C. Eserleri
1.4. HABERİN ÇEŞİTLERİ
1.4.2. Zann İfade Eden (Amel Gerektiren) Haber
1.4.2.3. Âhâd Haberin Takviyesi
O que Weber chama de poder, Hannah Arendt chama de violência, esta capacidade do sujeito de ações instrumentais de dispor de meios graças aos quais pode forçar um sujeito com capacidade decisória, seja pela ameaça de sanções e recompensas, seja pela manipulação hábil das alternativas de ação. A autora, por outro lado, concebe o poder como a faculdade de alcançar um acordo quanto à ação comum, no contexto da comunicação livre de violência. Portanto, poder e violência são dois aspectos distintos do exercício da dominação política. Embora ambos vêem no poder um potencial que se atualiza em ações, cada um se baseia num modelo de ação distinto.
Max Weber parte de um modelo teleológico de ação (agir racional com respeito a fins), em que os atores sociais estão orientados apenas para o próprio sucesso, enquanto Arendt parte de outro modelo de ação comunicativa (ação voltada para o consenso). Deste modo há um deslocamento do foco de interesse da instrumentalização de uma vontade alheia para os próprios fins, para a formação de uma vontade comum, alcançada para o entendimento recíproco, uma vez que o poder nunca é de determinado indivíduo, pertence a um grupo e permanece em existência apenas enquanto o grupo permanece unido. No momento em que desaparece o grupo, do qual o poder se originou, seu poder também desaparece.
Tipos de ação / Orientação Ação social orientada para o sucesso
Ação social orientada para o entendimento
Ação não social Ação Instrumental ---
Ação Social Agir Estratégico Agir Comunicativo
Quadro 9: Tipos de ação x orientação Fonte: O próprio autor
Deste modo, Arendt desprende o conceito de poder do modelo teleológico de ação, descrevendo o poder como um efeito coletivo da fala ilocucionária (voltada para o estabelecimento de relações intersubjetivas), na qual o entendimento mútuo é um fim em si para todos os participantes. O poder então é um fim em si mesmo, ou melhor o poder serve para preservar a praxis da qual se originou, não resulta somente da
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Síntese elaborada a partir da leitura do texto de Habermas (1980) sobre o conceito de poder em Hanna Arendt
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capacidade humana de agir ou de fazer algo, mas sobretudo da faculdade de unir-se a outros e atuar em concordância com eles.
Nesta concepção, a comunicação é essencial e o que faz a intermediação do poder é o discurso que, ao mesmo tempo possibilita o debate (base para o agir em conjunto) e permite a visibilidade do poder, que se ilumina neste espaço público do debate.
Esta visão de poder retorna à Antiguidade grega e propõe uma outra alternativa a representação moderna de dominação-subordinação, introduzindo uma possibilidade de consentimento. Nesta perspectiva, o poder é consensual não necessita de justificação, sendo inerente a própria existência das comunidades políticas. Deste modo, o poder brotaria onde quer que pessoas se reúnam e ajam em conjunto, enquanto a legitimidade deriva da reunião inicial.
Habermas (1980) afirma que o conceito comunicativo de poder desenvolvido por Hanna Arendt desvenda certos fenômenos limites do mundo moderno, para os quais a ciência política se tornou em grande parte insensível, por outro lado, esta concepção leva a contra-sensos quando aplicada às sociedades modernas.
O conceito de poder comunicativamente produzido de H.Arendt só pode transformar-se num instrumento válido se desvincularmos de uma teoria da ação inspirada em Aristóteles. H. Arendt faz remontar o poder político exclusivamente à práxis, à fala recíproca e a ação conjunta dos indivíduos, porque delimita a práxis, por um lado com relação às atividades apolíticas da produção e do trabalho e, por outro lado, com relação ao pensamento. Face a produção de objetos e ao conhecimento teórico, a ação comunicativa aparece como a única categoria política. Essa limitação conceitual do político ao prático permite, por um efeito de contraste, ilustrar a situação contemporânea, caracterizada pela eliminação de conteúdos essencialmente práticos do processo político. Com isso, entretanto, H. Arendt tem que pagar o preço de: a) excluir da esfera política todos os elementos estratégicos, definindo-os como violência; b) de isolar a política dos contextos econômicos e sociais em que está embutida através do sistema administrativo; c) de não poder compreender as manifestações da violência estrutural. (HABERMAS, 1980, p.110)
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Habermas (1980) acredita que Arendt equipara a ação estratégica à ação instrumental, que se situa fora da esfera do político, talvez ainda por relacionar o modelo clássico da ação estratégica à guerra, que para os gregos era algo que acontecia fora dos muros da cidade, matéria de especialistas, essencialmente apolítica. Todavia, não se deve excluir do conceito político o elemento de ação estratégica, pois a ação estratégica também se realiza dentro da cidade, ela se manifesta nas lutas pelo poder, na concorrência de proposições vinculadas ao exercício do poder legítimo. O autor propõe uma separação entre gestação, aquisição e preservação do poder, sendo que somente no primeiro o conceito de práxis seria aplicável. De modo que os processos comunicativos sistematicamente limitados, permitem aos participantes formar convicções subjetivas não coercitivas, que podem ser utilizados contra estes mesmos participantes, no momento em que se institucionaliza.
Afinal, se a violência for considerada como forma de ação estratégica capaz de impedir outros indivíduos ou grupos a defender os seus próprios interesses, pode-se concluir que a violência faz parte dos meios de aquisição e preservação do poder, que de certa forma se institucionaliza no Estado moderno, tornando-se um elemento normal do sistema político. O que de forma alguma quer dizer que se possa gerar poder legítimo apenas por estar habilitado a impedir outros de realizarem os seus interesses (HABERMAS, 1980). O poder estaria radicado no reconhecimento factual de expectativas de validade, concretizáveis de forma discursiva, fundamentalmente criticáveis (HABERMAS, 1980).