1. BÖLÜM
3.4. SİVİL İKTİDARA GEÇİŞ SÜRECİNDE ASKERİ VE SİYASAL
3.4.2. Koalisyonlar Dönemi Askerin Siyasi Etkinliği
3.4.2.6. DSP-MHP-ANAP Koalisyon Hükümeti
No contexto das relações de poder entre o clero e a nobreza leiga, São Bernardo realizou uma importante contribuição para a Teocracia. Na media em que discutira e desenvolvera a noção de miles Christi com a representação do Novum Militiae Genus, o a abade de Claraval intentou instrumentalizar a cavalaria em benefício do Papado. Diante dos problemas advindos de uma nobreza que insistia em interferir nos assuntos eclesiásticos, tal como Luis VI, ou da fragilidade papal no momento do cisma, uma nova espécie de cavalaria encontrava seu papel enquanto ponto de apoio para a Igreja.
Em 1153, São Bernardo escreveu uma carta a seu tio André, então mestre da Ordem dos Templários. Nessa carta, o Santo intentava animar seu tio perante as dificuldades da defesa da cidade de Jerusalém. Por enquanto, a despeito das moções de André, as quais São Bernardo fez alusão, nos deteremos na imagem das Cruzadas apresentada pelo Santo:
Tu desejas me ver e dizes que depende de minha decisão que se cumpra teu desejo. Indicas que somente esperas meu mandato. Que queres que te diga? Desejo que venhas e temo não venhas [Fl. 01, 23]. Ante a perplexidade de querer e não querer que seja disposto, tiram as coisas de mim e não sei o que escolher [Fl. 1, 22]. Por uma parte quero satisfazer teu desejo e o meu também; por outro lado creio mais que o grande prestígio que tens aí e o fato de ser considerado tão necessário nessa terra, que tua ausência, segundo se diz, traria grandes perigos. Assim, pois, como não posso mandar- te nada, opto por te ver antes de morrer. Tu podes ver e julgar melhor como vir sem causar escândalo a essa gente. E talvez tua vinda não seja completamente inútil. É possível que, com a ajuda de Deus, terias algumas pessoas que te acompanhariam a socorrer a Igreja de Deus quando regressares de novo, pois és muito conhecido e estimado aqui 123. (BERNARDO DE CLARAVAL. Carta a seu tio André, mestre dos Templários. In: ARAGUREN & BALANO, v. 07, 1983: 890-892, trad nossa).
122 Ver página 179.
123 Desideras me videre, et de meo, ut scribis, arbitrio desiderii tui pendet effectus. Nam mandatum super
hoc meum te indicas exspectare. Et quid dicam tibi? Et cupio ut venias, et timeo ne venias. Ita inter velle et nolle positus, coarctor e duobus; et quid eligam, ignoro. Unum, ne videlicet tuo satisfaciam desiderio, et meo pariter: an credam magis celebri de te opinioni, qua terrae ita pernecessarius praedicaris, ut de tua absentia non mediocris illi desolatio imminere credatur. Itaque quod mandare non audeo, opto tamen ut te videam antequam moriar. Tu melius id videre et cognoscere potes, si quo modo sine damno et sine scandalo illius gentis venire possis. Et fieri posset quod adventus tuus omnino non esset inutilis. Forte,
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André insistia em ver seu parente. São Bernardo temia que a sua ausência da Palestina acarretasse algum prejuízo ou escândalo para a segurança dos cristãos. Contudo, o Santo percebia que a viagem de André ao Ocidente poderia alcançar a adesão de algumas pessoas que ajudariam a socorrer a “Igreja de Deus”. Documento evidenciador da fragilidade militar do reino de Jerusalém, a carta de São Bernardo relacionara aquela fragilidade como um ponto fraco na Casa de Deus, a qual necessitava de socorro. Quem poderia socorrê-la eram exatamente, mas não exclusivamente, os
milites.
Além da fragilidade militar dos cruzados, as palavras de São Bernardo confirmaram as Cruzadas como um projeto de cunho eclesiástico. Associamos esta passagem com o trecho do tratado De Consideratione, no qual o Santo dizia que a espada deveria ser desembainhada pelas mãos dos milites, sob o comando do Imperador e pelas ordens dos padres. A idéia da cavalaria enquanto instrumento ou pretenso instrumento da Igreja é percebida pela intenção de sua direção e coordenação em uma empresa cuja atuação eclesiástica foi bem enfatizada: as Cruzadas. Tal empresa São Bernardo julgava importante para a Casa de Deus. Não cumprir aquela determinação ou ordenação trazia, seja por parte dos imperadores, seja por parte dos milites, como demonstraremos adiante, o fracasso para a cristandade e a ameaça para a Igreja.
Diante das incertezas da adesão do poder secular às causas da Igreja ou mesmo perante a hostilidade de certos nobres, o Novum Militiae Genus, passava de uma exortação militar a um grupo de cruzados, para uma espécie de garantia àquela determinação. Salientamos que o Santo não fazia distinção se a espada deveria ser desembainhada pelos Templários ou por outros milites quaisquer. Tal generalidade reafirma nossa observação de que, para São Bernardo, o Novum Militiae Genus era um caminho louvável, mas não o único caminho legítimo para a militia. Porém, a atuação do cavaleiro Templário traria, por todo discurso bernardino, uma maior segurança para os interesses eclesiásticos, especificamente os interesses papais.
Não podemos ignorar que São Bernardo conseguira atender ao pedido do rei Balduíno II. O Papa Honório II, no Concílio de Troyes de 1129, concedera sua aprovação e outorgara uma norma de vida para a Ordem dos Templários. Em 1139, o Papa Inocêncio III, através da bula Omne Datum Optimum, reafirmara a associação da
favente Deo, non deesent qui te sequerentur revertentem ad subveniendum Ecclesiae Dei, quoniam omnibus notus es et dilectus.
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Ordem dos Templários, ou seja, do Novum Militiae Genus, com a causa da Igreja Católica:
Inocêncio, episcopal, servo dos servos de Deus. Aos diletos filhos Roberto, mestre da religiosa cavalaria do Templo que está situada em Jerusalém, seus sucessores e todos os irmãos, tanto presentes quanto futuros em modo perpétuo. Toda doação que vem do pai da luz, junto de quem não há mutação, nem obscurecimento, pela vicissitude é ótima e todo dom é perfeito. Pela providência, diletos filhos em Deus, por vós e em vosso benefício, exaltamos juntos o senhor onipotente, pois vossa Ordem e instituição digna de respeito é anunciada no mundo inteiro. Verdadeiramente, como tivésseis estado a caminhar, filhos, pela natureza e abandonados às vontades seculares, agora, por graça favorável, feitos ouvintes não surdos dos evangelhos, abandonadas a morte, escolhestes a humildade e o árduo caminho que conduz para a vida. Além disso, para comprovar que sejais contados na cavalaria de Deus, incessantemente fizestes em vosso peito o sinal vivificante da Cruz. Acrescenta a isto, pois assim, como os verdadeiros israelitas e versadissímos guerreiros do divino combate, verdadeiramente acesa a chama da caridade, realizastes por obras o dito evangelho que é anunciado: ninguém
tem maior amor quanto quem põe sua vida em favor da vida dos seus, daí também, de
acordo com a voz do sumo Pastor, vós tivestes mínimo medo de dispor vossas almas pelos irmãos e de defendê-los das incursões dos pagãos e se declarais com o nome cavaleiros do Templo, sois constituídos, pelo senhor, defensores da Igreja católica e
impugnadores dos inimigos de Cristo 124. (INOCÊNCIO II. Bula Omne Datum
Optimum. In: ALBON, 1913-1922: 375-376, trad. e grifos nossos).
Como observou Pernoud (1976: 17), a bula de Inocêncio II estabelecia os privilégios da Ordem dos Templários, como a isenção da jurisdição episcopal e do pagamento do dízimo. Entretanto, nos deteremos na representação militar contida naquele documento. Além da afirmação do caráter humilde e abnegado da Ordem, o Papa reafirma seu papel de defensora da Igreja e de impugnadora dos inimigos de Cristo. São Bernardo realizou uma associação estreita entre o Novum Miltiae Genus e os interesses da Igreja e consequentemente do Papado. A benção de Honório II e de Inocêncio II marcam, de certa forma, uma apropriação pontifícia do discurso bernardino e da iniciativa dos milites ligados a Hugo de Payns. Tal apropriação, evidenciada pela representação militar exposta na bula citada, retomava o De Laude Novae Militiae
124 Innocentius episcopus, servus servorum Dei. Dilectis filiis Roberto magistro religiose militie Templi
quod Iherosolimis situm est, ejusque successoribus et fratribus tam presentibus quam futuris in perpetuum. Omne datum optimum et omne donum perfetum desursum est, descendens a patre luminum, apud quem non est transmutacio nec vicissitudinis obumbracio. Provide, dilecti in Domino filii, de vobis et pro vobis, omnipotentem Dominum collaudamus, quoniam in universo mundo vestra religio et veneranda institutio nuntiatur. Cum enim natura essetis filii ire et seculi voluptatibus dediti, nunc, per aspirantem gratiam, evangelii non surdi auditores effecti, relictis pompis secularibus et rebus propriis, dimissa etiam spatiosa via que ducit ad mortem, arduum iter quod ducit ad vitam, humiliter elegistis, atque ad comprobantdum quod in Dei militia computemini, signum vivifice crucis in vestro pectore assidue circumfertis. Accedit ad hoc quod tanquam veri Israelite atque instructissimi divini prelii bellatores, vere karitatis flamma succensi, dictum evangelium operibus adimpletis quod dicitur: majorem hac dilectionem nemo habet quam ut animam suam ponat quis pro animis suis; unde etiam, juxta summi Pastoris vocem, animas vestras pro fratribus poneres eosque ab incursibus paganorum defensare, minime formidatis; et, cum nomine censeamini milites Templi, constituti estis a Dominio catholice ecclesie defensores et inimicorum Xpisti impugnatores.
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afirmando as características religiosas do Novum Militiae e Genus e sua função na Casa de Deus.
Portanto, identificamos o tratado de São Bernardo e a representação militar nele contida, como uma importante contribuição para a Teocracia. Se na afirmação do poder Papal, ao longo do século XI, a idéia de um cavaleiro de Cristo, fiel ao Pontífice, era desenvolvida, São Bernardo aprofundara essa noção. O Santo oferecia à Santa Sé um discurso mobilizador da cavalaria, cuja apropriação por parte do Papado marcou uma nova etapa nas relações entre a Igreja e a cavalaria e na política papal com relação a uma parte importante dos poderes seculares.