O PPARG é expresso em várias linhagens celulares de CM (MCF7, BT474, T47D e MDA-MB231) (CLAY et al., 1999) e em culturas de tecido mamário de camundongos (ELSTNER et al., 1998) e de mulheres (MEHTA, 2000). Além disso, o PPARG é consideravelmente expresso em carcinomas mamários iniciais e metastáticos (MUELLER et al., 1998).
A ativação do PPARG causa a inibição da proliferação e apoptose em linhagens celulares e cultura de tecido de CM (ELSTNER et al., 1998; MUELLER et al., 1998; CLAY et al., 1999; YIN et al., 2001) através da super expressão de P21 em células mamárias malignas. A expressão deste inibidor de CDK é acompanhado pela baixa expressão de CDK2, CDK4, ciclina D1, como também a atenuação da fosforilação da retinoblastoma, na qual leva a parada do ciclo celular na fase G1 (YIN et al., 2001).
A ativação do PPARG pelas TZD induz modificações moleculares e morfológicas com fenótipo menos maligno e menor capacidade de crescimento, sugerindo que a ativação da transcrição do PPARG induz a diferenciação terminal de células mamárias malignas e pode se tornar uma terapia não tóxica para o CM (MUELLER et al., 1998).
Foram constatados redução do tamanho e peso de tumor em camundongos injetados com células cancerosas mamárias depois do tratamento com TZD (ELSTNER et al., 1998). O mesmo foi observado em ratos, além da redução na freqüência e volume de tumores mamários induzidos por dimetilbenzantraceno (PIGHETTI et al., 2001). Além disso, a ativação do PPARG preveniu a indução de lesões pré-neoplásicas em cultura celular de glândulas mamárias depois do tratamento com dimetilbenzantraceno (MEHTA, 2000).
56 A diminuição da expressão do gene BCL2 é associada com inibição do crescimento celular em linhagens celulares de câncer de mama depois do tratamento com TZD, o qual pode prevenir a super expressão de BCL2, que é uma proteína que impede a apoptose. (ELSTNER et al., 1998). Esses achados estão em concordância com outro estudo que encontrou uma ativação da caspase 3 na resposta à ativação do PPARG (CLAY et al., 1999).
Em resumo, a ativação do PPARG por ligantes tem efeitos anti-proliferativos, pró- diferenciativos e pró-apoptóticos nas células cancerosas. Embora este receptor não tenha função na terapia primária do câncer, sua baixa toxicidade o torna um candidato para ajudar no tratamento, juntamente a outras drogas para cada tipo de câncer (WANG et al., 2006).
Assim, uma vez que o gene PPARG apresenta vários polimorfismos importantes e está relacionado a etapas importantes da promoção do câncer, especialmente o de mama, justifica- se a investigação dos efeitos destes polimorfismos e suas interações com outros fatores de risco.
Portanto, o aumento da investigação científica através de trabalhos efetivando a genotipagem de humanos juntamente com a incorporação continuada de avanços na genética e biologia molecular dentro de estudos epidemiológicos, é fundamental para se determinar a verdadeira contribuição do PPARG na promoção do CM (HANKINSON et al., 2004).
2.3.6 POLIMORFISMO PRO12ALA DE PPARG 2
A avaliação de polimorfimos genéticos e haplótipos, em conjunto com o ambiente e exposição a fatores de risco, é de grande importância para o entendimento da etiologia do CM como um todo (HANKINSON et al., 2004)
Como dito anteriormente, o polimorfismo Pro12Ala gera uma substituição de prolina por alanina no códon 12 no exon B do gene do PPARG2, que leva a troca de citosina por guanina. A proteína resultante possui uma afinidade 50% menor que as suas variantes tanto na transativação dependente quanto na independente de ligante (DEEB et al., 1998), sendo então suas conseqüências analisadas por estudos mais recentes. PPARG2 Pro12Ala apresenta uma freqüência na população que varia de acordo com a etnia: é baixa em africanos e asiáticos (1 a 3%), e alta em caucasianos (20%) (YEN et al., 1997; MEIRHAEGHEA e AMOUYEL, 2004).
57 Alguns estudos demonstraram relação entre o polimorfismo Pro12Ala e a melhora da sensibilidade a insulina, sendo muito investigada no controle do diabetes (DEEB et al., 1998; HASSTEDT et al., 2001; NICKLAS et al., 2001; GONZALEZ SANCHEZ et al., 2002; LINDI et al., 2002; MULLER et al., 2003), e outras alterações metabólicas como na composição corporal, tanto a nível de IMC, massa livre de gordura e ingestão energética (RISTOW et al., 1998; EK et al., 1999; VALVE et al., 1999; VACCARO et al., 2000; HASSTEDT et al., 2001; NICKLAS et al., 2001; DONEY et al., 2002; LINDI et al., 2002; MULLER et al., 2003; ROBITAILLE et al., 2003; ROSMOND e BOUCHARD, 2003; MEIRHAEGHEA e AMOUYEL, 2004).
Levando em consideração o crescente número de estudos que investigam a relação de PPAR com o crescimento celular, diferenciação e apoptose em vários tipos de câncer, e outros que analisam a interação dos polimorfismos existentes, testes clínicos mostram que o PPARG pode se tornar um alvo de interesse na terapia do câncer.
Um estudo realizado no Japão investigou o consumo alimentar e os polimorfismos C161T e Pro12Ala de PPARG e não encontrou associação com o aumento do risco de desenvolvimento de câncer de cólon (KURIKI et al., 2006). Esse polimorfismo também foi estudado nos Estados Unidos em 2005, e demonstrou-se que em pacientes com câncer de cólon retal que apresentavam o fenótipo Pro12Ala ou Ala12 tinham menos chances de desenvolver esse tipo de câncer, quando comparado a indivíduos 12Pro. Esses indivíduos também apresentavam menor razão cintura/quadril e menor IMC. Os tabagistas com fenótipo Pro12Ala tiveram 2,3 vezes mais chance de desenvolver o câncer quando comparados aos indivíduos portadores de Ala12 (GONG et al., 2005). Contudo, outros autores não concordam com estes resultados, uma vez que não encontraram relação significativa desse polimorfismo com câncer cólon retal em população indiana (JIANG et al., 2005) e nem em finlandeses com câncer de próstata (PALTOO et al., 2003).
Poucos estudos no mundo investigaram o possível envolvimento deste polimorfismo com CM em mulheres e demonstraram efeitos contraditórios. Um desses estudos não encontrou uma relação satisfatória entre o polimorfismo Pro12Ala com risco de CM (MEMISOGLU et al., 2002), embora outro estudo realizado por VOGEL e colaboradores (2006), demonstrou um efeito protetor do polimorfismo. Tomadas juntas, as informações direcionam a necessidade de investigação da relação entre os polimorfismos, a dieta e o estilo de vida sendo que o entendimento das interações e desses fatores melhorarão as estratégias preventivas e eventualmente auxiliarão a evitar muitas mortes (LOKTIONOV, 2003).
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3.1 GERAIS
Realizar estudo de caso-controle para avaliar as associações entre fatores clínicos, nutricionais, comportamentais e polimorfismo Pro12Ala de PPARG sobre o risco de câncer de mama.