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À medida que se avança no conhecimento do conceito de produtividade da mão de obra, seus indicadores, fatores que induzem sua variação, sua importância e benefícios para a obra, torna-se necessário conhecer modos que auxiliem a previsão da produtividade que se antecipem a execução dos serviços. Com base em modelos sugeridos por Souza (2006), serão discutidos nesse tópico os modos denominados pelo autor: Tradicional, Inovador e Analítico.

3.6.1 Modelo Tradicional

Esse modelo ainda é o mais utilizado pelas empresas. De fácil entendimento e utilização, os engenheiros orçamentistas e os gestores de obras se apoiam em manuais que possuam a composição do serviço ou em valores médios das produtividades registradas pelas empresas que se preocupam em formar seus próprios bancos de dados.

Para esse modelo, Souza (2003) define as seguintes particularidades:

 Facilidade no uso, na medida em que o usuário utiliza valores pré-estabelecidos por composições e as associam aos quantitativos de saída desejados sem muito esforço;

 Levam-se em conta alguns, mais não muitos, e nem necessariamente os mais importantes, fatores de conteúdo que influenciam a produtividade. Em contrapartida não são considerados os fatores de contexto;

 Por serem valores médios de mercado, eles se tornam valor estático, não há uma faixa de variação que permitam ao usuário trabalhar com limites toleráveis de folga para mais ou para menos.

É possível ainda comentar a respeito da utilização tradicional de previsão da produtividade da mão de obra, que é confortável para os gestores das obras saber através de suas experiências anteriores que os valores adotados de previsão são facilmente superados, o que indica uma margem de segurança. Souza (2006) acredita que a postura de adoção de valores médios de produtividade muito arriscada devido às grandes variações verificadas e às margens reduzidas de lucro que se tem trabalhado atualmente.

3.6.2 Modelo Inovador

Ao contrário da tipologia anterior que utiliza valores médios, o Modelo Inovador trabalha com valores flutuantes de produtividade, ou seja, a produtividade varia em faixas acentuadas e está associada a fatores que a influenciam. Dessa forma, os gestores podem associar valores distintos de produtividade aos diferentes graus de dificuldade que cada atividade possui, ou seja, os menores valores de RUP estarão ligados aos fatores favoráveis e os maiores valores de RUP ligados aos fatores desfavoráveis. Essa atitude dos gestores de adotar produtividade variável para momentos diferentes da execução de uma atividade se aproxima mais da programação de obra que o modelo tradicional, pois nesse caso é necessário prever com mais precisão os fatores complicadores da produtividade.

Para exemplificar, alguma empresa que tenha o hábito de registrar a cada obra executada as suas produtividades variáveis e as características da obra de influência sobre essas produtividades, poderia ter a seguinte situação em seu banco de dados: uma faixa de valores de RUP cum oficial variáveis, da execução da tarefa ramal de esgoto, iguais a: 0,22

Hh/m (mínima); 1,30 Hh/m (máxima); 0,50 Hh/m (mediana), representadas na Figura 12.

0,22 Hh/m 0,50 Hh/m 1,30 Hh/m

FATORES FAVORÁVEIS FATORES DESFAVORÁVEIS

Corte de parede com equipamento elétrico Corte de parede sem equipamento elétrico

Tubulação assentada em shafts Tubulação embutida nas paredes

Muitas conexões por metro linear de tubulação Poucas conexões por metro linear de tubulação

Projeto com soluções simples Projetos com soluções complexas

Figura 12 - Faixa de produtividade variável e seus fatores de influência (adaptado de SOUZA, 2006)

Sobre o Modelo Inovador de previsão de produtividade, Souza (2006) define as seguintes particularidades:

 Mais flexível que o Modelo Tradicional e leva maior confiabilidade à previsão, na medida em que permite determinar-se um valor de RUP coerente com as características do serviço analisado;

 Necessita da determinação do gestor de quais fatores esperados atuarão na futura obra para viabilizar a previsão;

 Representa um caminho alternativo ao Modelo anterior que não acrescenta maiores dificuldade no uso.

É importante salientar que a determinação da faixa de produtividade pode ser elaborada não apenas com base nos dados históricos da empresa, mas também pela coleta dentro da própria obra analisada. Além disso, na medida em que evolua o controle dessa previsão é possível fazer nova aferição dos valores dessa faixa de produtividade variável.

3.6.3 Modelo Analítico

O modelo Analítico, diferentemente de seus antecessores, não prevê a produtividade usando apenas o histórico do banco de dados, mas sim um modelo estatístico que proporciona maior probabilidade de precisão na previsão. Souza (2006) define o Modelo Analítico como a decomposição da previsão em várias etapas, dando maior detalhamento a essa disposição a partir da expectativa quanto às dificuldades dos fatores de conteúdo e contexto para definir a produtividade potencial do oficial, acrescentando o efeito da anormalidade. Para a produtividade cumulativa final acrescenta-se a os esforços demandados dos ajudantes diretos e de apoio. O autor sugere para o uso desse método a sequência de etapas a seguir:

 Descrição das partes que compõem a execução da atividade;  Definição dos fatores relevantes para a RUPpot of;

 Baseado nos fatores determinados no item anterior, estimar o valor da RUPpot of;

 Estimar a variação entre a RUP cumulativa e potencial do oficial (

D

RUPcum-pot of);

 Definir a relação de ajudantes diretos por oficial;  Definir a equipe de apoio.

Qualquer um dos três Modelos oferece aos gestores de obra uma importante ferramenta de prognóstico da produtividade da mão de obra através da análise, do gestor,

dos possíveis fatores que dificultam a execução das atividades planejadas e sua intensidade de dificuldade. Essa análise, que pode ter origem em experiências anteriores, manuais de orçamento de obras e históricos de empresas, pode seguir caminhos simples ou mais complexos que proporciona maior possibilidade de acerto nas previsões. Entretanto, é necessário que o gestor tenha ciência que cada um desses Modelos pode ser usado em ocasiões específicas exigidas pelas características de cada obra ou atividades. No caso desse trabalho será utilizado o Modelo Inovador de previsão da produtividade na execução dos sistemas prediais abordados.