4.ÇAĞDAŞ SANAT-GÜNCEL SANAT-KAVRAMSAL SANAT
5.1. GÜLSÜN KARAMUSTAFA
5.2.3 Yerel Kültürden Evrensel Kültüre Örnek Çalışma 3:Küba
O perfil do grupo entrevistado, conhecido após o levantamento de sua área de formação, suscitou os questionamentos seguintes sobre a motivação de cada pesquisador para investigar a ID, tais como Qual foi a sua motivação inicial para esse tema de pesquisa, algo em particular? O que o levou a se interessar pelos aspectos da inclusão digital? As respostas dos entrevistados foram agrupadas segundo os motivos semelhantes, ocasionando na criação das categorias apresentadas no QUADRO 13 – Razões declaradas pelos entrevistados para a escolha da ID em seus mestrados/doutorados:
QUADRO 13
Razões declaradas pelos entrevistados para a escolha da temática ID em seus mestrados/doutorados
Motivação para o estudo da ID Nº %
Pesquisas ou atuação profissional anterior relacionada
às TICs 12 48
Interesse pela tecnologia em ações sociais 2 8
Temática proposta pelo orientador do PPGCI 4 16
(Re)Definição do tema ao cursar disciplinas do
mestrado/doutorado 7 28
Total 25 100%
Elaborado pela autora, 2010
Cada entrevistado possui motivos interessantes para a escolha da temática ID em seus estudos, como pode ser observado nas declarações reproduzidas abaixo:
a) Pesquisas ou atuação profissional anterior relacionada às TICs: o interesse pré-existente pela tecnologia, já presente em atividades acadêmicas ou profissionais, culminou em seu aprofundamento através do ingresso na pós- graduação stricto sensu para doze pesquisadores, ou seja, 48% dos entrevistados. Esse número mostra que a vivência anterior é importante para a definição temática do que se pretende pesquisar, relacionando conceitos e saberes já incorporados ao cotidiano do profissional preocupado em resolver suas dúvidas, curiosidades ou necessidades que precisam ser aprimoradas. As declarações abaixo confirmam essa constatação:
“Eu trabalho com inclusão digital desde 1995, nem existia ainda propriamente
curiosidade natural pelo aspecto tecnológico. [...] eu participei exatamente do primeiro curso de formação de jornalistas na área tecnológica e foi assim que nessa virada de ano eu me vi envolvida na inclusão da tecnologia com profissionais de comunicação num ambiente de redação, jornalístico, e depois na mesma inclusão com futuros profissionais de comunicação, que eram estudantes. [...] Então, assim, inclusão digital para mim, no projeto de tese, se transformou apenas em algo científico, porque ele já era um projeto de vida, se transformou em um objeto de pesquisa e hoje é um projeto de vida também, porque ele apenas se solidificou.” (Entrevistado 1)
“Eu lidava direto com isso [tecnologia], era no meu setor que vinham se
cadastrar e eu queria trabalhar justamente isso, porque você percebia muito a resistência dos docentes em relação ao computador, principalmente quando começaram a implantar a falta eletrônica [na universidade]. Era aquele medo: 'não, não quero mexer', 'não, vou passar isso para a secretária, a secretária que
vai entrar…' Então eu queria trabalhar com isso.” (Entrevistado 9)
“Durante a graduação teve um curso de capacitação para monitores de
telecentros e estavam precisando de alunos para trabalharem nesse projeto [...] achei que seria interessante para o meu currículo trabalhar como bolsista voluntária. Então eu já tinha trabalhado com isso [ID] durante a graduação, era um assunto que me interessava, era uma questão que realmente me motivava para estudar. Então foram dois fatores: um que foi minhas professoras precisarem de bolsistas e o outro que eu tinha interesse mesmo, em função da minha historia de vida.” (Entrevistado 28)
b) Interesse pela tecnologia em ações sociais: com o avanço das TICs surgiu a possibilidade de inserir essa tecnologia nos mais diversos meios em busca de aperfeiçoamento técnico e social de populações inteiras. A ID, no entender de dois pesquisadores (8% da amostra), é vista como um aporte para modificações e melhorias que afetam o meio social, como se percebe a seguir:
“Eu comecei a minha vida profissional na área de cultura, então, era muito
envolvida com dança, especialmente. E aí eu comecei a perceber as dificuldades entre o artista, que produzia algo extremamente bonito, sensível esteticamente perfeito, e a infraestrutura, que ainda não tinha para realizar aquilo. E eu comecei a ver que você precisava também desenvolver a questão da gestão, a questão da própria tecnologia que estava vindo [...] e daí eu enxerguei na biblioteca um espaço muito mais democrático que um teatro, por exemplo, para você começar a sensibilizar as pessoas, especialmente através da leitura, para essas questões culturais. Nesse processo, eu fui automaticamente me interessando pelas novas tecnologias, que estavam surgindo, e pela questão da informação e vendo as tecnologias como um meio, e aí comecei a caminhar no sentido da informação.”. (Entrevistado 5)
c) Temática proposta pelo orientador em momento anterior ao ingresso no PPGCI: a influência do orientador na delimitação da temática apresentada ao PPGCI foi uma realidade para quatro dos pesquisadores, ou seja, 16% do público entrevistado. O interesse pelos aspectos da ID já era uma realidade na trajetória profissional ou acadêmica do orientador que participou ao orientando tanto as conquistas já alcançadas quanto os desafios pendentes, incutindo-lhe o
desejo de contribuir para a ampliação das discussões sobre a ID na CI, conforme declaram os pesquisadores:
“Eles precisavam de alguém para iniciar um trabalho mais voltado para a
criação de indicadores na ID. Como eu sou formada em estatística, fizeram o convite e eu aceitei.” (Entrevistado 30)
“Quando me interessei em fazer o mestrado, tive contato com o Prof. Emir
[Suaiden] que me indicou o projeto de doutorado da Cecília [Leite]. Daí comecei a trabalhar com eles. [...] Quando busquei informações no CID [UnB], a linha de gestão da informação foi a que mais me chamou atenção. Inicialmente a ideia era enfocar informática na educação. Mas com o contato com a Cecília acabei me encantando pela inclusão digital.” (Entrevistado 31) d) (Re)Definição do tema ao cursar disciplinas no decorrer do
mestrado/doutorado: para 28% dos entrevistados, totalizando sete pesquisadores, foi apenas após cursar alguma disciplina no PPGCI – seja como aluno especial60 ou efetivo – que deu-se a definição do tema de pesquisa pela ID. Isso ocorreu, principalmente, durante o curso de disciplinas que apresentaram algum aspecto relacionado às TICs ou a políticas de informação. Também foi citada a influência do orientador ou de grupos de pesquisa que trabalhavam com a ID, além de modificações sugestionadas por resultados favoráveis da pesquisa em ID em outro contexto que não o proposto inicialmente pelo entrevistado. Merece menção a afirmação de três entrevistados quanto ao foco principal de suas pesquisas cujo tema da ID era preocupação secundária (três dissertações que abordaram o uso das TICs por deficientes visuais e surdos), em detrimento à acessibilidade desse público junto às TICs, como mostram os seguintes depoimentos:
“Na primeira disciplina que eu fiz [no mestrado], nós começamos a discutir
muito as questões que o Livro Verde abordava. Então uma questão importante lá no Livro Verde é o acesso, essa questão da ID. E eu achei muito interessante, e a partir daí o tema me interessou muito e me interessou muito também pela forma interdisciplinar que a CI trata todos os temas, não só a ID mas todos os temas. E eu vi que poderia ser interessante estudar isso por causa da interdisciplinaridade e porque era uma coisa nova para mim, uma preocupação com relação a isso. Meu interesse foi a partir daí, dessa disciplina que eu fiz lá na CI que o foco era o estudo do Livro Verde.” (Entrevistado 11)
“Na realidade meu desejo era trabalhar com acessibilidade em ambientes
digitais específicos para surdos, sendo a questão da inclusão digital, em especial, vindo a posteriori. Me interessei pela acessibilidade de usuários surdos em ambientes digitais ao conviver e observar como realizavam suas buscas em sites da internet e em como tais espaços poderiam lhes ser ainda mais significativos.” (Entrevistado13)
60Alunos que cursaram disciplinas isoladas me momento anterior ao ingresso no PPGCI. Essa condição de aluno especial foi prática comum para, no mínimo, nove dos entrevistados.
"Quando eu ingressei no mestrado, na verdade eu ingressei com um outro
projeto, mas a ideia geral era trabalhar com algo que plantasse o acesso e o uso da informação mais eficaz para mudar alguma coisa na vida das pessoas [...] e eu percebia essa incapacidade das pessoas em perceberem, muitas vezes, que o problema que elas tinham era um problema de falta de informação. Então, eu vinha com esse aspecto na minha cabeça, mas sem saber exatamente como eu poderia trabalhar. E daí, quando eu cheguei aqui [na UFBA], eu encontrei o GEPINDI (Grupo de Estudos em Políticas de Informação e Inclusão Digital) que era um grupo que já estava preocupado com inclusão digital, mas que ainda estava começando a trabalhar, então eu não sabia, não tinha ainda uma base conceitual muito sólida e eu queria trabalhar nisso. E eu percebi que poderia ser um viés para as minhas intenções pessoais de trabalho.” (Entrevistado 14)
"Na verdade, foi uma das disciplinas, “Fundamentos Sociais da Informação”,
não é isso? Nessa disciplina, a gente começou a ver alguns programas, algumas sugestões de trabalho para trabalhar, pesquisar, relacionado o uso da informação com uma coisa mais social. E na pesquisa eu encontrei vários programas que trabalhavam essa questão da ID. E como isso já era uma ligação que eu tenho com a parte da tecnologia, achei que seria interessante tentar entender o que estava acontecendo. E aí começaram a surgir alguns programas que me chamavam a atenção e aí resolvi estudar, tentar conhecer mais e saber o que estava acontecendo nesse processo de inclusão, o que era essa ID que todo mundo falava." (Entrevistado 22)
“Apresentei pré-projeto [de mestrado] na área de inclusão digital voltada para
a saúde. Ao chegar a Brasília, eu consegui me inscrever também no curso de pós [especialização] em inteligência competitiva. Toquei os dois ao mesmo tempo [...] Eram temas diferentes. O mestrado voltado para inclusão digital na área da saúde e na especialização inclusão digital para Pequenas e Médias Empresas. Ao defender a monografia, os professores da banca e os que assistiam à apresentação consideraram o tema interessante e sugeriram que eu desse continuidade a esse trabalho no mestrado [inclusão digital para Pequenas e Médias Empresas].” (Entrevistado 29)
A motivação para a escolha da ID pelo entrevistado que anteriormente lidava com as TICs é natural, afinal, trata-se da ampliação de seu conhecimento sobre o tema, aperfeiçoando sua trajetória acadêmica ou profissional. Destaca-se no grupo, entretanto, o interesse do pesquisador em conhecer previamente o PPGCI e a área da CI através de seu ingresso como aluno especial, também conhecido como aluno de disciplina isolada61. Outro aspecto é o desejo de alunos de cursos de especialização em CI optarem pela continuidade dos estudos sobre o tema iniciado nessa pós-graduação. Esses casos explicitam que o aluno de uma isolada ou de uma especialização pode tornar-se um pesquisador e mostra a importância dessas iniciativas por permitirem que, ao ingressar em um mestrado/doutorado o aluno tenha consciência e maturidade acadêmica sobre a área e, muitas vezes, a definição precisa do tema
61Disciplinas integrantes dos currículos de graduação e pós-graduação cursadas para complementação ou atualização de conhecimentos. O aluno em questão não pode pertencer ao corpo discente da instituição.
a ser trabalhado em sua pesquisa – o que só aconteceu para 28% dos entrevistados no decorrer do curso. Considerando-se, por exemplo, o prazo para a defesa de uma dissertação que é de 24 meses, há perda no tempo empreendido por esse aluno até seu entendimento sobre a área, bem como a clara definição da temática a ser pesquisada. O atraso pode gerar prorrogações no prazo de defesa e esse pormenor compromete o PPGCI, já que o cumprimento desses prazos é um critério de avaliação da CAPES para sua pontuação em termos de qualidade.