2.1.2. Tarihî Türk lehçelerinde Korunan Uzun Ünlülü Kelimeler
2.1.3.1. Tarihî Türk Lehçelerinde Uzun Ünlülere Bağlı Olarak Oluşmuş Ses
2.1.3.1.3. Ünlü ikizleşmesi (diftong)
Primeiramente, em “...poeticamente o homem habita...”69, Heidegger reflete em torno à possibilidade de se tomar a noção de habitar como uma condição universal da existência humana, isto é, de assumir o habitar como uma descrição referente a todo homem em qualquer tempo ou lugar: “‘...poeticamente o homem habita...’. A rigor, podemos assumir que poetas habitem poeticamente. Mas como entender que ‘o homem’, ou seja, que cada homem habite sempre poeticamente?”70. Nesse sentido, a tese de Heidegger buscaria pelas condições mais gerais da existência humana, na mesma medida em que procuraria por algum conteúdo originário do qual não se exige uma realização na esfera do cotidiano (Heidegger, portanto, poderia ser acusado aqui de não empreender uma análise suficientemente historicista – ainda que se possa pensar numa investigação das condições mais gerais da vida humana e, portanto, sem aquele peso da ideia de uma “condição universal”, permanece como matéria de
68 HEIDEGGER, Sobre o humanismo, p. 161, grifo nosso.
69 HEIDEGGER, M. “...poeticamente o homem habita...”. In: HEIDEGGER, M. Ensaios e conferências. Trad.
Emmanuel Carneiro Leão, Gilvan Fogel, Márcia Sá Cavalcante Schuback. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 2010, p. 165- 181.
interpretação o modo com que Heidegger classificaria o caráter geral da quaternidade71). Ainda assim, afirmar que todo homem habita, é afirmar que toda vida humana possível, no interior de toda possível cultura e em qualquer tempo vigente, só pode vir a ser enquanto condicionada pelas quatro faces da quaternidade. Isto quereria dizer que só podemos viver como humanos se estivermos sobre a terra, sob o céu, entre os mortais e diante dos deuses (talvez o problema mais flagrante de uma universalização das condições da existência humana esteja no lado das divindades: será que toda cultura se comporta deste modo em relação ao futuro e ao sagrado? Em que medida a ideia de um ethos compartilhado por uma mesma comunidade pode ser assumido como uma condição universal da existência humana?). Em outras palavras, o habitar assumido como descrição das condições universais da vida do ser humano faz parte de uma concepção da essência humana, que ao menos neste aspecto, parece recair no procedimento tradicional de afastar a “essência” da “existência”: habitamos essencialmente, mas vivemos neste planeta sem que se dê propriamente um habitar.
Talvez possamos procurar por outras possibilidades de interpretação quanto à questão do estatuto de universalidade da noção de habitar se recorrermos à própria concepção de Ser que emerge junto da noção de verdade como um acontecimento no período dos anos 30 (problema que surge particularmente em A origem da obra de arte, tema de nosso próximo capítulo). Aí, no contexto da experiência da obra de arte e sua verdade que por si mesma acontece, o Ser não se manifesta ao homem sempre do mesmo modo como se se tratasse de uma espécie de forma única e imutável que se substancializa na Terra (como se os homens de todos os tempos experimentassem o “mesmo” Ser), antes a sua incarnação neste mundo enquanto acontecimento é sempre um mostrar-se particular, como um evento único que tem o seu próprio tempo e lugar e também a sua própria fisionomia (o velho eidos platônico tornado substância72). Do mesmo modo, pensar o habitar como uma tarefa de caráter prático é já sempre pensar nas condições históricas da sua emergência (afinal a própria noção prática de tarefa já prevê que esta seja assumida por um indivíduo particular, pertencente a uma cultura específica, imerso na atmosfera de uma dada época...), e assim também na realização efetiva deste modo de vida humano – pensar o habitar como uma resposta que construímos com nossas próprias vidas à manifestação sempre substancial e particular do Ser, e isto quer dizer, livre de abstrações inócuas. O que queremos dizer simplesmente é que o próprio conceito de
71 EDWARDS, “Poetic dwelling on the earth as a mortal”, p. 141.
72 Esta interpretação quanto ao caráter substancial do Ser que se manifesta na verdade da obra de arte deve nos
ocupar em nosso próximo capítulo, quando travaremos um diálogo com a obra de Hans Ulrich Gumbrecht em busca de uma concepção de vivência estética que satisfaça o critério de uma transformação a nível existencial daquele que experimenta o desvelamento do Ser no encontro com a verdade da obra de arte.
Ser em Heidegger não recebe qualquer caráter universal, ele não é um conceito completo e fechado sobre si, e de que pensá-lo enquanto pertencendo ao estatuto ontológico de um acontecimento é já sempre deixá-lo entregue ao regime do devir. Do mesmo modo, também o habitar pode ser pensado por esta via, como uma realização que acontece na vida daquele que assume esta tarefa para si, deixando-se simplesmente aberto o espaço de todas as particularidades e contingências ligadas a qualquer vida humana73.
Por outro lado, o tema da interpretação da universalidade da noção de habitar como essência do humano traz ainda a possibilidade de se tomar a quaternidade como um conceito propriamente transcendental do Heidegger tardio: ela seria o resultado do pensar crítico- reflexivo que enuncia as condições de possibilidade de nossa vida. Assim como o elemento transcendental se refere sempre ao que não pode ser designado, o não objetual (como as categorias a priori do entendimento que garantem toda experiência do ente na filosofia kantiana), também a quaternidade não é ela mesma uma coisa, mas manifesta-se junto dela, enquanto a coisa persistir na vigência de um habitar onde já é sempre liberada para o seu ser, e a partir de onde pode manifestar as condições da vida que a produziu. A quaternidade nesse sentido pode até mesmo ser concebida como um dos variados modos de se pensar o Ser: ela mesma não pode ser identificada com um objeto, mas a sua estrutura é a possibilidade de emergência de tudo o que há (assim como o Ser pode ser tomado como a condição de possibilidade de todo o sentido). O caráter transcendental da quaternidade repousa, em última análise, em ela ser a condição de possibilidade do emergir do mundo.