9. ALMAN PROJE YÖNETĐM STANDART
10.1.3 Zaman Yönetim
O Sl 10,16-18 se apresenta como conclusão teológica dos Sl 9; 10. Poder-se-ia dizer que se trata de um resumo dos sonhos dos/as pobres, das suas projeções futuras e dos seus desejos presentes. A estrofe mostra Javé construindo acontecimentos salvíficos a partir dos/as socialmente explorados/as. A experiência teológica dos/as suplicantes deve ser interpretada à luz da sua necessidade de proteção.
16. Javé (é) rei eternamente e para sempre,
pereceram (as) nações desde terra sua.
17. (O) desejo dos oprimidos escutou Javé,
fortalecerás coração deles, farás atento ouvido teu.
18. Para julgar ao órfão e (ao) oprimido
2.7.1. Análise teológica na forma de conclusão (Salmo 10,16-18)
O Sl 10,16 inicia com duas afirmações: “Javé (é) rei eternamente e para sempre” e “pereceram nações de terra sua”. As frases (Sl 10,16) realçam a perspectiva teológica, designando Javé como rei e proprietário da terra. Estamos ante uma concepção veterotestamentária: tal reinado abarca desde a criação até a manutenção do mundo. Por isso as palavras: ‘olam “eternamente” e ‘ad “para sempre” se encarregam de aludir ao tempo distante desse dinamismo teológico, tanto em direção ao passado quanto ao futuro; fazendo menção do prolongamento infinito do reinado de Javé.405 (Sl 93,2).
O Primeiro Testamento outorga a Javé o título melek, imagem enfatizada nos salmos. No saltério são os/as pobres, de forma particular, que lhe atribuem o estatuto: “meu rei e meu Deus” (Sl 5,3; 84,4). Descrevem-no como um rei juiz, legislador e salvador (Sl 9,9; 33,22), libertador (Sl 74,12), defensor (Sl 44,5), amante do direito e da justiça (Sl 9,4). Para essa teologia, Javé como melek também possui a conotação de sebaot (Sl 24,8.10; 2,6.7; 84,4; 149,2). (Conferir: Is 24,23; 52,7). Os salmistas se empenham em destacar a firmeza do seu melek (Sl 93,1), pois tal poder contrasta com a sua própria fraqueza. Eles o elevam acima das nações/deuses (Sl 9,6.16.18.20-21; 47,9; 95,3), como governador universal (Sl 96,10).
Nos Sl 9; 10, como em outros referenciais, a teologia da realeza e a teologia do kise’ “trono” se complementam: (Sl 9,5.8; 10,12.16; 29,10; 47,9; 89,15; 93,2; Is 6,1; 66,1; Jr 3,17; 17,12). Pode-se dizer que o “trono” é o “reinado” (2Sm 7,13). A partir dos seus reis, o povo da Bíblia aprendeu a falar do trono de Javé (1Rs 22,19; Jr 3,17; Ez 1,26). No entanto, o kise’ de Deus é imensamente mais que a cadeira do rei.406 Por
exemplo, Isaías não se empenha em contemplar o Senhor porque o seu trono lhe é suficiente (Is 6,1).
O “trono” e o “reino” de Javé são elementos marcantes no Sl 9; 10 (Sl 9,5.8.9.20.21; 10,12.16), e encaixam com a tradição de Sião (Sl 9,12.15). Confira: Ex 15; 24,29; Is 6. Trata-se de um lugar onde, mediante o culto, se manteve a memória do
405 Confira: Hans Walter Wolff, Antropologia do Antigo Testamento, p.149. Também em: David J. A.
Clines, The Concise Dictionary of Classical Hebrew, p.315.310.
406 Conforme: Milton Schwantes, Da vocação à provocação: estudos e interpretação em Isaías 6-9 no
conflito entre Javé e as nações, com a esperança que os goyim passem a formar parte das pertenças de Javé.407 (Sl 2,1.8; 46,7; Is 6.5). Ao se tornar “rei”, Javé assume funções de autoridade (1Rs 2) convertendo-se em rei universal desde seu templo, palácio no qual acolhe os/as pobres.
O Sl 10,16 confirma que na terra do “rei dos/as pobres”, invadiram os goyim. No entanto, aguarda-lhes a tais forças políticas estrangeiras um final desastroso. As aspirações da comunidade litúrgica é que as nações ’abad “pereçam”, “morram”, “sejam destruídas”.408 São fenômenos vingativos também expressos em Sl 9,4.7: os
’oyebim tropeçam e perecem; os goyim caem na fossa que fizeram (Sl 9,16); os raxa‘im são destruídos (Sl 9,6) sem registrar lembranças (Sl 9,6.7).
As afirmações do Sl 10,16 se prolongam no v.17. Veja que o v.16 dá a conhecer o ta’avah “desejo” dos/as oprimidos/as (v.17): que Javé seja rei e que as nações invasoras sejam destruídas. Este ta’avah também está filtrado entre os pedidos dos seus lábios (Sl 9,14.20; 10,12.15) e seus gemidos (Sl 9,13). O substantivo ta’avah, da raiz ta’vh “suspirar”, “querer”, aponta para uma espera ansiosa (Gn 49,3). Fala de “ânsia”, “vontade”, da “fragilidade” dos que aguardam.409 O substantivo remete a um profundo
“apetite”, entendo que seja de justiça.410 (Sl 78,30). A tiqevah “esperança” (Sl 9,19) e o
ta’avah “desejo” (Sl 10,17) dos/as suplicantes estão unidos no seu sentido e propósito: sendo escutados (Sl 10,17), nenhum deles perder-se-á (Sl 9,19), pois o ta’avah do/a pobre é o ta’avah do sadiq (Pr 11,23).
Observe que o Sl 10,17 atribui a Javé, como rei, três ações. Uma delas no estado verbal perfeito: escutou o ta’avah “desejo” dos ‘anayim (Sl 10,17). O verbo xama‘ “escutar” fala da atenção divina e seu empenho por discernir aquilo que lhe é comunicado.411 (Gn 29,13; 1Rs 3,9). A segunda ação está no tempo imperfeito: “fortalecerá coração deles”. A frase apresenta um sufixo na terceira pessoa do plural remetendo aos ‘anayim. Pelo significado do verbo kun “fortalecer” mostra-se a intenção
407 Ronald E. Clements, goy “nação”, em Theological Dictionary of the Old Testament, vol.2, p.432. 408 David J. A. Clines, The Concise Dictionary of Classical Hebrew, p.1.
409 David J. A. Clines, The Concise Dictionary of Classical Hebrew, p.482.
410 Ludwig Koehler e Walter Baumgartner, Lexicon in Veteris Testamenti Libros: a Dictionary of the
Aramaic Parts of the Old Testament in English and German, p.1016.
da pedagogia divina para forjar nos/as pobres um “espírito firme” e “determinado” (Sl 51,12).412 A última ação, “fará atento ouvido teu”, também no imperfeito, alude ao compromisso de Javé para estar “vigilante” e “concentrado” ante o grito dos/ pobres (Sl 66,19; 142,7; 5,3; 55,3; 86,6), pois são causas justas (Sl 17,1).
Em suma, as ações do Sl 10,17 possuem uma bela dinâmica: “Javé escuta” equivale a “Javé se compromete”. Exige-se dos/as pobres “firmeza” e “segurança”, enquanto, Javé garante “atenção” e “cuidado”. O fim desse dinamismo tem um objetivo manifesto no Sl 10,18: “Para julgar ao órfão e (ao) oprimido”, “(para que) não volte a aterrorizar (o) ser humano da terra”.
O verbo xapat , “julgar”, “vindicar” (Sl 10,18) é atribuído a Javé no seu papel de rei universal. Como foi estudado (Sl 9,5.9), em um contexto de roça, xapat “vindicar”, pode estar relacionado a interferir pela sua causa e o mixpat “direito” dos/as camponeses/as. Embora sabendo da existência de camponeses/as influentes (2Rs 21,24), aliados de nações estrangeiras e de governantes nacionais (Ez 22,29) que subjugam aos/as próprios/as nativos/as de menor porte; os Sl 9; 10 poderiam estar indicando a situação de pequenos/as agricultores, maioria do povo, que ainda tem acesso à terra cultivável (Gn 23,7; 2Rs 23,35; Ex 5,5). A defesa de Javé, como rei sadiq, vai a favor dessa generalidade (Zc 7,5; Ez 39,13; 46,3.9) sem grandes posses econômicas (Ag 1,2).
A intervenção jurídica de Javé garante o mixpat do yatom “órfão”. O menor se projeta possuindo aquilo que lhe corresponde na sua individualidade: herança, entendida como o bem mais precioso aos seus olhos: terra fértil e alimento (Ex 3,8; Dt 24,19-21; 26,12; 26,9; Pr 23,10; Jó 24,3; Is 10,2); hospitalidade (Dt 14,14; 24,19), e proteção comunitária (Sl 82,3; Dt 24,17).
Após a descrição de uma sociedade dominada pela opressão e a violência, os Sl 9; 10 concluem com a frase: “(para que) não volte a aterrorizar (o) ser humano da terra” (Sl 10,18). Este ser humano procedente da terra é o ’enox (Sl 9,20; 10,18). O termo é o mais apropriado para sublinhar a fragilidade humana: lembrando o “pó” e as “cinzas” como origem humana (Dt 32,26; Jó 13,12). ’enox fala de “mortalidade” (Is 13,12; Jó
4,17), “limitação” e “carência” (Is 33,8; 73,5; Jó 5,17; 7,1; 10,4.5; Sl 103,15). Destaca o “ser humano criatura” (Is 56,2; Sl 8,5; 90,3; Jó 7,17; 9,2; 14,19; 15,14), com faculdade de eleição (Sl 9,20; 10,18; 52,5; 66,12; Is 51,7; Jó 13,9). Dele falarei de forma mais específica no próximo capítulo. Analiso, porém, que o Sl 10,18 funciona como resposta ante o chamado comunitário espalhado ao longo do texto (Sl 9,14-15. 20-21; 10,12): o reinado de Javé deve por fim às atrocidades constatadas (o ser humano engole, mediante a opressão, seus próprios semelhantes).
Em suma, uma vez que o poder opressivo e as desordens sociais tenham sido controlados, os/as socialmente fracos/as poderão conviver em uma ordem social adequada. Segundo a teologia do texto, Javé, como rei, é o responsável pela tarefa. Segundo a teologia dos Sl 9; 10, o povo bíblico reconhece Javé como seu rei, e este reinado, conforme às projeções futuras, vai se estender, para além das fronteiras nacionais.