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2.3. YEREL SĠYASETĠN MEġRUĠYETĠNĠN ġEKLĠ OLMAYAN UNSURLARI

2.3.2. GüçlendirilmiĢ Yerel Özerklik

2.3.2.1. Yerel Özerklikten GüçlendirilmiĢ Yerel Özerkliğe

Nos últimos anos do século XIX, gozando de uma situação acadêmica nas principais instituições do país, impera no México a filosofia positivista nas versões de Comte, Mill e Spencer. Com a chegada do novo século, um grupo de jovens começa a ganhar destaque no ambiente cultural e a se rebelar contra a opressão filosófica exercida pelo positivismo. Assim, em outubro de 1909, surge o primeiro grupo de intelectuais identificados com a Revolução: Ateneo de la juventud, que mais tarde passaria a se chamar de Ateneo de México, sob o patrocínio de Justo Sierra e com o respaldo da estrutura institucional da Universidad Nacional e da Escuela Nacional

laica de educação superior do México, inaugurada 1868 e que se converte no campo de treinamento para muitos jovens; Ramón Corral (1854-1912) vice-presidente do México sob Porfirio Díaz desde 1904 até sua deposição em 1911; José Yves Limantour (1854-1935) Ministro de Fazenda desde 1893 até a queda do regime de Díaz, considerado o líder político da facção; Justo Sierra (1848-1912) escritor, historiador, poeta e destacado político mexicano. Sierra foi também Secretário de Instrução Pública e Belas Artes entre 1901 e 1911 e decisivo promotor da fundação da Universidad Nacional de México, hoje Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM), responsável por diversos trabalhos de matéria educativa e que ficou conhecido como “Maestro de América”; Juan Francisco Bulnes (1847-1924), político, orador, jornalista e professor da Escola Nacional de Engenharia; Emilio Rabasa (1856-1930), advogado, escritor e político; Enrique C. Creel:(1854-1931), rico empresário e fazendeiro, um influente membro do poderoso clã Terrazas-Creel, que dominou o estado nortenho de Chihuahua, da que foi governador desde 1904 até o fim do porfiriato. (BOLÍVAR MEZA, 2008, p. 23) 17 Os reyistas foram um grupo de políticos liderados pelo general Bernardo Reyes, pai de Alfonso Reyes. (BOLÍVAR MEZA, 2008, pp. 20-30)

Preparatoria. Certamente, na história intelectual do México, a crítica ao positivismo é um dos antecedentes da Revolução.

Cabe ressaltar que a identificação desse grupo com a Revolução foi parcial e limitada, pois vários integrantes ateneístas pertenciam às elites porfirianas, e aos governos de Díaz e Huerta. Como destaca Francisco Javier Mora:

aquellos escritores que habían vivido de forma acomodaticia en la época de Porfirio Díaz, seguían en la misma situación tras la ascensión de Madero al poder, y, subsiguientemente, tras el golpe militar de Victoriano Huerta, con lo que los dioses mayores de la literatura permanecían indemnes sobre sus pedestales. (MORA, 2000, p. 259)

No entanto, deve-se levar em consideração que o Ateneo pode ser identificado com o processo revolucionário, pois, além de desafiar o positivismo, corrente de pensamento dominante nesse período, reivindicando outras formas de conhecimento, como o estudo das humanidades, o grupo também, através da Universidade Popular Mexicana fundada por eles em 1912, é responsável por um intenso trabalho de difusão educativa e cultural.

Muitos foram os integrantes do Ateneo de la Juventud, como: escritores, pintores, arquitetos, advogados, médicos e estudantes, sendo os mais destacados: Alfonso Reyes, filho do general Bernardo Reyes, governador de Nuevo León e sério aspirante a suceder a Díaz na presidência; Antonio Caso, filósofo e reitor da Universidad Nacional de México entre 1921-1923; Pedro Henríquez Ureña, intelectual, filósofo, crítico e escritor dominicano; Alberto J. Pani, alto funcionário em quase todos os governos revolucionários; Martín Luís Guzmán, filho de militar federal e um dos maiores cronistas e jornalistas da primeira metade do século; e, sobretudo, José Vasconcelos, advogado, escritor, educador e filósofo, filho de um burocrata porfirista. Vasconcelos, juntamente com Caso, é fundador desse grupo, desfeito em 1914, após haver contado com cerca de cem membros.

Muito se poderia dizer de cada um dos membros desse grupo, pois suas contribuições na composição do cenário político, cultural e educativo mexicano são de extrema relevância. Isso, porém, excede os propósitos dessa pesquisa. No entanto, as contribuições de José de Vasconcelos ao discurso de nacionalidade e de configuração ideológica e intelectual do campo filosófico merecem destaque.

Nesse contexto, Vasconcelos, o animador da política educativa da Revolução é também quem propicia o nacionalismo cultural pós-revolucionário, atitude que define a identidade cultural do mexicano no século XX. Como político, participa da Revolução Mexicana ao lado de Madero e Pancho Villa. Após a pacificação da luta armada, é nomeado Reitor da UNAM (1920-1921) e Secretário de Educação Pública (1921-1924) por Álvaro Obregón.

Ao longo dos quase três anos em que esteve à frente da Secretaria, realizou um profundo trabalho educativo em três vertentes: escolas, bibliotecas e editoras, contando com o apoio de muitos intelectuais, principalmente membros do que seria o grupo Contemporáneos, como Carlos Pellicer, Jaime Torres Bodet (seu secretário particular) e Bernardo Ortiz de Montellano, pois, de qualquer modo, colaborar com Vasconcelos naquele momento era a melhor maneira de ganhar a vida e obter prestígio. Outra figura de suma importância, trazida ao México por Vasconcelos, é Gabriela Mistral, a qual colaborou na publicação da antologia de Lecturas clásicas para niños.

No que tange à filosofia mexicana dos anos vinte, ela é definida, certamente, por La raza cósmica (1925). Nessa obra, o discurso racial se converte na pedra angular, e a principal característica dessa utopia vasconcelista enraíza-se na identificação de “espírito” nacional e de raça. Daí surge o famoso lema da UNAM, acunhado por Vasconcelos “Por mi raza hablará el espíritu” (VASCONCELOS apud

GARCÍA SANDOVAL, 2010, p. 2). O “espíritu” que ele menciona são os intelectuais. É, portanto, essa identificação entre raça e cultura que potencializará os discursos dos anos seguintes, ou seja, essa obra de certa forma materializaria “não apenas a euforia do filósofo, mas o fracasso anunciado do político, que, por não poder pôr em prática suas grandes ideias, acabou por transformá-las numa utopia muito próxima da literatura”. (CRESPO, 2003, p. 9)

A relação orgânica de Vasconcelos com o Estado pode ser percebida através do positivismo, como a ênfase na educação e na estrutura teleológica da narrativa histórica. Por outro lado, são inegáveis as ideias que o separam dessa doutrina, pois ele, assim como os ateneístas, fez parte de uma reação intelectual ao positivismo.

Outro momento importante da história dos intelectuais mexicanos é a dos Siete Sabios de México ou Generación de 1915, nome dado por Manuel Gómez Morín para batizar sua geração, cuja meta é propagar a cultura no início do século XX. Esse movimento universitário e cultural composto por Antonio Castro Leal, Alberto Vázquez del Mercado, Vicente Lombardo Toledano, Manuel Gómez Morín, Teófilo Olea y Leyva, Jesús Moreno Baca e Alfonso Caso vem, num momento de tormenta revolucionária, substituir os ateneístas.

O ambiente político de reconstrução do país continua, e diversos grupos revolucionários disputam o poder. O exército não consegue conter os levantamentos armados, e o general Álvaro Obregón favorece a candidatura de Elías Calles, que será seu sucessor no poder.

Além disso, a década de vinte é também a da guerra cristera, movimento que reflete a tensão entre o governo e a igreja. Com a produção industrial praticamente estagnada, num país que tenta se livrar do caudilhismo e passar para uma nova etapa, mais de acordo com a modernidade de nações mais avançadas, a

democracia é constantemente ameaçada. Esta é também uma época de grande enfrentamento geracional, que demonstra a luta interna entre os intelectuais no campo do poder, “entre jóvenes que intentan ser partícipes de la reconstrucción nacional y las generaciones anteriores que tratan por todos los medios de copar y conservar los puestos más destacados de la administración.” (MORA, 2000, p. 260)

No contexto literário mexicano, a herança dos poetas Juan José Tablada, López Velarde, dos romancistas Federico Gamboa e Manuel Payno, ecoam sobre os jovens do país interessados por literatura. Há também a forte presença de Vasconcelos sobre os ateneístas e aqueles que virão a formar os Contemporáneos. Dentro desse contexto, entre os anos de 1921 e 1927, surge um grupo que, inspirado no futurismo de Maiakovski e Marinetti, entrará em combate pela hegemonia cultural e literária: o Estridentismo. Certamente esse movimento, proveniente da cultura urbana e procurando se estabelecer à base da modernidade tecnológica, representa o primeiro passo dado pelas vanguardas no México.

Com uma busca pela renovação da literatura e das artes plásticas e cênicas, esse movimento rompe com a tradição, afastando-se da academia e das técnicas premeditadas. É o que pode observar no lema contracultural: “¡Viva el mole de guajolote!” (SCHWARTZ, 1995, p.163) Muito diferente de outros grupos, os estridentistas dirigem sua arte ao operário, ao camponês, ao soldado revolucionário, ou seja, ao povo.

O primeiro manifesto denominado Actual no. 1, que o líder do movimento Manuel Maples Arce (1900-1981) cola nos muros e paredes nas ruas da Cidade do México em dezembro de 1921, demonstra a preocupação com o presente, com uma arte nova, juvenil e entusiasta, a qual utiliza cartazes como forma de comunicação

direta com a esfera pública, sem o intermédio de instituições literárias. Como se pode observar no trecho do início do manifesto:

Em nome da vanguarda atualista do México, sinceramente horrorizada com todas as placas notariais e rótulos consagrados de sistema cartorário, com vinte séculos de êxito efusivo em farmácias e drogarias subvencionadas pela lei, centralizo-me no vértice eclatante da minha insubstituível categoria presentista, equilateramente convencida e eminentemente revolucionaria, enquanto todo mundo que está fora dos eixos contempla-se esfericamente atônito com as mãos torcidas, imperativa e categoricamente afirmo, sem exceções aos players diametralmente explosivos em incêndios fonográficos e gritos encurralados, meu estridentismo desfazente e puro para me defender as pedradas literais dos últimos plebiscitos intelectivos. (MAPLES ARCE apud SCHWARTZ, 1995, p.156)

Os estridentistas abandonam o campo revolucionário e avançam pela metrópole. Esse constante peregrinar pelas ruas os confronta com a primeira literatura urbana do México e o primeiro teatro experimental do país, o Teatro Murciélago, obra de Luis Quitanilla, Carlos González e Francisco Domínguez. Maravilhados pelos avanços tecnológicos, demonstram sua paixão pelo telégrafo, o trem, o carro, o avião e, principalmente, o rádio, com a participação do poeta Maples Arce na primeira estação de rádio a ir ao ar na Cidade do México em 8 de maio de 1923, lendo um poema estridendista T.S.H, que havia sido publicado dias antes em El Universal Ilustrado (MORA, 2000, p. 267).

Para ilustrar a presença estética da cidade na obra dos estridentistas, ressalta-se Urbe18 – o terceiro livro de Maples Arce, e o primeiro de poesia de um mexicano traduzido ao inglês, além de ser o primeiro de toda a vanguarda em língua espanhola. (SCHNEIDER, 1985, p.14)

Entre os integrantes mais destacados desse movimento estão: Arqueles Vela, Germán List Arzubide, Luis Quintanilla, Salvador Gallardo, Ramón Alba de la 18Urbe, de Manuel Maples Arce, foi publicada em inglês sob o título Metrópolis pela editora The T. S. Book Company of New York em julho de 1929. (SCHNEIDER, 1985, p.14)

Canal, Leopolo Méndez, Germán Cueto, Luis Felipe Mena, Rafael Sala, Silvestre Revueltas, Tina Modotti e Diego Rivera.

Cabe destacar também que os estridentistas foram a inspiração para o movimento lançado 1976 por Roberto Bolaño e Mario Papasquiaro. Como comenta a jornalista e pesquisadora chilena Cecilia García Huidobro em seu artigo “Bolaño, el estridentismo y Cesárea Tinajero o como hacer una literatura de sombra” (2008), referindo-se ao primeiro manifesto Infrarrealista,

Es posible observar, entonces, una clara sintonía entre las características que Bolaño le atribuye al estridentismo y los rasgos que le asigna al infrarrealismo de acuerdo al primer manifiesto llamado “Déjenlo todo, nuevamente”. Basta pensar como coinciden ambos en conceptos como subversión, aventura y riesgo. (GARCÍA HUIDOBRO, 2008, p. 6)

Em relação aos meios de divulgação dos estridentistas, encontram-se o Universal Ilustrado, o Irradiador e Horizonte. Eles escolhem como “trincheira” o Café de Nadie, local onde o grupo se reúne para, entre café e cigarros, traçar suas atividades.

Convém ressaltar que a consciência política do grupo se manifesta claramente desde o início do movimento, como se pode observar na introdução do artigo de Maples Arce publicado em 28 de dezembro de 1922, uma espécie de balanço das ideias da Revolução e do pensamento de esquerda no país naquele momento, do qual se cita um trecho tomado do artigo de Javier Mora:

La revolución social de México se proclamó en la incidencia de dos fuerzas convergentes: el impulso dinámico del pueblo y el esfuerzo integral de los políticos. Al terminar la revolución por razones de orden estructural, la primera quedó trasegada en la segunda, y, ésta, que en materia social y económica formaba «las izquierdas», en cuestiones literarias y estéticas, por falta de preparación intelectiva, no era sino una suma reaccionaria. Los pocos intelectuales que fueron a la revolución estaban podridos. La tiranía intelectual siguió subsistiendo y la revolución perdió toda su significación y todo su interés. [...] Pero las inquietudes post-revolucionarias, las explosiones sindicalistas y las manifestaciones fueron estímulo para nuestros deseos iconoclastas y una revelación para nuestras agitaciones interiores. Nosotros también podíamos sublevarnos. Nosotros

también podíamos rebelarnos. (MAPLES ARCE apud MORA, 2000, pp. 272-273)

Apesar de longa, a citação é importante para que se possa compreender a dimensão da relação dos intelectuais, antes, durante e após o movimento revolucionário, com o poder, ocupando cargos políticos com clara tendência social- comunista. Para entender também o motivo do desaparecimento dos estridentistas, que se deve em grande parte ao envolvimento de seu líder e de alguns integrantes com a política, uma vez que, quando a política entra pela porta, a vanguarda sai pela janela, pois a queda do poder do General Heriberto Jara, governador de Veracruz, significou o fim do estridentismo. (SÁNCHEZ-PRADO, 2006, p.20) Maple Arce, Secretário de Governo do Estado de Xalapa e Germán List Arzubide, seu secretário particular e professor da Escuela de Bachilleres de Xalapa, também caíram com o general.

Esses fatos demonstram o fracasso do projeto estridentista, o qual, na prática, não construiu uma posição política autônoma. Uns haviam-se convertido em intelectuais orgânicos do poder, enquanto outros foram relegados ao esquecimento, inclusive dentro do campo literário. Apesar do destaque de membros como Arqueles Vela e Kin Taniya19, a ascensão de Mariano Azuela e dos Contemporáneos os levou ao ostracismo.

No entanto, não somente esse grupo elabora propostas literárias específicas e procura se erguer como representante legítimo de nação; se, de um lado, no plano político encontram-se os Estridentistas, de outro, no plano estético estão os Contemporáneos.

19 Kin Taniya é o pseudônimo do diplomata, escritor e professor estridentista Luis Quintanilla. (SÀNCHEZ-PRADO, 2006, p. 25)

Um dos grupos mais importantes da Literatura Mexicana do início do século passado, os Contemporáneos foram compostos por Carlos Pellicer, Enrique González Rojo, Bernardo Ortiz de Montellano, José Gorostiza, Jaime Torres Bodet, Xavier Villaurrutia, Salvador Novo, Gilberto Owen, Celestino Gorostiza e Rubén Salazar Mallén. Como destaca Sheridan (1993), “[…] casi todos son críticos, si no se puede decirse que son críticos, han adoptado una actitud crítica”. (SHERIDAN, 1993, p.12)

No grupo os Contemporáneos coincidiram diversos discursos e formas de exercer a tarefa literária e cultural entre os anos de 1920 e 1932 (SHERIDAN, 1993, 11). Optaram pelas revistas (La Falange, Ulises, Gladios, El Universal, Prisma, Contemporáneos) como meio de divulgação de sua arte, por acreditarem ser mais rápido, uma vez que grande parte da população não era alfabetizada e as edições de livros costumavam ter em média trezentos exemplares. As revistas, ao contrário, devido ao gancho informativo e ao apelo de novidades editorias, chegavam mais rapidamente a um grande número de leitores.

A revista Contemporáneos (título inventado por José Gorostiza), que deu nome ao grupo, tinha como subtítulo Revista Mexicana de Cultura, o que mostra claramente sua preocupação com o nacional, através de seções que tratavam dos últimos livros lançados no México e sobre o México, além de artigos sobre literatura, música, pintura, ilustrações mexicanas e traduções de artistas europeus e norte- americanos.

Archipiélago de soledades, segundo Torres Bodet, Grupo sin grupo a que se refere Xavier Villaurrutia, Grupo de forajidos, assim percebeu Jorge Cuesta, são algumas das nomenclaturas dadas aos Contemporáneos, os quais, por diversas vezes, tiveram contestada sua condição de grupo ou de geração. Manuel Durán, em

seu artigo “¿Contemporáneos: grupo, promoción, generación, conspiración?” (1982), relata que, em 1964, Merlin H. Foster negava que pudesse ser uma geração aquilo que não passava de um grupo de amigos. Frank Dauster, segundo ele, afirmava o contrário, pois os considerava uma geração por serem coetâneos, por sua formação cultural homogênea, por empregarem uma linguagem comum, por todos terem compartilhado da experiência da Revolução. Outro fato relevante e que não pode ser desconsiderado é que “todos pertenecían «a una de las clases más afectadas por la Revolución, la media alta, que fue desalojada de sus posiciones y de sus prebendas»” (DURÁN, 1982, p. 40).

Guillermo Sheridan (1993), autor de uma ampla pesquisa sobre esse grupo, publicada na obra Los Contemporáneos ayer (1993), relata que “más que un grupo constituido para la beligerancia, más que un círculo o una plataforma de principios, los Contemporáneos conforman una actitud a duras penas reducibles a postulados precisos” (SHERIDAN, 1993, p.11).

A polêmica em torno do grupo possui relevância, pois não houve um manifesto que os unisse, ato comum entre os vanguardistas. Mesmo assim, são considerados a segunda geração de vanguarda mexicana. Villaurrutia, em 1934, publica um texto com o propósito de definir a natureza do grupo:

“Grupo sin grupo” le llamé la primera vez que comprendí que nuestras complicaciones privadas, nuestras desemejanzas corteses, nuestras intenciones, diversas en el recorrido pero unidas en el objeto de nuestra ambición, tenían que transcender al público, como sucedió en efecto. […] Sin quererlo, sin pretenderlo, pero sin rechazarlo ni negarlo lo se ha formado, más en la mente de los escritores que nos preceden o nos siguen que en la realidad misma, un grupo, una generación. […] Ni un programa, ni un manifiesto que provoquen esta idea hemos formulado. Pero, puesto que la idea existe, la aceptamos y seguimos juntando nuestras soledades en revistas, en teatros, en obras, y hasta en lo que usted llama nuestra influencia.” (VILLAURRUTIA apud SHERIDAN, 1993, p. 14)

Os Contemporáneos se negaram à simples solução de um programa, de um ídolo ou de uma falsa tradição. Ao contrário dos estridentistas, nunca renegaram as gerações literárias que precederam a sua, como o Ateneo, ou a de 1915. Em seu ecleticismo, aproximaram-se das vanguardas espanholas, principalmente da Geração de 27. Do mesmo modo, estabeleceram uma relação de harmonia e respeito com escritores que professavam tendências literárias opostas, como os colonialistas e os romancistas da Revolução (DURÁN, 1982, p. 38). Esse grupo também foi considerado seguidor da vanguarda lopezvelardiana.

Ramón Modesto López Velarde Berumen é a figura que permite dar conta da transição do modernismo à vanguarda “y, más importante aún, de una idea de la cultura nacional que no se finca en las ideologías urbanas de buena parte de los grupos en cuestión” (SÁNCHEZ-PRADO, 2006, p. 21). Um intelectual extremamente criticado por, num tempo de violenta transição, ir, simultaneamente, na vanguarda da arte e na retaguarda da política.

Nasce em Jerez, Estado de Zacatecas, em 1888, no mesmo ano em que Rubén Darío publica seu livro Azul. Começa a escrever quando ingressa no Seminario Conciliar de Zacatecas no ano de 1900. Em 1908 entra no Instituto Científico y Literario de San Luis Potosí e colabora em jornais e revistas da província.

Forma-se advogado em 1911 e passa a exercer a profissão de juiz em San Luis Potosí. No entanto, talvez pela tormenta revolucionária, em 1914, muda-se definitivamente para a capital, e lá, além de ocupar modestos postos burocráticos, publica, regularmente, ensaios e poemas.

Em vida, publica somente dois livros de poesias: La sangre devota (1916) e Zozobra (1919); depois de sua morte, são editados três volumes: um de poesia, El

son del corazón (1932) e dois de prosa, El minutero (1923) e El don de febrero (1952).

Em 1920, nas proximidades do aniversário do centenário da Independência, escreve seu poema mais conhecido: La suave Patria (Anexo I). Um ano mais tarde, em 1921, morre na madrugada de 19 de junho, asfixiado pela pneumonia e pela pleuresia. A respeito de sua morte, relata o crítico José Luís Martínez: “Lo habían