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4. ALMAN PROJE GELĐŞTĐRME SĐSTEMĐ

4.1.1 Kavram Açıklamaları

Após as primeiras observações distingo os Sl 3-7 como subunidade da coleção (Sl 3-14).58 Cada um dos Sl 3-7 é de lamento ou súplica individual. E, além disso, no conjunto se destaca a oração permanente ao longo do ciclo: manhã, tarde, noite. Exemplo: o Sl 3 inicia com uma queixa (v.2), pela manhã (v.6), e o Sl 4 com uma invocação angustiosa (v.2), ao entardecer (v.9). O Sl 5 se introduz suplicando em gemido (v.2), pela manhã (v.3), e o Sl 6 entra com rogos (v.2), de dia e de noite (v.7). O Sl 7 possui caráter de oração continua (v.7.12). Estes horários talvez indiquem a dependência sistemática dos salmistas em seu Deus. Desde seu nascer até o seu morrer estas pessoas, no cotidiano, gritam pela intervenção de seu Deus na sociedade.

57 Erich Zenger, O livro dos salmos, em VV.AA., Introdução ao Antigo Testamento, p.310. Para fazer a

proposta de divisão dos Sl 3-14 acolhi indicações levantadas por Erich Zenger. No entanto, procuro justificar com critérios, hipóteses que ele não demonstra. Também acrescento minha própria leitura baseada nas observações literárias que descubro. Sua proposta se encontra na obra anteriormente indicada, p.314.

58 Embora existam evidências ao nome Elohim nos Sl 3-7, a corrente de pensamento teológico chama a

Deus, Javé. Isso conecta com a tradição davídica. Vejamos: o texto massorético nomeia Deus como Javé trinta vezes, prevalecendo sobre Elohim, somente onze. Javé é citado em: Sl 3,2.4.5.6.8.9; Sl 4, 4a.4b.6.7.8; Sl 5, 2.4.7.9.13; Sl 6, 2.3a.3b.4.5.9.10a.10b; Sl 7, 2.7.9a.9b.18a.18b. Elohim é citado em Sl 3, 3.8; 4,2; 5,3.5.11; 7, 2.4.10.11.12. Interessante que esse último Sl 7 é o único que emprega duas vezes a fórmula “Javé Elohim” (v.2.4). É possível que funcione como nó na pausa de pensamento (Sl 3-7).

Percebo nos Sl 3-7 a carência das palavras chave que os salmos utilizam para falar de pobres: ‘ani, ’ebyon, dal, dak. No entanto, sugiro fazer um mapeamento que nos forneçam dicas da presença destes/as personagens. Para isso é preciso uma aproximação às características sociais onde estes textos são utilizados. Tais características são fornecidas pelas mesmas pessoas que falam mediante os salmos:

No Sl 3,5 alguém grita. Para falar da ação o texto apresenta o tronco: qr’ “gritar”: “Em alta voz eu grito a Javé”. (Conferir: Sl 4,2). Se situarmos o salmista numa realidade histórica acredito ser possível que este “grito” não seja um simples rito cultual. No contexto, a ação pode indicar “um chamado de auxílio”.59 De entrada, o Sl 3

nos comunica que estamos ante uma sociedade geradora de “gritos”. A causa desse grito ou pedido de socorro há de ser indagada no seu contexto vital. Entendo que o importante, nesta altura da pesquisa, não é dar nome aos fatos geradores de “gritos”, senão manter presente questões a serem indagadas ao longo da tese: quem grita?, por que grita?, a quem se grita? o que se aguarda com a ação?

Na observação literária sobre o subconjunto (Sl 3-7) chama a atenção o substantivo sar “dor”, “pesar”, “aperto”, “angustia”60, no Sl 4,2. Quero duvidar que esta

circunstancia adversa testemunhada pelo salmista se refira a uma “aridez espiritual”. A aparição do ’ix “ser humano” (Sl 4,3) poderia estar assinalando aos que externamente executam o “aperto” do orante.

Agora bem, a tarefa da pesquisa é não só identificar o perfil desse ’ix “ser humano” (Sl 4,3), senão descobrir seus mecanismos para angustiar. Embora o Sl 4 não fale muito claro, é possível que pela alusão ao “trigo” e “vinho” (v.8), nos direcionemos na procura dessas pessoas e suas estratégias. O Sl 4,8 nos localiza entre os típicos conflitos sociais de uma sociedade agrícola.

59 J. C. Labuschagne, qr’ “gritar”, em Diccionario teológico manual del Antiguo Testamento, vol.2,

p.840.

Também é importante o verbo xeva‘ “clamor”, “grito/para pedir socorro”, “para pedir ajuda”.61 (Sl 5,3). O tronco somente ocorre no piel, significando que se trata de

um recurso para falar da intensidade da ação.62 Tal desespero é registrado em Is 58,9 num contexto alusivo ao jugo dos/as desprotegidos/as sociais. Ao mesmo tempo em Sl 30,2.3, onde um indefeso está cercado de “inimigos”. O Sl 72,12 é mais claro ao utilizar o verbo na boca de pobres que estão sendo oprimidos/as pelo sistema.

O mesmo Sl 5,7 denuncia um setor sanguinário. Se num sistema social alguém derrama sangue é um desafio identificar não só os assassinos, senão os/as mártires silenciados/as no anonimato. Veja que em Sl 5,11 fala de paxa‘. O substantivo pode ter conotações de: “culpabilidade”, “revolta a”, “crime”.63 Desde um enfoque sociológico,

a palavra convida à analisar um ambiente onde os direitos das pessoas e suas propriedades são violentadas (Gn 31,36; 50,17; 1Sm 24,11; 25,28).

Os textos proféticos, na sua clara linguagem, podem ser úteis para interpretar os salmos em questão. Por exemplo, o perfil social do Sl 5 mediante o uso de paxa‘ (v.11), pode ser comparado ao profeta Amós em 5,2. Ele, mediante o uso da mesma palavra, paxa‘, enumera os crimes de um setor social contra outros (Am 5,7.11).

Continuando nas observações, identifico o Sl 6 como uma oração a partir da doença. O v.3 o deixa evidente. O salmista nos informa estar ’amelal “prostrado”, “abatido”; o substantivo se deriva do verbo ’amal “desfalecer”, “ficar esgotado”, “ficar sem cor”.64 Estamos ante uma pessoa física e energicamente exaurida, que suplica pela

cura (v.3). Ele descreve-se com ’anahah “gemido”, “suspiro”, “rangido”.65 (v.7).

Tanto em Jr 45,3 como em Is 35,10, estes tipo de ’anahah “gemido” está acompanhado de dor. O desespero do salmista mostra sua vontade de viver, mas prostrado, está sem força (Sl 6; Pr 18,14). Na verdade, é possível que o caso não seja

61 David J. A. Clines, The Concise Dictionary of Classical Hebrew, p.454.

62 Victor Hamilton, xeva‘ “grito para pedir socorro”, em Dicionário internacional de teologia do Antigo

Testamento, p.1537.

63 Ludwig Koehler e Walter Baumgartner, Lexicon in Veteris Testamenti Libros: a Dictionary of the

Aramaic Parts of the Old Testament in English and German, p.785.

64 Ludwig Koehler e Walter Baumgartner, Lexicon in Veteris Testamenti Libros: a Dictionary of the

Aramaic Parts of the Old Testament in English and German, p.60.

isolado, senão o reflexo do acontecer cotidiano entre os rostos mais vulneráveis da sociedade. Neste sentido, seria interessante sondar se a “doença” surge por um acaso ou existem pressupostos geradores da doença. A doença leva à pobreza, ou a pobreza gera susceptibilidade à doença?

No Sl 7,4 encontra-se uma nova janela para penetrar na sociedade dos salmistas. Esta janela se chama: ‘avel “injustiça”, “perversão”, “falsidade”. O substantivo revela um ambiente onde se executam ações injustas concretas, sobre as quais pode legislar- se.66 Textos veterotestamentarios permitem fazer um mapeamento para identificar o tipo de “delitos” não identificados pelo salmista. Consulte em (Lv 19,15; Em Ez 18,8; 28,18; Is 59,3; Jó 5,16).

Além do mais, o Sl 7,14 utiliza a palavra hebraica keli, que significa “instrumento de morte”67, “equipamento de guerra”, “arma de morte”68. Se em 1Sm

8,12 e em 2Rs 7,15 o substantivo keli está usado em um contexto de “guerra”, “combate”; posso sugerir que à sociedade dos salmistas também sejam conhecidas as “forças militares”.

Em suma, as evidências constatadas no Sl 3-7 preparam para interpretar o “lamento”, não como um estado nascido acidentalmente, senão como fruto de uma realidade provocada de forma “intencionada”. As circunstancias sociais parecem condicionar o conteúdo da comunicação dos/as que se lamentam com seu Deus.

No sentir de Erhard S. Gerstenberger, a opressão não só leva à orar o/a oprimido/a, senão à “maldizer”.69Veja, por exemplo, o Sl 3,8: “... quebra os dentes dos

injustos!”. De fato, os Sl 3-7 nos informam deste outro setor com bastante frequência, chamando-os de: sar “agressores”70 (Sl 3,2);’ix dam “ser humano sanguinário” (Sl

66 R. Knierim, ‘avel “perversão”, em Diccionario teológico manual del Antiguo Testamento, vol.2, p.292. 67 Ludwig Koehler e Walter Baumgartner, Lexicon in Veteris Testamenti Libros: a Dictionary of the

Aramaic Parts of the Old Testament in English and German, p.439.

68 William L. Holladay, Léxico hebraico e aramaico do Antigo Testamento, São Paulo, Vida Nova, 2010,

p.224.

69 Erhard S. Gerstenberger, O clamor dos salmistas: onde está Deus?, em Revista Internacional de

Teologia, n.242, Petrópolis, Vozes, 1992, p.16.

70 Ludwig Koehler e Walter Baumgartner, The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament, vol.3,

5,7)71; sorerim “agressores/inimigos sociais”72 (Sl 6,8); rdp “perseguidor”73 (Sl 7,2).

Isto permite constatar que as queixas dos salmistas, geralmente, vêm acompanhadas das referências aos inimigos. Essas palavras inamistosas ajudam a assinalar o conflito dos textos, como pretendo demonstrar nos próximos capítulos.

As súplicas contínuas (Sl 3-7) indicam o templo como espaço vital. A ele se referem as expressões: “monte santo” (Sl 3,5); “sacrifício” (Sl 4,6); “templo sagrado” (Sl 5,8); “Javé ouviu minha súplica,” (Sl 6,10), situação de uma pessoa refugiada no templo, aguardando o julgamento do sacerdote; “cantarei ao nome de Javé altíssimo” (Sl 7,18), que indica um episódio litúrgico. Será meu serviço procurar um fio condutor de sentido entre estas “súplicas/lamentos” e o templo, como espaço vital de “desabafo”.

Considero os Sl 3-7 como pausa de pensamento da coleção (Sl 3-14). Sua forma e seu conteúdo hão de se considerar conjuntamente. Estes salmos formam “o prato de entrada” ao primeiro livro dos Sl 3-41. Eles concentram a linguagem mais lamentosa do saltério preparando aos/as leitores/as para as turbulências sociais dos textos vendeiros.

1.2.2.4. O Salmo 8: disputa social entre “louvor” e “violência” (pausa entre os