2.9. İlgili Araştırmalar
2.9.2. Çocukların Problem Çözme Becerileri ile İlgili Araştırmalar
Boa parte do texto em análise concretiza os elementos representados no esquema anterior, ao denunciar as diferentes formas pelas quais os hebreus se afastaram da instância divina, negando a /integração/ e a /sacralidade/ em proveito da /desagregação/ e da /profanidade/. O profeta, no entanto, prega uma possibilidade de volta à /integração/ e à /sacralidade/ por uma retomada do pacto com a instância divina, como se pode ver em:
16 Lavai-vos, purificai-vos; tirai de diante dos meus olhos a maldade dos vossos atos; cessai de fazer o mal;
17 aprendei a fazer o bem; buscai a justiça, acabai com a opressão, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva.
18 Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados são como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que são vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como a lã.
19 Se quiserdes, e me ouvirdes, comereis o bem desta terra;
20 mas se recusardes, e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; pois a boca do Senhor o disse (ISAÍAS, 1: 16-20).
Nesse excerto, fala-se de uma possibilidade de mudança: a correção moral (“aprendei a fazer o bem”), a prática da justiça (“fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva”) e a eliminação dos pecados (“ainda que os vossos pecados são como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que são vermelhos como o
Sacralidade Liberdade [Integração] [Passado] Não profanidade Não opressão [conversão/reparação] [Não presente] Não sacralidade Não liberdade [transgressão] [Não passado] Profanidade Opressão [Desagregação] [Presente]
carmesim, tornar-se-ão como a lã”). Propõe-se uma retomada do favor divino (“vinde, pois, e arrazoemos”) pela retomada de uma conduta tida como correta (“me ouvirdes”).
Trata-se, a nosso ver, de uma /conversão/, que é uma forma de negar a /desagregação/ em proveito de uma posterior afirmação da /integração/ pela (re)validação do pacto com a instância divina. Isso passa ainda pela negação da /profanidade/ e da /opressão/, o que levaria a instância divina a limpar os pecados dos convertidos e a voltar seu favor para estes (“comereis o bem desta terra”), numa afirmação da /sacralidade/ e da /liberdade/.
Ao lado da /conversão/ (forma ativa, voluntária), a negação da /desagregação/ pode se dar ainda por uma forma de /reparação/ (forma passiva), como um acerto de contas. De fato, o messianismo de Isaías parece caracterizar-se pelo fato de a redenção estar ligada a uma purificação do grupo, inclusive pela sua redução numérica, como se verá mais à frente47. As palavras a seguir resumem esse processo: “Dizei aos justos que bem lhes irá; porque comerão do fruto das suas obras / Ai do ímpio! mal lhe irá; pois se
lhe fará o que as suas mãos fizeram” (ISAÍAS, 3: 10-11).
Essa ideia de acerto de contas e de redenção de apenas um grupo de fiéis do messianismo de Isaías se opõe, assim, à crença, sobretudo da classe dirigente, de uma consolidação de uma hegemonia militar e comercial dos hebreus. Em Isaías, pelo contrário, o Dia do Senhor representa o rebaixamento dos poderosos e dos infiéis, numa mescla de redenção e acerto de contas, como se pode ver a seguir:
1 Ai dos que decretam leis injustas, e dos escrivães que escrevem perversidades;
2 para privarem da justiça os necessitados, e arrebatarem o direito aos aflitos do meu povo; para despojarem as viúvas e roubarem os órfãos! 3 Mas que fareis vós no dia da visitação, e na desolação, que há de vir de longe? a quem recorrereis para obter socorro, e onde deixareis a vossa riqueza? [...]
33 Eis que o Senhor Deus dos exércitos cortará os ramos com violência; e os de alta estatura serão cortados, e os elevados serão abatidos (ISAÍAS, 10: 1- 3, 33). [...]
11 Então disse eu: Até quando, Senhor? E respondeu: Até que sejam assoladas as cidades, e fiquem sem habitantes, e as casas sem moradores, e a terra seja de todo assolada,
12 e o Senhor tenha removido para longe dela os homens, e sejam muitos os lugares abandonados no meio da terra.
47
Isso remete à triagem como operação da sintaxe extensiva, que será examinada no próximo capítulo. Adiantamos apenas que, nos demais textos, essa operação também ocorre, parecendo ser um dos traços do discurso messiânico. O que diferencia o texto de Isaias é o fato de a triagem ocorrer também no interior do grupo, o que não ocorre nos outros casos, pois neles a /opressão/ não advém de determinados membros do grupo, mas de elementos externos.
13 Mas se ainda ficar nela a décima parte, tornará a ser consumida, como o terebinto, e como o carvalho, dos quais, depois de derrubados, ainda fica o toco. A santa semente é o seu toco (ISAÍAS, 6:11-13).
O Dia do Senhor (“dia da visitação”) é, assim, uma forma de /reparação/, que, ao lado da /conversão/, compreende uma negação da /desagregação/ e permite a posterior /integração/. A /reparação/, como se vê, atinge a classe dirigente (metonimicamente: “os que decretam leis”; “escrivães”; metaforicamente: “os ramos de alta estatura”, “os elevados”), tida como injusta.
Na organização fundamental do texto de Isaías, esse período corresponde, igualmente, a uma negação da /opressão/. Embora implique sofrimento e desolação, o Dia do Senhor atinge os injustos e opressores, como já foi apontado, o que permite que o povo, em especial os mais vulneráveis, seja liberto das mazelas sociais promovidas pela classe dirigente. Conforme se diz no texto,“[...] para a que estava aflita não haverá escuridão” (ISAÉAS, 9:1).
Por fim, esse período compreende ainda um processo de purificação (“se ainda ficar nela a décima parte, tornará a ser consumida; depois de derrubados, ainda fica o toco”), do qual sairá um pequeno grupo de sobreviventes considerados “a santa semente” (o toco que sobra após a derrubada da árvore). Desse modo, a desolação do Dia do Senhor concretiza também a negação da /profanidade/, negação que antecede o estado de perfeição e plenitude próprio da esperança messiânica.
Cabe notar que a organização fundamental observada até aqui e representada no quadrado semiótico (esquema 4) aplica-se igualmente à narrativa relacionada ao Rei Acaz, rei de Judá quando da guerra Sírio-Efraimita, cujo contexto está ligado ao anúncio do Dia do Senhor pelo profeta. Essa situação, além disso, acaba por desembocar naquilo que é o anúncio messiânico por excelência em Isaías: o nascimento de uma criança, tida como sinal da instância divina no que se refere tanto a um iminente período de grande sofrimento (e purificação), como a um futuro de plenitude e perfeição.
Apenas para efeito de contextualização da passagem, vale ressaltar que, segundo Steinmann (1955, p. 81-82), Acaz era rei em Judá em 736 a. C, quando a Síria articulou com Israel (Reino do Norte) e Egito uma liga contra a Assíria. O Reino de Judá ficou num dilema em relação a juntar-se a essa liga contra a poderosa Assíria ou buscar apoio da própria Assíria contra a liga que se formara. A opção de Acaz, como explica Santos
(2005, p. 48-49), foi pela segunda via: ele se recusou a participar da liga antiassiriana e pediu ajuda à Assíria contra ela, o que deu origem à chamada guerra Sírio-Efraimita.
É nesse contexto que o profeta se dirige a Acaz. Sua abordagem explicita o contexto indicado e, atualizando o percurso fundamental já representado, propõe o que podemos entender igualmente como uma possibilidade de /conversão/ do rei:
2 Quando deram aviso à casa de Davi, dizendo: A Síria fez aliança com Efraim; ficou agitado o coração de Acaz, e o coração do seu povo, como se agitam as árvores do bosque à força do vento.
3 Então disse o Senhor a Isaías: saí agora, [...] 4 e dize-lhe: Acautela-te e aquieta-te; não temas, nem te desfaleça o coração por causa destes dois pedaços de tições fumegantes; por causa do ardor da ira de Rezim e da Síria, e do filho de Remalias.
5 Porquanto a Síria maquinou o mal contra ti, com Efraim e com o filho de Remalias, dizendo:
6 Subamos contra Judá, e amedrontemo-lo, e demos sobre ele, tomando-o para nós, e façamos reinar no meio dele o filho de Tabeel.
7 Assim diz o Senhor Deus: Isto não subsistirá, nem tampouco acontecerá[...] 9 [...] se não o crerdes, certamente não haveis de permanecer.
10 De novo falou o Senhor com Acaz, dizendo:
11 Pede para ti ao Senhor teu Deus um sinal; pede-o ou em baixo nas profundezas ou em cima nas alturas.
12 Acaz, porém, respondeu: Não o pedirei nem porei à prova o Senhor. (ISAÍAS, 7:2-7 e 9-12)
Steinmann (1955, p. 83) explica ainda que é provavelmente nesse contexto de desespero anterior à guerra que o rei teria sacrificado seu filho primogênito num ritual não hebreu. Acaz incide, assim, nos mesmos desvios da classe dirigente de modo geral, desvios que são denunciados pelo profeta. Há uma afirmação da /profanidade/ e da /desagregação/, pelo pecado cometido pelo Rei, isto é, seu desvio religioso pela prática do ritual estrangeiro. Há ainda, por parte do rei, a falta de confiança na instância divina pelo fato de aliar-se à Assíria em vez de aceitar um sinal da parte do Senhor (“Não o pedirei nem porei à prova o Senhor”).
Assim, a /profanidade/ não é negada e tampouco se dá a /conversão/ (negação da /desagregação/). Paralelamente, observa-se ainda a afirmação da /opressão/ pela crise instalada entre as nações e a iminência da guerra (“ficou agitado o coração de Acaz, e o coração do seu povo”).
Assim como no caso da classe dirigente como um todo, pode dar-se a /conversão/, que é rejeitada pelo rei, ou a /reparação/, formas de negação da /desagregação/ que antecedem a /integração/ do grupo purificado. Por isso, a recusa de Acaz resulta num sinal dado pela instância divina através do profeta, um sinal que aponta para uma /reparação/ e uma posterior redenção, como se vê a seguir:
14 Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel.
15 Manteiga e mel comerá, quando ele souber rejeitar o mal e escolher o bem.
16 Pois antes que o menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem, será desolada a terra dos dois reis perante os quais tu tremes de medo.
17 Mas o Senhor fará vir sobre ti, e sobre o teu povo e sobre a casa de teu pai, dias tais, quais nunca vieram [...], isto é, fará vir o rei da Assíria (ISAÍAS, 7: 14-17).
Como dissemos quando da apresentação do texto de Isaías no capítulo anterior, o sentido imediato da referência ao nascimento de Emanuel tem a ver com o fato de Acaz, então rei de Judá, ter sacrificado o único filho num ritual estrangeiro (STEINMANN, 1955, p. 89). O anúncio messiânico significaria, assim, a garantia da manutenção da dinastia de Davi, que era mantida no Reino de Judá após a divisão de Israel. A dinastia davídica estava ameaçada em função dos inimigos que queriam derrubar Acaz do poder e em função do próprio sacrifício do herdeiro pelo rei no já citado ritual estrangeiro.
Ao mesmo tempo, como explica Coppens (1952, p. 10), o nascimento prometido é revestido de algo de extraordinário, pois a criança seria uma espécie de intervenção especial da instância divina. Isso indica que a instância messiânica – a criança anunciada pelo profeta como um futuro rei ligado diretamente à divindade – apresenta um traço /sagrado/ e indica que a redenção está relacionada à negação da /profanidade/ e à afirmação da /sacralidade/, o que parece ser próprio do discurso messiânico. Além disso, o oráculo do profeta indica a negação da /opressão/ e a afirmação da /liberdade/ pela eliminação dos inimigos que ameaçam os hebreus (“será desolada a terra dos dois reis perante os quais tu tremes de medo”).