4.1. Devlet başkanında aranan ahlâki özellikler
4.1.1. Zalim olmaması
Para finalizar este capítulo, quero introduzir a noção de redes complexas para representar o que é a ciência, em meu ponto de vista29. Talvez, esta seja a parte mais especulativa deste manuscrito, no
entanto, foi uma conclusão que cheguei após a análise da epistemologia que desenvolvi nesta tese. Devo alertar que a proposta que apresentarei é ainda muito superficial e ainda carece de muito investimento intelectual para ser formalizada rigorosamente. Uma rede complexa, em termos bem simplificados, é composta por diversos nós interligados, sendo que as ligações entre os nós denotam a existência de uma interação entre eles. Parece-me que este é exatamente o caso do conhecimento científico, o qual pode ser visto como uma rede complexa composta por cientistas e seus programas de pesquisa (os nós da rede) que interagem entre si não apenas competitivamente em suas disputas teóricas, mas principalmente estabelecendo pesquisas colaborativas. Se tomarmos os casos discutidos na seção anterior, é fácil notar que Hanski e Ovaskainen estabeleceram uma forte conexão colaborativa entre si e que Simberloff e Roughgarden claramente competiram quando um tentou invalidar a proposta do outro. Estes são meros exemplos dentro de uma rede estruturada em milhões de cientistas e suas interações30. Creio que ao
entendermos melhor a estrutura e a dinâmica dessas redes, obteremos uma compreensão muito mais clara e sensata do que é a ciência e o conhecimento que esta atividade humana provê ao mundo.
Atualmente, concepção de redes complexas tem se disseminado rapidamente em muitos ramos da ciência, desde a física até as ciências sociais, incluindo a ecologia (Melián e Bascompte, 2002; Lewin- sohn et al., 2006; Bascompte, 2007; Ings et al., 2009; Dale e Fortin, 2010). O conhecimento gerado
29El-Hani (2006) sugere um conceito similar, porém em um contexto mais específico relacionado ao problema
de generalizações científicas. Apesar disso, sua ideia geral se ajusta muito bem ao que apresentarei nesta seção. El-Hani conclui que “a construção de teorias ecológicas (e, em termos gerais, biológicas) é a maneira de esta- belecer [as] propriedades desejáveis das generalizações. Estas não são propriedades que uma proposição pode ter isoladamente, mas apenas como membro de um conjunto integrado de proposições ou uma rede teórica, na qual cada membro ajuda a delimitar o domínio de aplicação de qualquer outro membro. Estes conjuntos integra- dos de afirmações sobre o mundo são, possivelmente, compreensíveis nos termos das ‘máquinas nomológicas’ de Cartwright (1999), modelos constituídos por vários componentes em interação que, se estiverem de acordo com os aspectos relevantes do mundo empírico, exibirão comportamento similar ao dos sistemas modelados.” (p. 61)
30Aqui estou considerando uma rede de conhecimento atual, ou seja, estou levando em conta apenas os cientistas
vivos e que estão em condições de interagir agora. Contudo, podemos pensar em uma estrutura de rede que contemple o conhecimento passado, dos cientistas que já faleceram. Lembro o leitor que a proposta de organizar o conhecimento científico em uma rede complexa ainda é incipiente, e aqui apresentada em caráter especulativo- conjectural.
por estudos de redes ecológicas ou sociais complexas pode ajudar bastante os epistemólogos a definirem melhor o que é a racionalidade e como os cientistas usam sua razão no desenvolvimento de suas teorias hipotéticas sobre a natureza. A teoria nesta área do conhecimento dispõem de uma série de métricas que descrevem a estrutura de redes complexas e que, presumo, podem ser usadas para descrever algumas características da rede de conhecimento que estou propondo. Por exemplo, pensando apenas na parte colaborativa da rede de conhecimento, esta rede possivelmente será composta por mais de um sub-grafo (i.e. conjunto de nós mais conectados entre si que com outros nós externos ao conjunto). Assim, cientis- tas pertencentes a um mesmo subgrafo estão mais conectados entre si, ou seja, fazem mais colaborações e provavelmente compartilham CPEs que têm um funcionamento similar. O que quero sugerir com essa ideia é que estes subgrafos talvez nos ajudem a identificar e definir diferentes culturas epistemológicas.
Podemos também analisar se a formação destes subgrafos colaborativos está associada a interações antagonísticas entre cientistas pertencentes a subgrafos diferentes. (e.g. pode ser que alguns subgrafos sejam formados por cientistas que compartilham um perfil relutante a interações conciliadoras e que, portanto, só interagem com outros cientistas que tenham um perfil epistemológico similar). Isto seria percebido se, ao montarmos uma rede de interações competitivas, observássemos um alto grau (i.e. uma métrica de rede que mede quantas conexões estão associadas a um dado nó) para cientistas que com- põem um dado subgrafo mas um baixo grau para cientistas que compõem um outro subgrafo da rede. Dito em outras palavras, algumas culturas epistemológicas são relutantes em aceitar o pluralismo e po- deriam ser identificadas por subgrafos em que seus cientistas essencialmente compartilham os mesmos caminhos epistêmicos e rejeitam epistemes alternativas. Por exemplo, Murray e seus seguidores forma- riam um subgrafo deste tipo, assim como Peters e seus seguidores. Outros subgrafos seriam formado por cientistas mais colaborativos e que visam ampliar seu conhecimento integrando métodos e epistemes diferentes31. Cientistas com este perfil colaborativo parecem ter mais predisposição a aceitarem o plu-
ralismo interepistêmico e provavelmente estes pesquisadores possuem CPEs que se readaptam a taxas mais rápidas que cientistas com um perfil mais competitivo e restrito epistemologicamente. Contudo, estas são apenas suposições conjecturais que ainda precisam ser investigadas com maior profundidade.
Concluo esta seção recomendando fortemente que filósofos e cientistas dedicados a compreender o que é ciência em termos epistemológicos se unam na tentativa de elucidar as vantagens e as limitações
31Durante este doutorado tive a grande oportunidade de conviver com Carlos J. Melián, quem me convenceu
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do uso do conceito de redes complexas para suas investigações. Diversas são as linhas de pesquisa que podem ser desenvolvidas nesta área, uma vez que as estrutura das redes pode ser descrita de inúmeras formas (Bascompte, 2007). Aqui, descrevi noções muito básicas e superficiais ao conceber redes de competição e de mutualismo entre cientistas, mas outras formas de estruturar e analisar a rede de co- nhecimento podem e devem ser investigadas. Creio que com uma compreensão mais profunda desta complexa rede de conhecimentos científicos poderemos avaliar melhor se o pluralismo científico real- mente é uma noção equivocada (e.g. analisando a produtividade, disseminação e consequências sociais das teorias de cientistas que pertencem a diferentes culturas epistemológicas – i.e. subgrafos de uma rede de perfis de caixas pretas epistemológicas). Portanto, considero que a adoção do conceito de redes complexas para a resolução dos problemas epistemológicos é bastante promissora.