Muitas vezes a contaminação de espécies vegetais é de caráter acidental. No entanto, a adulteração é, por definição, fraudulenta. Atualmente, não existem meios de fiscalização que garantam um controle de qualidade das plantas comercializadas. As primeiras regulamenta- ções vêm sendo implantadas pelos órgãos de Controle Sanitário para o registro dos fitomedicamentos e fitoterápicos, mas grande parte do uso popular é baseada na comercialização em mercados e feiras.
Extratos vegetais para uso cosmético são comercializados livremente, sem a exigência de padronização em conteúdo de ativos e, se forem avaliados extratos de diferentes fornecedo- res, provavelmente serão encontrados perfis variados. Isso não dá garantia de que seu processamento produzirá fitocosméticos bem definidos e de qualidade aceitável (HANSEL & TRUNZLER, 1989).
Há quase duas décadas, no início dos anos 1990, já se falava que as expectativas do consumidor em relação aos produtos naturais podiam variar, dependendo da categoria do pro- duto; entretanto, muitas delas parecem ser comuns a todas as categorias: o consumidor espera mais pureza, segurança e eficácia, assim como maior compatibilidade com o organismo e os aspectos químicos do corpo (GANS, 1991)
Grande parte dos consumidores de fitocosméticos sente-se encorajada por acreditar que, por serem naturais, são inerentemente seguros. A influência da imprensa na difusão de informações errôneas sobre os efeitos das plantas contidas em cosméticos é muito grande e, além disso, sem qualquer controle na maioria dos países.
Por fim, embora se tenha informações de como devem ser realizados o controle de qualidade de matérias-primas vegetais e das formulações fitocosméticas, a falta de padroniza- ção e qualidade das amostras brasileiras são evidentes e comprometem a importância que os fitocosméticos podem representar na saúde pública brasileira, confirmando a necessidade urgente da vigilância com legislação própria e específica.
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ZENG, L. et al. Five new monotetrahydrofuran ring acetogenins from the leaves of Annona muricata. J. Nat.
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Co le tâ ne a Ci en tíf ic a FA RM A CO G N O SI AAmélia Teresinha Henriques Gilsane Lino von Poser José Angelo Silveira Zuanazzi Miriam Anders Apel Stela Maris Kuze Rates
O desenvolvimento de programas de investigação em plantas com interesse medicinal é inerente a laboratórios de Farmacognosia, disciplina do âmbito profissional farmacêuti- co, fato esse que pode ser verificado pela produção de artigos científicos na área de produtos naturais bioativos em países como EUA, Alemanha e França. No Brasil, entretanto, por ra- zões históricas, o estudo de plantas medicinais estabeleceu- se incialmente, e de forma muito consistente, ligado a grupos de investigadores na área de química. O pesquisador pioneiro da área foi o Dr. Walter B. Mors, químico, com atuação inicial no Instituto de Química Agrícola (IQA) e, posteriormente, no Centro de Pesquisas de Produtos Naturais da Universidade Fe- deral do Rio de Janeiro, da Faculdade de Farmácia. O estabele- cimento posterior de outros pesquisadores estrangeiros no Rio de Janeiro, como os doutores Benjamin Gilbert, Keith Brown Jr e Paul Baker além dos brasileiros, como Hugo
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Co le tâ ne a Ci en tíf ic a FA RM A CO G N O SI AMonteiro e Afonso Seabra, a maioria químicos, intensificou as pesquisas na área fundamental de química de produtos naturais.
Igualmente referência na área de produtos naturais, o Dr. Otto Gottlieb também do IQA, transferiu-se para a Universidade de Brasília, depois para a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, e para a Universidade de São Paulo, onde nucleou diversos grupos de pesquisas na área, em institutos de química. Nesses grupos, o interesse estava direcionado principalmente à obtenção de novas estruturas e sua síntese ou semissíntese. Só a partir da década de 1990, houve uma modificação nesses perfis. Os pesquisadores da área de química, que ainda predo- minam fortemente no segmento, passam a preocupar-se também com as atividades biológi- cas, e os grupos instalados em faculdades de farmácia, que por muitos anos especializaram-se na autenticação e qualidade acessada por avaliação microscópica de drogas vegetais, iniciaram trabalhos para isolamento e caracterização de produtos naturais.
Nesse sentido, a Faculdade de Farmácia da UFRGS é pioneira no Brasil no desenvolvi- mento de estudos químicos no âmbito da Farmacognosia, o qual teve sua origem em convênio com a Universidade Münster, Alemanha, no início da década de 1970. Essa cooperação permi- tiu a instrumentalização dos laboratórios analíticos e a presença de pesquisadores alemães da área, e foi decisiva para a implantação de programa de Pós-Graduação em Farmácia, também pioneiro no país, e no incentivo ao aperfeiçoamento dos docentes.
Nos anos 1980, houve uma modificação na composição dos docentes da faculdade pela absorção de pesquisadores que se doutoraram no estrangeiro e iniciaram trabalhos de cunho tecnológico e químico, visando qualificar matérias-primas vegetais, bem como avaliar as potencialidades de aplicação da flora para a saúde humana e animal. Nos laboratórios de Farmacognosia, as pesquisas ganharam novo direcionamento. Os estudos iniciais focalizaram alcaloides, mas hoje abrangem também iridoides, óleos voláteis e compostos fenólicos, asso- ciando o estudo químico a ensaios biológicos e estudo farmacológico. Além disso, são desen- volvidos projetos envolvendo biotransformação e controle químico de qualidade.
Ao longo dos últimos 25 anos, muitos e significativos resultados foram obtidos e, para tanto, diversas colaborações foram estabelecidas, com grupos da própria Universidade, de outros e Estados do Brasil e do estrangeiro, destacando-se França e Espanha.
Os trabalhos incluídos nesta revisão representam apenas um recorte dos muitos desen- volvidos ao longo do tempo. Esse recorte considerou a homogeneidade temática. Vários não estão aqui sumarizados. Esse fato não indica que foram esquecidos ou menos valorizados, todos foram relevantes e contribuíram para o desenvolvimento do laboratório até a fase atual; deixa- ram de ser apresentados apenas por logística ou por estar inseridos em temas em consolidação e/ou inovadoras. Com certeza, constarão em versões futuras, ampliadas. Destacamos numero- sas dissertações e teses com temas relacionados ao controle de qualidade de drogas vegetais (SCOPEL, 2005; SCHWANZ, 2006) e atividades biológicas (SUYENAGA, 2002, VARGAS, 1995; BRIDI, 1999, MACHADO, 1993), análise química e de bioatividades em frutas, realizadas com objetivo de contribuir para o conhecimento de suas propriedades nutracêuticas (DRESCH, 2008; MARIN, 2008; RAMIREZ, 2008) ou esponjas marinhas e organismos associados (DRESCH, 2008a). Tam- bém poderiam ser destacados inúmeros trabalhos ligados a levantamentos etnobotânicos e utilização de plantas medicinais e fitoterápicos. Para a concretização desses resultados, muitas colaborações foram estabelecidas, sem as quais não teria sido possível alcançar os objetivos
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Co le tâ ne a Ci en tíf ic a FA RM A CO G N O SI Apretendidos que se materializaram em numerosas publicações e alguns processos patenteados.