I. BÖLÜM
2.2. Çocuk Haklarının Tarihsel Gelişimi
2.2.2.6. Çocuk Haklarına Dair Sözleşmesi’nin Önemi
Partindo da afirmação de que “o propósito de um estudo de caso é descrever o caso em seu contexto”30 (Johnson, 1992, p. 76), fornecemos, nesta seção, informações a respeito do contexto em
que esta pesquisa foi realizada e do perfil das participantes envolvidas. Lembramos que nessa investigação não utilizamos os nomes verdadeiros das professoras com o intuito de resguardar suas identidades. Destacamos também que os nomes das participantes neste estudo foram escolhidos por elas mesmas.
3.2.1. Contexto
Esta pesquisa foi realizada junto a um Centro de Extensão de uma universidade pública da região sudeste do Brasil.
30
A escolha por esse contexto deve-se, primeiramente, por ser um contexto no qual a pesquisadora já atuou como professora de inglês31 e, em segundo lugar, por ser um espaço de
formação de professores, já que os alunos de Letras têm, a nosso ver, a preciosa oportunidade de experienciar o ofício de docência ainda no decorrer do curso de graduação.
Com 30 anos de existência, esse Centro oferece cursos de línguas estrangeiras (inglês, espanhol, italiano, alemão, francês, português como língua estrangeira) para professores, funcionários e alunos da universidade e também para a comunidade em geral32. O Centro de
Extensão conta com um acervo de materiais didáticos e uma videoteca, que são utilizados tanto por alunos quanto professores.
As aulas são ministradas quase que exclusivamente por estudantes que possuem vínculo com a universidade em questão. Assim, o corpo docente é composto por alunos que cursam Letras, denominados estagiários33, ou que fazem parte da especialização, no caso do inglês, ou do programa
de pós-graduação em Estudos Lingüísticos oferecidos pela Faculdade de Letras da instituição. Os professores-estagiários são acompanhados durante o semestre, o qual geralmente tem a duração de quatro meses, por coordenadores, docentes da universidade. Esse acompanhamento envolve, conforme informações disponíveis na página on-line do Centro de Extensão, observações de aulas, discussões e reflexões relacionadas à prática dos professores e workshops. Há ainda na última sexta-feira de cada mês uma reunião com todos os professores de inglês e coordenadores. Os estagiários, além de ministrarem as aulas, também oferecem plantões para os alunos uma vez por semana com duração de uma hora.
As aulas ocorrem nas próprias salas de aulas da Faculdade de Letras. Nas salas em que a pesquisadora esteve presente para observar as aulas das participantes deste estudo havia um quadro negro, uma televisão, um vídeo, um aparelho de som (CD e fita cassete), duas caixas de som e uma mesa para o professor. Eram salas amplas e bem iluminadas.
As aulas, de 1 hora e quarenta minutos de duração, são ministradas duas vezes por semana. Também são oferecidos cursos aos sábados de manhã, sendo que as aulas são geminadas, das oito e meia ao meio-dia. O livro adotado pela área do inglês no semestre da coleta de dados para as turmas de nível básico foi o English Know-How.
3.2.2. Participantes
Esta pesquisa contou com a participação de duas professoras em pré-serviço, de 21 e 24 anos, que ministram aulas de inglês no Centro de Extensão citado anteriormente. Essas professoras, após um primeiro contato via e-mail, se prontificaram a participar deste projeto e cada uma delas
31
Vale destacar que o Centro de Extensão em que a pesquisadora ministrou aulas de língua inglesa de junho de 2002 a dezembro de 2004 não é o mesmo em que esta pesquisa foi realizada.
32 No semestre de coleta de dados da pesquisa havia setenta e oito turmas de língua inglesa. 33
Ainda sobre o período de coleta, havia quarenta e sete professores dos cursos de inglês. Desses, dezessete eram alunos da graduação.
escolheu uma de suas turmas para a observação de aulas. As duas docentes em pré-serviço cursam Letras (Inglês) na instituição já mencionada.
Vale mencionar que, conforme convém a uma pesquisa de cunho qualitativo assegurar a ética e o respeito a seus participantes (Patton, 1990; Davis, 1995; Telles, 2002), as professoras em pré-serviço, assim que concordaram em fazer parte desta investigação, foram informadas através de uma carta a respeito dos objetivos da pesquisa e de seu papel enquanto participantes (Anexo 1). Lembramos ainda que um termo de consentimento também foi assinado por elas (Anexo 2).
A seguir, relatamos o perfil de cada participante, tendo como base as respostas obtidas nos questionários, nas entrevistas e no grupo de discussão.
3.2.2.1. Júlia
De acordo com a participante, sua aprendizagem de língua inglesa não ocorreu por meio de uma instrução formal, freqüentando cursos de idiomas ou estudando no exterior, por exemplo. Como faz questão de enfatizar no questionário e na entrevista, sempre aprendeu essa língua “autonomamente” (Q34, 16/05/06), há mais ou menos doze anos35. A sonoridade do idioma, o
cinema e a música sempre a fascinaram, fazendo-a interessar-se pelo conhecimento do inglês. Por amar a língua inglesa, querer “muito aprender sua literatura” (Q, 16/05/06) e “saber mais sobre outras culturas” (Q, 16/05/06), Júlia decidiu cursar Letras, habilitação Língua Inglesa. A conclusão do curso se deu no final do primeiro semestre de 2006.
No semestre da coleta de dados lecionava inglês no Centro de Extensão há um ano e meio e trabalhava com duas turmas, sendo uma durante a semana e a outra aos sábados36. Ambas de nível
básico.
O comportamento entusiasmado de Júlia sugere que é uma professora sempre almejando aprender mais sobre a língua inglesa e também aprimorando diariamente sua prática em sala de aula. É uma pessoa que por meio do cinema, da música, da literatura e de trocas de experiências profissionais com outros colegas está constantemente aberta ao aprendizado, seja da língua em si quanto da profissão escolhida.
3.2.2.2. Bete
Bete também declara que sempre aprendeu inglês de maneira autônoma37, há mais ou menos
dez anos, não tendo estudado nem residido em país de língua inglesa. A identificação e o interesse pelo idioma foram os fatores principais que a motivaram a aprendê-lo.
34
Essa letra refere-se à abreviação da palavra questionário, um dos instrumentos utilizados na coleta de dados. As demais abreviações referentes aos outros instrumentos de coleta são: E: entrevista; NC: nota de campo; AO: observações de aulas e GD: grupo de discussão. Essas abreviações encontram-se no próximo capítulo, o de Análise dos Dados.
35
Percebemos também que a participante, além de salientar que sua aprendizagem de língua inglesa ocorreu de modo autônomo, parece sentir muito orgulho dessa autonomia.
36 A turma observada dessa participante funcionava às 3as e 5as, das 11:30 hs às 13:10 hs, e era formada por 16 alunos. 37
Gostaríamos de registrar que a ênfase e o orgulho, mencionados por Júlia, quanto à questão da autonomia em sua aprendizagem de inglês também puderam ser observados nas afirmações de Bete.
Em função do fato de que “já estudava inglês há algum tempo” (Q, 29/05/06) e se “interessava muito em ter formação para poder dar aulas de inglês” (Q, 29/05/06), Bete optou por estudar Letras. Até o momento da redação final deste capítulo, a data provável para o término da graduação era no segundo semestre de 2006.
Ensina esse idioma há dois anos no Centro de Extensão. Também ministra aulas particulares, “normalmente inglês instrumental”, (Q, 29/05/06) e já trabalhou em outra escola de inglês. No semestre da coleta de dados Bete ministrava aulas no Centro de Extensão para duas turmas, ambas durante a semana e de nível básico38.
Bete se considera uma aluna muito envolvida nas atividades acadêmicas e fez questão de afirmar que sempre que surge uma oportunidade para participar de congressos na área de Letras ela a aproveita. Enquanto professora está sempre procurando se aperfeiçoar, seja por conta própria ou trocando idéias com outros colegas que também trabalham no Centro de Extensão.