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3. Deniz Hukuku ve Alanları

3.2. Deniz Alanları

3.2.3. Devletlerin Egemenliğinde Olmayan Deniz Alanları

3.2.3.1. Açık Denizler (High Seas)

No último século, o hospital psiquiátrico foi perdendo credibilidade com o estabelecimento de limites entre a sanidade e a loucura; a manutenção da função de segre- gação dessas instituições e as recorrentes denúncias de violências contra internos.

Inicialmente, com o objetivo de resgatar o potencial terapêutico da instituição psiquiátrica, surgiram as colônias de alienados – grandes áreas agrícolas que se configuravam como uma aldeia de pessoas livres onde o trabalho seria terapêutico, pois se acreditava que estimularia “a vontade e a energia e consolidava a resistência cerebral tendendo fazer desaparecer ‘os vestígios do delírio’” (Amarante; Lima, 2008, p.39), no entanto, com o passar do tempo, acabaram tais espaços iriam transformando-se em insti- tuições asilares de recuperação pelo trabalho.

Outra onda de transformações psiquiátricas foi per- cebida após as duas Grandes Guerras. Nesse período, as instituições psiquiátricas sofreram intensas críticas, sendo

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comparadas a campos de concentração. Isso possibilitou a emergência das primeiras experiências de reformas psi- quiátricas ocorridas em diversos países, sendo classificadas, como apresentam Amarante e Lima (2008), em três grupos.

Comunidade Terapêutica e Psicoterapia Institucional

O primeiro grupo (Comunidade Terapêutica e Psico- terapia Institucional) creditava o fracasso da instituição psiquiátrica a seu modo de gestão colocando como solução a necessidade de promover algumas mudanças com vistas a adequar essas instituições ao seu objetivo terapêutico de fato. É nesse momento que surge a expressão psicossocial. Desenvolvia-se uma série de iniciativas que utilizavam o potencial dos próprios pacientes no tratamento: eram organizadas reuniões/assembleias no interior das quais se discutiam dificuldades, projetos, planos de cada um, além de grupos operativos envolvendo cada vez mais os pacientes em seus tratamentos e nas atividades disponíveis. A função terapêutica era compreendida como uma tarefa de todos – sejam técnicos, familiares e/ou pacientes.

Por Comunidade Terapêutica passou-se a entender um processo de reformas institucionais que continham em si mesmas uma luta contra a hierarquização ou verticalidade dos papéis sociais, ou, enfim, um processo de horizontali- dade e “democratização” das relações, na palavra do próprio Maxwell Jones, que imprimia em todos os atores sociais uma verve terapêutica. (Amarante; Lima, 2008, p.43)

A Psicoterapia Institucional refere-se à experiência

liderada por François Tosquelles, na França, que se des- tacou pela sua escuta polifônica partindo do princípio de que não se deveria reduzir a escuta a uma ou outra

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corrente conceitual além de propor a ideia de acolhimento, “ressaltando a importância da equipe e da instituição na construção de suporte e referência para os internos no hospital” (ibidem, p.44).

Tosquelles referia-se à necessidade de fazer do hospital uma escola de liberdade onde todos teriam uma função terapêutica de problematizar e combater a violência insti- tucional e a verticalidade nas relações intrainstitucionais.

Psiquiatria de Setor e Psiquiatria Preventiva e Antipsiquiatria

A Psiquiatria do Setor (França) ressaltava a necessida- de de um trabalho para além da esfera do hospital. Para isso, era importante adotar-se uma série de medidas que visassem garantir a continuidade terapêutica após a alta hospitalar. Isso se deu com a criação dos chamados Centros de Saúde Mental (CSM) que, de acordo com a distribuição populacional, possibilitava uma rede de contatos entre os pacientes de uma mesma região já que ficavam na mesma enfermaria do hospital e, quando recebiam alta, frequen- tavam o mesmo CSM.

O aspecto importante dessa inovação foi o fato de o acompanhamento ser realizado dentro e fora do hospital por uma equipe multidisciplinar e não ser mais conside- rado atributo único do médico psiquiatra.

Já a Psiquiatria Preventiva foi realizada nos Estados Unidos e ficou também conhecida como Saúde Mental Comunitária. Surgiu de um estudo realizado em 1955 que mostrou as precárias condições de assistência, violência e maus-tratos a que eram submetidos os pacientes interna- dos e repercutiu em um redirecionamento da política de assistência psiquiátrica no sentido de reduzir as doenças mentais nas comunidades e promover o estado de saúde mental das pessoas.

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Gerlad Caplan, considerado fundador dessa corren- te, concebia uma teoria etiológica (com forte inspiração no modelo da História Natural das Doenças Mentais de Leavell e Clark) que:

pressupõe uma linearidade no processo saúde/enfermi- dade, e uma evolução (paradoxalmente) “a-histórica” das doenças. Por consequência, em seu entendimento, todas as doenças mentais poderiam ser prevenidas, desde que detectados precocemente. (ibidem, p.48)

Assim, instaurou-se, no país, uma política de suspeição em relação a doenças mentais em que pessoas com suspei- tas de algum distúrbio deveriam ser encaminhadas (seja por iniciativa própria, de familiar, amigos, seja por um profissional da assistência comunitária) para um psiquiatra para investigação diagnóstica.

Acenando para uma antítese ao saber psiquiátrico, a antipsiquiatria surgiu na Inglaterra no final da década de 1950 a partir de constatações infrutíferas de algumas experiências de Comunidade Terapêutica e de Psicotera- pia Institucional. Para Ronald Laing e David Cooper, as violências contra os loucos não se restringiam à instituição psiquiátrica, mas poderiam ser atestadas também no âmbito da família e da sociedade. Com uma forte crítica ao modelo de ciências naturais da psiquiatria, defendiam o lema de que o que é cientificamente correto pode ser eticamente errado (Amarante, 2007). Nessa perspectiva, a loucura é vista não como uma doença mental, mas como uma experiência do sujeito em sua relação com o ambiente social, o que inviabiliza qualquer ideia de tratamento à doença mental. Nesse sentido, a terapêutica compreenderia um permitir e auxiliar o vivenciar dessa experiência acompanhando e protegendo o sujeito, inclusive das violências da própria psiquiatria.

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Psiquiatria democrática

Já a psiquiatria democrática refere-se à experiência italiana da década de 1960 que teve Franco Basaglia como seu principal nome. De acordo com Amarante (2007), esse estudioso propunha uma superação do “aparato manicomial, entendido não apenas como estrutura física do hospício, mas como o conjunto de saberes e práticas, científicas, sociais, legislativas e jurídicas, que fundamen- tam a existência de um lugar de isolamento e segregação e patologização da experiência humana”.

A experiência de Trieste é considerada a maior referên- cia de transformação da psiquiatria contemporânea e in- fluenciou diversas experiências no mundo, principalmente no Brasil, ao criar dispositivos substitutivos à instituição psiquiátrica (daí a expressão “serviços substitutivos” ser tão presente nas discussões da Reforma Psiquiátrica Bra- sileira), além de utilizar diversas práticas da Psicoterapia Institucional como estratégia para a efetiva desmontagem desse aparato.

A criação dos Caps (Centros de Atenção Psicossocial) no Brasil teve forte influência dos chamados Centros de Saúde Mental que, por serem regionalizados e criteriosa- mente distribuídos, funcionavam como centros de base territorial, pois atuavam:

reconstruindo as formas como as sociedades lidam com as pessoas com sofrimento mental, passariam a restabelecer o lugar social da loucura que, tradicionalmente, desde Pinel, estava relacionada ao erro, à periculosidade, à insensatez, à incapacidade. (Amarante, 2007, p.57)

Importante destacar também o papel das cooperativas de trabalho, as residências para ex-internos além de inú- meras outras atividades e formas de participação social.

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Assim como Basaglia, Franco Rotelli, é considerado outro expoente da experiência italiana. Ele ressalta que o grande mal da psiquiatria estaria na separação promovida

da doença da existência global, complexa e concreta dos sujeitos e do corpo social. E é sobre esta separação artificial que se construiu o conjunto de aparatos científicos, legis- lativos, administrativos (precisamente a instituição), todos referidos à “doença”. A operação denominada desconstru- ção seria, então a desmontagem deste conjunto de aparatos para poder reestabelecer uma relação com o sujeitos em so- frimento. Rotelli nos propõe uma outra via, ao considerar este um processo social complexo, que vai acionar os atores sociais diretamente envolvidos; que compreende que a transformação deva transcender à simples reorganização do modelo assistencial e alcançar as práticas e concepções sociais. (Amarante, 2007, p.58)

Plano-fragmento: as dimensões