A metodologia utilizada apresenta limitações na coleta de dados, sobretudo no que tange à pesquisa de campo. A entrevista por si só já apresenta limitações, pois os entrevistados podem se sentir inibidos, o que compromete, em algum aspecto, a coleta das informações. Há o risco de algumas respostas serem tendenciosas, em especial aquelas de integrantes do poder público, que queiram preservar sua imagem, ou de beneficiários do projeto que, por razões adversas, tenham receio de expressar sua opinião.
A habilidade do entrevistador pode ser uma limitação, pois este pode não conseguir realizar as entrevistas de forma satisfatória, não a fazendo de forma clara em suas questões, podendo vir a influenciar na resposta do sujeito a ser entrevistado. Os entrevistados podem responder de maneira evasiva ou sem grande comprometimento por não verem sentido ou importância ao estudo. Ou ainda, a possibilidade de os sujeitos entrevistados não serem representativos da população.
Quanto ao tratamento dos dados, há o risco de equívocos ao tentar extrair tendências, captar intenções e reconhecer os aspectos relevantes e essenciais ao objetivo do trabalho aqui proposto. No que tange à perspectiva de generalização dos resultados aqui identificados, é relevante especial atenção, uma vez que a análise de discurso não tem a pretensão de generalizar o estudo de forma ampla.
A análise de discurso não procura identificar processos universais e, na verdade, os analistas de discursos criticam a noção de que tais generalizações são possíveis, argumentando que o discurso é sempre circunstancial – construído a partir de recursos imperativos particulares, e tendo em mira contextos específicos. (GILL, 2003: 264)
Esse capítulo abordou a metodologia empregada no estudo proposto, englobando os seguintes elementos: tipo de pesquisa, universo e amostra, coleta de dados e tratamento a eles dispensado, destacando, no final, as limitações inerentes ao método escolhido para a pesquisa.
5 - ANÁLISE
O Projeto Casa Brasil tem o propósito de capacitar os segmentos excluídos da população para sua inserção crítica na sociedade do conhecimento, buscando superar e romper a cadeia de reprodução da pobreza, e, para tanto, difunde-se por todo o país.
Adotando o lema Conhecimento e Cidadania morando juntos, o projeto alia o acesso ao conhecimento à produção de conhecimento, à produção de comunicação, à informação, à cidadania e à valorização da diversidade cultural. Pode-se afirmar que é um projeto que amplia a questão do conhecimento por si só, vez que tenta aliar o conhecimento à realidade daquela comunidade onde se insere. E, por esse mesmo motivo, não tem uma única forma de acontecer, eis que espalhado por toda a diversidade cultural brasileira.
Partindo do pressuposto que a realidade de tais comunidades caracteriza-se pela ausência do Estado e precariedade dos serviços públicos, o projeto intenta subsidiar o acesso ao conhecimento, a fim de que a comunidade passe a analisar criticamente sua realidade, e o cidadão passe a ter um papel mais atuante; necessário à inversão da lógica da sociedade capitalista, um modelo concentrador não só de riqueza, mas também de conhecimento. Nesse sentido, democratizar o acesso ao conhecimento é democratizar o acesso aos bens culturais e a toda gama de direitos garantidos aos cidadãos.
A democratização do conhecimento justifica um projeto como o Projeto Casa Brasil, tendo em vista a possibilidade de estímulo à conscientização do cidadão a respeito de seus direitos e da importância de exigi-los.
A proposta do projeto é ampliar a participação popular e a participação das entidades da sociedade civil, através do Conselho Gestor, que pretende ser um espaço para reflexão, avaliação, proposição e participação da gestão da unidade Casa Brasil, por meio de debates sobre as características, as demandas e os caminhos da própria unidade e, ainda, sobre a política nacional do Projeto Casa Brasil.
A respeito da importância dessa participação, um dos integrantes da coordenação nacional do projeto, assim se manifestou:
[...] a participação da população é importante, então essa participação das entidades é importante, mas o fundamental é a participação do cidadão daquela comunidade que está freqüentando a unidade e, a partir do momento em que freqüenta uma unidade começa a identificar um conjunto de ações que poderiam ser realizadas ou começa a discordar de determinadas atitudes que estão sendo feitas na unidade, a partir da proposta do projeto também, então é importante que essas entidades e que os cidadãos tenham conhecimento de quais são as propostas do projeto Casa Brasil, porque a partir do conhecimento da proposta ele faça a sua análise, ele faça as suas sugestões, faça suas críticas e que no fundo defenda o projeto também, porque não adianta ser o bolsista da unidade defendendo o projeto se não tem ninguém da comunidade defendendo o projeto. (integrante da Coordenação Nacional, responsável pela articulação regional)
O projeto se propõe a integrar um conjunto de ações do poder público num espaço, que tem um conjunto de valores e de princípios diferenciados, tais como a valorização da mulher, a democratização da comunicação, o incentivo à participação popular, diversidade cultural, entre outros. Dessa forma, esse espaço, implantado junto às comunidades carentes, utilizando tecnologias da informação e da comunicação, destina-se à convergência das ações governamentais nas áreas de inclusão digital, social e cultural, geração de trabalho e renda, ampliação da cidadania, popularização da ciência e da arte.
A existência, nessas comunidades, da demanda por espaços públicos, onde sejam desenvolvidas atividades que aliem cultura, conhecimento, informação e capacitação é pressuposto do Projeto Casa Brasil. Isso porque locais públicos como esses vem se tornando cada vez mais raros, não só nas comunidades, mas nas cidades de um modo geral. Tais espaços públicos foram sendo privatizados. Hoje, é comum que os locais de referência da população sejam os espaços privados, tais como oshopping center. A proposta do projeto é que a Casa Brasil seja um espaço aberto, capaz de motivar a comunidade a participar das atividades da casa, instigando a busca do conhecimento e a prática da cidadania, em um processo de formação política e cultural.
As parcerias intergovernamentais e com o setor não-governamental foram buscadas para a viabilização das atividades do projeto. A formação de parcerias envolvendo o Estado e sociedade é uma característica metodológica do Projeto Casa Brasil.
Ambas as Casas Brasil, tornaram-se viáveis, em primeiro lugar, pela interação entre o governo federal e as administrações municipais, sendo possível considerar a origem múltipla dos recursos, uma das características do projeto.
Conforme estipulado no Edital MCT-SECIS/CNPq/Casa Civil - ITI/CGPCB Nº 41/2005, instrumento que regulamentou o processo seletivo da escolha das propostas apresentadas pelas instituições elegíveis28, o governo federal financiou o projeto com recursos oriundos da Lei Orçamentária Anual, Lei n.º 11.100, de 15 de janeiro de 2005.
Tais recursos financiaram as rubricas capital, custeio e bolsas, referentes, respectivamente, aos seguintes itens: aquisição de equipamentos do laboratório de informática e/ou de ciências, despesas relativas a serviços prestados por pessoa física ou jurídica e à aquisição de materiais diversos de consumo e, por último, bolsas de fomento tecnológico e extensão inovadora, nas modalidades extensão no país (EXP) e iniciação tecnológica e industrial (ITI).29
Além dos recursos aportados pelo mencionado edital, os equipamentos e mobiliário necessário ao funcionamento de cada unidade da Casa Brasil constituíram responsabilidade do governo federal.
Às instituições municipais, denominadas, a partir da aceitação da proposta, Parceiros Estratégicos, incumbiria, além de outras pré-condições e obrigações estipuladas no edital30, assumir o pagamento de despesas com as taxas e tarifas públicas que excedessem os limites previstos no projeto e de todas as demais despesas necessárias ao cumprimento das atividades propostas.
28
Associações, Fundações, Organizações Não-Governamentais (ONGs), Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs), Universidades, Institutos, Centros Tecnológicos, Centros e Museus de Ciências, Centros e Fundações de Pesquisa e Desenvolvimento, Públicas ou Privadas, sem fins lucrativos, e/ou Prefeituras Municipais, Governos Estaduais, Empresas Públicas de Informática, doravante denominados Parceiros Estratégicos
29
O detalhamento do aporte dos recursos consta dos itens 1.6, 1.7 e 1.8 do Edital MCT-SECIS/CNPq/Casa Civil - ITI/CGPCB Nº 41/2005 (anexo).
30
Além disso, as Prefeituras Municipais de Vitória e de Vila Velha obrigaram-se a elaborar um plano de sustentabilidade para manutenção da Casa Brasil, pelo período mínimo de 02 anos após o término do aporte de recursos federais, respeitando-se as especificações iniciais estabelecidas no Projeto Casa Brasil. Para tanto, poderão firmar outras parcerias junto à iniciativa privada, ao poder público e ao terceiro setor.
No município de Vitória, a Casa Brasil foi implementada através de parceria efetivada pela Prefeitura Municipal de Vitória com o Centro de Cultura Guaananira, organização não-governamental, que passou a gerir as atividades artísticas da unidade.
A Prefeitura Municipal de Vitória incluiu as despesas com o Projeto Casa Brasil no Plano Plurianual e na Lei de Diretrizes Orçamentárias, destinando recursos para a execução das atividades do projeto e manutenção da Casa Brasil. No primeiro ano, foram destinados R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) e, no segundo, R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais), valores superiores aos previstos inicialmente, garantindo a disponibilização de número maior de atividades.
Assim, o poder local assumiu a responsabilidade de sustentar financeiramente a Casa Brasil Vitória, e, para superar as dificuldades burocráticas inerentes ao poder público, realizou parceria com entidade não-governamental, que ficou com a responsabilidade de planejar, operacionalizar e gerir as atividades do projeto.
O reconhecimento da importância das parcerias inter e intragovernamentais, além da parceria com o setor não-governamental, pode ser constatado durante entrevista realizada com o representante legal do Projeto Casa Brasil, pelo Município de Vitória. Vejamos:
A parceria é fundamental porque o parceiro ele tem o orçamento e tem a diretriz, ele executa uma política traçada e um conjunto, inclusive no caso do Guaananira. Não é o Guaananira que impõe ou que propõe o que devemos fazer. É um diálogo, a gente ouve também a comunidade. A Secretaria de Educação participou da nossa formulação, porque, como tem agora o tempo integral, nós estamos ouvindo outros setores. Com a constituição do comitê (sic) gestor esse diálogo vai ser mais ampliado ainda, ampliado e também democrático porque a comunidade vai opinar literalmente e tem
poder de decidir, porque comitê (sic) gestor tem poder de decisão. Isso é muito importante, eu acho que ele vai ampliar ainda mais esse diálogo. (representante legal da PMV junto ao CNPq)
No município de Vila Velha, a implementação da Casa Brasil também foi efetivada por parceria entre a Prefeitura Municipal de Vila Velha e o Centro Sócio-Educacional Marcelino Champagnat. Nesse caso, já existiam diversos convênios firmados entre a Prefeitura e o CMC.
A parceria com a Província Marista do Rio de Janeiro e com a Cáritas Arquidiocesana de Vitória, intermediada pelo Centro Sócio-Educacional Marcelino Champagnat, intencionou agregar valor a ambos os projetos desenvolvidos para a comunidade da região da Grande Terra Vermelha, objetivando a ampliação do apoio educacional fornecido pelo CMC e a viabilização das atividades inerentes ao Projeto Casa Brasil.
A Casa Brasil passou a ser objeto de outro convênio, no qual foi estipulado que as instalações físicas onde já eram desenvolvidas as atividades do CMC seriam adaptadas para abrigar o Projeto Casa Brasil.
Através desse convênio, a Prefeitura Municipal garantiu o pagamento das despesas referentes à manutenção da unidade, tais como energia elétrica, água, telefone, segurança e alimentação; inexistindo a previsão de receita destinada a outros encargos e necessidades inerentes ao desenvolvimento das atividades do projeto.
Essa inexistência de recursos destinados a Casa Brasil Vila Velha, dificultou a execução das atividades planejadas pelos bolsistas. Na dependência de recursos que estavam fora de seu controle, os bolsistas relataram as dificuldades enfrentadas para a realização de oficinas junto à comunidade, como por exemplo, a inexistência de verba para revelar filmes utilizados durante cursos de fotografia.
Apesar de ser possível afirmar que a questão financeira constitui uma fonte de obstáculos à consecução dos objetivos do projeto, imperioso ressaltar que, no caso de Vila Velha, o distanciamento do prefeito contribuiu para a maior parte dos problemas enfrentados. Isso porque, no caso da parceria firmada com a Prefeitura
Municipal de Vila Velha, o próprio prefeito assumiu a responsabilidade do projeto, concentrando nele todas as atribuições operacionais. Acontece que esse compromisso foi assumido apenas formalmente, com a assinatura do Termo de Parceria; não se refletindo na gestão da Casa Brasil.
Analisando de forma comparativa o envolvimento dos Parceiros Estratégicos na implementação, execução e acompanhamento das atividades propostas, um dos articuladores regionais do Projeto Casa Brasil, trouxe as seguintes informações:
E essa presença na Prefeitura de Vitória, de um secretário com a secretaria em peso apoiando o projeto, isso no dia-a-dia do projeto, depois que o projeto começou a funcionar, ou seja, como os dois projetos já têm quase um ano, completaram um ano agora de funcionamento Vitória e Vila Velha, você vê que no dia-a-dia tem uma diferença significativa quando uma Prefeitura apóia um projeto e quando uma Prefeitura apóia com muitas limitações o andamento do projeto. Então, hoje a Prefeitura de Vitória e uma série de outras secretarias estão envolvidas no cotidiano da unidade, o próprio prefeito participou da inauguração da unidade de Vitória, visitou a unidade em outras oportunidades, assim como os secretários, enfim você tem uma movimentação da gestão municipal e uma presença mais próxima. Enquanto em Vila Velha, o prefeito sequer visitou a unidade, enfim, então esse distanciamento também teve impacto no investimento que a Prefeitura de Vitória está fazendo, faz um investimento significativo de recurso da administração municipal, além do que o Governo Federal se disponibilizou a colocar; já em Vila Velha isso não acontece, e isso impacta no conjunto de atividades e das possibilidades que a unidade realiza com a comunidade, então não é só um distanciamento físico, na verdade é um distanciamento de gestão da unidade que acarreta em menos possibilidades pro projeto e, conseqüentemente, para a própria comunidade. (integrante da Coordenação Nacional, responsável pela articulação regional)
No tocante à interação entre os parceiros do projeto, apesar das dificuldades relatadas, constatou-se a importância atribuída à parceria firmada entre os diversos níveis do poder público, a fim de que seja realizada uma interação entre esses atores públicos, evitando-se imprimir ao projeto um caráter de dependência, mas, ao contrário, subsidiar a constituição de uma política pública não-dependente.
Com o diálogo estabelecido a partir da interação entre os órgãos públicos, os objetivos do projeto são potencializados, em razão da concentração de esforços e
recursos. Essa união evita o desgaste e o desperdício de recursos porque a ação pública torna-se mais eficaz quando as políticas públicas com objetivos semelhantes ou afins são realizadas conjuntamente e em caráter complementar. Assim, somente através da união de esforços e da cooperação é possível atingir, eficaz e eficientemente, os objetivos propostos.
Além disso, a questão da sustentabilidade de cada unidade, a partir da presença de vários níveis do poder público, é muito mais possível do que quando está a cargo de um só ente federado.
Então, além das questões cotidianas decorrentes da interação das políticas, que acabam viabilizando a manutenção das iniciativas sociais, no caso em tela, a unidade Casa Brasil, a interação entre os parceiros adquire importância tendo em vista a articulação do poder público municipal junto ao poder público estadual e/ou federal. É que nessa articulação institucional, o poder público local, mais próximo do cidadão e, por isso, melhor conhecedor das necessidades e anseios da comunidade, transmite tais informações aos demais órgãos intervenientes e pode defender a manutenção das ações. Reconhecendo a importância dessa interação pública, um dos membros integrantes da Coordenação Nacional do Projeto assim se manifestou:
a partir de um grau de consciência de que o projeto precisa existir, de que o projeto precisa ser mantido, que é obrigação do poder público de um modo geral colocar recurso para que ele funcione é muito mais difícil, por exemplo, uma Prefeitura deixar de apoiar porque você tem essas pressões muito mais próximas, o cidadão está muito mais próximo, então por isso também é importante envolver o município. E a partir daí entra então um trabalho de pressão e articulação institucional do poder público municipal junto ao poder público federal, para que o federal mantenha o projeto em funcionamento a partir de uma demanda que vem do poder público municipal, isso, de certa forma, é muito mais fácil de acontecer porque as próprias estruturas do Estado dialogam cotidianamente sobre as mais diversas ações do que o cidadão sair de Vitória, sair de Vila Velha e ir lá em Brasília falar com o Presidente da República de que um projeto tem que continuar, isso é muito mais difícil de acontecer do que localmente, então por isso essa importância da interação com o poder público municipal. (integrante da Coordenação Nacional, responsável pela articulação regional)
Ainda sobre as parcerias intergovernamentais, foram relatadas dificuldades inerentes à burocracia pública e a assimetria de informações.
Uma dessas dificuldades relatadas referia-se à compreensão da forma de operacionalização do projeto, ou seja, como sua execução se processaria, tendo em vista a constituição múltipla do projeto. Assim, o aparelhamento da Casa Brasil teria uma origem, os recursos outra. O estabelecimento de uma relação que parecia ser exclusivamente institucional, ou seja, com as Prefeituras Municipais, mas, que se percebeu pessoal, dada a forma de relacionamento existente entre o CNPq e o proponente, que era pessoalmente responsável pelos recursos recebidos.
Essa nova modalidade de relacionamento institucional difere daquelas modalidades usuais nas administrações públicas, tais como os convênios, contratos firmados entre os órgãos pactuantes, onde os recursos são transferidos para uma conta do ente público.
No caso, os recursos foram destinados para o fim específico proposto pelos parceiros estratégicos, mas, ficaram sob a responsabilidade dos proponentes, segundo os critérios estabelecidos pelo CNPq. A falta de uma informação ampla sobre a natureza do vínculo e dos recursos, por meio de esclarecimentos do CNPq aos proponentes, obstaculizou o desenvolvimento regular das atividades do projeto.
No município de Vitória, além da apropriação da política pelo governo local, em razão do envolvimento do proponente com o projeto e com a gestão da unidade, os recursos foram empregados de maneira satisfatória e devidamente aproveitados. Por outro lado, no Município de Vila Velha, em razão do distanciamento do proponente e, até mesmo, do desconhecimento das necessidades do projeto, os recursos foram mal utilizados, tendo inclusive que ser devolvidos ao CNPq. A inacessibilidade e a total dependência do prefeito municipal para a liberação dos recursos, já que disponíveis em conta bancária de caráter pessoal, inviabilizou o desenvolvimento das atividades na Casa Brasil de Vila Velha.
Essa assimetria de informações poderia ser superada com uma efetiva troca de informação entre os parceiros estratégicos. Mas, é certo que essa troca de
informações está diretamente ligada ao grau de envolvimento de cada um dos atores do projeto. A situação ideal é o conhecimento paritário do projeto por todos os envolvidos. Segundo um dos entrevistados, existem
(...) aqueles que querem participar, mas não querem se envolver profundamente, então eles tem um nível de acesso a informações que optam por ter também, eles não perguntam muito, eles não se propõem muito, eles não questionam muito. Eles vão e fazem reuniões, dão informações, conversam, definem algumas coisas, mas com as limitações que cada entidade também quer ter, mas acho que compartilhar as informações é fundamental para que haja um entendimento comum em relação ao projeto, e um entendimento que eu digo não só da idéia dele, mas um entendimento do que está acontecendo também (...) tudo tem que ser compartilhado ao máximo pra que todos tenham um mínimo de compreensão comum. Se uma entidade sabe muito e outra entidade sabe pouco, essa entidade que sabe mais vai ter uma compreensão do projeto, da sua importância, dos seus resultados, das suas necessidades, da relação com a comunidade e tudo mais diferente daquela que tem pouco (integrante da Coordenação Nacional, responsável pela articulação regional)
Indubitável a existência de troca de informações. Porém, é certo, também, que essa troca foi limitada pelo envolvimento dos parceiros estratégicos que não exploraram