3.2. EKONOMETRİK METODOLOJİ: YAPISAL KIRILMALI BİRİM KÖK TESTLERİ
3.2.3. Yapısal Kırılmalı Birim Kök Testleri
3.2.3.4. Ampirik Bulgular
A Convergência das mídias é uma das diversas tipificações atribuídas ao fenômeno inicialmente relacionado ao ato ou efeito de convergir, verbo que tem na essência de sua raiz etimológica o conceito de tender algo ou alguma coisa a um mesmo ponto. Observou-se, contudo, que a convergência vai além dessa compreensão, assim como a junção das palavras
Convergência e Mídia que representam um segmento autônomo que tem características
particulares, mas que também sofre transformações contínuas.
O termo Convergência das Mídias apareceu com maior ênfase no final dos anos 1970 e referiu-se à aproximação entre os setores de computação e de telecomunicações. A partir de 1990, a intensificação da transposição do analógico para o digital, seguida da digitalização das formas de produção, de distribuição e de consumo dos serviços de comunicações, fez com que a convergência midiática indicasse um fenômeno de aproximação e integração entre os setores de comunicação de massa, de telecomunicações e de informática.
Na última década foram constituídas várias classificações30, sendo que a convergência
tecnológica destacou-se dentre as demais por estabelecer uma nova relação entre os aparatos
que anteriormente operavam de forma separada, como o telefone, o rádio e a televisão. As tecnologias digitais motivaram o surgimento de dispositivos que, sozinhos, se caracterizavam convergentes por oferecerem diferentes tecnologias de comunicação. Na atualidade, os aparelhos de telefonia móvel se sobressaem neste quesito, uma vez que permitem acesso a formas de comunicação distintas. Os atuais smartphones vão além da capacidade dos primeiros aparelhos celulares, que apenas faziam e recebiam ligações telefônicas. Eles também oferecem acesso sem fio às redes WiFi e 3 e 4G, bem como captam o sinal aberto da televisão digital e as ondas eletromagnéticas transmitidas pelas emissoras de rádio.
Esses novos artefatos ainda permitem a coexistência de serviços diversos, como a possibilidade de acionar games, baixar informações da internet, tirar e enviar fotografias ou mensagens de texto e acessar blogs e redes sociais. Nos aparelhos também é possível assistir a
trailers de filmes, baixar capítulos de romances serializados ou assistir shows ou eventos em
30
Neste trabalho priorizam-se, a seguir, as tipificações apresentadas pelo pesquisador espanhol Ramón Salaverría Aliaga (2010, 2008), diretor do Departamento de Proyectos Periodísticos (DPP) da Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra, Espanha. Salaverría é especialista em mídias digitais e autor de estudos que relacionam convergência e jornalismo.
locais remotos. Contudo, a convergência das mídias vai além de mudanças tecnológicas relacionadas ao desenvolvimento de dispositivos cada vez mais presentes na sociedade.
A convergência altera a relação entre tecnologias existentes, indústrias, mercados, gêneros e públicos. A convergência altera a lógica pela qual a indústria midiática opera e pela qual os consumidores processam a notícia e o entretenimento. Lembrem-se disto: a convergência refere-se a um processo, não a um ponto final (JENKINS, 2006, p. 41).
O atual processo de convergência tecnológica tem sido liderado por empresas de telecomunicações, produtores de dispositivos de informática e desenvolvedores de aplicativos digitais. “Esse atores determinam o enquadramento tecnológico que deverá acomodar os meios de comunicação na atualidade, com toda a velocidade possível” (SALAVERRÍA, 2010, p. 33, tradução nossa). As novas possibilidades tecnológicas se converteram automaticamente em demandas de serviços que os meios de comunicação estão obrigados a satisfazer. Como resposta a esse desafio, as mídias tem sido obrigadas a adaptarem seus processos de produção.
No tocante ao Jornalismo, a convergência tecnológica reconfigurou as rotinas internas das redações a partir do final dos anos 1980 estimulando, inicialmente, a inclusão de novas ferramentas de produção e, posteriormente, a digitalização. “Em paralelo, novos sistemas de gerenciamento de conteúdo passam de ferramentas monomídias para converterem-se em sistemas multimídias versáteis projetados para editar conteúdos em diferentes suportes e plataformas” (op. cit., p. 34 – tradução nossa).
Nesse cenário, a convergência empresarial desponta como outra tipificação que se consolida na nova era. Esse fenômeno relaciona-se às empresas de comunicação, que foram levadas a reconfigurar estruturas e processos de produção para responder às imposições do mercado que, devido à internet, passou a seguir regras administrativas e comerciais diferentes das anteriores. Salaverría considera que as alterações submetidas ao meio empresarial podem ser comparadas a duas forças comuns à física. A primeira, a centrífuga, consiste na diversificação midiática que é baseada na busca pelo desenvolvimento horizontal e vertical simultâneo. No plano horizontal, o crescimento ocorre quando uma mídia torna-se uma empresa multiplataforma, com presença em negócios editoriais, audiovisuais e internet. No plano vertical ocorre a aquisição de empresas presentes em toda cadeia de valor dos produtos informativos e de entretenimento (Idem, Ibidem).
Em resumo: um determinado meio de comunicação mantém sua atividade fim (a principal da empresa), mas adota também uma atividade meio (serviço secundário). “Não é raro encontrar hoje em dia empresas de mídia que, além da edição jornalística comum, têm participações em agências de notícias, empresas de produção e distribuição audiovisual e prestadores de serviços digitais” (op. cit., p. 34 – tradução nossa). Já a segunda força, a
centrípeta, relaciona-se à concentração de empresas jornalísticas em um mesmo grupo
empresarial, como comumente ocorre em outros setores econômicos. Porém, em muitos países, esse método tende a ser proibido ou submetido aos limites legais de participação acionária e administrativa.
A convergência empresarial forma-se de paradigmas que se consolidaram na prática empresarial vigente e que acarretam novas formas de organização logística orientadas a propiciar um maior incremento no processo produtivo. A reorganização de equipes e a fusão de redações são resultantes dessa ação convergente gerada pela internet e pelas tecnologias digitais, que ainda estimulam a modernização das estruturas de produção com o propósito de satisfazer as demandas de audiência cada vez mais multiplataformas.
Questões de maior complexidade como o impasse entre a economia interconectada
versus o sistema tradicional de propriedade intelectual surgem desse âmbito e afetam o atual
modelo de migração dos meios de comunicação tradicionais para o ambiente digital. Segundo Cádima (2013), desde meados de 1990 a relação de convergência dos meios tradicionais com os meios emergentes na internet revelava uma aproximação frustrada que indicava poucos sinais de conciliação ou remediação. O velho e o novo sistema esbarravam na dificuldade específica de, mutuamente, no novo paradigma comunicacional, fazerem coincidir os conhecimentos e know-how que seriam potencializados e desenvolveriam novas sinergias e economias de escala que beneficiariam outras áreas também inseridas a nova realidade, como o Jornalismo.
Nessa dualidade está toda uma diferença programática e estratégica, nomeadamente aquela que separa a construção de uma opinião pública muito sintonizada com o discurso dos media tradicionais e dos seus líderes de opinião, de um novo campo comunicacional que não somente vem colocar em crise a “velha” indústria dos media como também a sua própria “expressão” jornalística, tantas vezes fortemente dependente dos mitos e interesses do tempo e agora cada vez mais diluída numa massa de informação que se auto-reproduz sobre a arquitectura matricial da rede, a cultura colaborativa, dialógica, interactiva, e a progressiva autonomização da esfera pública participativa da sociedade em rede (CÁDIMA, 2013, p. 21).
Como exemplo do princípio de ruptura, naquilo que chamou de continuada oposição
convergência/divergência, Cádima apresenta o questionamento feito pela imprensa europeia
sobre a legitimidade que a empresa Google tinha para usar os conteúdos online dos meios tradicionais em seu sistema de agregação de informação. Para tanto, a empresa de tecnologia empregou seu motor de busca31 para indexar notícias de terceiros que foram aplicadas ao
Google News32. Conforme o autor, existem várias queixas apresentadas à Comissão Europeia contra e empresa de tecnologia que ameaça, caso ocorra conflito, suspender a indexação de artigos jornalísticos de empresas de comunicação, “alegando que o seu sistema de agregação é gerador de tráfego muito significativo para os sites de origem, dado que, segundo os seus responsáveis, redireciona cerca de quatro bilhões de cliques por mês para as páginas Web dos editores de imprensa a nível global” (op. cit., p. 31).
Indefinições desse naipe e a falta de um modelo consolidado de negócios na nova era têm se mantido nas estruturas organizacionais das empresas tradicionais de comunicação devido a diversas resistências e condicionamentos ocorridos na migração para o digital, como a precariedade no estabelecimento de legislações que tratem de assuntos como o direito autoral na Web. Cádima (2010) avalia que o uso reduzido ou condicionado do ambiente digital não estaria distante da ideia de interatividade nos diferentes níveis de informação, submetendo assim o campo da comunicação jornalística ao isolamento face à multiplicidade de outros estímulos informativos provenientes dos públicos que se manifestam nos feeds de notícias ou na geração e repercussão de fatos nas mídias sociais (Idem, Ibidem).
A questão econômica está intrinsecamente relacionada à convergência profissional ou
jornalística, apontada como responsável por modificar o perfil daqueles que exercem essa
função. As novas tecnologias, que permitem o manejo de diversas ferramentas e o acesso a multiplataformas, demandam novas aptidões dos profissionais, hoje inseridos em uma forma de organização laboral diferenciada. Exige-se desses indivíduos a polivalência – palavra que
resume esse processo convergente e que representa uma parcela do motivo da degradação da profissão. “Muitos jornalistas se veem hoje impelidos a produzir cada vez mais informação,
31 Software que varre a Internet em busca de informações. 32
Site automatizado de notícias que são colhidas, organizadas por assunto e exibidas de acordo com o interesse dos indivíduos. O link brasileiro do Google News diz manter mais de 1.500 fontes de notícias em português. Disponível em: <http://news.google.com.br/intl/pt-BR_ALL/about_google_news.html >. Acesso em: 15 Nov. 2014.
mais rápido e em jornadas de trabalho mais extensas, considerando que, em troca, recebem salários ou outras recompensas menores” (SALAVERRÍA, 2010, p. 36 – tradução nossa).
A convergência profissional determinou a era do jornalista multitarefa – profissional que necessita apresentar versatilidades particularizadas que podem ser compreendidas a partir de três tipificações distintas. A primeira é a polivalência funcional, ou seja, a capacidade de trabalhar, ao mesmo tempo ou sequencialmente, como repórter, operador técnico, editor, produtor e redator, atuando ainda nas mídias audiovisuais como apresentador ou locutor e nas mídias digitais como web designer33, entre diversas funções ou segmentos. A segunda é a
polivalência temática, que demanda dos profissionais a aptidão de abordar qualquer assunto.
Há, por fim, a polivalência midiática, que consiste em trabalhar em vários meios, pertencentes ou não à mesma empresa de comunicação, de maneira concomitante (op. cit., 2010, p. 37).
Outra tipificação relevante refere-se à convergência dos conteúdos ou comunicacional, que sofre com as mudanças deflagradas por causa dos aparatos tecnológicos, dos processos logísticos e do perfil dos profissionais. Salaverría (2010, p. 38) chama essas novas condições de multimidialidade, fenômeno que não é exclusivo das mídias no ciberespaço, mas também que também afeta os meios tradicionais, uma vez que condiciona linguagens distintas e específicas a um processo de fusão de conteúdos textuais e/ou audiovisuais. “A diferença, no caso dos meios digitais, não é de qualidade, mas de grau: nos cibermeios, por comparação, se pode alcançar um nível de multimidialidade muito mais elevado que em qualquer um dos meios precedentes” (Idem, Ibidem – tradução nossa).
As tipificações configuradas por Salaverría (convergência tecnológica, empresarial, profissional e de conteúdos ou comunicacional) são corroboradas pelo pesquisador Carlos Alberto Scolari que, em entrevista à revista Matrizes34, cita o trabalho do colega espanhol ao ser questionado sobre as transformações culturais que poderiam ser indicadas no atual quadro de convergência configurado a partir do pensamento de Henry Jenkins. Além de indicar que cada modalidade convergente apresentada por Salaverría “inclui uma série de tendências e processos, como a fusão de empresas, a união de redações digitais e analógicas ou a aparição
33 Profissional que responde pela arquitetura de um site na internet. 34
Entrevista dada em dezembro de 2010 a profa. Dra. Maria Cristina Mungioli, da ECA/USP, publicada na edição nº 2, jan./jun. 2011, pp. 127-136. Nascido na Argentina, Scolari é professor do Departamento de Comunicação da Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona, Espanha. Autor de diversas obras referentes às mídias digitais, ele mantém na internet Hipermidiaciones – conversaciones sobre la comunicacíon digital
de perfis profissionais híbridos como o jornalista multimídia ou multiplataforma”, Scolari diz que se deve considerar também outra tipificação do fenômeno, dessa vez relacionada à semiótica, “onde as diferentes linguagens e sistemas de significação se cruzam e se contaminam entre si – e de uma convergência narrativa na qual os relatos saltam de um meio a outro” (SCOLARI, 2011, p. 133). Ainda sobre as variações da convergência, o pesquisador ressalta que o conceito idealizado por Henry Jenkins inclui as narrativas transmidiáticas ou
transmedia storytelling, relativas a experiências comunicacionais expressivas e amplificadas
em diversos meios físicos ou plataformas, sejam elas tradicionais, como a televisão e os meios impressos, sejam elas digitais, como o computador e os aparelhos de telefonia móvel.
No entendimento de Scolari, as narrativas transmidiáticas incluem a convergência
cultural, bem como também valoriza a produção de conteúdos dos usuários da Web. Observa-
se ainda, pela fala do autor argentino, que tamanha profusão conceitual também é influenciada pela rapidez que caracteriza o processo de mudança determinado pela nova era. “Como se pode observar, existem várias, demasiadas convergências. O pior de tudo é que dentro de alguns anos o conceito de convergência vai nos parecer velho, antiquado, e estaremos quase obrigados a buscar uma nova palavra para nomear esses processos” (op. cit., p. 134).