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Ahmedî ve Selmân-ı Sâvecî’nin Mesnevilerinin Tercüme Açısından Mukayases

MESNEVİLERİN DIŞ YAPISI 3.1 Nazım Şekl

4.7. Ahmedî ve Selmân-ı Sâvecî’nin Mesnevilerinin Tercüme Açısından Mukayases

Para Vieira e Misoczky (2000), o processo de institucionalização de crenças e valores normativos e cognitivos acontece em diferentes níveis de análise. Alguns autores dispensam mais atenção aos níveis interpessoais e intraorganizacionais, utilizando argumentos institucionais como uma forma de chamar atenção para a questão da agência nos estudos organizacionais, enquanto outros enfatizam as influências sociais e culturais mais amplas que afetam a vida organizacional. Por exemplo, Tolbert e Zucker (1999) analisam o processo ao nível organizacional e apóiam-se no pilar normativo da teoria, segundo a visão de Machado- da-Silva e Gonçalves (1999).

Tolbert e Zucker (1999) advertem que, embora existam muitos estudos baseados na teoria institucional, pouca atenção tem sido dada à conceitualização e à especificação dos processos de institucionalização. Em sua visão, a institucionalização é quase sempre tratada como um estado qualitativo, onde as estruturas são institucionalizadas ou não são, e não como um processo, onde existem variações nos níveis de institucionalização – o que pode afetar o grau de similaridade entre um conjunto de organizações. Assim, o processo de institucionalização se restringe a uma questão de grau, já que a fundação e evolução dos campos organizacionais variam de acordo com circunstâncias históricas e temporais (FONSECA, 2003).

Segundo Vieira e Misoczky (2000), Instituições e Institucionalização têm sido definidos de diversas formas, em diferentes áreas do conhecimento. Para eles, uma abordagem sociológica

desses conceitos parece adequada para os estudos organizacionais. Selznick, o precursor dessa abordagem, chamou de processo de institucionalização a forma pela qual as expressões racionais da técnica são substituídas por expressões valorativas compartilhadas no ambiente onde a organização opera (VIEIRA e MISOCZKY, 2000).

Para Jepperson (1991), instituições são definidas como uma ordem social ou padrão que adquire um certo estado ou propriedade. Ocorre que quando uma prática social é institucionalizada, em determinado contexto, torna-se parte da vida daquela comunidade. Então, institucionalização liga-se à idéia de permanência; assim, a prática que rapidamente é abandonada, que é “dispensada” em resposta a uma nova circunstância ou demanda, não tinha se institucionalizado (SELZNICK, 1996).

Para Meyer e Rowan (1983, p. 341), “institucionalização envolve o processo pelo qual processos sociais, obrigações ou fatos passam ao status de regra no pensamento e na ação social”. Berger e Luckmann (2001) identificaram a institucionalização como um processo central na criação e perpetuação de grupos sociais duradouros. Assim, para eles, e segundo Tolbert e Zucker (1999), uma instituição – o resultado ou o estágio final de um processo de institucionalização – é definido como “uma tipificação de ações tornadas habituais por tipos específicos de atores” (BERGER e LUCKMANN, 2001, p. 79; TOLBERT e ZUCKER, 1999, p.204).

Tornam-se habituais quando a decisão de tomar essa ação é simples, exige um mínimo de esforço. Já a tipificação se refere ao desenvolvimento de definições ou significados compartilhados em relação a esses comportamentos que se tornaram habituais, tornando-se generalizados, ou seja, independentes dos indivíduos específicos que desempenham a ação. E estas tipificações vão ter uma história, vão ser retransmitidas para pessoas que, desconhecendo sua origem, vão absorvê-las como “dados sociais”, como naturais, ou seja, passam a possuir uma realidade própria – processo identificado por Zucker como exterioridade (TOLBERT e ZUCKER, 1999).

Para as autoras, esse processo, ao nível de fluxos institucionais entre organizações formais, pode ser classificado em três fases – a habitualização, a objetificação e a sedimentação – , o que sugere uma variabilidade nos níveis de institucionalização. A Figura 4, a seguir, mostra as três fases do processo de institucionalização e as forças causais críticas nas fases do processo.

Fonte: TOLBERT & ZUCKER (1999:207).

Figura 4. Processos inerentes à institucionalização Fonte: Tolbert e Zucker (1999, p.207).

A Habitualização se refere ao estágio de pré-institucionalização, envolvendo a geração de novos arranjos estruturais para solucionar problemas organizacionais específicos e sua formalização em políticas e procedimentos em determinado conjunto de organizações que estejam compartilhando os mesmos problemas. Estas estruturas muitas vezes são temporárias.

A Objetificação, estágio de semi-institucionalização, tem a ver com a difusão da estrutura criada anteriormente para solucionar determinado problema, envolvendo certo grau de consenso entre os decisores da organização a respeito do valor da estrutura e de sua crescente adoção nas organizações. Por um lado, quando gestores evidenciam que algumas organizações já adotaram a estrutura, com sucesso, a decisão de também adotá-la alastra-se pelas outras, pois terão uma prática visão de seu custo/benefício. Para as autoras, a escolha mais disseminada passa também a ser vista como uma escolha ótima. Por outro lado, a objetificação e difusão da estrutura se relacionam à atuação dos chamados champions – nomenclatura da literatura de mudança organizacional – que são aquelas pessoas com interesse material na estrutura. Muitos estudos, segundo Tolbert e Zucker (1999),

Legislação

Mudanças Forças do Tecnológicas mercado

Monitoramento Teorização Impactos Defesa de grupo Interorganizacional positivos de interesse

Resistência de grupo

Inovação

exemplificam essa atuação de grupos de interesse na promoção de mudanças estruturais nas organizações.

Os champions surgem mais fortemente quando há espaço para inovação na solução do problema, (1) devendo gerar reconhecimento público da existência do problema a ser solucionado por aquele conjunto de organizações e (2) propor, com base lógicas ou empíricas, um arranjo estrutural específico como a solução apropriada para aquele problema, usando casos bem sucedidos como exemplo. Estas duas tarefas de teorização atribuem à estrutura uma legitimidade cognitiva e normativa geral, alavancando a disseminação do modelo estrutural entre as organizações, e tornando-o mais homogêneo e duradouro do que na fase anterior. Daqui a diante, utilizaremos a palavra “líder” em substituição a champion, muito embora ainda não seja a palavra ideal para sintetizar a idéia envolvida neste conceito. Em relação aos líderes específicos no processo de institucionalização da prática social no campo organizacional sob análise, estes serão denominados atores-chave, para diferenciação do nível de análise/ação.

O estágio de Sedimentação, total institucionalização, implica uma bidimensionalidade das estruturas – “largura” e “profundidade” (EISENHARDT, 1998 apud TOLBERT e ZUCKER, 1999) –, ou seja, as estruturas se perpetuam. Aqui o desafio é sua conservação, que pode ser combatida pelos atores negativamente afetados por ela e também pela falta de resultados positivos a ela associados, ou à dificuldade de demonstrar essa relação – fatos estes que ocorrem na maior parte dos casos. Mas quando supera estes entraves, está institucionalizada.

Durante o processo de institucionalização, até chegar-se ao estágio de sedimentação, as organizações que compõem o campo vão respondendo às pressões do processo, de acordo com seus interesses materiais ou simbólicos, dificultando ou facilitando a assimilação da prática. O posicionamento da organização frente à pressão institucional, e conseqüente ação, vai depender de uma série de fatores; dentre eles destaca-se, além das características da organização, sua localização no campo organizacional (SCOTT, 1995). Assim, as reações podem variar desde a concordância com o processo até sua manipulação (OLIVER, 1991)11.

11 Quando organizações resistem às pressões institucionais, há a possibilidade de ocorrência de processos de

“desinstitucionalização” e “reinstitucionalização” (OLIVER, 1992). Este processo pode ocorrer por uma deterioração gradual da aceitação e uso de práticas já institucionalizadas, vulnerabilizando a organização ao criar um vácuo institucional, que deverá ser preenchido por novas concepções, pela relegitimação de práticas, caracterizando a “reinstitucionalização” (FONSECA, 2003).

Tudo vai depender dos interesses organizacionais e do poder que tem a organização para agir. Nesse sentido é que se torna importante a adequada determinação do campo organizacional, conhecendo quem são os atores e quais são suas forças e interesses. Por outro lado, para análise ao nível social, necessário se faz identificar e analisar a força/relevância do campo organizacional na (para a) sociedade.

Segundo Reed (1992 apud FACHIN e MENDONÇA, 2003), a realidade organizacional é socialmente construída e institucionalmente sustentada – as instituições, então, elas mesmas são realidades que buscam sobrevivência e que modificam seu entorno. Nesse sentido, conforme Berger e Luckmann (2001, p. 80): “dizer que um segmento da atividade humana foi institucionalizado já é dizer que este segmento da atividade humana foi submetido ao controle social”. Assim, o processo de institucionalização já é, em si, uma tentativa de moldar a prática conforme os interesses das organizações ou do campo envolvido no jogo. Uma vez institucionalizada, a prática social continua a atender aos interesses daqueles que a estruturaram no campo – e farão de tudo para assim conservá-la.

No próximo item introduzimos o conceito de interesse, com base em Bourdieu (1996), de modo a evidenciar que a eleição de uma prática social faz parte de um jogo, mesmo que isso não seja um movimento consciente, nem para os atores envolvidos.