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Çok kültürlülük Kavramı

3.KÜRESELLEŞME KAVRAM

3.1 Çok kültürlülük Kavramı

Os resultados de uma pesquisa podem alterar de modo significativo uma realidade que necessita ser aperfeiçoada. No contexto da ID sabe-se da existência de ações praticadas pelo poder público, iniciativa privada e Terceiro Setor e todas poderiam se beneficiar das considerações de uma investigação científica aprimorando seus programas e projetos desde a etapa do planejamento até sua execução. Mas, em qual momento essas pesquisas deixam de ser apenas uma teoria e passam a interferir no contexto social? Para saber a opinião dos entrevistados, perguntou-se: você acha que as pesquisas já realizadas sobre a ID proporcionaram/proporcionam alguma mudança na elaboração/execução das políticas/ações? Abaixo, o QUADRO 19 – Influência das pesquisas na condução das políticas/ações de ID traduz em números a opinião dos pesquisadores:

QUADRO 19

Influência das pesquisas na condução das políticas/ações de ID

Condução das políticas/ações de ID %

Acredita que os resultados de pesquisa acarretam

mudanças na elaboração/execução de políticas de ID 9 36 Considera que não há nenhum impacto das pesquisas

devido a falta de interesse das esferas públicas e privadas para o aperfeiçoamento das ações de ID

8 32

Pondera que, apesar do interesse dos gestores em aperfeiçoar as políticas/ações de ID, o acesso a esse tipo de investigação – bem como seus resultados – é muito restrito

2 8

Não respondeu/não soube responder 6 24

Total 25 100%

Elaborado pela autora, 2010

As categorias a seguir apontam a opinião dos entrevistados sobre a possível influência das pesquisas que realizaram, bem como de outras que são de seu conhecimento:

a) Acredita que os resultados de pesquisa acarretam mudanças na elaboração/execução de políticas de ID: por experiência própria, ou por presenciarem de perto a adoção de políticas públicas a partir dos resultados de

pesquisas, nove entrevistados, 36% do total, afirmam que essas investigações podem sim influenciar políticas/ações de ID:

 “Eu queria fazer uma experiência prática. [...] A gente apresentou o projeto e a

Brasil Telecom comprou o projeto. Ela montou o laboratório, botou banda larga, pagou até o almoço dos meninos. Era o meu projeto, embora com muitas dificuldades. A gente fez uma experiência na minha pesquisa, que foi uma experiência piloto, os resultados foram fantásticos. [...] essa coisa foi tão impactante que não só o projeto se manteve e transformou-se numa OSCIP, mas em Lei Distrital62. A lei existe, mas não foi aplicada, embora tenha sido regulamentada, tenha sido tudo, por uma questão de politicagem, não é nem política, sabe." (Entrevistado 5)

 “Tenho visto algumas mudanças que envolvem a inclusão digital de forma

satisfatória. Se não acreditar que a ciência, as pesquisas podem promover espaços diferenciados de atuação, reflexão e execução de ações terei que desistir de meus ideias como pesquisadora e como individuo, portanto acredito que as mudanças e iniciativas são tímidas e demoradas, mas que paulatinamente vão acontecendo.” (Entrevistado 13)

 “Existem muitos projetos que não se falam e com isso muito desperdício de

recursos e energia. Mas algumas ações estão caminhando no sentido de identificar e integrar iniciativas, o Mapa da Inclusão Digital é um, os Telecentros .BR outro e assim vai. Acredito que com um pouco mais de maturação se chegará ao ponto de pensar políticas publicas interessante para a

área.” (Entrevistado 24)

 “Acho que sim, porque inclusive ao longo dessas iniciativas, dessas Escolas

Digitais Integradas, o poder público nos procurou para pedir ajuda em relação a delinear políticas públicas no Distrito Federal, por exemplo. [De qualquer modo], enfrentamos muita resistência. A academia entrar lá é só se eles solicitarem, infelizmente é assim.” (Entrevistado 15)

b) Considera que não há nenhum impacto das pesquisas devido a falta de interesse das esferas públicas e privadas para o aperfeiçoamento das ações de ID: para oito entrevistados, 32%, as pesquisas servem apenas para a área que realizou o estudo, bem como para o indivíduo que a construiu, não surtindo nenhum efeito para melhorar as políticas públicas ou as iniciativas de ID:

 “Não há interesse. O que eu percebi é que o governo lança as campanhas, mas

não há fiscalização nem controle e tudo se perde.” (Entrevistado 3)

 “Que dificuldade enorme para marcar uma entrevista, que dificuldade enorme

para ter acesso a eles [gestores], para conversar. Parece que nada é muito importante, nada do que a gente está fazendo é importante, parece que eles não se importam, realmente. É desanimador, porque quando você chega e fala

62Lei do Distrito Federal nº 3275, de 31 de dezembro de 2003. “A inclusão digital prevista nesta Lei será assegurada por meio do Programa Escola Digital Integrada previsto nas Leis nº 3.157 de 28 de maio de 2003 e 3.179 de 6 de agosto de 2003, consistindo na instalação, gestão e manutenção de soluções educativas mediadas por computador, incluindo softwares e conteúdos adequados, conectados à internet em alta velocidade”. Disponível em: <http://www.mpdft.gov.br/sicorde/Leg_DF3275_2003.htm>. Acesso em: 15 jun. 2011.

do seu trabalho, nossa vai ser legal, vai contribuir, mas ninguém quer saber da contribuição.” (Entrevistado 27)

 “Sem um esforço, sem uma vontade política é difícil trabalhar. É foi isso, me

desmotivou muito porque você não vê uma luz no fim do túnel. O problema que eu não estava enxergando... é como nadar contra a corrente sabe?” (Entrevistado 28)

c) Pondera que, apesar do interesse dos gestores em aperfeiçoar as políticas/ações de ID, o acesso a esse tipo de investigação – bem como seus resultados – é muito restrito: para dois pesquisadores, 8%, há um desencontro entre o discurso científico e as ações do poder público, privado e do Terceiro Setor, como se a linguagem de cada um impedisse o entendimento de todos sobre questões investigadas e soluções propostas:

 “Nós temos que produzir ciência para que a população usufrua, para que ela

cresça, para que o país cresça, para que o gestor tenha condições de ver na

academia não uma… ‘gente, ele só filosofa, o cara só sabe pensar e escrever

artigos, ele nunca veio para o serviço para saber o que é’. A mesma coisa a academia diz, ‘o cara lá não escreve um artigo’ e daí com seu artigo se ele só serve para você e para seu relatório do Lattes? Se a ciência não tiver utilidade pública, eu confesso que não vejo muito sentido. [As pesquisas] deveriam modificar sim. Mas acho que poucos leem os resultados. Eu diria que se as pessoas não tiverem uma porta como eu tive dentro do Ministério, de ter o apoio dele na publicação de um livro que foi decorrente da minha tese, e se isso não circular, as pessoas não vão saber. Infelizmente, os gestores não vão para as bibliotecas, nem para a base de dados da CAPES para poderem buscar nossos projetos, infelizmente." (Entrevistado 1)

d) Não respondeu/não soube responder: seis pesquisadores, 24%, esquivaram-se em responder a esta questão sem prestar maiores esclarecimentos.

As respostas demonstram que há desconhecimento e/ou desinteresse sobre os aspectos práticos da ID para os entrevistados que preferiram não responder ou não souberam opinar sobre os benefícios desse tipo de pesquisa – um agravante não apenas para o crescimento da área de estudo como para a desmistificação de que uma investigação científica deve resultar em melhorias para a sociedade, ainda mais quando realizada na área das Ciências Sociais Aplicadas. Ainda que a maioria dos entrevistados acredite no poder transformador dos resultados de uma pesquisa científica, quase o mesmo número de pesquisadores pondera o contrário e esse grupo – somado aos que culpam a não explicitação dos resultados das pesquisas para sua incorporação às políticas/ações – mostra claramente que não há consenso entre os entrevistados quanto a essa questão.