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KİMLİK VE KÜLTÜR KAVRAMLAR

KİŞİSEL GÖRÜŞME

1. KİMLİK VE KÜLTÜR KAVRAMLAR

A temática da ID é utilizada por pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, conforme apontado anteriormente por esta pesquisa. Mas, em quê a CI se diferencia das demais para ser adotada nesses estudos sobre a inclusão? Para se chegar a uma conformidade a respeito, questionamos: com base em sua experiência como pesquisador da CI, qual é a real contribuição dessa área do conhecimento para a ID? Na sua visão, a CI pode apropriar-se dessa temática em busca da solução para os problemas relacionados à inclusão digital x inclusão social? Abaixo, o QUADRO 17 – A contribuição da Ciência da Informação para a inclusão digital mostra o resultado do debate junto ao entrevistado:

QUADRO 17

A contribuição da Ciência da Informação para a inclusão digital

A ciência da informação e a inclusão digital %

Possui aspectos teórico-metodológicos suficientes para

investigar a ID 17 68

Apesar de ser uma área propícia para as discussões sobre a ID, ainda precisa se desenvolver para conseguir respostas mais concretas a respeito

8 32

Total 25 100%

Elaborado pela autora, 2010

Os depoimentos a seguir são claros quanto ao posicionamento do entrevistado em relação a contribuição da CI para a ID:

a) Possui aspectos teórico-metodológicos suficientes para investigar a ID: dentre os vinte e cinco entrevistados, dezessete, ou seja, 68% ao todo, são convictos de que a CI é a área de conhecimento mais apropriada para debater e

solucionar questões relacionadas a ID. As declarações reproduzidas extensamente abaixo afirmam que é graças à sua interdisciplinaridade, aliada a seus próprios fundamentos, que a CI pode ser eleita como a área apta a dialogar sobre a ID mais adequadamente que as demais:

 “Eu acho que ela é uma área importantíssima para a inclusão digital na medida

em que ela trata da informação e da comunicação em termos de tecnologia. Sem dúvida alguma, com esses dois elementos, você tem como trabalhar por exemplo a questão da educação, que é super importante na inclusão.” (Entrevistado 5)

 “Não tenho dúvida nenhuma que hoje, na área de inclusão digital, eu diria que

a Ciência da Informação está a frente das outras áreas [...], justamente porque ela é interdisciplinar. Para a gente é muito claro essa questão da necessidade de uma mediação para a transferência da informação, é muito claro que fazer inclusão digital não é simplesmente comprar equipamentos e entregar para a população.” (Entrevistado 11)

 “Acredito que a contribuição da CI para a inclusão digital envolve estudos de

usuários, o comportamento do usuário, suas necessidades e informações. Certamente que a CI tem todo um repertorio capaz de promover condições ricas de discussão sobre a relação entre inclusão e exclusão digital, lembrando que tais reflexões são mais profundas do que o simples acesso a maquinas ou distribuição de telecentros pelo país.” (Entrevistado 13)

 “Em minha opinião a contribuição da CI é grande e importante para as

questões relacionadas a SI, especialmente no que diz respeito a educação e inclusão. A pedagogia não se atualizou, os currículos acadêmicos continuam formando professores para o século passado. A aprendizagem informacional, o papel da biblioteca, do profissional da informação e toda infraestrutura informacional são fundamentais para um ensino inter e multidisciplinar, para a formação do pesquisador desde o ensino fundamental, para a construção de leitores críticos e cidadãos conscientes. Sem duvida essa temática é perfeitamente aderente a CI e sua presença contribui para responder melhor as

novas necessidades da SI. ” (Entrevistado 24)

 “A ciência da informação ela trás os processos de tratar, de entender como a

informação, como o fluxo informacional se ocorre, funciona. Acho que isso é fundamental não só pro programa de inclusão, mas para as organizações, para as empresas como um todo, acho que entendendo isso as coisas funcionam melhor. [...] se o programa de inclusão digital levar em contra essas variáveis que a Ciência da Informação trás para discussão, as chances de ele dar certo

eu acho que são muito maiores.” (Entrevistado 26)

 “Olha, eu acho que para trabalhar a questão da competência, não tem ninguém

melhor do que o bibliotecário. Aí, eu defendo a bandeira. E por acreditar que a inclusão digital é possível através da competência informacional, eu acho que seria fantástico se a Ciência da Informação pudesse realmente dominar essa área. Eu acho que seria a área ideal para trabalhar”. (Entrevistado 27)

 “Talvez a Ciência da Informação seja hoje a ciência, a área que tem mais

condição de pensar no uso, no acesso à informação, na disponibilização da informação e em políticas informacionais que sejam capazes de promover o desenvolvimento e a cidadania. [...] Se é política de inclusão digital é política informacional, então não vejo outra área que tenha essa combinação de suporte teórico e gente em condições de fazer isso.” (Entrevistado 10)

 “Acho que é um aspecto que se pode trabalhar bem na Ciência da Informação.

Acho que seria uma contribuição importante, seja talvez uma parte que caiba bastante à ciência da informação essa questão de competência da informação.” (Entrevistado 25)

 “Eu acho, eu acho sim. Eu acho por que se eu for pensar em administração eu

não vejo, acho que administração eu vejo uma coisa muito mais empresarial. Acho que informática também não tem assim, não tem muito conhecimento a nível de usuário sabe? Nem de mediação. E eu acho que a inclusão digital tem muito de mediação, com usuário, quem vai usar. Eu acho que [a Ciência da Informação] é a área mais apropriada para tratar disso. [...] se tiver que escolher uma, é ela. (Entrevistado 19)

 “A ciência da informação abrange todas as ciências, ela vai em todas as áreas.

Então, eu acho que ela vem para orientar, com o tema mesmo, que na época foi fascinante [inclusão digital na terceira idade].” (Entrevistado 9)

 “Como sou da área de informática, eu posso dizer assim, sem medo de errar,

que a informática não é a área apropriada para conduzir a estratégia; ela é uma área para trabalhar junto. Mas a Ciência da Informação, que trabalha a questão de conteúdo, principalmente, e faz isso muito bem, é a área que tem que conduzir uma iniciativa dessas.” (Entrevistado 15)

b) Apesar de ser uma área propícia para as discussões sobre a ID, ainda precisa se desenvolver para conseguir respostas mais concretas a respeito: 32% dos entrevistados, oito no total, consideram que os fundamentos da CI são importantes para todo o debate em torno da ID. Ainda assim, esse grupo acredita que existem lacunas na área que a impedem de ser indicada como a que mais se aproxima das soluções para os problemas apresentados pela ID:

 “Todas as decisões sobre a inclusão digital devem passar pela Ciência da

Informação, ela é a área que tem a visão ampla do indivíduo e da informação. Contudo, ainda falta essa interação com as demais áreas do conhecimento.” (Entrevistado 4)

 “A discussão sobre inclusão digital na Ciência da Informação é muito nova.

Então por isso ainda nós estamos num processo de discussão, de estudo de casos, de conhecimento de impacto, conhecimento da área estudada mesmo. [...] E eu acho que poderia haver integração entre as áreas para poder dar uma

contribuição mais valiosa, mais forte.” (Entrevistado 6)

 “Eu acho que é meio temerário você dizer que, dentro da Ciência da

Informação, a gente teria um entendimento unificado de inclusão digital. Quando a gente vai pros encontros, principalmente pro ENANCIB, é muito difícil ainda o diálogo. Eu percebo que a gente está falando de coisas diferentes, às vezes está falando de coisas semelhantes, mas não dá pra dizer que exista um sentimento único de inclusão digital na Ciência da Informação, não é possível perceber isso. E eu acho também que tem um problema terminológico grande: a gente usa os mesmos termos para dizer coisas semelhantes, e às vezes o mesmo termo para dizer coisas diferentes. [...] Sabe o que eu vejo? Eu vejo que a gente está com a faca e o queijo na mão, mas não esta querendo cortar, porque os estudos de competência informacional surgiram na biblioteconomia, se desenvolvem na área de Ciência da Informação, cada vez mais outras áreas estão se apropriando, já se tornaram

programa de governo em países europeus, e aqui ainda assim… sei lá,

justamente parece que não pega.” (Entrevistado 14)

Ao declarar que a interdisciplinaridade é necessária para o estudo aprofundado da ID, todos os pesquisadores entrevistados acreditam que, por ser esta sua característica inerente, a CI é a área que melhor pode contribuir para elucidar os problemas apresentados pela ID, principalmente pelos aspectos comuns a seu núcleo de discussão que são o uso e a transferência da informação. Esses aspectos trabalhados em conjunto, proporcionam resultados mais intensos que outras áreas que atuam isoladamente e que desconhecem esses princípios. Parte considerável dos entrevistados alerta, contudo, para a necessidade de maturação das discussões sobre a ID pela CI porque consideram que ainda não há entendimento suficiente da área para que a mesma possa solucionar todos os problemas que a ID apresenta. Esse posicionamento demonstra preocupação pelos estudos existentes até o momento que, ao crivo desses pesquisadores, não é suficiente para delegar à CI tamanha propriedade para as investigações sobre o tema.