2.1.2. Tarihî Türk lehçelerinde Korunan Uzun Ünlülü Kelimeler
2.1.3.1. Tarihî Türk Lehçelerinde Uzun Ünlülere Bağlı Olarak Oluşmuş Ses
2.1.3.2.1. Uzun ünlülerin kısalması
Ainda que Heidegger enuncie o habitar como a essência do humano, ele já sempre trabalha com a hipótese de que a condição do homem contemporâneo não se encontra apropriada e de que o habitar só é vivenciado enquanto a posse de uma residência como um dentre os comportamentos humanos: “Nosso habitar está sufocado pela crise habitacional. E mesmo que fosse diferente, o que hoje se entende por habitar está açulado pelo trabalho, revolvido pela caça de vantagens e sucesso, enfeitiçado pelo lazer e descanso organizados”74 (o que, como já vimos, não satisfaz o critério de resguardo do habitar essencial). Na mesma
73 Talvez seja possível acrescentar que há vários modos de se realizar o habitar (pela via da arte, do pensamento,
do cuidado com os outros seres ao redor...), e mesmo pode-se dizer que há também vários modos de o habitar se efetivar na vida particular de um indivíduo, a partir de todas as condições já sempre envolvidas aí. Não é preciso uma definição última que dê por encerrada tanto a procura como a reflexão acerca da vida que queremos viver.
linha do diagnóstico de Carta sobre o humanismo, permanecemos ignorantes quanto à nossa própria essência, distantes de experimentar o que venha a ser o habitar – parece haver uma fratura fundamental na filosofia heideggeriana entre a coisa e a sua essência, segundo a ideia de que aquilo que é essencial na coisa não pertence a ela mesma75. Heidegger claramente opera a partir da constituição de um paradoxo: no plano da essência, habitamos porque o habitar corresponde ao viger essencial de nosso ser; no plano da existência, com o deslocamento do eixo de análise para uma reflexão de cunho prático, simplesmente deixamos de habitar porque não só falhamos na tarefa da apropriação de nosso ser, como chegamos mesmo a desconhecer nossa própria essência. Junto da instituição de uma ruptura entre o nível da essência (aquele em que o homem é um habitante) e o nível da existência (aquele em que o homem se encontra numa condição desapropriada), questionamos como é possível compatibilizar a ideia de que algo nos pertence como essência, mas ao mesmo tempo não é tangível para as nossas próprias mãos. Como podemos ser nessa completa ignorância, sem termos a experiência de nossa essência? Para realizarmos o habitar, isto é, para fazermos a experiência do que é o habitar, devemos então alcançar algo que contudo já nos pertence? Como isso seria possível?
Podemos considerar a solução de Young para o impasse quanto a esta ruptura entre os planos da essência e da existência: a postulação de dois níveis para a noção de habitar, o nível do habitar ordinário e o nível do habitar essencial76. O habitar ordinário corresponde à experiência do indivíduo como um habitante no mundo, compreende o seu próprio sentimento de constantemente encontrar-se em casa, de vivenciar o mundo como um lugar seguro e acolhedor, como um lugar de morada. Já o habitar essencial corresponde a uma constituição ontológica que é independente do habitar ordinário, isto é, independente do que o homem vivencia em sua existência cotidiana. Desde que o habitar ordinário é concebido como a apropriação do habitar essencial, este se apresenta como condição necessária para a realização do primeiro (em resumo, há uma considerável ruptura entre aquilo que experimentamos na concretude deste mundo e o que o discurso filosófico em questão prevê como a nossa essência). Assim, seria o caso de que, embora sejamos habitantes desde a essência, simplesmente não conseguimos experienciar essa condição, não habitamos efetivamente porque não nos encontramos capazes de uma apropriação de nosso ser. Contudo, o que Young
75 No contexto de Serenidade, texto a ser abordado em nosso último capítulo, a essência do ser humano é tomada
como se encontrando no pensamento, contudo, para que essa essência possa ser descoberta em si mesma é preciso, ainda que paradoxalmente, desviar o olhar do ser humano e buscá-la na direção do Ser.
parece não se perguntar é exatamente como se faz possível essa apropriação de nosso modo de ser como um habitar, como é possível realizar aquelas condições que a essência do humano enquanto habitar traz a palco. É por este motivo que a centralidade de nossa pesquisa repousa na pergunta: como é possível algo assim como um habitar? E deseja fazê-lo a partir do domínio prático de nossa vida, da possibilidade de alcançarmos a plenitude de nosso ser de dentro de nosso próprio cotidiano, em meio ao mundo das coisas.
Resta responder à pergunta quanto ao que está em jogo na ideia de uma conquista do habitar: parece que temos de recuperar algo que de alguma forma já nos pertence. O modo como Heidegger supostamente descreve a condição universal da essência do humano ao fechar o conteúdo da definição de habitar às contingências do âmbito da cultura, da história e da vida cotidiana dos habitantes, primando assim por um nível de análise ontológica atrelada à ideia de uma essência originária, acaba retomando um velho procedimento da tradição de definir a essência das coisas segundo um gênero abstrato. O diagnóstico desse tipo de articulação conceitual altamente abstrata pode mesmo levar à acusação de uma atitude essencialista de Heidegger, quando o filósofo elenca princípios teóricos que pretendem recobrir o todo de nossas possibilidades enquanto seres humanos77 – um procedimento que
aparece do mesmo modo no diagnóstico da metafísica como história do esquecimento do Ser em que Heidegger adota um único princípio geral para explicar o todo da história da cultura ocidental, numa espécie de lei histórica totalizante. Aparentemente, o mesmo elemento essencialista reapareceria na obra de Heidegger junto à noção de habitar, mais exatamente na figura de uma essência originária do ser humano cujo conteúdo definiria abstratamente o todo do que somos e podemos vir a ser, como mais um de seus conceitos totalizantes. Nessa via, faz-se possível identificar mesmo um fundo mítico no modo com que Heidegger articula o habitar como uma essência originária em relação à qual o ser humano teria progressivamente se afastado e para a qual é necessário retornar no sentido de um “recordar-se” (segundo a ideia do Andenken como único modo genuíno de acesso ao Ser, enquanto retomada dos resquícios impensados na história do Ser e seu caráter retrátil). Realizar o habitar, nestes termos, passaria pela exigência de se exercer uma espécie de “recuperação” dessa essência perdida, promovendo a ideia de algum tipo de retorno a uma condição anterior mais autêntica e originária de nosso ser, da qual a história metafísica do Ocidente teria progressivamente nos afastado.
Se se prefere evitar esse tipo de conotação mítica ao tratar da questão da essência humana em Heidegger, um bom caminho a ser travado é o de recusar qualquer ideia de retorno, preferindo antes jogar todo o conteúdo da noção de habitar em direção ao futuro, numa projeção da vida que queremos viver, enquanto o horizonte pelo qual nos guiaremos nessa procura. Por isso a nossa proposta é a de que, para além de uma definição abstrata que não se coaduna com a realidade de nosso cotidiano, o habitar possa ser encarado como um exercício de crítica e autorreflexão. Nessa via, o habitar é para ser assumido como tarefa, é algo tão somente a ser buscado, é um movimento à frente (e não um retorno perigoso a uma origem pretensamente pura e esquecida), é o horizonte que desejamos perseguir a partir da constatação de um cotidiano banalizado e objetificador – a sua conquista deve se dar, portanto, a partir das condições deste cotidiano único, e não alhures. A essa conquista, portanto, corresponde uma transformação histórica de nosso ser, construída a partir das condições atuais e num processo pleno de possibilidades. O mais importante aqui é evitar o impulso mítico de retomada de uma condição originária em algum lugar perdido do passado, para construir algo assim como um “futuro histórico”, a partir de uma luta presente dotada de caráter material e, portanto, num tempo e espaço determinados, exercida por pessoas de carne e osso no interior de tradições herdadas. O habitar poético como tarefa, portanto, dá-se como a reflexão crítica quanto ao modo como queremos viver neste planeta.
A tarefa seguinte de nossa investigação deve tratar da articulação da pergunta pelo modo com que se faz possível a apropriação de nossa essência como um habitar, um modo de alcançar essa condição que se faça possível a partir de nosso próprio cotidiano: nossa aposta é a de que essa via pode ser encontrada no âmbito da arte. A partir daqui, portanto, acompanharemos o pensamento heideggeriano naquilo que ele possui de mais contundente acerca do acontecimento da verdade em curso na obra de arte, bem como da relação estabelecida entre espectador e obra a partir do ensaio A origem da obra de arte. A hipótese com que trabalhamos é a de que através da arte a existência humana pode experimentar a autorrevelação do Ser no acontecimento da verdade e, ao mesmo tempo, aproximar-se do desvelamento de seu próprio ser – possivelmente um passo para aquela apropriação de si que assumimos como tarefa junto ao diagnóstico de Carta sobre o humanismo (uma apropriação no nível do si-mesmo, como uma nova forma de autocompreensão humana, que engendra um relacionamento do mesmo modo apropriado com a coisa). O intuito central de nossa passagem pelo tema da arte reside na tese de que a vivência estética pode ser lida como uma via que nos conduz para um estado existencial transformado, em que o desvelamento de nosso
próprio ser junto à substancialidade da obra de arte nos põe em contato com espaços ainda não desbravados da essência humana.