2.2. LİTERATÜR İNCELEMESİ
3.1.1. Makroekonomik Değişkenlerin Belirlenmesi
Mariano Cebrián Herreros alertava no livro La radio em la convergência multimedia (2001) que o século XXI se abria como um novo ciclo que seria marcado por profundas
transformações tecnológicas e por tendências convergentes e globalizadoras que modificariam de forma substancial o panorama das comunicações, dos conteúdos e, em particular, da informação. “Assistimos a confluência do rádio tradicional com as inovações técnicas e multimidiáticas. Emerge uma rádio tecnicamente diferente com elementos que permitem a inovação das linguagens, dos conteúdos e do próprio modelo radiofônico” (HERREROS, 2001, p. 24 – tradução nossa). Por sua vez, Meneses (2012, p. 78) considera que o rádio chegou ao final do século passado amarrado aos fundamentos do sucesso obtido perante os públicos no decorrer da história – “um sucesso precário, uma vez que está assente em pilares frágeis como o consumo secundário e uma excessiva dependência da música”.
Del Bianco (2010, p. 558) diz que o processo de convergência no qual o rádio – como os demais meios – também foi inserido implicou mudanças expressivas na produção, na publicidade e na distribuição de serviços de informação e de comunicação, uma vez que se tornou possível disponibilizar os conteúdos em diferentes plataformas, das mais variadas maneiras, fossem elas interativas ou não. “A convergência abriu espaço para sistemas multidimensionais e interativos de comunicação, muito embora boa parte dessa interatividade ainda não esteja totalmente presente na mídia de massa que inicia seu processo de digitalização da transmissão” (op. cit., p. 561).
As empresas de mídia viram a nova era como momento para reorganizar os negócios, conduta que suplanta a preocupação com a Comunicação, pois as transformações coincidiram com um momento de grandes mudanças econômicas – a chamada nova economia, que supôs uma mudança substancial nos valores e nas estratégias empresariais (HERREROS, 2001, p. 20). As relações estabelecidas com os ouvintes/usuários por conta das tecnologias digitais levaram o rádio a confrontar-se com uma audiência que começou a desenvolver novos hábitos de consumos. Destaca-se nesse contexto o público jovem, que usa computadores, tablets e celulares para acessar a internet, ouvir músicas, utilizar as salas de bate-papo (chats), escrever e processar textos, entre outros afazeres, quase de maneira concomitante (DEL BIANCO, 2010, p. 558).
O rádio, ao ser inserido com outras mídias no ciberespaço, produz uma grande alteração na recepção da comunicação radiofônica por permitir aos ouvintes/usuários a possibilidade de procurar “os conteúdos que mais lhe interessam, numa clara tendência de personalização da comunicação, em função do que a rádio na Internet tem para oferecer”. (CORDEIRO, 2007, p. 69). A convergência das mídias, que estimula estratégias que visam acompanhar os novos hábitos de consumo do público, levam as emissoras a alterarem as
características das mensagens radiofônicas disponibilizadas pelas novas tecnologias digitais disponíveis. O som é complementado com outros recursos no ambiente virtual, resultando um novo esquema de comunicação (op. cit., p. 70).
A nova era levou autores como Herreros (2008) a ampliar o conceito de radiodifusão sonora, diferenciando a rádio por internet daquilo que ele denominou de ciber rádio. A primeira tipificação trata da fase inicial do veículo e baseava-se numa visão instrumentalista da Web como mero suporte para transmissão de conteúdos sonoros. “É a rádio tradicional que encontra na internet uma via para ampliar sua difusão por outros campos” (op. cit., p. 24 – tradução nossa). O ciber rádio incorpora os elementos ofertados pela internet, como o correio eletrônico, os chats, os fóruns de discussão e outras modalidades de participação cibernética. Às sonoridades radiofônicas transmitidas via streaming são adicionados links para outros arquivos de áudio e novos conteúdos musicais e informativos, bem como o acesso à grade de programação e ao endereço eletrônico das equipes que atuam na emissora, dentre diversas informações. Ambas as orientações operam separadamente, mas são enriquecidas de forma mútua e estabelecem sinergias e uma ampla convergência (op. cit., p. 25).
Mais recentemente, Herreros (2011, p. 71) relatou que a implantação e fortalecimento da chamada Web 2.029 e das “redes sociais e sua contribuição concreta aos movimentos sociais atuais no conjunto dos meios naturais e tecnológicos tradicionais, isto é, no contexto multimídia e multiplataforma em que se desenvolve o ecossistema comunicacional atual” geraram mudanças significativas no ciber rádio. Para o autor, a tecnologia que originou e está reconfigurando o rádio não pode, contudo, prescindir o meio de comunicação. “A tecnologia pela tecnologia não tem sentido. A mediação técnica não é puro instrumento. É um processo comunicacional. A técnica interessa enquanto adquire capacidade para gerar novos símbolos e outras formas de expressão e transmissão de significados” (HERREROS, 2011, p. 74).
Nota-se que o rádio tem se beneficiado da revolução proporcionada pelas tecnologias digitais e a convergências das mídias e, para tanto, desenvolve novas rotinas de produção e de transmissão de conteúdos sonoros. No cenário da convergência midiático são estabelecidos conteúdos, formas e linguagens que são influenciadas pela interatividade e por representações
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Deàa o doà o àP i oà ,àaà Web 2.0 é a segunda geração de serviços online a caracteriza-se por
potencializar as formas de publicação, compartilhamento e organização das informações, além de ampliar os espaçosàpa aàaài te açãoàe t eàosàpa ti ipa tesàdoàp o esso .àNãoàseàt ataàape asàdeà ovasàt i asàdeà informática, mas também a novas estratégias mercadológicas e de processos de comunicação mediados por computador (Idem, Ibidem).
estéticas que se tornaram onipresentes e, por que não dizer, indispensáveis às telas de computadores, tablets e telefones celulares. O som advindo dos alto-falantes radiofônicos, que na primeira metade do século passado monopolizou o interesse da coletividade – como ocorre hoje com as tecnologias digitais – denota ocupar um espaço menor, quase coadjuvante. Nada de novo, uma vez que um fenômeno semelhante fora visto antes nas décadas de 1960 e 1970, quando a televisão se tornou o centro midiático das atenções. Outro fator a ser observado é que, desta vez, o controle dos meios não permanece mais circunscrito às empresas de comunicação e suas condutas de produção organizacional. Hoje, qualquer criança ou adulto que tem acesso aos aparatos tecnológicos digitais e capacidade cognitiva para manipulá-los consegue criar, produzir e divulgar, pela internet, em qualquer tempo e nos mais inusitados espaços, diversas mensagens audiovisuais disponibilizadas em plataformas independentes.
A nova era caracteriza-se como ponto de interseção e posterior mutação. Na avaliação de Kischinhevsky (2012), a radiodifusão sonora encontra-se numa encruzilhada, onde existem diversas opções excludentes e barreiras que se interpõem no caminho rumo ao futuro. No caso brasileiro, até mesmo a existência de indefinições como a escolha por um padrão digital de transmissão das ondas hertzianas, não impede que o rádio se desenvolva aceleradamente rumo à consolidação na internet (op. cit., p. 50). Porém, o novo entorno midiático introduz o rádio num processo complexo que abrange a produção convergente de conteúdos textuais, sonoros, visuais e iconográficos, dispostos numa nova lógica de distribuição e de consumo contínuos que estão em fase de acomodação.
As transformações oriundas da nova era fazem surgir questionamentos sobre o que vem a ser o rádio, uma vez que o meio, segundo o autor, usa hoje plataformas múltiplas de difusão online (internet) ou offline (ondas eletromagnéticas). A partir de uma perspectiva não restritiva, Kischinhevsky (2012) expõe a seguinte distinção quanto à distribuição:
a) Rádio aberto: Com transmissão em ondas hertzianas (AM, FM, ondas curtas, tropicais), digital (IBOC/HD Radio, DRM, ISDB, DAB, etc. [siglas relativas aos
sistemas de transmissão sonora digital: norte-americano, europeu, japonês e novamente europeu de difusão sonora digital]) e/ou via internet, desde que sem
custo para o ouvinte, exceto pela prévia aquisição do dispositivo receptor;
b) Rádio por assinatura: Com transmissão via satélite, micro-ondas ou internet, sempre que houver mensalidades ou anuidades e, em alguns casos, taxas de adesão e de decodificação de sinal. Também se incluem nesta categoria webradios que integram portais e diretórios nos quais o internauta paga pelo acesso;
c) Serviços radiofônicos de acesso misto: Emissoras via internet abrigadas em portais/diretórios, que permitem navegação em algumas áreas dos sites, mas reservam conteúdos exclusivos para assinantes.
Quanto à recepção, Kischinhevsky categoriza como:
a) Sincrônica: Nas transmissões em broadcasting oferecidas pelo rádio em suas versões analógica, digital e via internet (streaming, ou seja, veiculação em fluxo contínuo);
b) Assincrônica: Difusão sob demanda, sem streaming, com escuta direta nos sites em que os conteúdos são postados ou mediante download (podcasting) para posterior fruição.
E quanto à circulação, as tipificações são apresentadas pelo autor como:
a) Aberta: Em transmissões analógicas ou digitais, com ou sem streaming, em plataformas de livre acesso – emissoras AM/FM em ondas hertzianas, webradios,
podcasts disponíveis em sites e/ou diretórios que não cobram assinatura, portais de
mídia sonora em geral;
b) Restrita: Em serviços de microblogging, mídias sociais de base radiofônica e em diretórios de podcasting e/ou webradios nos quais é necessário se inscrever/cadastrar ou ser convidado, mesmo que o acesso seja gratuito (KISCHINHEVSKY, 2012, pp. 58-60).
Torna-se oportuno salientar no caso do podcast citado pelo autor que há controvérsia entre os pesquisadores se esse formato digital é ou não rádio. Prata (2009, p. 76) considera que, para ser rádio, “falta ao podcast a essencial emissão no tempo real do ouvinte e da sociedade no qual está inserido”. Meneses (2012, p. 103) destaca que o podcast está num plano seguinte ao rádio, pois ele se relaciona com a Web 2.0 ao associar a ideia de interatividade, de escolha e de controle de conteúdos “No fundo [os podcasts] acabam com a ideia – a inevitabilidade – da emissão sincrônica, permitindo que se ouça apenas o que se quer e quando quer (dentro da oferta disponibilizada pelo gatekeeper)”. Já Herreros (2008, p. 197) salienta que, por um lado, o formato sonoro em questão está vinculado aos conteúdos de difusão radiofônica e, por outro, é uma gravação de um Ipod ou outro suporte. “A concepção de podcasting não é redutora, mas indicadora de uma nova realidade como é a convergência do ciber rádio com equipamentos portáteis” (op. cit., p. 200 – tradução nossa).
No tocante as diferentes modalidades apresentadas, o rádio atual revela ter expandido o espaço no qual era circunscrito a partir do momento em que passou a ocupar também o ambiente virtual. Na nova era o meio torna-se gradativamente plural, a ponto de a produção e veiculação de conteúdos não ser mais restrita apenas às empresas de comunicação – com seus interesses comerciais, políticos ou ideológicos, mas a qualquer pessoa que, na internet, queira fazer reverberar novas sonoridades.