracia e à sua atuação baseada na crença no progresso.

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Lembramos que, conforme já foi explicado (vide nota 5), Platão é visto por Eliade (1969), na sua abordagem do mito como resistência à história, como a expressão máxima do pensamento religioso do

forma de olhar o passado é, por assim dizer voltar-se para a alma (que, em Platão, é o que carrega ideias verdadeiras de vidas passadas ao lado dos deuses), para as disposições do espírito, como já foi dito, o que favore a atuação da classe proletária, identificada como o Messias encarregado de derrotar a classe dominante/Anticristo.

A teologia, portanto, é o que confere, no texto de Benjamin, um traço /sagrado/ à classe proletária (ao Messias), o que, aliado ao marxismo, pode habilitá-la a promover a redenção desejada. A teologia se liga, no texto em análise, a disposições do espírito necessárias para a revolução/redenção, o que, como explica Löwy (2005, p. 42), problematiza aquelas correntes vulgares do marxismo que compreendiam o fim da luta de classes como o resultado de um desenvolvimento mecânico (vide a alegoria da Tese I) e próprio da história: a dinâmica das forças produtivas e o progresso tecnológico e econômico.

A transformação promovida pela classe proletária, graças às disposições do espírito conferidas pela teologia, em sua articulação com o materialismo histórico, se dá, por sua vez, no futuro, como projeção. Isso implica, então, um percurso fundamental previsto, desejado, mas não realizado, o que configura a espera messiânica. Se o presente, nas Teses, corresponde à afirmação da /profanidade/ e da /opressão/, termos concretizados como uma injusta luta de classes que o capitalismo agrava, o socialismo pode ser compreendido como negação desses termos disfóricos e o comunismo, como a afirmação dos termos eufóricos da /sacralidade/ e da /liberdade/ pelo fim definitivo da sociedade divida em classes. Como se sabe, o socialismo é entendido como uma etapa de transição do capitalismo ao comunismo, sendo marcado pela presença do Estado, que, responsável por socializar os meios de produção, deixa de existir no fim do processo, quando a sociedade deixa de ser dividida em classes (ROUVILLOIS, 1998, p. 219).

Levando em consideração esses conceitos e os dados da análise das Teses até aqui, podemos representar da seguinte maneira o percurso (virtual) da espera messiânica no texto examinado:

homem primitivo em função de sua ontologia metafísica. Adotando-se a perspectiva de Eliade, em quem nos baseamos aqui, a aproximação dos conceitos teológicos de Benjamin com a metafísica platônica pode ser vista como indicativa do caráter mítico do discurso do autor alemão.

Esquema 10

Representação da espera messiânica nas Teses

Fonte: Elaboração própria