3.KÜRESELLEŞME KAVRAM
4.1. Türkiye’de Kavramsal Sanatın Başlangıcı; 1990’lardan itibaren son Dönem 1990’lardan itibaren son Dönem
5.1.3. Kolektif Bellek Ve Kültürel Kodlar Örnek Çalışma 2; Kuryeler
É consenso, como apontado anteriormente no referencial teórico, que as lan houses têm se destacado no processo de ID em relação aos telecentros e diversas pesquisadas analisadas por esta tese investigaram estes espaços criados e mantidos pelo poder público, privado e do Terceiro Setor, cada qual com suas particularidades. Com este argumento, foi solicitado que o entrevistado analisasse as seguintes indagações: você acha que os telecentros são, ainda, bons instrumentos de inclusão digital? Qual comparação você faz com as lan houses, por exemplo, que se destacam gradativamente entre grupos marginalizados? (mais até que muitos programas governamentais de ID e/ou de organizações privadas e do terceiro setor). Segue-se, no QUADRO 21 – Opinião sobre as lan houses e os telecentros para fins da inclusão digital o que os entrevistados pensam a respeito:
QUADRO 21
Opinião sobre as lan houses e os telecentros para fins da inclusão digital
Lan houses e telecentros Nº %
Os telecentros são ideais para o desenvolvimento das
ações de ID 6 24
A liberdade das lan houses aliado ao baixo custo de acesso são atrativos mais interessantes que os telecentros
12 48
Ambos são importantes e indispensáveis para o avanço
da ID, embora precisem de aperfeiçoamento 4 16
Não respondeu/não soube responder 3 12
Total 25 100%
Elaborado pela autora, 2010
A resposta dos entrevistados gerou quatro categorias para nossa análise, todas acompanhadas pelos depoimentos dos pesquisadores, conforme detalhado a seguir:
a) Os telecentros são ideais para o desenvolvimento das ações de ID: seis entrevistados, 24%, acreditam que os telecentros são mais apropriados para o desenvolvimento das ações de ID devido ao caráter de comprometimento que esses espaços apresentam, principalmente quando comparados às lan houses:
“Fui nesse telecentro e era diferente, por ele ser acessível tanto fisicamente
com rampa de acesso, faixa no chão, banheiros, cadeiras, salas especiais que até portadores de síndrome de down frequentavam. Não havia muitos jovens, apenas um ou outro. Os jovens gostam da lan house por ambiente, por outra coisa e lá não se permitia qualquer tipo de página. Tinha muitos velhos e os monitores ajudavam. Isso era muito bacana. A lan house não tem o monitor e essa é a diferença, além do local acessível.” (Entrevistado 3)
“Ela [lan house] tem um sentido capitalista que um telecentro não teria. Só
que nas minhas idas e vindas pelo Brasil, interiorzão mesmo, tem telecentros que cobram como lan houses. Tem alguns que se caracterizam até pela própria pobreza da sociedade, da comunidade, e o telecentro acaba se transformando numa forma de sobrevivência. Não justifica, porque tem alguma coisa errada, é uma política pública. [...] Mas vou dizer o seguinte: não fossem os telecentros, a política de inclusão digital no Brasil não teria se fortalecido.” (Entrevistado 1)
“Eu não consegui achar ainda qual é o grande lance da lan house. [...] a lan house na verdade é só usar a tecnologia, que muita gente não tem ainda.
Então, eu acho que a única coisa que realmente traz um diferencial para a lan
house, para esse sucesso que ela tem, ela ainda permanece forte, é o lado do
entretenimento. O telecentro se propõe a atender algo mais.” (Entrevistado
“Os telecentros que são implantados dentro de espaços digitais especificados
como para bibliotecas, eu vejo que eles têm uma proposta metodológica melhor, mais ampliada. [...] são avaliados os conteúdos, que tipo de software que é colocado e a lan house não tem essa preocupação. Em biblioteca pública [o telecentro] tem uma finalidade maior, que é de ampliar o conhecimento voltado para a educação, para a pesquisa, então há essa diferenciação.” (Entrevistado 18)
“Na minha opinião, as lan houses se destacam porque é muito fácil abrir uma lan house e manter uma lan house. Você não precisa ter um projeto, você não
precisa ter nada para levar a inclusão. Está ali, quem quiser ir vai lá, chega, aperta e usa, não tem um acompanhamento. Eu acho que isso é um fator que faz com que a lan house seja tão disseminada. Agora, os telecentros, eu acho que são um caminho.” (Entrevistado 15)
b) A liberdade das lan houses aliado ao baixo custo de acesso são atrativos mais interessantes que os telecentros: para a maior parte dos pesquisadores, 12 ou seja, 48%, o desenvolvimento das lan houses em termos de ID proporciona impacto muito maior que qualquer telecentro:
“Na lan house você tem muito mais liberdade de ação do que nos telecentros.
E num telecentro você tem muito mais restrição sobre isso. Quem pode pagar uma lan house na periferia, paga a lan house e não vai para o telecentro. Na verdade, acho que os telecentros ainda não se encontraram. Eles não sabem ainda se eles são cursos de formação, se eles são espaços de convivência [...], e essa indecisão ainda não deu uma identidade como a lan house tem. A lan
house é o seguinte: eu estou aqui, eu pago, eu faço o que eu quero, como eu
quero, a hora que eu quero e isso motiva a sua criatividade também. [...] Então eu acho que os telecentros precisam repensar os seus conceitos nesse sentido. E a lan house está ganhando espaço com isso.” (Entrevistado 5)
“As lan houses com certeza tem um destaque maior sobre o primas de negócio
lucrativo e desta forma acaba por complementar as políticas nacionais de inclusão digital.” (Entrevistado 8)
“Por que uma pessoa prefere pagar para ter acesso a lan houses e que muitas
vezes deixa de acessar um telecentro para fazer o acesso em uma lan house? Alguma coisa está errada, porque a pessoa não pagaria se não tivesse um diferencial. Talvez tenha que se rever, por exemplo, as regras de acesso, muitas vezes eu acredito que de forma geral são mais rígidas dentro de um telecentro, de que dentro de uma lan house. Não estou aqui querendo dizer que deve-se permitir tudo dentro de um telecentro, não é isso, mas precisa ter um ambiente mais próximo do cidadão, mais próximo da realidade, das necessidades do cidadão.” (Entrevistado 11)
“Eu acho que a lan house é muito mais organizada. Como existe um custo
operacional ali, você tem profissionais capacitados, que é o próprio proprietário às vezes da lan house que preza pelos equipamentos que estão ali, é um processo comercial e se é um processo comercial as ofertas são maiores, isso já infelizmente é uma tônica do brasileiro, tudo que é ofertado pelo poder publico é inferior ao que é ofertado pelo capital, infelizmente é a realidade.” (Entrevistado 26)
“As lan houses conseguem fazer com que os indivíduos aprendam a usar a
tecnologia, mas falta o aspecto educacional, a orientação dos sites de pesquisa, onde encontrar informação para se tornar cidadão. Sem mediador
fica difícil conseguir que a população saia do lugar. Apenas exceções ocorrerem.” (Entrevistado 29)
“Os telecentros além de disponibilizar o acesso busca o processo de
alfabetização digital. Já as lans apenas focam o acesso. Acredito que as lans se destacam por maior liberdade sobre o tipo de informação acessado.” (Entrevistado 31)
“O espaço da lan house é o da individualidade, não o da integração, como em
um telecentro. A proposta da lan house é diferente, mas de alguma forma ela
está tomando esse espaço.” (Entrevistado 10)
“Acho que as lan houses estão tendo um papel importante na inclusão digital.
Quando eu estava no Rio de Janeiro, visitei algumas favelas que tinham projetos de telecentros comunitários e o que se via de lan houses era incrível [...] elas estão suprindo essa questão em termos de acesso na periferia. Talvez um projeto de inclusão digital devesse pensar em regular as lan houses, do que daqui a pouco ficar investindo em botar mais telecentros comunitários, sendo que a tecnologia já está ali né. Para quê investir mais tecnologia? De repente, acho que o caminho seria usar a lan house para esse fim.” (Entrevistado 25)
“Se forem regulamentadas, elas [lan houses] tem muito mais possibilidades de
fazer uma inclusão digital do que os próprios telecentros. [...] Elas existem em bastante quantidade, principalmente em cidades mais desenvolvidas e cidades pequenas que não tem telecentros, então elas são bem frequentadas. E se fosse feito uma regulamentação e um projeto de aproveitamento dessas lan houses, eu acho que seria um caminho mais viável, eu acredito. [...] o governo aproveitou ai as casas lotéricas para fazer um bocado de coisa, então as lan
houses podiam ser aproveitadas muito bem para inclusão digital. [Elas] ficam
abertas ai por muito mais tempo, final de semana e tudo mais. Telecentro fecha final de semana, a maioria deles. Então a disponibilidade das lan houses é muito maior.” (Entrevistado 19)
“Na periferia, são elas [lan houses] que estão propiciando esta interação entre
as pessoas e a informação. Muito mais que os programas [de governo] que não estão chegando lá. Em Salvador, os programas são muito concentrados, e não são na periferia que estão. Além disso, estão muito mais preocupados em disponibilizar máquinas – olha, a gente está disponibilizando máquinas, e daí com os números, tem tantos mil computadores disponíveis. Sim, mas o que estão fazendo?” (Entrevistado 14)
c) Ambos são importantes e indispensáveis para o avanço da ID: o caminho que leva à ID perpassa tanto os telecentros quanto as lan houses, na opinião de quatro entrevistados, 16% do total. Independente do apelo comercial ou da ideologia das iniciativas, a sociedade necessita de todas as oportunidades possíveis para o alcance pleno da ID:
“[A lan house] é uma forma de inclusão digital que se deve contemplar e aí
deveria ter programas, ou auxílios, ou instruções para gerar competências, como também nos telecentros.” (Entrevistado 6)
“Os telecentros são instrumentos de inclusão digital sem duvida, mas precisam
comunidades absolutamente marginalizadas. Claro que ha muitos problemas de legalização, mau uso - mas isso não é a regra..” (Entrevistado 24)
d) Não respondeu/não soube responder: três pesquisadores, 12%, esquivaram-se em responder a esta questão sem prestar maiores esclarecimentos.
A penetração das lan houses tornou-se bastante comum no cotidiano de inúmeras localidades, sejam tais comunidades carentes ou bairros prósperos. Sua característica comercial não afugenta os usuários, pelo contrário: observa-se o crescimento e aceitação deste espaço que, além de proporcionar acesso às TICs presta serviços de utilidade pública como inscrição em concursos, solicitação de serviços do governo ou 2ª via de contas, por exemplo. O funcionamento das máquinas e atualização da tecnologia disponível aos usuários é condição para seu funcionamento. Os telecentros, em sua maioria, são fruto de iniciativas públicas de ID ou de organizações do Terceiro Setor. Não são dotados de manutenção constante nem de atualização periódica em seu sistema – que geralmente é composto por software livre. O horário de atendimento não beneficia os usuários e o número de máquinas à disposição nem sempre é suficiente para o atendimento à demanda. Essas diferenças mínimas são o bastante para a maior parte dos pesquisadores apontarem as lan houses como provedoras da ID em detrimento aos telecentros. O problema que se apresenta é a ausência de mediação nesses espaços entre a tecnologia e a informação, carência que nem mesmo os telecentros conseguiram suprir até o momento.