BÖLÜM 1: EDEBİYAT, KÜLTÜR VE ÇEVİRİ KAVRAMLARININ TANIMI
1.3. Çeviri Kavramı
1.3.1. Çeviri Türleri
Roteiro para caracterização dos casos denunciados de abuso sexual infantil, com
as seguintes categorias: 1) idade da vítima; 2) grau de parentesco vítima-agressor; 3) relação da vítima com o denunciante; 4) relação do agressor com o denunciante; 5) condenação do agressor. As categorias selecionadas permitem estabelecer possíveis relações com o programa. A partir da idade da vítima é possível identificar em que faixa etária a notificação mais ocorre e se a população alvo atingida pelo programa encontra- se nesta faixa mais atingida. A relação entre quem denunciou o abuso, a vítima e o agressor também permitem estabelecer relações com os participantes do programa que foram professores e familiares. A última categoria escolhida, condenação do agressor permite fazer uma análise do encaminhamento dado ao caso após a denúncia, não permitindo o estabelecimento de relações com o programa no sentido de apontá-lo como responsável por mudanças nas notificações, mas propiciando avaliações acerca da rede de suporte social existente para o denunciante e a vítima e como atua o sistema judiciário no combate e prevenção ao abuso sexual. Tal análise é fundamental na medida em que o problema do abuso sexual envolve não somente profissionais de saúde e educação que trabalham com crianças, mas também outros setores da sociedade como o sistema judiciário.
6.5. Procedimento
É importante ressaltar que não havia até então um levantamento de casos denunciados de abuso sexual no município. Para a realização deste, foram levantados junto aos órgãos competentes os registros de ocorrência de abuso sexual contra crianças e adolescentes até 18 anos. Foram verificados os casos em que ocorreu sobreposição, ou seja, se o mesmo caso de abuso sexual se encontrava notificado em dois lugares diferentes, por exemplo, tanto no Conselho Tutelar, quanto na Delegacia de Defesa da Mulher. Dentre as ocorrências totais notificadas na Delegacia de Defesa da Mulher e no Conselho Tutelar, foram selecionados os Boletins de Ocorrência referentes a casos de abuso sexual infantil nos anos de 2002, 2003, 2004 e 2005.
Para as categorias legais que envolvem casos de abuso sexual infantil, qualquer notificação ou denúncia implica em registro de Boletim de Ocorrência, sendo, portanto, descartados para consulta os Termos Circunstanciados. Em seguida, os Boletins foram examinados e selecionadas as informações correspondentes às categorias previamente estabelecidas, segundo o roteiro para caracterização dos casos denunciados. Tais informações foram registradas para cada caso de abuso sexual infantil encontrado. A identificação da vítima e do agressor foi feita inicialmente para que fosse possível a consulta aos processos, a fim de obter as informações que não estavam disponíveis no Boletim de Ocorrência. Entretanto, em momento algum essas informações sobre identificação foram ou serão divulgadas.
A consulta aos processos foi realizada no Fórum Criminal do município após autorização prévia dos Juízes responsáveis pelas três Varas Criminais. Por meio do exame dos processos foi possível coletar as informações que não puderam ser obtidas pelas consultas aos B.Os. As informações obtidas foram agrupadas e analisadas segundo
as categorias definidas e sua relação com o programa desenvolvido e descrito no capítulo 3 desse trabalho.
6.6. Resultados e Discussão
A partir dos dados coletados foi obtido o número total de casos notificados de abuso sexual aos órgãos de proteção à criança existentes no município de São Carlos correspondente a cada ano compreendido entre o período estabelecido pré e pós programa de intervenção (2002 a 2005). Os dados referentes ao número total de notificações de abuso sexual correspondente a cada ano do período escolhido estão apresentados na Figura 7. 0 10 20 30 40 50 60 70 2002 2003 2004 2005 Ano Tot a l de de n únc ia s
Figura 7. Número total de casos notificados de abuso sexual no município de São Carlos correspondente aos anos de 2002, 2003, 2004 e 2005.
O programa de intervenção com os professores teve início no segundo semestre de 2003 e término no fim do primeiro semestre de 2004, sendo que as oficinas com os familiares e com as crianças aconteceram no mesmo período. A Tabela 17 apresenta o momento de ocorrência do programa com os professores, familiares e crianças em relação ao período de coleta de dados e o número de notificações de abuso sexual recebido pelos órgãos de proteção a criança no município de São Carlos.
Tabela 17
Momento de ocorrência do programa em relação ao número de casos notificados de abuso sexual entre os anos de 2002 e 2005 no município de São Carlos.
Ano 2002 2003 2004 2005 Semestre 1º sem 2º sem 1º sem 2º sem 1º sem 2º sem 1º sem 2º sem Programa Programa Programa
Casos 30 37 50 58
Pode-se notar um aumento crescente no número total de denúncias entre os anos de 2002 e 2005. Entre os anos de 2002 e 2003, o aumento ficou um pouco abaixo de 30%, sendo que no ano seguinte, o de 2004, houve aumento semelhante, um pouco acima de 30%. Por fim no ano de 2005, o último ano coletado, houve um aumento menor do que 20%, sugerindo uma diminuição na aceleração da curva em relação ao aumento no percentual dos anos anteriores e não nos números totais que se mantiveram em ascensão. Se forem comparados os números totais entre o primeiro ano coletado e o último houve um aumento de quase 100% de casos notificados de abuso sexual no município no período de quatro anos. O programa foi realizado em um período
intermediário, ou seja, exatamente no meio do período de coleta dos dados (2002 a 2005).
Além do número total de casos notificados de abuso sexual, os dados acerca das categorias previamente definidas e já citadas no procedimento serão descritos a seguir segundo cada ano envolvido no período entre 2002 a 2005.
Para a categoria idade da vítima, a porcentagem de vítimas em cada faixa etária correspondente aos anos compreendidos entre 2002 e 2005 estão descritas na Tabela 18. No ano de 2002, verificou-se uma maior concentração na faixa etária entre 13 e 16 anos, sendo que não houve denúncias de vitimização em crianças com menos de cinco anos de idade. Mesmo agrupadas, as faixas etárias entre 5 e 8 e 9 e 12 anos concentram um menor número de vítimas de abuso sexual do que a faixa etária de adolescentes (13 a 16 anos), como ilustra a Tabela 18.
Tabela 18
Porcentagem do número de vítimas por faixa etária no momento de registro da denúncia correspondente ao período entre 2002 e 2005.
Faixa etária Ano
2-4 anos 5-8 anos 9-12 anos 13-16 anos 17-18 anos
2002 (n=30) - 23 23 54 -
2003 (n=37) - 28,9 28,9 31,5 10,5
2004 (n=50) 12 14 24 34 16
2005 (n=58) 10,34 27,5 27,5 27,5 6,8
No ano seguinte, 2003, na mesma categoria, a maior concentração permaneceu na faixa etária entre 13 e 16 anos, semelhante ao ano anterior (Tabela 18). Nesse ano,
também não foram registrados casos de abuso sexual de crianças menores de cinco anos. Diferentemente do ano anterior, houve registros de casos de abuso sexual contra adolescentes entre 17 e 18 anos (10,52%). Em 2003, se as faixas entre 5 e 8 anos e entre 9 e 12 anos forem agrupadas, a taxa de ocorrência de abuso fica em torno de 48% na faixa etária entre 5 e 12 anos, indicando uma queda na idade das vítimas do ano anterior para esse no momento da notificação. Essa queda sugere que as denúncias possam estar demorando menos a ocorrer uma vez iniciado o abuso e não, necessariamente, que crianças mais jovens passaram a ser mais abusadas do que as mais velhas.
É importante ressaltar a demora na revelação do abuso apontada por Cunningham e Sas (1995), o que pode indicar que, no momento da denúncia, a vítima encontrava-se em uma faixa etária mais alta, mas o abuso já podia estar acontecendo há bastante tempo. A forma de coleta a partir de BOs e processos judiciais dificulta a identificação do tempo entre o início do abuso e o momento da denúncia, não sendo possível indicar qual a faixa etária mais atingida no que se refere ao início do abuso. É possível apenas considerar que no momento da denúncia, em geral, as vítimas são mais velhas do que quando começaram a ser abusadas.
Os dados obtidos para o ano de 2004 no momento da notificação do abuso sexual indicam uma semelhança com os dados obtidos em 2003, exceto pela ocorrência de 12% dos casos na faixa entre 2 e 4 anos (Tabela 18). É o primeiro ano em que denúncias envolvendo crianças tão jovens aparecem. Cabe lembrar que o programa já estava em andamento nesse período (pelo menos um destes casos envolvendo crianças na faixa de 2 a 4 anos foi encaminhado para denúncia ao Conselho Tutelar por uma familiar da vítima após a professora participante do programa ter solicitado auxílio à pesquisadora para saber como proceder – ver Caso 3 descrito no Capítulo 5).
A faixa em que houve maior ocorrência de notificações ainda foi entre 13 e 16 anos, no entanto, se forem somadas as faixas entre 5 e 8 anos e entre 9 e 12 anos, tem-se uma maior concentração de ocorrências de abuso sexual com crianças entre 5 e 12 anos (Tabela 18). Os dados indicam que a queda na idade das vítimas do ano de 2002 para 2003 se manteve para o ano de 2004, no que se refere ao momento da notificação. Essa queda sugere que as denúncias possam estar demorando menos a ocorrer uma vez iniciado o abuso e não que crianças mais jovens passaram a ser mais abusadas do que as mais velhas, hipótese já levantada na descrição dos dados do ano de 2003.
No último ano pesquisado, o de 2005, ano seguinte ao término do programa, houve novamente a notificação de casos de abuso sexual em que as vítimas encontravam-se na faixa etária entre 2 e 4 anos no momento da notificação, mantendo índices próximos ao ano anterior (12% em 2004 e 10,34% em 2005). O aparecimento de notificações de casos de abuso sexual envolvendo crianças de 2 a 4 anos no ano de 2004 e a manutenção de denúncias envolvendo crianças nessa faixa etária durante o ano de 2005 pode revelar alguma relação com o programa realizado, considerando o público alvo atingido pelo programa (professores que trabalham com crianças de 4 a 6 anos e familiares dessas crianças). Cabe ressaltar que nos anos anteriores, 2002 e 2003, não houve denúncias envolvendo crianças menores de 5 anos.
Ainda neste ano houve uma queda na faixa etária de 13 a 16 anos, sempre verificada como a de maior ocorrência de notificações, igualando-a as faixas etárias entre 5 a 8 anos e 9 a 12 anos. Se considerarmos as faixas etárias agrupadas (5 a 12 anos) a maior concentração continua nesta faixa e em 2005 encontra-se a maior porcentagem de ocorrência (55% de ocorrência de notificações de abuso sexual envolvendo crianças com idades entre 5 e 12 anos). Cabe ressaltar a relação com o