9. ALMAN PROJE YÖNETĐM STANDART
9.3.4 Takvim, Kapasiteler Ve Lojistik 1 Yürütme Akış Planının Düzenlenmes
19. Eis que! Não para sempre (será) esquecido (o) pobre
(a) esperança dos oprimidos não se perderá para sempre.
Continuamos a estudar a segunda estrofe do Sl 9 (v.14-21) priorizando o v.19. Neste versículo, o salmista fala do ’ebyon situando-se em terceira pessoa. Perceba que após as partículas de pausa no final do Sl 9,17 (higgayon. Selah), o v.18 continua o pensamento dos versículos anteriores (v.16-17). Não se podem separar na sua coesão de sentido. Pela forma do texto, o mixpat “direito” (v.17) e a tiqevah “esperança” (v.19) do/a pobre acontecerá quando os raxa‘im e os goyim, descritos na forma paralela, voltem para o xeol (v.18), ou seja, quando seja corrigida a raiz do transtorno social.
O salmista nos introduz na teologia da tiqevah “esperança” em circunstâncias desoladoras (Sl 9,19). Estas circunstâncias estão relacionadas com o xeol mencionado no v.18. Para falar de xeol, o orante recorre a uma linguagem subjetiva de cujo apocalíptico revelando o efeito social dos goyim. Hans Joachim Kraus o descreve como poderes oponentes que se levantam contra Javé e seu povo.256 Observo que a palavra provém da raiz x’h “desolar”, “rugir”, “berrar”.257 Xeol é “submundo”, “profundezas”,
“morte”.258 É o domicilio dos mortos. Seu prazer é engolir pessoas (Is 5,14) e sua
especialidade é ausência de satisfação.259 O xeol é conhecido e comparado no saltério com “garras”, “redes” “laços” (Sl 89,49; 116,3), “cova” (Sl 16,6; 30,4), “lugar de
256 Hans Joachim Kraus, Teología de los salmos, p.180.
257 L. Wachter, xeol, “desolar”, em Theological Dictionary of the Old Testament, vol.14, p.240.
258 Ludwig Koehler e Walter Baumgartner, Lexicon in Veteris Testamenti Libros: a Dictionary of the
Aramaic Parts of the Old Testament in English and German, p.935.
silêncio” (Sl 94,17; 115,17), “trevas” (Sl 143,3; 88,13), “pó” (Sl 22,30), “ossos espalhados” (Sl 141,7), “recinto de maldade” (Sl 55,16; 88,4), “esquecimento” (Sl 6,6), e, sobretudo, com “porta” (Sl 9,14), porque uma das suas metas é deixar os/as pobres sem saída.
Quando o salmista fala de xeol (Sl 9,18) tenta nos comunicar sobre a morte prematura que leva a pastar os inocentes (Sl 49,15). Penso que, no Sl 9, o termo não faz referência a um sentido teológico, entendido como “um distanciamento de Deus” (Jó 18,14; Sl 49,15; 88,11-13). No Sl 9, o xeol tem conotação social. Fala de uma sociedade regida por um sistema político oposto à vida (Sl 18,6; 86,13), que se alimenta das suas vítimas, os ’ebyonim (Sl 88,4). No entanto, tal sistema de morte, (Sl 9,18) não tem o poder de eliminar a tiqevah “esperança” do/a pobre (Sl 9,19).
Constate que o Sl 9,19 começa com a partícula ki, que no hebraico ajuda a focalizar o assunto mais importante entre as frases.260 Ela se apresenta em Sl 9,5.11.13.19; 10,3,14. A exceção do Sl 10,3, a partícula acompanha as orações onde os/as pobres falam de confiança e de esperança, aspectos importantes nos Salmos. Ainda mais interessante é observar, que neste marcado tom de confiança (Sl 9,19) é onde os Sl 9; 10 apresentam, pela primeira vez, ’ebyon e ‘anayim em planos sinonímicos.
A palavra ’ebyon é sujeito da primeira frase (Sl 9,19); e “esperança dos ‘anayim”, da segunda. Os verbos das orações xakah “esquecer”261 e ’abad “perder”
(v.19) vão acompanhados de fórmulas negativas, tendo o substantivo tiqevah “esperança” como eixo transversal. O nível de relação desses adjetivos é sustentado no próprio texto: enquanto no Sl 9,19 não será esquecido o ’ebyon, no Sl 9,13 não serão esquecidos os ‘anayim (também em: Sl 10,12; 74,19).
O Sl 9,19 desmonta o raciocínio dos raxa‘im que, ante a opressão/morte do/a pobre dizem: “esqueceu Deus. Tem coberto face sua, não olha jamais!” (Sl 10,11).
260 Ludwig Koehler e Walter Baumgartner, Lexicon in Veteris Testamenti Libros: a Dictionary of the
Aramaic Parts of the Old Testament in English and German, p.432.
261 O verbo xakah “esquecer” do Sl 9,19 no imperfeito do nifal descreve a ação que Deus realizará a favor
do/a pobre. Essa causa não será esquecida (Sl 10,11; 13,2; 44,25), porque é um ato contraposto à misericórdia (Sl 9,14; 77,10).
Aliás, a poesia, no seu conjunto, a modo de repetição, nega tal postura (Sl 9,13.19; 10,12), pois, quando os planos poderosos parecem triunfar sobre o ’ebyon, a voz teológica declara que essa situação não durará para nasah “sempre” (Sl 9,19).
Contudo, o período de tempo expressado por nasah (Sl 9,19) refere-se a um futuro que não assinala prazo específico.262 Nesse aspecto, a noção veterotestamentária do tempo, segundo Hans Walter Wolff, aponta exclusivamente para o espaço do acontecimento divino e não a data.263 Quer dizer que a intervenção de Javé, a favor do ’ebyon, não tem caducidade segundo a nossa conceição, mas sim lugar histórico. Consequentemente não estamos em condição de responder como e/ou quando finalizará a opressão do/a pobre. O salmista também não sabe. Ele conforma-se em mostrar enunciados poéticos que fundamentem sua fé no Deus da promessa (Dt 19,14).
Apesar da dura realidade que vivem os/as pobres, eles/as continuam a confiar numa sociedade diferente (Sl 9,5.8.9; 10,12.16). Unidos/as a seu Deus, aguardam serem testemunhos históricos de que os opressores não influenciarão negativamente na procura de sua justiça. Os salmistas se desesperam pela chegada de tal episodio: “até quando o opressor blasfemará..?!” (Sl 74,10), “ouve meu grito!” (Sl 5,3), “julga-me conforme minha justiça” (Sl 7,9), “até quando me esquecerás Javé?” (Sl 13,2).
Tanto a realidade opressora como os sonhos agitados desses/as pobres convergem, no contexto vital dos Sl 9; 10, em um acontecimento litúrgico. O fato, na linha de Erhard Gerstenberger, assinala o propósito da atividade cultural: assegurar e manter o sentido da sobrevivência. Para o biblista, o culto tem dimensões não só “espirituais”, senão psicológicas e sociológicas.264 Interpreto que as frases do v.19
manifestam a consciente aflição do/a pobre, embora com expressões carregadas de confiança. Uma coisa fica para ser resolvida, quem são estes ’ebyonim?
Entre os Sl 9; 10, a palavra ’ebyon só aparece em (Sl 9,19). Mas, por ser um termo importante nesta pesquisa, auxiliar-me-ei de referências veterotestamentárias,
262 G. W. Anderson, nasah “para sempre/duração”, em Theological Dictionary of the Old Testament,
vol.9, p.531.
263 Hans Walter Wolff, Antropologia do Antigo Testamento, São Paulo, Hagnos, 2007, p.142.
264 Erhard S. Gerstenberger, Psalms. Part 1 with an Introduction to Cultic Poetry: The Forms of the Old
assim como de aportes acadêmicos, na procura de reconstruir seu perfil na poesia. Aduzo às características localizadas do ’ebyon na sociedade do Primeiro Testamento:
O ’ebyon não parece pertencer ao setor social de pior condição econômica. Em Pr 13,23 lemos: “abundância de alimentos produz a terra nova dos pobres, mas muitos são eliminados por falta de direito”. Este v.23 alude à situação do pobre. A terra nova é a terra lavrada pela primeira vez, ou após um descanso sem cultivo, arado novamente (Os 10,2; Jr 4,3; Pr 21,4). Porém, o pobre parece ser um agricultor que dispõe de terra e pode-se valer dela para ser arada e fazê-la produzir.265
O biblista Walter Zimmerli constata que o ’ebyon e o ‘ani são chamados ‘am de Javé (Ez 18,10; 45,8), os quais sofrem despojo da sua terra. Na leitura do exegeta, a profecia procura promover a partilha da terra descentralizando-a das mãos dos príncipes e dos sacerdotes (Ez 48).266
Analiso que, embora o ’ebyon possa ter acesso à terra, não se mostra com estabilidade econômica. Os textos provam que sua precariedade aumenta mediante a merusah, “extorsão” e a xod “opressão”: não lhe é retribuído o justo (Jr 22,17; Ez 18,12; 22,29). A isso se deverá que o ’ebyon também seja descrito como aquele que tem necessidade (Am 2,6; 8,4.6; 4,1; 5,12).267 Nesse estado, forma parte de uma comunidade precária, contrapondo-se ao próprio setor opulento que o suga (Ez 16,49; Dt 15,7.11; 24,14.15).
Na sociedade de Amós a polaridade entre setores sociais dilata-se. Para Hans Walter Wolff uma das particularidades dos ’ebyonim nesse livro é que são explorados pela sua própria gente (Am 2,6-9).268 Para o exegeta, o seu crédito insuficiente gera sua desgraça: saldar a dívida com sua própria pessoa passando a outra condição social. No ato, afirma, o vendedor é acusado porque aceita dinheiro a troca de um naqi. Eis aqui que Amós denuncia a prática de escravidão por debito, oficialmente ilegal (Ex 21,2-11;
265 Confira: Milton Schwantes, Sentenças e provérbios: sugestões para a interpretação da sabedoria,
p.33.
266 Walter Zimmerli, Ezequiel: A Commentary on the Book of the Prophet Ezequiel, vol.2, Philadelphia,
Fortress Press, 1983, p.469.
267 Milton Schwantes, A terra não pode suportar suas palavras: reflexões sobre Amós, p.87.88.
268 Hans Walter Wolff, Joel and Amos: A Commentary on the Books of the Prophets Joel and Amos,
Dt 15,12-19).269 O empenho de Amós é defesa do mixpat dos ’ebyonim para assegurar sua condição/dignidade social.
Pelo enfraquecimento social dos ’ebyonim, as leis e a literatura profética promovem seu respaldo jurídico: Isaías 32,7 reconhece que a aflição do pobre é prioritariamente de ordem legal. Por constatações como esta, a promoção da ética na administração jurídica esteve presente desde o começo da formação das leis (Ex 23,1-3; Dt 16,18-20; 24,17; 27,19).
O Deuteronômio promove uma reforma social mediante o estabelecimento de um bem comum: que todos os/as camponeses/as tenham participação herança/terra (Dt 3,7-11; 15,3-11).270 O propósito da lei persegue nivelá-lo na esfera social (Jr 20,13), para que, conquistando autonomia cívica, não caiam em estado de total dependência (Dt 24,14.15).
Na literatura legal veterotestamentária, segundo Walter Zimmerli, as ordenanças da vida social estão relacionadas com expressões na esfera de direito. A opressão é proibida (Ex 22,20; Dt 23,17; Lv 25,17; 19,33; 25,14). O roubo deve ser interpretado como ação ilegal (Lv 19,13).271 Em Ez 18,12, a opressão do ’ebyon é constatada como algo abominável punido por morte.
Nessa esfera jurídica, para Hans Walter Wolff, o ’ebyon é o sadiq (Am 2,6); porque, além de não ter nada a temer nos tribunais, não está envolvido com as propinas que corroem os juízes: quem xepat sedek “julga com justiça” não aceita suborno contra o naqi “inocente” (Sl 15,5; Mq 3,11; Am 2,7; 5,12; Is 1,23; 5,23; Jr 22,16; Ex 23,6).272
Afinal, de acordo com a ética social, o sistema legislativo se expressa em preceitos e proibições dentro da comunidade, especialmente destinado aos setores influentes.
269 Hans Walter Wolff, Joel and Amos: A Commentary on the Books of the Prophets Joel and Amos,
p.166.
270 G. Johomes, ’bh, “ser pobre”, em Theological Dictionary of the Old Testament, vol.1, p.32. 271 Walter Zimmerli, Ezequiel: A Commentary on the Book of the Prophet Ezequiel, vol.1, p.381.
272 Hans Walter Wolff, Joel and Amos: A Commentary on the Books of the Prophets Joel and Amos,
Até o momento lançamos luzes para identificar o perfil dos ’ebyonim em textos veterotestamentários, fora do saltério. Das 61 vezes que se apresenta a palavra no Primeiro Testamento, 23 são localizadas nos salmos.273 Quais características possuem nesse livro? Veja o que nos informam:
Os ’ebyonim são um estrato social (Sl 49,3). Frequentemente se apresentam sob a fórmula: ’ebyon “pobre” e ‘ani “oprimido” (Sl 40,18; 74,21). A fórmula parece indicar certo grau de distinção entre ambos os adjetivos, pois sua combinação manifesta a gravidade da súplica e do desespero: “reponde-me, pois sou ’ebyon e ‘ani” (Sl 86,1; 109,16.22), “vêm de pressa!” (Sl 70,6). Outros textos de referência: Sl 35,10; 37,14; 40,18; 70,6; 74,21. No Sl 72,4 os ’ebyonim parecem identificar o coletivo dos ‘anayim, dalim, quem se autodenomina: ‘am de Javé e/ou comunidade dos sadiqim (Sl 37,14). Recorrem a Javé como defensor do seu mixpat (Sl 16,5; 69,37; 14,2-3.13; 82,1-4; 35,10; 69,33.34).
Resumidamente, os ’ebyonim, no saltério, falam com Javé diretamente, sem intermediários; nisso consiste o perfil diferenciado que possuem no saltério. No diálogo, côa-se sua situação social, mas esta situação não parece divergente à apresentada pela torá e a profecia. O livro dos salmos deixa transparecer que o/a “socialmente fraco/a” tem, em todo antigo oriente, uma relação especial com a divindade. Nessa ideologia teológica é compreensível que o ’ebyon tenha um matiz claramente teológico no Primeiro Testamento.274
Para os/as pesquisadores/as, a origem da palavra ’ebyon, é incerta. Talvez, lembrando o termo egípcio ’by “desejar”, e o aramaico, y’b “anelar”, deduzem que proceda da raiz ’bh “querer”, “querer ter”, “carecer de”, “ter um desejo, necessitar”;.275
Para G. Johomes, ’ebyon é o ser humano que deseja e procura do que carece.276 O Sl
12,6 nos ilumina: o’ebyon geme e, junto ao ‘ani, ele puah “sopra”, “respira”, decepcionado “deseja” sedek. Este “desejo” é o eixo transversal que perpassa as
273 G. Johomes, ’bh, “ser pobre”, em Theological Dictionary of the Old Testament, vol.1, p.29.
274 Erhard S. Gerstenberger, ’bh “querer”, em Diccionario teológico manual del Antiguo Testamento,
vol.1, p.65.
275 Erhard S. Gerstenberger, ’bh “querer”, em Diccionario teológico manual del Antiguo Testamento,
vol.1, p.61.
palavras que os Sl 9; 10 utilizam para falar de “pobres”, como dak e ‘ani. Isto me permite concluir que ’ebyon, tanto nos Sl 9; 10, como no Primeiro Testamento, é um conceito utilizado para assinalar os/as socialmente fracos/as.
Afinal, o Sl 9,19a: “Eis que! Não para sempre (será) esquecido (o) pobre” é um principio de confiança. O salmista, membro da comunidade dos pobres, divulga que os ’ebyonim não serão ignorados na sua realidade composta por: tempo de sarah “aperto” (Sl 9,10; 10,1); de se‘aqah “grito” (Sl 9,13); de ameaça de esquecimento frente aos ’oyebim “inimigos” (Sl 9,4.7), damim “assassinos” (Sl 9,13), raxa‘im “injustos” (Sl 9,17; 10,2.8) e sorerim “agressores” (Sl 10,5.7). Eles não se perderão na sua situação de ‘oni “opressão” (Sl 9,14), nos portões da mavet “morte” (Sl 9,14b), na cova que fizeram os goyim (Sl 9,16). Não serão desconhecidos na sua ‘amal “carga”, “dor” (Sl 10,14), nem nos seus ta’avah “desejo” (Sl 10,17). Nessa atmosfera a próxima frase do Sl 9,19 recobra ênfase e sentido: “(a) esperança dos oprimidos não se perderá para sempre”.
A tiqevah “esperança” dos ‘anayim e a tiqevah do ’ebyon é a mesma coisa. Walther Zimmerli associa a “esperança” ao termo latino velle “querer”, e voluptas “desejar algo”.277 Tudo indica que o ’bh “desejar” do/a pobre, está intrinsecamente
unido a sua própria esperança. Além disso, observo que a palavra tiqevah procede da raiz hebraica qvh, sendo considerada por Hans Walter Wolff, a mais frequente para expressar perspectiva de futuro.278 Na forma substantivada qav está relacionada ao sentido de “fio estendido para medir”, “forma elástica” (2Rs 21,13; Is 18,2.7; 34,17).279
Pelas constatações anteriores, a tiqevah no Sl 9,19 descreve a “espera tensa” do ’ebyon e ‘ani. No entanto, trata-se de uma tiqevah (Sl 9,19) segura em si mesma, pois na teologia dos salmos, quem espera em Javé não fica envergonhado (Sl 9,5.11; 25,3; 69,7) pois sua promessa é digna de confiança (Sl 39,7; 69,4). Os/as pobres acreditam na realização histórica da sua expectativa que se trata, concretamente, de ter acesso, não só à porção justa da terra, senão à paz nacional (Sl 10,18; 128; 14,5; 5,13).
277 Walther Zimmerli, Man and his Hope in the Old Testament, London, SCM PRESS LTD, 1971, p.5. 278 Hans Walter Wolff, Antropologia do Antigo Testamento, p.233.234.
279 Conferir: Ludwig Koehler e Walter Baumgartner, Lexicon in Veteris Testamenti Libros: a Dictionary
of the Aramaic Parts of the Old Testament in English and German, p.830. E em: Hans Walter Wolff, Antropologia do Antigo Testamento, p.234.
Segundo Walther Zimmerli, a esperança em Javé não culmina em uma experiência privada, mas em uma atmosfera comunitária (Sl 69,20-21).280 Analiso que o consolo divino também se canaliza mediante a intervenção humana. Isso fica explícito em nosso texto que, a meu entender, se apresenta como um conjunto de “esperas” individuais que tecem o clima de súplica comunitária e vice-versa. O salmista (Sl 9) faz voto de “enumerar as maravilhas de Javé” (v.2), de proclamá-las nas portas da filha de Sião (v.15), porque nosso objeto de pesquisa encaixa na tradição veterotestamentária, onde Javé é esperança do povo: “a espera dos justos desemboca em alegria..!” (Pr 10,28). Outros textos: (Ex 3,14; Ecl 9,1; Sl 62,5; Jr 29,11).
É interessante perceber que a frase sobre “a esperança dos pobres” (Sl 9,19) é seguida por dois versículos que destacam, na forma oposta, a figura do ’enox “ser humano” (v.20-21). Estes versículos são inaugurados por dois imperativos. Em um primeiro momento: qumah, “levanta-te!” (v.20) do tronco qum (qal). Aqui se confere a insistência do salmista para que Javé “surja”, “se movimente”, “interfira” na história como rei contra-restando as do mal.281 (Sl 7,7; 3,8; Dt 13,2; 1Rs 8,20). Analiso que o “levantamento” de Javé contrapõe-se ao triunfo do ’enox (Sl 9,20), um conceito coletivo para falar de “seres humanos” e sua fragilidade.282 A palavra ’enox se apresenta em
nosso texto em Sl 9,20.21; 10,18, expressando/sublinhando a mortalidade, caducidade e limitação dos seres humanos que seriam os próprios goyim (Sl 9,20.21; 10,18; Jó 7,17; 10,4.5; 13,9; 32,8; 33,12.
O segundo imperativo e, ao mesmo tempo, a segunda petição do salmista (Sl 9,21) é introduzida com o imperativo xitah, da raiz xit “por”, “mandar”, “dirigir”: “coloca-lhes, Javé, terror neles”. Entendo que se trate de um corretivo pedagógico para “consertar” os “seres humanos”/goyim.283 Ou seja, mediante a intervenção de Javé (Dt
28,20; Pr 3,33), o salmista deseja que eles “saibam”, da raiz yd‘ “observar”,
280 Walther Zimmerli, Man and his Hope in the Old Testament, p.31.
281 Conforme: Ludwig Koehler e Walter Baumgartner, Lexicon in Veteris Testamenti Libros: a Dictionary
of the Aramaic Parts of the Old Testament in English and German, p.830. E em: Hans Walter Wolff, Antropologia do Antigo Testamento, p.831.
282 Claus Westermann, ’adam “ser humano”, em Diccionario teológico manual del Antiguo Testamento,
vol.1, p.93.
283 Ludwig Koehler e Walter Baumgartner, Lexicon in Veteris Testamenti Libros: a Dictionary of the
“apreender”, “conhecer”, “experimentar”, “refletir”284, que são ’enox “seres humanos
mortais”285 e que seu “poder” é limitado (Sl 9,20.21; 10,18). Afinal, a estrofe (Sl 9,14-
21) não deixa de opor os arrogantes, que abusam do poder, aos/as fracos/as que esperam ser representados pela instância divina.