2. KURAMSAL ÇERÇEVE
2.2. Sürdürülebilir Ulaşım Bileşenleri
2.2.2. Çevresel sürdürülebilirlik
Essa operação, emprestada de Grize (1990 apud PASSEGGI, 2001), localiza os objetos de discurso no espaço e no tempo, indicando as circunstâncias nas quais se desenvolvem os processos e os participantes. A localização corresponde à relação de contiguidade de Adam (Cf. 2.6.2.7), a qual permite colocar o objeto de discurso em relação a determinado tempo (histórico ou individual) ou em relação com outros objetos. O texto abaixo ilustra bem essa operação (os grifos são nossos):
“Quanto ao Ascenso esteve aqui, matamos saudades bem. Agora falta você me visitar no meu rincão. Infelizmente não tenho prefeito pra mostrar as coisas da terra pra você porém tenho eu na minha prefeitura de amizade com gordura e que a gente diverte isso garanto que divertirá. Não há esperança pra breve duma chegadinha aqui? Eu estou forçando pra no fim deste ano lá por dezembro aparecer aí e creio que apareço mesmo. Faço assim: vou primeiro pra aí pegar reisados e bois e depois não tenho programa direito, irei protelando a vida pra pegar o carnaval do Recife, que acha?” (MA).
Os termos destacados situam os objetos de discurso no tempo e no espaço. A relação espacial centra-se em estados e cidades do Nordeste. Os elementos temporais situam o enunciador no ano de 1928 e o objeto de discurso
viagem no mês de dezembro deste mesmo ano, estendendo-se até 1929.
2.6.2.6 Conexão
A conexão é uma operação que assegura o agrupamento das proposições-enunciado. Como vimos, essas proposições se organizam em períodos, que compõem as sequências. O período é, conforme Adam (2008a), uma unidade textual que articula proposições e sequências e resulta das mais variadas formas de ligações, incluindo as ligações por conexão, que são asseguradas por conectores. Assim, um período pode corresponder a várias proposições, ligadas pelo critério de conexão.
Adam (2008a, [2011] cap. 3) aborda como fatores de textualidade cinco tipos de ligação das unidades textuais de base: ligações do significado, ligações do significante, implicitações, conexões e sequências de atos de discurso. Aqui vamos
reter a conexão; nessa operação, estão os conectores, os organizadores e os marcadores (cf. esquema 13, p. 131). Na classe dos conectores, ele distingue três tipos de marcadores de conexão: os conectores argumentativos, os organizadores e marcadores textuais e os marcadores de responsabilidade enunciativa. Esses conectores têm a função de ligação semântica entre palavras, proposições, conjuntos de proposições e porções de texto; marcando, assim, uma conexão entre duas unidades semânticas. Seu emprego e função variam de acordo com o gênero de discurso. Seu funcionamento varia conforme os tipos de textualização, ocorrendo, normalmente com mais frequência, em textos descritivos e argumentativos do que em textos narrativos.
Para Adam (op. cit.), os organizadores textuais exercem papel decisivo no balizamento dos planos de texto. Dentre esses conectores, ele distingue os que ordenam as partes da representação discursiva nos eixos do tempo e do espaço e os que estruturam a progressão do texto e a indicação de suas diferentes partes. A combinação dos organizadores textuais e temporais tem o condão de ajudar o leitor a construir um todo coerente. Dentre os marcadores de escopo de uma responsabilidade enunciativa, situam-se os marcadores de quadros mediadores (indicando que uma porção do texto não é assumida por aquele que fala, mas mediada por uma voz ou PdV oposto). Recorrência a tempos verbais e a conectores concessivos são algumas das formas de indicar um quadro mediativo.
Os conectores argumentativos dependem da estrutura textual (N4 da figura 1 – níveis da análise textual dos discursos), da responsabilidade enunciativa (N7) e da orientação argumentativa (N8). Eles associam as funções de segmentação, de responsabilidade enunciativa e de orientação argumentativa dos enunciados. Esses conectores também
[...] permitem uma reutilização de um conteúdo proposicional seja como um argumento, seja como uma conclusão, seja, ainda, como um argumento encarregado de sustentar ou de reforçar uma inferência, ou como um contra-argumento. São postos, nessa categoria, tanto os argumentativos e concessivos (mas, no entanto, entretanto, porém, embora, mesmo que...) quanto os explicativos e os justificativos (pois, porque, já que, se – é que...), o se dos hipotéticos reais e ficcionais, o quando dos hipotéticos reais e os simples marcadores de um argumento (até [até] mesmo, aliás, por sinal, além do mais, não apenas...). (ADAM, 2008a, p.189).
Adam (2008a) retém quatro categorias de conectores argumentativos: conectores argumentativos marcadores do argumento, conectores argumentativos marcadores da conclusão, conectores contra-argumentativos marcadores de um argumento forte e conectores contra-argumentativos marcadores de argumentos fracos.
Para ilustrar essa classificação, nos textos abaixo (trechos de cartas de Mário de Andrade e de Câmara Cascudo, respectivamente), destacamos e numeramos alguns conectores:
“Não respondi antes (1), questão de doença que não mata mas (2) maltrata. Me obrigaram a ficar imóvel e deitado o mais que posso, imagine! Agora mesmo estou estendido e por isso (3) mesmo que escrevendo a lápis. Só me levanto mesmo por causa de alguma lição mais bem remunerada. Estou carecendo de arames pra pagar o médico... Então (4) me levanto ganho um pouco e zaz! cama outra vez. Que merda de vida levei este ano, é incrível. De primeiro(5) foi um esgotamento físico e uma fadiga intelectual horrorosos que fui arranjando, disfarçando até as férias de junho. Então (6) descansei bem de seis meses de esforços martirizantes, e sarei. Agora (7) bateu mais essa rebordosa! Fiquei abatido, palavra. [...] Se (8) por acaso você tiver um encontro pessoal ou por carta com o homem das fotografias, fale pra ele que ainda não respondi por causa de doença. [...] Aliás (9) o álbum tem muita coisa interessante. É verdade que ainda não li nada por causa do tamanhão do álbum que não se ajeita com o meu corpo horizontal, porém (10) os desenhos e a coleção dos assuntos me interessou vivamente. Inda hei de dar pra você uma opinião mais exata quando ler o tal. [...]. Se (11) fizer alguma modificação neles me mande que quero tê-los comigo e talvez aproveitar um dia, se (12) por aqui sair alguma revista interessante. [...] Mande coisas e cartas. A fala serelepe de você [...] Me diverte e é verdadeira, por isso (13) além de divertir comove [...]. Agora ando inventando um livro novo, de que não escrevi nenhuma linha ainda porém que me parece meu estado atual de sensibilidade e ideia. Veremos. Talvez se chame Livro de Amor, não sei... [...] Às vezes me ponho matutando no que você estará fazendo, de certo acendeu o cigarro, não, está bebendo refresco de abacaxi, debaixo (14) das arvores. [...]. Olhe você arranje pra estar em S. Paulo depois (15) do 15 de julho próximo ouviu?” (MA).
“Não pense em mim nas dedicatórias. Distribuas em troco miúdo de estima impressa entre os mais apressados. Eu tomo o que é meu em V. — uma falta grande de espírito e de pensamento. Nós, de bem e de mal,
estamos independentes de provas tipográficas para endosso à aliança. V. entendeu? Pertenço aos de casa. Primeiros (16) no coração e últimos (17) na mesa.” (LCC)
Seguindo classificação de Adam ([2008a] 2001a, p. 179-196) os conectores destacados acima podem ser distribuídos nas seguintes categorias:
Organizadores textuais Conectores argumentativos
organizadores espaciais 14 marcadores do argumento 3, 8, 9,
11, 12