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Trabalho redigido nas normas da revista:

Ciência Agronômica do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Ceará. Página eletrônica: http://www.ccarevista.ufc.br.

Dinâmica de perfilhamento de gramíneas tropicais em regime de corte.1

1

Alano Albuquerque Luna2*, Gelson dos Santos Difante3 2

Resumo - Dentre os fatores que afetam o fluxo de biomassa de uma gramínea 3

forrageira, o perfilhamento exerce maior influência sobre o acúmulo de forragem. Com 4

isso, o objetivou-se avaliar a densidade populacional de perfilhos e a dinâmica de 5

perfilhamento de três gêneros, Brachiaria, Panicum e Cenchrus em regime de corte. O 6

delineamento utilizado foi em blocos ao acaso com três repetições e seis tratamentos. Os 7

dados referentes à densidade populacional de perfilhos foram obtidos por meio da 8

contagem do total de perfilhos basilares em uma área de 0,25m2. A avaliação da 9

dinâmica populacional de perfilhos foi realizada sempre após os cortes. Com essas 10

informações foram calculadas as taxas de aparecimento, mortalidade, sobrevivência e 11

índice de estabilidade. A maior densidade populacional de perfilhos foi observada na 12

cultivar Massai com média de 1019,52 perfilhos/m2. A maior taxa de aparecimento de 13

perfilhos foi obtida pela cultivar Piatã e as menores nas cultivares Áridus e Biloela no 14

mês de agosto. Nos meses de junho, julho e setembro não houve diferença entre as 15

cultivares. A taxa de mortalidade de perfilhos foi maior para as cultivares Mombaça e 16

Xaraés, e menor na cultivar Piatã. Conclui-se que, as cultivares de Panicum e 17

Brachiaria obtiveram uma maior dinâmica no perfilhamento o que aumenta a

18

velocidade de renovação de tecidos que são indicadores da produção de forragem, 19

admitindo que as cultivares avaliadas desses gêneros são forrageiras predispostas a 20

utilização na Região Nordeste. 21

22

Palavras-Chave – Brachiaria, Cenchrus, Gerações de perfilhos, Panicum, Semiárido. 23

* Autor para correspondência. 24

1 Parte da dissertação de Mestrado do primeiro autor, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Produção Animal -

25

UFRN/UFERSA, financiado pelo CNPq. 26

2 Discente do Programa de Pós-Graduação em Produção Animal – UFRN/UFERSA, Macaíba-RN, bolsista de mestrado do CNPq,

27

email: [email protected] 28

3 Docente Adjunto II da Unidade Acadêmica Especializada em Ciências Agrárias – UFRN, Macaíba-RN, bolsista de produtividade

29

do CNPq. 30

Tiller dynamics of tropical grasses under cutting. 1

Alano Albuquerque Luna2*, Gelson dos Santos Difante3 2

3

Abstract – Among the factors that affect the flow of a forage grass biomass, tillering 4

has more influence on the accumulation of forage. Thus, the objective was to evaluate 5

the tiller density and tiller dynamics of three genera Brachiaria, Panicum and Cenchrus 6

under cutting. The experimental design was randomized blocks with three replications 7

and six treatments. Data for tiller density were obtained by counting the total number of 8

tillers in an area of 0.25 m2. The evaluation of the tiller population was always 9

performed after the cuts. With this information we calculated the rates of appearance, 10

mortality, survival and stability index. The highest tiller density was observed in cv 11

Massai mean perfilhos/m2 1019.52. The highest rate of tillering was obtained by Piata 12

and smaller cultivars Aridus and Biloela in August. The months of June, July and 13

September there was no difference among cultivars. The rate of tiller mortality was 14

higher in Mombaça and Xaraes cultivars, and lowest in Piata. It is concluded that the 15

cultivars of Panicum and Brachiaria had a higher tillering dynamics in increasing the 16

turnover rate of tissues that are indicators of forage production, assuming that the 17

cultivars of these genera are predisposed to use forage in the Northeast. 18

19

Key Words - Brachiaria, Cenchrus, Generations of tillers, Panicum, Semiarid. 20

21 22

* Author for correspondence. 23

1 Part of the Master's thesis of the first author submitted to the Graduate Program in Animal Production - UFRN / UFERSA, CNPq.

24

2Student Program Graduate Program in Animal Production - UFRN / UFERSA, Natal-RN and Masters scholarship from CNPq,

25

email: [email protected] 26

3 Assistant Professor II of Academic Unit Specialized in Agricultural Sciences - UFRN, Natal-RN and Fellow of CNPq

27 productivity. 28 29 30 31

Introdução 32

O manejo do pastejo de plantas forrageiras tropicais sofreu importantes 33

modificações durante a última década. A planta forrageira passou a ser estudada como 34

componente de um sistema dinâmico que busca a interação entre seus componentes 35

bióticos e abióticos. Dessa forma, a fisiologia e a ecofisiologia das plantas forrageiras 36

passaram a ser estudadas com ênfase (Da SILVA E NASCIMENTO JR., 2006). 37

Dentre os fatores que afetam o fluxo de biomassa de uma gramínea forrageira, o 38

perfilhamento é o que exerce maior influência sobre o acúmulo de forragem (Da SILVA 39

E PEDREIRA, 1997). O perfilho é considerado a unidade básica de desenvolvimento 40

das plantas forrageiras e as gramíneas utilizam o perfilhamento como forma de 41

crescimento, aumento de produtividade e, sobretudo, como forma de sobrevivência 42

(HODGSON, 1990). O perfilho tem sua unidade primordial denominada de fitômero 43

que é onde, o desenvolvimento das folhas, o aparecimento de perfilhos originados das 44

gemas axilares e a formação de raízes são os processos que contribuirão para o acúmulo 45

da biomassa do perfilho (SOUZA, 2004). 46

Contudo, as taxas de aparecimento e sobrevivência de perfilhos, são 47

responsáveis pela densidade populacional de plantas na área e determina a porção de 48

perfilhos vegetativos de diferentes faixas etárias na pastagem, onde caracteriza a 49

intensidade da renovação de perfilhos que ocorre sob condições de manejo (SANTOS et 50

al., 2011). 51

Dessa forma, a produção de forragem, ocorre com a repetitiva emissão de folhas 52

e perfilhos que morrem durante o ano. A população de perfilhos é dinâmica por causa 53

da vida dos perfilhos, cujo equilíbrio entre aparecimento e morte é extremamente 54

dependente do regime de pastejo utilizado (MATTHEW et al., 1996). 55

O objetivo deste trabalho foi avaliar a densidade populacional de perfilhos e a 56

dinâmica de perfilhamento das cultivares de Brachiaria brizantha (Xaraés e Piatã); 57

Panicum maximum (Massai e Mombaça) e Cenchrus ciliares (Áridus e Biloela) em

58

regime de corte. 59

Material e Métodos 60

O experimento foi conduzido na área experimental do Grupo de Estudos em 61

Forragicultura (GEFOR), situado na Unidade Acadêmica Especializada em Ciências 62

Agrárias – Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN, em Macaíba, RN, 63

coordenadas geográficas aproximadas de 5º 51’ 30” de latitude Sul e 35º 21’ 14” de 64

longitude Oeste, altitude de 11 metros em relação ao nível do mar, período chuvoso de 65

março a junho, temperaturas médias anuais variando de 21 a 32 °C, umidade relativa 66

média anual de 76% e 2700 horas de insolação (IDEMA, 2012). O período experimental 67

foi de maio a setembro de 2011, período de concentração das chuvas na região 68 (Figura1). 69 198 128 76 207 269 281 163 18 44 0 7 0 0 50 100 150 200 250 300

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

P re ci pi ta çã o (m m ) 70

Figura 1. Precipitação média mensal da área experimental, Macaíba-RN. 71

72

Foram realizadas análises de solo nos perfis de 0 – 20 cm e 20 – 40 cm no início 73

do período experimental (Tabela1). De acordo com o resultado das análises foram feitas 74

adubações de implantação, utilizando 70 kg de P2O5/ha (superfostato simples) e 100 kg 75

de (NH4)2SO4/ha de nitrogênio (sulfato de amônio), o nitrogênio foi parcelado em duas 76

aplicações realizadas nos meses de maio e agosto. 77

78

Tabela 1. Caracterização química do solo da área experimental, Macaíba-RN. 79 Amostra de Solo 0 - 20cm 20 -40cm Ph em água (1:2,5) 6,08 5,3 Cálcio (cmolc.dm-3) 1,22 1,62 Magnésio (cmolc.dm-3) 0,48 0,81 Alumínio (cmolc.dm-3) 0 0,1

Hidrogênio + Alumínio (cmolc.dm-3) 1,62 2,3

Fósforo (mg.dm-3) 7 4

Potássio (mg.dm-3) 75 124

Sódio (mg.dm-3) 27 29

80

O experimento foi estabelecido em janeiro de 2011 e o corte de uniformização 81

foi realizado após 84 dias na altura de 20 cm do solo e repetido esse corte a cada 30 dias 82

sempre na mesma altura inicial. O delineamento utilizado foi em blocos ao acaso com 83

três repetições e seis tratamentos. 84

Foram avaliados três espécies de gramíneas: Brachiaria brizantha cultivares 85

(cv.) Piatã e Xaraés; Panicum maximum cvs. Massai e Mombaça e Cenchrus ciliaris, 86

cvs. Áridus e Biloela. Cada parcela foi constituída de sete linhas de três metros, 87

espaçadas a cada 0,33 m. A área útil das parcelas cobria as três linhas centrais, ficando 88

0,66 m de cada extremidade como bordadura. As dimensões totais da área útil foram de 89

1,0 m x 2,0 m = 2,0 m². O campo foi mantido permanentemente livre de plantas 90

daninhas e foi realizado o controle de formigas durante todo o período de avaliação. 91

Os dados referentes à densidade populacional de perfilhos (DPP) foram obtidos 92

pela contagem do total de perfilhos basilares. Para isso foi utilizado um quadro de 0,25 93

m² (0,5 x 0,5 m), que era lançado aleatoriamente duas vezes por parcela. A escolha dos 94

pontos de amostragem foi realizada de forma a representar a condição média da parcela 95

no momento da avaliação. A contagem dos perfilhos foi realizada após cada corte e 96

todos os dados foram convertidos para perfilhos/m2. 97

A avaliação da dinâmica populacional de perfilhos foi realizada sempre após os 98

cortes. Para isso foram utilizados três quadros feitos de arame de aço galvanizado com 99

0,0625 m² (0,25 x 0,25m) que foram fixados ao solo com grampos metálicos em locais 100

representativos de cada parcela no início das avaliações. Na primeira avaliação todos os 101

perfilhos existentes dentro de cada quadrado foram marcados com fio revestido de 102

plástico de uma determinada cor e devidamente contados. A cada nova avaliação, 103

realizada sempre após cada corte, todos os perfilhos marcados existentes foram 104

recontados, novos perfilhos marcados com uma cor diferente da utilizada nas marcações 105

anteriores, e os fios dos perfilhos mortos recolhidos. Foram considerados mortos os 106

perfilhos desaparecidos e aqueles secos ou em estádio avançado de senescência. Com 107

essas informações foram calculadas as taxas de aparecimento, mortalidade e 108

sobrevivência (TApP, TMoP TSoP): TApP = perfilhos surgidos/total de perfilhos vivos 109

na marcação anterior x 100; TMoP = perfilhos da marcação anterior – perfilhos 110

sobreviventes/total de perfilhos vivos na marcação anterior x 100; TSoP = perfilhos da 111

marcação anterior vivos na marcação atual/ total de perfilhos vivos na marcação anterior 112

x 100. 113

O índice de estabilidade (P1/P0) da população de perfilhos foi calculado de 114

acordo com a metodologia descrita por Bahmani et al. (2003), utilizando-se a expressão: 115

P1/P0 = TSoP (1+TApP). 116

Os dados foram submetidos à análise de variância utilizando-se o procedimento 117

GLM, disponível no pacote estatístico Statistical Analysis System (SAS, 1999). As 118

comparações entre médias foram feitas por meio do teste Tukey, a 5% de significância. 119

Foi utilizado o seguinte modelo: Yijk= +Fi+Ij+FIij+Ck+eijk, em que: Yijk = 120

valor observado da cultivar i do mês j no bloco k; = constante geral (média da 121

população); Fi= efeito da cultivar i, i= 1, 2, 3, 4, 5, 6; Ij= efeito do mês j, j= 1, 2, 3, 4; 122

FIij = interação cultivar i e mês j; Ck= efeito do bloco k, k = 1, 2, 3; e eijk = erro 123

aleatório associado a cada observação eijk. 124

Resultado e Discussão 125

A densidade populacional de perfilhos diferiu entre as cultivares (P<0,0001) 126

avaliadas (Figura 2), porém foram semelhantes entre os meses de avaliação (P=0,0840). 127

A maior densidade foi observada na cultivar Massai com média de 1019,52 perfilhos/m2 128

(Figura 2). Esta característica varia substancialmente entre gramíneas forrageiras, isso 129

pode ser explicado pela plasticidade fenotípica que possui uma grande influência na 130

adaptação de gramíneas (NASCIMENTO JR E ADESE, 2004), podendo mudar a 131

estrutura do dossel para efeitos de adaptações. 132

A mudança na população de perfilhos é um tipo de adaptação. Santos et al. 133

(2011), estudaram pastos de capim-braquiária manejados sob lotação rotativa e 134

encontraram média de 1.838 perfilhos/m2 no verão. Macedo et al., (2010), avaliaram 135

características morfogênicas e estruturais do capim-mombaça com 32 dias de rebrotação 136

e encontraram 751,67 perfilhos/m2, valores muito superiores aos encontrados nesse 137

estudo, fato que sugere que as cultivares de Panicum e Brachiaria podem ter passado 138

por adaptações fenotípicas para as condições edafocimáticas da região Nordeste. 139

260,52b 270,68b 1019,52a 397,32b 242,32b 414b 0 200 400 600 800 1000 1200

Áridus Biloela Massai Mombaça Piatã Xaraés

Cultivares N úm er o de p er fi lh os /m 2 140

Figura 2. Densidade populacional de perfilhos (perfilhos/m2) de seis forrageiras 141

tropicais. 142

143

A diferença vigorosa entre a cv. Massai e as outras cultivares pode ser explicada 144

pelo fato do capim-massai apresentar uma grande velocidade de estabelecimento, de 145

rebrotação e é característico o grande número de perfilhos formados, maior do que 146

qualquer outra cultivar conhecida de Panicum (EMBRAPA, 2012), onde sua grande 147

vantagem é a abundância de perfilhos conferindo-se assim a cobertura completa do solo 148

(JANK et al., 2010). 149

Para dinâmica de perfilhamento sempre a primeira geração correspondeu ao 150

número de perfilhos existentes no dia da primeira marcação, cuja data de aparecimento 151

não pôde ser identificada e, por isso, foi sempre mais numerosa. Observou-se 152

diminuição mais drástica no número total de perfilhos da primeira geração a partir do 153

mês de julho onde a precipitação começou a diminuir. A segunda e a terceira gerações 154

apresentaram, em geral, menor número de perfilhos quando comparada à primeira. A 155

quarta geração apresentou-se mais vigorosa, nas cultivares Biloela, Massai e Mombaça. 156

A quinta geração apresentou-se como a geração com uma menor quantidade de 157

perfilhos. 158

Nas cultivares Áridus e Biloela houve um aumento na população de perfilhos até 159

o mês de julho que a partir da terceira geração declinou o número total de perfilhos 160

basilares (Figura 3). A cultivar Massai apresentou uma grande quantidade de perfilhos 161

na primeira geração que declinou drasticamente na segunda geração, esse fato pode ser 162

explicado pela lei de autodesbaste, em que o recurso limitante, a radiação luminosa, 163

determina o ajuste na curva de compensação tamanho/densidade de perfilhos 164

(SBRISSIA E Da SILVA, 2008), que a partir da terceira geração cresceu 165

consideravelmente (Figura 3). Na cultivar Mombaça a população de perfilhos foi 166

crescendo gradativamente a cada geração (Figura 3). As cultivares do gênero Brachiaria 167

apresentaram uma maior estabilidade mesmo com uma quantidade menor de perfilhos 168

isto tendo resposta direta a não degradação do pasto (Figura 3). 169

Cultivar Áridus 0,00 5,00 10,00 15,00 20,00 25,00 30,00

Maio Junho Julho Agosto Setembro

Meses N úm er os d e P er fi lh os nnnkk Cultivar Biloela 0,00 5,00 10,00 15,00 20,00 25,00 30,00

Maio Junho Julho Agosto Setembro

Meses N úm er o de P er fi lh os 170 Cultivar Massai 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00

Maio Junho Julho Agosto Setembro

Meses N úm er os d e P er fi lh os Cultivar Mombaça 0,00 10,00 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00

Maio Junho Julho Agosto Setembro

Meses N úm er os d e P er fi lh os 171 Cultivar Piatã 0,00 5,00 10,00 15,00 20,00 25,00 30,00

Maio Junho Julho Agosto Setembro

Meses N úm er os d e P er fi lh os Cultivar Xaraés 0,00 10,00 20,00 30,00 40,00

Maio Junho Julho Agosto Setembro

Meses N úm er os d e P er fi lh os

Geração1 Geração2 Geração3 Geração4 Geração5

172

Figura 3 - Dinâmica populacional de perfilhos de seis forrageiras tropicais em regime de 173

corte na região de Macaíba-RN. 174

175

Foi observado interação entre as cultivares e os meses de avaliação para a taxa 176

de aparecimento de perfilhos (P=0,0164). A maior taxa de aparecimento de perfilhos na 177

cultivar Piatã foi observada no mês de agosto e a menor no mês de setembro. As outras 178

cultivares não apresentaram diferença entre os meses para TApP (Tabela 2). 179

Tabela 2. Taxa de aparecimento de perfilhos (TApP, perfilhos/dia) de seis gramíneas 180

tropicais no período de junho a setembro de 2011. 181

Cultivares Jun Jul Ago Set

Áridus 1,57aA 0,94aA 0,92bA 0,84aA

Biloela 1,30aA 1,07aA 0,96bA 0,89aA

Massai 0,94aA 1,36aA 1,37abA 1,07aA

Mombaça 1,43aA 1,14aA 1,65abA 0,92aA

Piatã 1,39aAB 1,42aAB 1,93aA 0,90aB

Xaraés 1,30aA 1,03aA 1,23abA 0,77aA

Médias seguidas das mesmas letras minúsculas, na coluna, não diferem (P>0,05) entre si, segundo o teste Tukey. 182

Médias seguidas das mesmas letras maiúsculas, na linha, não diferem (P>0,05) entre si, segundo o teste Tukey. 183

184

No mês de agosto a cultivar Piatã obteve a maior média e as cultivares Áridus e 185

Biloela as menores. Nos meses de junho, julho e setembro não houve diferença entre as 186

cultivares. O potencial de perfilhamento de uma gramínea forrageira, em condições 187

ambientais não adversas, é determinado pelo número e atividade dos pontos de 188

crescimento existentes (PEREIRA, 2009). Com isso, explica-se o fato da Piatã possuir a 189

maior média TApP, pois foi observada menor densidade de perfilhos nessa cultivar 190

(Figura 2), o que permitiu que a radiação solar chegasse a base do dossel e no mês de 191

agosto foi aplicada a segunda parcela da adubação nitrogenada, ativando assim as 192

gemas potencialmente capazes de formar novos perfilhos. 193

Não houve interação entre os meses de avaliação e as cultivares nas 194

características taxa de mortalidade de perfilhos e taxa de sobrevivência de perfilhos 195

(P=0,0553) e (P=0,0572) consecutivamente, (Tabela 3 e 4). A TMoP foi maior para as 196

cultivares Mombaça e Xaraés, e menor na cultivar Piatã, (Tabela 3). A TSoP foi maior 197

na cultivar Piatã e menor na cultivar Mombaça (Tabela 3). A alta mortalidade de 198

perfilhos na cultivar Mombaça e Xaraés foi compensada pela alta taxa de aparecimento 199

de perfilhos (Tabela 2), revelando grande renovação de perfilhos nessas cultivares. Fato 200

importante para a manutenção da população de perfilhos e, principalmente, para a 201

sobrevivência da planta no ecossistema (MORAIS et al., 2006). 202

Tabela 3. Taxa de mortalidade de perfilho (TMoP, perfilhos/dia) e taxa de sobrevivência 203

(TSoP, perfilhos/dia) de seis forrageiras tropicais. 204

Variáveis Áridus Biloela Massai Mombaça Piatã Xaraés

TMoP 0,28ab 0,26ab 0,24ab 0,38a 0,19b 0,34a

TSoP 0,71abc 0,73abc 0,75ab 0,61c 0,80a 0,65cb Médias seguidas das mesmas letras, na linha, não diferem (P>0,05) entre si, segundo o teste Tukey.

205 206

A maior TMoP foi observada no mês de agosto , consequentemente a TSoP foi 207

menor no mesmo mês (Tabela 4). Possivelmente a redução no número de perfilhos no 208

mês de agosto foi consequência da drástica queda na precipitação do mês de julho para 209

agosto (Figura 1). Segundo Difante et al., (2008), a maior TApP e maiores taxas de 210

mortalidade de perfilhos são determinadas pelo mecanismo compensatório para a 211

manutenção do equilíbrio da população de perfilhos frente à disponibilidade de luz e 212

água. 213

Tabela 4. Taxa de mortalidade de perfilho (TMoP, perfilhos/dia) e taxa de sobrevivência 214

(TSoP, perfilhos/dia) no período de junho a setembro de 2011. 215

Variáveis Jun Jul Ago Set

TMoP 0,19b 0,24b 0,42ª 0,28b

TSoP 0,8a 0,75ª 0,58b 0,71a

Médias seguidas das mesmas letras, na linha, não diferem (P>0,05) entre si, segundo o teste Tukey 216

217

Houve interação entre as cultivares e os meses de avaliação para o índice de 218

estabilidade de perfilhos (P=0,0222) (Tabela 5). O maior índice de estabilidade 219

observado na cultivar Áridus, no mês de junho e o menor no mês de agosto. Em agosto 220

o maior índice de estabilidade foi observado nas cultivares Biloela, Massai, Mombaça, 221

Piatã e Xaraés e o menor índice na cultivar Áridus. Nos outros meses não foram 222

observadas diferenças entre as cultivares (Tabela 5). 223

Tabela 5. Índice de estabilidade da população de perfilhos de seis gramíneas tropicais 225

no período de junho a setembro de 2011. 226

Cultivares Jun Jul Ago Set

Áridus 2,26aA 1,45aAB 0,98aB 1,36aAB

Biloela 1,96aA 1,62aA 1,09aA 1,44aA

Massai 1,37aA 2,00aA 1,51aA 1,73aA

Mombaça 1,63aA 1,42aA 1,16aA 1,36aA

Piatã 2,21aA 2,07aA 1,82aA 1,29aA

Xaraés 1,93aA 1,26aA 1,30aA 1,03aA

Médias seguidas das mesmas letras minúsculas, na coluna, não diferem (P<0,05) entre si, segundo o teste Tukey. 227

Médias seguidas das mesmas letras maiúsculas, na linha, não diferem (P<0,05) entre si, segundo o teste Tukey. 228

O declínio no índice de estabilidade, se persistir ao longo do tempo, pode 229

demonstrar o início da degradação do pasto. Valores do índice de estabilidade inferiores 230

a 1,0 indicam que a sobrevivência, juntamente com o aparecimento de perfilhos, não foi 231

capaz de compensar as taxas de mortalidade e que a população tende a diminuir 232

(BAHMANI et al., 2003). 233

No mês de setembro o índice de estabilidade observado na cultivar Áridus 234

(Tabela 5) já estava acima de um, essa recuperação provavelmente ocorreu porque além 235

da baixa população de perfilhos no dossel, também foi feita adubação, situações que 236

proporcionaram maior disponibilidade de luz e nutrientes para a ativação dos pontos de 237

crescimento da planta. 238

Segundo Sbrissia et al., (2010), as variações nas taxas de aparecimento e 239

mortalidade de perfilhos demonstra que esses processos estão ligados a adaptações em 240

que as plantas sofreram por causa das condições de crescimento vigentes, permitindo 241

compensar total ou parcialmente contrastes relativamente grandes, como forma de 242

manter a estabilidade da população de plantas na área. 243

Conclusão

244

As cultivares de Panicum e Brachiaria obtiveram uma maior dinâmica no 245

perfilhamento o que aumenta a velocidade de renovação de tecidos que são indicadores 246

da produção de forragem, admitindo que as cultivares avaliadas desses gêneros são 247

forrageiras predispostas a utilização na Região Nordeste. Estudos mais aprofundados 248

são necessários para validar sua utilização sob pastejo. 249

Referências

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