B. Sahih Olmayan Haberler
X. ŞİA’NIN TEMEL HADİS KAYNAKLARI
A temática de gênero pertence ao discurso, mais especificamente à semântica discursiva, ou seja, os discursos sobre gênero são construídos na linguagem e pertencem a ela, não a um referente natural no mundo. É apenas como tais discursos constroem conceitos, como funcionam na linguagem e como constroem narrativas que interessa a este trabalho. A hipótese é que os discursos sobre gênero produzem, principalmente, efeitos de sentido referenciais a partir do século XVIII, como resultado, dos efeitos de sentidos produzidos pelos discursos biológicos.
Desse modo, a tentativa de descrever e compreender o conceito de gênero tem sido um exercício acadêmico intenso e extenso. Desde a publicação do O segundo Sexo em 1949, o
85 termo gênero é descrito no pensamento científico predominantemente como construção social, portanto, faz parte do campo semântico da cultura enquanto o sexo, em oposição, pertence ao campo semântico da natureza. Ou seja, o conceito de gênero surge na teoria feminista com base na oposição binária entre natureza e cultura no nível fundamental.
A consequência desse pensamento é mais de cinco décadas de estudos sobre gênero, com a finalidade de estabelecer em discurso as diferenças entre cultura e natureza e a influência que um campo exerce sobre o outro para, enfim, constituir as dicotomias mulher VS homem como produtos da cultura e macho VS fêmea como produtos da natureza. Em geral, nesses estudos é frequente a preocupação de encontrar o momento inaugural do gênero nas sociedades humanas, e ainda, a preocupação de definir o conceito mulher, já que esse seria o objeto sempre em construção do pensamento feminista. Longe de querer demonstrar e descrever toda a problematização dos discursos sobre gênero, destacam-se aqui dois momentos históricos de extrema importância para a definição dos conceitos que serão utilizados no presente trabalho. Em primeiro lugar, a publicação de O segundo sexo (1967) que tenta estabelecer o conceito mulher como objeto de estudo da filosofia. E o segundo momento é a publicação de Gender trouble de Judith Butler, que propõe o conceito de gênero como objeto de estudo da filosofia, conceito que englobaria, também, o conceito mulher.
Quando a pensadora francesa afirma na célebre frase: “Ninguém nasce mulher, torna- se mulher” (BEAUVOIR, 1967, p. 09), está articulando mulher com o conceito de gênero como construto social que se opõe à natureza reservada ao sexo. Segundo Judith Butler (2003), existem dois problemas na afirmação de Beauvoir, um de caráter essencialista e outro de caráter ontológico. O primeiro, diz respeito ao significado existencialista do verbo tornar e a exclusividade da fêmea no processo de tornar-se um gênero e, o segundo, a problemática de conceber o sexo (oposição fêmea VS macho) como decorrências dos referentes que significam. Nas palavras da filosofa norte-americana sobre a afirmação da feminista francesa:
Não há nada em sua explicação que garanta que o “ser” que se torna mulher seja necessariamente fêmea. Se, como afirma ela, “o corpo é uma situação”, não há como recorrer a um corpo que já não tenha sido sempre interpretado por meio de significados culturais; consequentemente, o sexo não poderia qualificar-se como facticidade anatômica pré-discursiva. Sem dúvida, será sempre apresentado, por definição, como tendo sido gênero desde o começo. (BUTLER, 2003, p. 27)
Para Butler, em suma, a distinção entre sexo e gênero no que diz respeito à relação natureza VS cultura é absolutamente nenhuma, já que ambos pertencem à cultura e são construções discursivas. Natureza e cultura, a partir de Butler (2003), são, definitivamente,
86 efeitos de sentidos construídos em discurso. O argumento de Butler, em seu livro Gender Trouble (2003), demonstra que tanto os conceitos de gênero como os de sexo são construídos no discurso de uma determinada cultura, no entanto, produzem narrativas com efeitos de sentido diversos.
A hipótese aqui é que o conceito de sexo em discurso produz um efeito de sentido predominantemente referencial, por isso é utilizado principalmente pelos discursos biológicos. Enquanto o conceito de gênero produz um efeito de sentido majoritariamente mítico, utilizado pelos discursos religiosos e literários. Ambos os efeitos, no entanto, são construídos na linguagem. Tal ideia já tinha sido defendida pela filósofa belga Luce Irigaray que denunciava a construção narrativa sobre o sexo, da mesma maneira que a construção narrativa de gênero:
O sexo é tomado como um “dado imediato”, um “dado sensível”, como “características físicas” pertencentes a uma ordem natural. Mas o que acreditamos ser uma percepção física e direta é somente uma construção sofisticada e mítica, uma “formação imaginária”. (IRIGARAY, 1985, p. 68)
De qualquer forma, seja a construção de uma fêmea no discurso biológico ou de um sujeito masculino em um texto poético, o processo de construção é altamente estruturado e segue padrões específicos e, segundo Butler (2003) é por meio da performance do sujeito na narrativa que identificamos um sujeito masculino ou feminino em qualquer narrativa humana. O conceito de performatividade de gênero é fundamental na teoria butleriana e talvez, o mais significativo e que colabora para os estudos dos textos que apresentam temáticas de gênero e de sexualidade.
Conforme Butler (2003), é por meio da natureza performativa do gênero que corpos e subjetividades masculinas ou femininas são constituídos em uma determinada narrativa. O sucesso da construção de uma “feminilidade” em um determinado personagem depende do sucesso de sua performance, assim também é por meio da performance que é possível desestabilizar a fixidez de determinado gênero em um personagem. Esse segundo caso é característico de muitos textos de temática lésbica, por exemplo, a invertida em O poço da solidão (1990).
A identidade de gênero é sustentada em uma determinada narrativa pela repetição de atos performáticos que estabilizam o gênero, pois “o gênero é a estilização repetida do corpo, um conjunto de atos repetidos no interior de uma estrutura reguladora altamente rígida, a qual se cristaliza no tempo para produzir a aparência de uma substância, de uma classe natural de ser” (BUTLER, 2001, p. 51). Em termos semióticos, o efeito de sentido de verdade de um
87 determinado gênero se dá pela isotopia figurativa e temática que se mantém em um determinado texto, sustentam o sujeito e constroem em discurso o simulacro do corpo físico de um determinado personagem, sempre com traços de gênero. Além das marcas de gênero da própria língua, também na performance revelam-se características físicas e psicológicas que emanam do gênero. Veja o seguinte exemplo:
Minha mãe era boa criatura. Quando lhe morreu o marido, Pedro Albuquerque Santiago, contava trinta e um anos de idade, e podia voltar para Itaguaí. Não quis; preferiu perto da igreja em que meu pai fora sepultado. (…) E deixou-se estar na casa de Matacavalos onde vivera os dois últimos anos de casada. Era filha de uma senhora mineira descendente de outra paulista, a família Fernandes.
Ora, pois, naquele ano da graça de 1857, D. Maria da Glória Fernandes Santiago contava quarenta e dois anos de idade. Era ainda bonita e moça, mas teimava em esconder os saldos da juventude por mais que a natureza quisesse preservá-la da ação do tempo. Vivia metida em um eterno vestido escuro, sem adornos, com xale preto, dobrado em triângulo e abrochado ao peito por um camafeu. (ASSIS, 2006, p. 25)
No exemplo retirado do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, o narrador descreve o personagem da mãe por meio de figuras que sustentam temáticas reguladas pelo gênero. Assim, as figuras, “mãe”, “pai”, “marido”, “descendente”, “filha”, “família” sustentam a temática familiar até hoje fundada em pressupostos de gênero. No texto, o narrador revela que com a morte de seu pai, sua mãe poderia voltar para Itaguaí, mas resolve ficar e assume a responsabilidade de cuidar dos bens da família. É também das relações familiares que surge o sobrenome da personagem, marcadas pelo Fernandes e pelo Santiago, ambos os nomes provêm do elemento masculino das famílias. O personagem feminino é constantemente definido, assim, por meio de suas relações com o elemento masculino e na dependência entre eles através da temática familiar.
Já no clássico romance Orlando de Virginia Woolf, publicado em 1928, acontecem ambas as performances de gênero em um mesmo personagem. O nobre Orlando, jovem da corte Inglesa, inexplicavelmente adormece por três meses e ao despertar acorda com o corpo de mulher. É justamente a ruptura da isotopia figurativa e temática de gênero que produz o ápice do romance e a sua novidade, um mesmo sujeito/ator apresenta performances de gênero distintas:
Parece que não tinha dificuldade em sustentar o duplo papel, pois mudava de sexo muito mais frequentemente do que podem imaginar os que só usaram uma espécie de roupas. E não pode haver nenhuma dúvida de que com esse artifício colhia uma dupla colheita, que os prazeres da vida aumentavam e
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sua experiência se multiplicava. Trocava a honestidade dos calções curtos pela sedução das saias e usufruía por igual o amor de ambos os sexos. Assim, poder-se-ia representar Orlando, pela manhã, entre os seus livros, num traje chinês de gênero ambíguo; depois, recebendo um ou dois protegidos (porque atendia a muitas solicitações) no mesmo traje; depois, daria uma volta pelo jardim e podaria as nogueiras – para isso os calções curtos eram mais convenientes; depois, trocava-os por um vestido de tafetá floreado, que está mais de acordo com um passeio a Richmond e a proposta de casamento de algum fidalgo; e de novo voltaria para a cidade, onde vestiria uma roupa cor de rapé como a de um advogado, e visitaria os tribunais, para saber como andavam seus pleitos, porque sua fortuna se consumia em horas e seus processos não pareciam mais perto de solução do que tinham estado séculos antes; e finalmente, com o anoitecer, tornava-se mais do que nunca um cavalheiro completo, dos pés à cabeça, e passeava pelas ruas em busca de aventuras. (WOOLF, 2003, p. 146)
Em ambos os exemplos, parece ser a performance do sujeito que problematiza a identidade de gênero no enunciado, a performance se dá em diversos níveis, vestuário, sentimentos, posturas sociais e definem até mesmo o tipo de narrativa que se espera.
Além da problemática conceitual entre as categorias natureza e cultura que protagonizaram as teorias feministas e os discursos sobre gênero, também existe uma questão muito comum no discurso científico acerca da temática de gênero, que parece estar fadada ao fracasso.
Trata-se da origem do sistema discursivo de gênero, ou seja, em que momento histórico da humanidade os corpos humanos foram separados e nomeados em macho e fêmea, ou ainda, em que momento surge o sujeito masculino e, o seu oposto, o feminino. Tal procedimento procura descrever a genealogia do gênero e, por conseguinte sua universalidade, procedimento extremamente perigoso e que leva a delírios filosóficos e pressuposições fantasísticas desastrosas. Em geral, as teorias procuram encontrar no discurso histórico e/ou antropológico o momento do nascimento de uma norma que regularia a natureza humana e determinaria a obrigatoriedade de dividir-se em dois sexos que emanam da categoria natureza e, por conseguinte, dois gêneros que emanam da cultura. Desse modo, muitos trabalhos feministas acreditavam que se encontrassem a origem do conceito de gênero, conseguiriam revelar o criador do gênero e desfazer a estrutura binária de gênero.
Por mais absurdo que possa parecer, segundo Butler (2003), grande parte da teoria feminista supõe um fazedor e uma origem para o gênero. Contudo, Gender trouble demonstra a inutilidade de tal procedimento e afirma que: “Esse recurso a uma feminidade original ou genuína é um ideal nostálgico e provinciano que rejeita a demanda contemporânea de formular uma abordagem do gênero como uma construção cultural complexa” (BUTLER,
89 2003, p. 65). Desse modo, buscar uma anterioridade pré-discursiva leva os estudos do gênero a um misticismo ou a uma ontologia que apenas restringe o pensamento científico e nada o agrega.
De acordo com o ponto de vista semiótico parece também ingênuo buscar a origem do sistema de gênero ou procurar outras formas de organização dos indivíduos em sociedade que não demarque, de antemão, sujeitos femininos e sujeitos masculinos. Visto que tal procedimento cabe ao campo da antropologia ou ainda da história, e pelas pesquisas já efetuadas, nenhuma das áreas foram bem sucedidas em tentar explicar como surge o conceito de sexo ou gênero. No que diz respeito ao que interessa ao presente trabalho, tal questão não apresenta relevância, já que como afirma o semioticista francês: “É inútil perguntar como as coisas começaram, estamos imersos em um mundo que já é significante” (FONTANILLE, 2011, p. 45). Antes mesmo do semioticista, o grande linguista estruturalista Benveniste, em um dos seus ensaios de Problemas de Linguística Geral, denuncia a ingenuidade de tal procedimento:
Inclinamo-nos sempre para a imaginação ingênua de um período original, em que um homem completo descobriria um semelhante igualmente completo e, entre eles, pouco a pouco, se elaboraria a linguagem. Isso é pura ficção. Não atingimos nunca o homem separado da linguagem e não o vemos nunca inventando-a (…) É um homem falando que encontramos no mundo, um homem falando com outro homem, e a linguagem ensina a própria definição do homem. (BENVENISTE, 1995, p. 285)
Desse modo, se por um lado, parecem fracassados os estudos que se dedicam a uma premissa de origem, por outro lado, é de extremo interesse científico verificar como os discursos feministas, por exemplo, desconstroem e constroem outras formas de pensar o gênero, quais os efeitos de sentido que produzem, e quais os resultados nos textos que problematizam a temática. Portanto, se não se pode determinar a origem do sistema de gênero, é possível descrever como o conceito de gênero moderno é construído nos discursos, os valores que sustentam a estrutura binária de gênero, seu efeito de sentido naturalizante que atualmente conhecemos nos discursos ocidentais e, ainda, analisar a sua desconstrução em diversos textos como Fun Home. Por meio da análise de textos, esses estudos podem descrever axiologias de gênero que moldam determinadas culturas humanas em diversos níveis, inclusive, como significam seus corpos. Como explica a pensadora norte-americana:
Como efeito de uma performatividade sutil e politicamente imposta, o gênero é um “ato”, por assim dizer, que está aberto a cisões, sujeito a paródias de si mesmo, a autocríticas e àquelas exibições hiperbólicas do
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“natural” que, em seu exagero, revelam seu status fundamentalmente fantasístico. (BUTLER, 2003, p. 211)
Na verdade, acredita-se que o conceito de gênero produz diversos efeitos de sentidos que, de alguma forma, significou e significa os corpos e os indivíduos que estão inseridos em uma determinada cultura. Não se trata de negar a existência de diferenças entre o sujeito masculino e o sujeito feminino, pelo contrário, trata-se de afirmar que as diferenças existem em discurso e que a escolha pode ter sido arbitrária, ou seja, poderiam ter sido outras diferenças construídas em discurso que determinariam outras relações sociais e outros tipos de indivíduos inseridos em outra axiologia.
Talvez, seja possível afirmar que as narrativas sobre gênero na sociedade ocidental, produzem pelo menos dois tipos de discursos: discursos míticos e discursos referenciais. Desse modo, a hipótese aqui é que nas sociedades ocidentais, por exemplo, até o séc. XVIII, os discursos sobre gênero eram de ordem, predominantemente, mítica. E a partir do século XVIII surgem os discursos biológicos, científicos que são de ordem, predominantemente, referencial.
Em seu livro Inventando o sexo, Laqueur (2001) demonstra de maneira brilhante como antes do séc. XVIII a divisão de gênero/sexo obviamente existia, no entanto, os discursos interpretavam os corpos masculinos e femininos como versões hierárquicas e verticalmente ordenadas de um único sexo, o humano, o que o autor denomina como modelo do sexo único. Já no século XVIII, principalmente a partir da ascensão burguesa, os discursos sobre o gênero/sexo vão descrever um sistema de dois gêneros/sexos como opostos horizontalmente ordenados e incomensuráveis. Esse segundo momento, acontece com as grandes mudanças estruturais ocorridas a partir da Revolução Francesa, em que a biologia passou a descrever as “descobertas” das diferenças entre corpos masculinos e femininos justificando o que anteriormente já estava construído em discurso, inclusive, no discurso mítico da época, segundo Laqueur:
Por volta de 1800 todos os escritores determinaram-se a basear o que insistiam ser as diferenças fundamentais entre os sexos masculino e feminino, entre o homem e a mulher, em distinções biológicas constatáveis e expressá-las em uma retórica radicalmente diferente. (LAQUEUR, 2001, p. 17)
Antes disso, o discurso mítico do gênero foi extremamente impactante na cultura ocidental. O mito de Édipo, por exemplo, determinou profundamente uma estrutura de gênero, basicamente, por meio de dois princípios imperativos, o da exogamia e o da
91 heterossexualidade. Ou seja, definem como deve operar o desejo e a prática sexual normativamente, que determina também as relações familiares e as identidades dos sujeitos na mesma estrutura.
O que é possível analisar, portanto, é que em determinadas culturas e em momentos históricos diversos o pensamento humano construiu, por meio da linguagem, discursos mitológicos e práticos (referenciais) que dotaram de significados o sistema de gênero como o conhecemos. Um princípio de análise sugerido por Butler (2003) é de que há três níveis do sistema de gênero, o sexo, o gênero e a prática sexual. Em termos semióticos, também se pode dividir três níveis de leitura da estrutura de gênero em um determinado texto:
Prática – engloba as temáticas familiares e as práticas sexuais. Denota as funções que cada indivíduo deve desempenhar em uma determinada narrativa, por meio de efeitos de sentidos denotativos, objetivos e práticos, ou seja, denota as funções que cada indivíduo deve desempenhar em uma determinada narrativa de acordo com o gênero a qual pertence. Por exemplo, na temática da reprodução humana, existem duas performances práticas, ao sujeito masculino é reservado o papel de fecundar o óvulo e ao sujeito feminino é reservado o papel de desenvolver, proteger o óvulo e efetuar o parto.
Mítica – as funções práticas são revestidas de efeitos de sentidos conotativos. Esse nível de leitura é assegurado principalmente por discursos religiosos e da descendência biológica como posição de poder (a nobreza na idade média). Por exemplo, na narrativa da reprodução humana, no momento que um sujeito tem a função de pai ou mãe, exerce um papel também mítico e não apenas prático, visto que são atribuídos valores passionais como o amor, ou valores heroicos que apelam para a disposição a qualquer sacrifício pela felicidade de seus filhos. O discurso bíblico sobre a criação do homem e da mulher também é um bom exemplo do nível mítico do gênero.
Metalinguística – quando o gênero volta sua atenção sobre si. Por exemplo, o discurso feminista, o discurso da biologia genética.
Em suma, são os efeitos de sentido produzidos pela temática de gênero que constroem diversos tipos de narrativas em diferentes culturas. Se depois do séc. XVIII é predominante a leitura prática e o efeito de sentido referencial na temática de gênero nas culturas ocidentais, tal acontecimento não pressupõe referentes que definem tais discursos, ao contrário, são os
92 discursos que elaboram e significam o sistema de gênero e produzem uma aparência de substância natural. Contudo, não há nada natural no sistema de gênero que não tenha sido naturalizado pela linguagem.