9. ALMAN PROJE YÖNETĐM STANDART
10.4 Yapım Evres
1. Para (o) mestre. Sobre a harpa. Salmo para Davi.
2. Javé, Senhor nosso:
quão magnífico (é) nome teu em toda a terra! (O) que transmite majestade sobre os céus.
3. De boca de crianças e lactantes fundaste poder, por causa de agressores teus,
para fazer cessar o inimigo e vingador.
4. Eis que! Olho céus teus, trabalho de dedos teus,
(a) lua e (as) estrelas que estabelecestes.
e (o) filho de Adam, eis que! (para que) visites ele?
6. E fazes ele pequeno de deuses,
e (de) glória e esplendor coroas ele.
7. Lhe fazes dominar (a) ele nos trabalhos das mãos tuas:
tudo colocaste sob pés dele.
8. Rebanho e gados, todos eles e, em especial, animais do campo. 9. Aves dos céus e peixes do mar (que) atravessam trilhas dos mares.
10. Javé, Senhor nosso:
quão magnífico (é) nome teu em toda a terra!
3.1.1. Algumas considerações sobre a forma do Salmo 8.
No Sl 8,1 se localiza o cabeçalho do poema, davídico: “Para (o) mestre. Sobre a harpa. Salmo para Davi”. Assunto já comentado no capítulo 1. Porém, centro minha atenção a partir do v.2.
O refrão do Sl 8 está nas frases que se repetem abrindo e fechando o texto: “Javé, Senhor nosso: quão magnífico (é) nome teu em toda a terra!” (v.2a.10). Os v.2.10 são os únicos, ao longo do Sl 8, pronunciados na primeira pessoa do plural: “Senhor nosso”. Isso nos situa ante um acontecimento comunitário. Nele, uma pessoa, o salmista, lidera o ato cultual, e toda a assembléia pronuncia a síntese teológica do comunicado (v.2.10).
Para alguns exegetas, os v.2b-3a problematizam a interpretação do Sl 8. A frase do v.2b: “(O) que transmite majestade sobre os céus” parece ficar pendurada entre as duas primeiras frases do v.2a e v.3a. Para Hans Joachim Kraus não há soluções óbvias a tal dificuldade. O autor não arrisca saídas alternativas, duvidando se seria possível estudar o v.2b como frase isolada, embora coesa com sua unidade textual.413
Judah Kraut tenta dividir em dois grupos o parecer de diversos/as pesquisadores/as. Na primeira opção estão os que afirmam que o v.2b: “(O) que transmite majestade sobre os céus” se completa em v.3a: “De boca de crianças e lactantes fundaste poder, por causa de agressores teus”. Na segunda, os/as que consideram que o v.3a começa um novo pensamento.414
Pelo objetivo da minha pesquisa, que não procura buscar solução literária ao problema dos v.2-3, simplesmente acolho a segunda opção: no v.3 inicia-se uma nova subunidade de pensamento. Observo que os massoretas utilizam dois pontos (
`
) no final do v.2. Tais sinais convidam a uma pausa moderada no texto. Observe que a palavra ’eres “terra” se repete duas vezes (v.2a.10).Após o refrão (v.2.10) identifico o conjunto textual do Sl 8 entre os v.3-9, onde louvor e sofrimento se intercalam constantemente. Nas palavras de Milton Schwantes, estamos ante um texto que se mostra como louvor perturbado, fruto do seu gênesis vital.415 Nessa lógica de pensamento sugiro a divisão dos v.3-9 à luz das suas características literárias e/ou subunidades de pensamento:
O Sl 8, a meu ver, mostra duas subunidades de pensamentos (v.3-5) e (v.6-9), com pequenas mudanças de sentido no seu interior. Indaguemos:
Os v.3-5 contem leves quebras no seu âmago; a primeira está no v.3, que destaca a terceira e segunda pessoa. O v.3 mostra estarmos uma sociedade de lutas/sofrimentos. Nela, as ‘olelim “crianças” e os yanaqim “lactantes” desempenham um papel fundamental. Apresentam-se, segundo a forma das frases, como força contrária aos sorerim “agressores” e ao ’oyeb “inimigo” e naqam “vingador (v.3).416 Afinal, dois
setores antagônicos (“glória” e “terror”) parecem disputar o espaço.
414 Judah Kraut, The Birds and the Babes: the Structure and Meaning of the Psalm 8, em Jewish Quarterly
Review, vol.100, n.1, Pennsylvania, University of Pennsylvania, 2010, p.12.
415 Milton Schwantes, “Da boca de Pequeninos...”: enfoques antropológicos, em Estudos Teológicos,
vol.24, n.2, São Leopoldo, Faculdade de Teologia da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, 1984, p.152.
416 Conferir um parecer semelhante em: Judah Kraut, The Birds and the Babes: the Structure and Meaning
O v.4 interrompe o conflito entre setores antagônicos (v.3) para retomar o esplendor localizado nos v.2.10. Este v.4 destaca, com auxílio do tempo imperfeito na primeira pessoa, a sensibilidade humana ante o espetáculo “cósmico”. O salmista executa o movimento/ação mediante o verbo qal: ra’ah “olhar” (v.4a); reconhecendo os xamayim “céus” como ma‘axeh “trabalho” dos dedos do seu Senhor, e a yareah “lua” e as kokabim “estrelas” como seus elementos “estabelecidos”.
Imediatamente, o sentido do v.4 se estende ao v.5. Neste versículo desemboca uma pergunta retórica: “Que (é o) ser humano, eis que! (para) lembrar ele, e (o) filho de Adam, eis que! (para que) visites ele? O questionamento, na primeira pessoa do singular, é dirigido a Javé/“segunda pessoa”, com a qual o salmista, num monólogo teológico, “interage”.
Veja que a pergunta (Sl 8,5) localiza-se quase no centro do poema. O lugar que ocupa o v.5 no texto já fala da sua profundeza. Nele, o foco recai no’enox “ser humano” e no ben-’dam “filho de Adam” que, aparentemente, se apresentam, nas frases, de forma
sinonímica. Com a aparição destas figuras, o v.5 centraliza considerações teológicas e antropológicas: um Deus com atitudes de zakar “lembrar” e paqad “olhar” o pequeno, e um ser humano (salmista) sensível a sua condição, desenvolvendo sua faculdade racional ao se perguntar pela identidade antropológica.
Entendo que os v.6-9 são a segunda subunidade de pensamento do Sl 8. Nestes versículos (v.6-9) salientam a terceira e segunda pessoa. O v.6 introduz o ambiente de kabod “glória”, hadar “esplendor” e ‘atar “coroa”, particularidades diferenciadas com a fragilidade humana anunciada nos v.3.5. Imediatamente o v.7 prolonga o pensamento do v.6 acrescentando a dimensão de maxal “domínio”.
Há uma leve pausa entre os v.6 e 7 e os v.8-9. Agora estes versículos apresentam uma diversidade de animais. Após a menção do “domínio” temos o ambiente da fauna (v.8-9), a mesma, pode levar à constatação da relação ser humano-animal no contexto do texto. É possível que seu sentido tenha alguma relação com o v.3, como veremos adiante. O catálogo que nos é apresentado está composto de: soneh “rebanho”, ’alapim “gados”, behemah “animais/bestas”, sippor “aves”, dagi “peixes”. Após os v.8-9, o v.10
(refrão) fecha a poesia coesamente com o v.2. Assim, ao nosso olhar, o Sl 8 se apresenta como uma poesia harmonizada, com começo, meio e fim harmonizados.
Uma vez sugerida uma organização do texto, apresento um esquema na forma resumida. O desafio exegético será aproximarmos a um fio condutor de coesão interna. Falo de aproximação, pois a poesia já é composta de cenas dessintonizadas.
3.1.2. Esquema da forma interna do Salmo 8.
Refrão: síntese teológica do texto... v.2
Primeira estrofe (Sl 8,3-5): majestade/fraqueza e terror/poderio disputam o espaço. Com ênfase no v.3.
As “crianças” e “lactantes” em confronto com setores opressores (v.3). Majestade: um acontecimento paralelo a circunstancia hegemônica (v.4).
Questionamento pela identidade do ’enox “ser humano”/ben-’dam “filho de
Adam” (v.5).
Segunda estrofe (Sl 8,6-9): ambiente de coroa, governo e domínio. Com ênfase no v.6.
O ser humano endeusado ou “pequeno de deuses” (v.6).
Faculdades de domínio atribuídas ao “pequeno de deuses” (v.7) Catálogo de animais: outras vítimas sob os pés do endeusado (v.8-9)