As Cooperativas de Crédito Urbanas se guiam pelos princípios do cooperativismo, portanto, seus associados são os responsáveis pelas operações, visando o capital e os lucros como formas de auxílio ao desenvolvimento humano. Seu objetivo principal é proporcionar vantagens econômicas a seus membros com a racionalização de gastos comuns, com a força de
29 Valor Econômico. Disponível em:<http://www.valor.com.br/financas/988294/cmn-faz-ajuste-nas-regras-do-
microcredito-para-os-bancos>. Acesso em: 28 jan. 2016.
30 Relatório de Inclusão Financeira 2015 – Banco Central do Brasil. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br/Nor/relincfin/RIF2015.pdf>. Acesso em: 17 fev. 2016.
50 barganha com o mercado etc. O modelo teria chegado ao Brasil em 1902, no Rio Grande do Sul31.
As Cooperativas de Crédito possuem forma jurídica própria instituída pela Lei 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Em 1964, a partir da Lei 4.595, de 31 de dezembro do mesmo ano, elas estariam enquadradas como instituições financeiras, podendo atuar no mercado financeiro de forma autônoma aos bancos. Esta legislação específica, no entanto, não conseguiu ser suficiente às mudanças ocorridas no país e a evolução normativa das Cooperativas foi fundamentada por via de regulamentos emitidos pelo BCB (FRANZ, 2011).
A partir da década de 1990, houve um movimento de expansão no setor, impulsionado pela flexibilização normativa do CMN e BACEN, que passaram a se preocupar com o desenvolvimento das Cooperativas de Crédito. Essa evolução normativa teria criado meios para dar crescimento sustentável ao setor, por meio do fortalecimento da estrutura patrimonial das instituições e fomento de melhores condições à expansão do cooperativismo de crédito.
Das Resoluções que auxiliaram o processo de fortalecimento das Cooperativas podem- se citar: a Resolução 1.914, de onze de março de 1992, com a revogação de normas arcaicas, tida como o maior avanço institucional do cooperativismo de crédito brasileiro pós-ditadura; a Resolução 2099, de 26 de agosto de 1994, com permissão de funcionamento de Postos de Atendimento Cooperativo (PAC); a Resolução 2.193, de 31 de agosto de 1995, com instruções sobre a criação e funcionamento dos bancos privados controlados pelo setor, rompendo a ligação necessária apenas com o Banco do Brasil; a Resolução 2.771, de 30 de agosto de 2000, com definição de valores mínimos a constituição de cooperativas singulares não filiadas à centrais de representação (R$ 4,3 mil) e filiadas (R$ 3 mil), além de definir limites de diversificação de risco para operações no mercado financeiro e operações de crédito, permitir contratação de serviços técnicos de mercado e prestação de serviços a outras cooperativas (como auditoria e treinamento)32.
Na década de 2000, a ideia de fortalecimento da agenda relativa às cooperativas ainda estava em pauta e o movimento de fortalecimento do setor continuou. Foi aprovada a Resolução
31 O padre Theodor Amstad desenvolvia trabalhos sociais na Alemanha e veio como missionário ao Brasil. Ele se instalou em Linha Imperial, município de Nova Petrópolis, no Rio Grande do Sul e fundou a primeira cooperativa de crédito do Brasil, denominada Caixa de Economia e Empréstimos Amstad, posteriormente batizada de Caixa Rural de Nova Petrópolis. Essa cooperativa continua em atividade até hoje, sob a denominação de Cooperativa de Crédito Rural de Nova Petrópolis. Entre 1902 e 1964, surgiram 66 cooperativas de crédito no Rio Grande do Sul, baseadas pelo modelo Raiffeisen (FRANZ, 2011).
32 Sistema OCB/PA. Disponível em:
51 3.058, de 20 de dezembro de 2002, que autorizava a constituição de cooperativas de crédito mútuo formadas por pequenos empresários, microempresários e microempreendedores, aumentando a participação das cooperativas no setor urbano. Em 2003, buscando melhorar a oferta de serviços, reduzir custos e democratizar o acesso às cooperativas, entrou em vigor a Resolução 3.156, de 17 de dezembro do mesmo ano, que autorizava a contratação de correspondentes bancários. Em 2005, através da Resolução 3.321, de 30 de setembro do mesmo ano, fortalecem-se as cooperativas de grande porte e admite-se a fusão de cooperativas de crédito. Em 2007, com a Resolução 3.442, de 28 de fevereiro do mesmo ano, houve o aumento da capacidade operacional das cooperativas e possibilidade de prestação de serviços de auditoria. Em 2009, através da Lei Complementar nº 13033, de 17 de abril e a Resolução 3.859, de 27 de maio de 2010, a segurança jurídica das cooperativas foi ampliada, reconhecendo-se a possibilidade de cogestão temporária, possibilidade de convocação de assembleia extraordinária e abertura de sigilo bancário para entidades externas de auditoria. Houve também a permissão de criação de diretoria executiva profissional subordinada ao Conselho de Administração da instituição e a possibilidade de transformação das cooperativas em cooperativas de livre admissão de associados, cumprido o tempo mínimo de funcionamento de três anos34.
Além das alterações normativas, o BACEN realizou diversas ações com o objetivo de desenvolver o cooperativismo de crédito, formando Grupos de Trabalho para discutir desenvolvimento, estabeleceu convênios visando produzir projetos e capacitar dirigentes, discutiu técnicas de análises e promoveu encontros internacionais sobre formas de regular e supervisionar a concessão de empréstimos (CHAVES, 2011).
A tabela abaixo traz o número de cooperativas de crédito e demais instituições habilitadas a operar pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), segundo relatório de 2015 do PNMPO.
33 Presidência da República – Casa Civil. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/leis/LCP/Lcp130.htm>. Acesso em: 29 jan. 2016.
34 Portal do Cooperativismo Brasileiro. Disponível em: <http://cooperativismodecredito.coop.br/legislacao- cooperativa/>. Acesso em: 29 janeiro 2016.
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Tabela 1: Tabela do quantitativo de instituições habilitadas pelo mte a operar no âmbito do PNMPO
Constituição Jurídica Instituições Habilitadas junto ao MTE
Agência de Fomento 10
Banco Cooperativo 1
Banco de Desenvolvimento 4
Cooperativa Central de Crédito 6
Cooperativa de Crédito 296
IFO - Instituição Financeira Operadora 12
OSCIP 164
SCM 28
Sociedades Operadoras de MPO 2
TOTAL 523
Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego (2015)