2. KAVRAMSAL ÇERÇEVE
2.6. İlgili Araştırmalar
2.6.2. Çoklu Zekâ Kuramı İle İlgili Yapılmış Araştırmalar
Manifestando-se a respeito da ação humana, Toledo afirma que “o fato crime
consiste sempre e necessariamente em uma atividade humana, positiva ou negativa”. O autor
justifica tal afirmativa ao fundamento de que “a contrariedade ao comando da norma, que concretiza a realização de um tipo delitivo, só se estabelece diante da existência de uma ação ou omissão, que seja fruto de uma vontade, capaz de orientar-se pelo dever-ser da norma”.268
Dentro do contexto do estado de necessidade, impõe-se, para sua caracterização, o aperfeiçoamento do binômio situação de necessidade e fato necessitado, sendo o primeiro o pressuposto para que o segundo não constitua infração penal.
Desta forma, torna-se importante verificar, do ponto de vista do fato necessitado, que é o fato previsto em lei como infração penal e que o agente pratica de maneira forçada, em virtude da situação de necessidade, para salvar a si ou a outrem do perigo característico desta situação, qual a situação dos sujeitos nele envolvidos.
A respeito do conceito de sujeito ativo em direito penal, cumpre nos esclarecer, com fundamento em Sheila Jorge Selim de Sales, que a doutrina tem se utilizado da expressão sujeito ativo e do vocábulo autor, como sinônimos, o que na verdade não se mostra apropriado:269
Na doutrina tem-se utilizado como sinônimos a expressão “sujeito ativo” e o
vocábulo “autor”. A utilização da expressão e do vocábulo aludidos como
sinônimos, parece-nos, sem dúvida, temerária, uma vez que , do ponto de vista estritamente técnico, não se correspondem. Evidentemente não pretendemos afirmar que as duas noções aludidas sejam antagônicas ou substancialmente diversas. Todavia é necessário reconhecer que a noção de
“sujeito ativo”, do ponto de vista estritamente jurídico, precede à noção de “autor”.
266
CONTIERI. O estado de necessidade. p.128. 267
CONTIERI. O estado de necessidade. p.128. 268
TOLEDO. Princípios Básicos de Direito Penal. p. 91. 269
Sobre o conceito de sujeito ativo, pode-se afirmar, ainda com esteio em Sales,270
que este é “o sujeito que pratica o fato descrito na norma penal incriminadora” e como
componente técnico do tipo penal de parte especial “trata-se de elemento que se insere no desvalor de ação do fato tipificado, integrando, ao mesmo tempo, a estrutura objetiva do tipo
penal”.
Quanto ao autor, pode se afirmar que este271 “age ou omite no fato histórico, tratando-se de conceito a ser aferido e aplicado apenas com referência a um determinado fato concreto e não a um fato descrito de forma geral e abstrata como, na realidade, o é aquele
previsto no modelo legal”.
No que diz respeito ao sujeito passivo, Frederico Marques272 nos informa que “A expressão „sujeito passivo do crime‟ foi a princípio, usada pela doutrina, para indicar as coisas sobre as quais recaíam os atos constitutivos do crime, estabelecendo-se, assim, deplorável
confusão com o objeto material da ação delituosa”.
Segundo o referido autor, o que ocorre é que, tendo em vista que na aplicação da lei penal fica excluído o indivíduo, porque o Estado é quem detém a titularidade das funções punitivas, não sendo facultado aos particulares o exercício deste monopólio, tem-se que o
“sujeito passivo constante de todo crime é o Estado-Administração, por ser ele o titular do
interesse jurídico que se consubstancia no jus puniendi nascido com a prática de infração penal.
Marques273 assevera, no entanto, que na doutrina não se fala do sujeito passivo do crime para referir-se ao Estado e sim para designar a pessoa que é efetivamente titular do interesse jurídico atingido pelo crime:
Em todo crime, portanto, há dois sujeitos passivos: um constante, que é o Estado, visto que o crime é violação de um interesse público e estatal; e um sujeito eventual, que é o titular do interesse concreto atingido pelo crime. Ainda, com fundamento no citado autor, há três importantes assertivas a serem acrescidas.
A primeira, no sentido de que “Aquele que é sujeito ativo do crime não pode ser, ao mesmo tempo, seu sujeito passivo”.274
270
SALES. Do sujeito ativo na parte especial do código penal. p.21-23. 271
SALES. Do sujeito ativo na parte especial do código penal. p.21-23. 272
MARQUES. Tratado de Direito Penal. p.42. v. 2. 273
MARQUES. Tratado de Direito Penal. p.42-43. v. 2. 274
A segunda, asseverando a qualidade do Estado de ser o sujeito passivo formal de toda conduta criminosa e de eventualmente também ser o seu sujeito passivo material,
consubstanciada na assertiva de que “o Estado, além de ser sujeito passivo formal, surge em certos crimes como sujeito passivo material da infração delituosa”.275
E, por fim, a terceira assertiva, em relação à pessoa prejudicada pelo crime, no sentido de que “do sujeito passivo do crime deve distinguir-se a pessoa do prejudicado pelo
delito”.276
Cita-se, como exemplo, o caso da falsificação de moedas em que há uma lesão ao direito da coletividade, mas o prejudicado pode ser o indivíduo a quem se deu a moeda falsa.
Sobre este tema, Contieri, afirma que, se o fato necessitado, seja ele defensivo ou agressivo, ofende diretamente a um bem ou interesse que diz respeito à pessoa de que seja
titular um “Rei ou o Pontífice”, alguns autores negam a licitude do fato necessitado “porque
certas normas jurídicas de direito público interno proclamam aquelas pessoas sagradas e
invioláveis”. No entanto, para o citado autor, a questão apresenta outros contornos:277
No campo do direito penal, o caráter sagrado e inviolável da pessoa do Rei e do Pontífice importa que estes não possuem a capacidade de direito penal, isto é, não podem ser sujeitos activos de direito penal (ver o art.3º do Cód. Penal). Mas não podemos concluir que o rei e o Pontífice não possam ser sujeitos passivos do factonecessitado: na verdade, sujeito passivo do facto necessitado podem ser mesmo aqueles que não têm capacidade penal. Assentemos, por conseguinte, que o facto necessitado pode também ofender directamente bens ou interesses, respeitantes á pessoa, dos quais sejam titulares o Rei ou o Pontífice.
Assim, conforme conclusões do citado autor, “a qualidade do sujeito passivo do facto necessitado nem sempre é indiferente para a licitude deste” e, assim sendo, tem-se
quanto à qualidade especial do sujeito passivo que:278
Quando uma qualidade especial do sujeito passivo do facto necessitado faz corresponder êste a um tipo legal de infracção mais grave, pela mudança do seu título ou por uma circunstância agravante, do que aquele a que corresponderia o facto cometido contra uma pessoa desprovida dessa qualidade, à maior gravidade do facto necessitado deve corresponder uma maior gravidade do perigo, quer no sentido de um maior grau de possibilidade.
275
MARQUES. Tratado de Direito Penal. p.45. v. 2. 276
MARQUES. Tratado de Direito Penal. p.46. v. 2. 277
CONTIERI. O estado de necessidade. p.109-110. 278