2.3. İlgili Araştırmalar
2.3.1. Zaman Yönetimi ile İlgili Yapılan Araştırmalar
A exploração de mundos possíveis relaciona-se a capacidade de perceber a realidade vivenciada, suas problemáticas e a partir de interações entre atores humanos e não-humanos que a constituem, projetar, pensar em cenários futuros possíveis. Callon et al. (2001 p.19-20) assim definem o processo de exploração de mundos possíveis:
A situação do mundo é definida em primeiro por uma lista de entidades de humanos e não-humanos que a compõem, e, em seguida, pelas interações entre estas entidades. (...) Na escolha de um mundo possível, nós escolheremos não só as entidades com as quais decidimos viver, mas também o tipo de história que estamos preparados para compartilhar com elas. Referimo-nos a mundos possíveis porque sabemos das cadeias causais que poderia produzi-los (tradução minha).
Os autores criticam a posição privilegiada dos cientistas e políticos na exploração de mundos possíveis, pois vivenciamos um duplo monopólio no qual os cidadãos comuns, leigos, submetem-se as decisões dos especialistas. Mas esta noção de cenários futuros não deve ser designada apenas aos políticos e cientistas, pois a partir de meados do último século é possível perceber como estes grupos delegados (cientistas e políticos) a representar os leigos não tem cumprido seu papel com desenvoltura quando verificamos que não conseguem lidar com as várias situações de incertezas que tem ocorrido e se intensificado desde então. Os desastres ambientais, assim como, as incertezas vinculadas ao desenvolvimento da ciência fizeram com a que visão sobre a ciência e a gestão se alterasse a partir do século XX. Organismos geneticamente modificados, os efeitos incertos de medicamentos, a repercussão de doenças como a vaca louca, entre outros, tem modificado a antiga ideia de uma ciência detentora de respostas e soluções prontas, como ilustra Callon et al. (2001, p.43):
Depois de ter delegado a especialistas (pesquisadores e engenheiros) a tarefa de produzir o conhecimento e as máquinas que eles nos dizem que precisamos, só agora podemos pensar ‘Devemos ter confiança cega, ou devemos desconfiar sistematicamente no que eles dizem e fazem?’ Trancafiados em seus laboratórios, eles são tão distantes de nós que se tornaram verdadeiros estranhos. E é por isso que nós temos medo deles, especialmente quando eles voltam carregados com resultados (tradução minha).
O formato de decisões tomadas pelo poder público também foi questionado, pois a população não estava satisfeita com os caminhos decididos pelos gestores o que gerou várias manifestações iniciadas na década de 60 e das quais surgiu o movimento ambientalista como
relatado no capítulo 2. Segundo Callon et al. (2001) a concepção de exploração de mundos
possíveis deve envolver um novo sistema de tomada de decisões que tenha a concepção de
incertezas em seu cerne. Para Callon et al. (2001) o novo formato de decisão deve se dar por meio de ações mediadas. Neste modelo de tomada de decisões estas não ocorrem de forma definitiva e não são tomadas unicamente por especialistas apoiados por conhecimentos técnicos. A ação mediada ocorre por meio de um trabalho coletivo e constante de revisão de decisões, pois os cenários atuais mudam e consequentemente os mundos possíveis também. Este trabalho de revisão de decisões deve ser realizado tanto por especialistas (políticos e/ou cientistas) como por leigos para que a democracia seja mais dialógica.
Portanto, ação mediada é um pressuposto para exploração de mundos possíveis. Por meio dela é possível que leigos e especialistas sentem à mesa de discussões formando um
coletivo38 que ao compartihar de seus diferentes conhecimentos possam decidir sobre os caminhos a serem trilhados para se alcançar a constituição de mundo futuro desejável e comum. A exploração de mundos possíveis, assim como a formação de coletivos para a gestão das águas deve considerar as situações controversas e de incerteza que envolve a dinâmica da bacia e a influencia de cadeias causais na quantidade e qualidade de água na bacia. Para tal é preciso delinear cenários futuros a curto, médio e longo prazo. Mas será que os conselheiros dos CBHs e a sociedade civil tem feito isso?
A exploração de mundos possíveis está relacionada à consciência de problemas existentes e do exercício em pensar conjuntamente em possibilidades de melhorias, resoluções. De acordo com Callon et al. (2001, p.123-124) a exploração de mundos possíveis e a composição de coletivos
são realizados simultaneamente em duas direções. O primeiro por meio de um esforço para identificar os problemas a resolver e conceber soluções possíveis e aceitáveis. O segundo fazer um inventário contínuo dos grupos em causa, as questões e identidades em jogo (tradução minha).
De acordo com os autores a formação dos coletivos deve ocorrer de maneira a envolver uma diversidade de atores e no qual seja possível compartilhar diferentes saberes não sendo monopolizados pelos conhecimentos técnico-científicos, mas que considere uma aliança entre políticos, pesquisadores e leigos, considerando que estes possuem conhecimentos também importantes na exploração de mundos possíveis. Os coletivos devem expressar uma diversidade de pontos de vista, formas de saberes, interesses e objetivos para que assim haja uma maior possibilidade de promoverem-se processos dialógicos na
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Bruno Latour (2012) também utiliza a palavra coletivo no sentido de conjunto de seres humanos (leigos e especialistas) e não-humanos.
exploração de mundos comuns. Se apesar de apresentarem diversidade esta não for considerada no momento de decisão, o coletivo enfraquecerá, pois não terá validade dialógica. Pode ser muito sutil a diferença entre integrar um coletivo e ter voz neste coletivo (CALLON et al., 2001). Portanto, para um coletivo explorar um mundo possível comum é preciso haver diálogo, escuta e tomada de decisões mediadas e em conjunto. Se apenas o interesse de alguns for considerado o coletivo perde sua razão de existir. A identidade destes coletivos apresenta- se na maioria das vezes indefinidas principalmente quanto a grupos emergentes, podendo estas serem definidas, estabilizadas ou mesmo modificadas durante os processos de
exploração de mundos possíveis.
A presente pesquisa analisou os seis anos de atuação de um coletivo, o Núcleo Manuelzão João Gomes Cardoso, delineando os mundos possíveis explorados pelo grupo, assim como os mundos realizados vivenciados pelo grupo em formação.
O Núcleo João Gomes Cardoso com sua identidade fluida se constituiu ao longo destes anos movido pelo ideal da melhoria da qualidade de vida local e pelo imaginário mobilizar da volta do peixe ao rio como símbolo da melhoria da qualidade ambiental e consequentemente de vida, disseminado pelo Projeto Manuelzão. Seu mundo possível altera- se ao longo dos anos à medida que os mundos realizados também modificavam-se.
Mundos realizados foi uma linha de análise construída na presente pesquisa com
intuito de registrar a realidade vivenciada e percebida pelo grupo. Apesar de Callon et al. (2001) associarem a exploração dos mundos possíveis à percepção de problemáticas que afetam a realidade dos envolvidos, não é traçado pelos autores uma metodologia para tal. Por isso, a criação da concepção de Mundos realizados para que na presente pesquisa fosse possível registrar, por meio das ações e percepções do grupo, as modificações ocorridas no mundo vivenciado por eles a cada ano.
Portanto, em cada ano foi identificado 39 o Mundo realizado do NJGC que se configura no cenário no qual o grupo se encontra e age tentando modificar. O cenário inicial, ou seja, identificado pelo grupo no início do ano será considerado o Mundo realizado-Tempo1 enquanto que as ações realizadas e as modificações ocorridas ao longo do ano neste cenário serão registradas no Mundo Realizado-Tempo2. Parte-se do pressuposto de que ações definidas e realizadas pelo grupo tiveram como referencia o Mundo possível, ou seja, o mundo que abriga o cenário futuro vislumbrado pelo NJGC, por isso de alguma forma o grupo passou pelo Mundo possível antes de atingir o Mundo Realizado-Tempo2 . Sendo
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assim, Mundo realizado e Mundo possível se alimentam e modificam-se, um interferindo no outro com o passar do tempo. À medida que o grupo tem conhecimento ampliado sobre as possibilidades de alcançar seus desejos que compõe o cenário futuro projetado, o Mundo
possível se altera. Da mesma forma, quando o grupo age em direção ao Mundo possível
modifica o Mundo realizado. Portanto, o Mundo realizado ao longo de um ano modifica-se, por isso o registro de Mundo realizado-Tempo1 e Mundo realizado-Tempo2 objetiva captar as alterações ocorridas durante o ano. A Figura 166 ilustra o percurso entre Mundo realizado e o
Mundo possível.
Figura 16: Relações entre mundo realizado e mundo possível utilizadas durante a pesquisa para ao final identificarem-se as ações de educação ambiental realizadas pelo grupo e suas possíveis
contribuições para a gestão das águas.
As mudanças ocorridas ao longo do ano são registradas nos Mundos realizados- tempo
1 e 2 . Mas, também são registradas alterações ocorridas entre um ano e o outro tanto no Mundo realizado quanto no Mundo possível. A presente pesquisa pretende identificar por
meio do delineamento dos mundos realizados e possíveis a existência de ações de EA e se estas tem potencial de auxiliar na gestão participativa das águas. Em meio à performance do NJGC acredita-se que o desejo e a execução de ações educativas estiveram presentes e se modificaram a medida também o os mundos realizados e possíveis se alteravam.
3.3 Mundos possíveis e mundos realizados: movimentos que tecem uma educação