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I. BÖLÜM

2.6. Yaratıcılığın Ölçülmesi

Empreender, conforme Dornelas (2003, p. 35), “significa fazer algo novo, diferente, mudar a situação atual e buscar, de forma incessante, novas oportunidades de negócio, tendo como foco a inovação e a criação de valor”.

Segundo Colbari (2007), o termo empreendedor e seus derivados possuem significados sem pontos consensuais na literatura acadêmica e no debate público em geral. Isso ocorre porque, segundo Hisrich e Peters (2004), o desenvolvimento da teoria do empreendedorismo é paralelo, em grande parte, ao próprio desenvolvimento do termo.

O termo empreendedorismo, para Danjou (2002), pode ser entendido em três diferentes abordagens: do contexto, do ator e da ação.

A abordagem do contexto, com origem da economia, na sociologia e antropologia, procura analisar o impacto das atividades empreendedoras sobre o contexto econômico ou os contextos mais favoráveis para o empreendedorismo. Nesta perspectiva, destaca-se o trabalho de Joseph Schumpeter, expressivo economista que, no início do século XX, associou o empreendedor à ação inovadora ou criativa.

Conforme Degen (1989) e Bom Angelo (2003), Schumpeter afirmou que o empreendedor é responsável pelo processo de destruição criativa, o qual representa o impulso fundamental que aciona e mantém em marcha o motor capitalista, criando constantemente novos e melhores produtos e serviços, novos mercados e novos métodos de produção, oferecendo, assim, alternativas aos métodos menos eficientes e mais caros. Esse processo não tem fim, pois a criatividade permite sempre a geração de um produto melhor e mais barato.

Acerca dos contextos mais favoráveis para o empreendedorismo, Dolabela (2008, p. 23) destaca que “o empreendedor é um ser social, produto do meio em que vive (época e lugar). Se uma pessoa vive em um ambiente em que ser empreendedor é visto como algo positivo, terá motivação para criar seu próprio negócio. Assim, conforme o autor, o empreendedorismo “é um fenômeno local, ou seja, existem cidades, regiões, países mais – ou menos – empreendedores do que outros”.

Independentemente de definições e análises acerca do contexto, o empreendedorismo se destaca pelo seu relevante papel no desenvolvimento econômico (BOM ANGELO, 2003; DORNELAS 2003; 2005; HISRICH; PETERS, 2004, BARROS; PEREIRA, 2008; KURATKO, 2009). Sobre este aspecto, Timmons (1994) chega a afirmar que o empreendedorismo é uma revolução silenciosa, que será para o século XXI mais que a Revolução Industrial foi para o século XX.

Colbari (2007, p. 76) amplia essa noção de desenvolvimento, pois ressalta que o empreendedorismo é “uma força social desencadeada por comportamentos, atitudes e valores que conduzem à inovação e à mudança, potencializando a geração de riqueza e a ação transformadora das condições sociais e políticas”. Para Drucker (2005, p. 17), “o surgimento da economia empreendedora é um evento tanto cultural e psicológico, quanto econômico ou tecnológico. Contudo, sejam quais sejam suas causas, os efeitos estão acima de todos os de ordem econômica”.

Durante muito tempo, a associação entre empreendedorismo e economia foi aceita como padrão (KURATKO, 2009) e até 1950, as definições de empreendedorismo e empreendedor eram oriundas da economia (HISRICH; PETERS, 2004). No entanto, conforme Greatti e Previdelli (2004), os economistas não conseguiram criar uma ciência baseada no comportamento dos empreendedores, deixando uma lacuna que começou a ser preenchida pelos comportamentalistas. A partir daí, segundo Hisrich e Peters (2004), os conceitos de empreendedorismo e empreendedor passam a ficar mais refinados, pois passam a ser considerados aspectos relacionados à perspectiva empresarial, administrativa, pessoal e comportamental.

Origina-se, dessa forma, a perspectiva do ator, a qual, segundo Danjou (2002), é influenciada pela psicologia e centra-se na figura do empreendedor, buscando identificar e analisar as características ou traços de sua personalidade.

Conforme Filion (1999), Max Weber foi um dos primeiros a se voltarem para a compreensão das causas do comportamento empreendedor. Weber (2004) identificou o sistema de valores como componente essencial para a explicação do comportamento empreendedor e afirmou que a crença religiosa (o trabalho ético protestante) era um fator motivador das ações empreendedoras (WEBER, 2004). Segundo Filion (1999), Max Weber via os empreendedores como inovadores, pessoas independentes cujo papel de liderança nos negócios inferia uma fonte de autoridade formal.

Nesta abordagem que trata do ator, destaca-se a contribuição expressiva de McClelland (1961), que definiu o empreendedor como alguém que exerce controle sobre uma produção que não seja só para o seu consumo pessoal e que também identificou vários comportamentos e competências comuns aos empreendedores de sucesso, agrupando-as em três conjuntos de necessidades: de realização, de planejamento e de poder.

A partir destas primeiras contribuições, foram formuladas várias outras definições para o termo empreendedor, nas quais são enfatizados muitos aspectos comportamentais. Dornelas (2005, p. 39), por exemplo, define o empreendedor da seguinte maneira:

O empreendedor é aquele que detecta uma oportunidade e cria um negócio para capitalizar sobre ela, assumindo riscos calculados. Em qualquer definição de empreendedorismo encontram-se, pelo menos, os seguintes aspectos referentes ao empreendedor: 1) iniciativa para criar um novo negócio e paixão pelo que faz; 2) utiliza os recursos necessários disponíveis de forma criativa transformando o ambiente social e econômico onde vive; 3) aceita assumir os riscos calculados e a possibilidade de fracassar.

De forma semelhante, Kuratko (2009) define o empreendedor como um inovador, alguém que desenvolve algo e que reconhece e apreende oportunidades e as transforma em idéias exeqüíveis e negociáveis, gerando valor por meio do tempo, esforço, dinheiro ou habilidades empregadas na sua atividade, assumindo os riscos inerentes a um mercado competitivo para implementar suas idéias e obtendo as recompensas geradas por estes esforços. Ainda conforme o autor, os empreendedores são indivíduos que reconhecem uma oportunidade onde outros vêem caos e atuam como agressivos catalisadores das mudanças no mercado.

Drucker (2005, p. 36) se refere ao empreendedor a partir do conceito de espírito empreendedor, o qual é apresentado como uma característica distinta, ou seja, “qualquer indivíduo que tenha à frente uma decisão a tomar pode aprender a ser um empreendedor e se comportar empreendedorialmente”. Segundo o autor, o empreendedor vê a mudança como norma e como sendo sadia. Ele está sempre buscando a mudança, reage a ela e a explora como sendo uma oportunidade.

Filion (1991, p. 64) apresenta uma definição mais ampla e se referiu ao empreendedor “como alguém que concebe, desenvolve e realiza visões”. Mais tarde, o autor ampliou sua definição (FILION, 1999, p. 21):

O empreendedor é uma pessoa criativa, marcada pela capacidade de estabelecer e atingir objetivos e que mantém um alto nível de consciência do ambiente em que vive usando-a para de detectar oportunidades de negócios. Um empreendedor que continua a aprender a respeito de possíveis oportunidades de negócios e a tomar decisões moderadamente arriscadas que objetivam a inovação, continuará a desempenhar um papel empreendedor.

Dolabela (2008) desenvolveu um conceito de empreendedor que, segundo ele, permite descrever o transbordamento do tema da empresa para todas as atividades humanas: “o empreendedor é alguém que sonha e busca transformar seu sonho em realidade” (DOLABELA, 2008, p. 23). Ainda conforme o autor:

O empreendedor é um insatisfeito que transforma seu inconformismo em descobertas e propostas positivas para si mesmo e para os outros. É alguém que prefere seguir caminhos não percorridos, que define a partir do indefinido, acredita que seus atos podem gerar conseqüências. Em suma, alguém que acredita que pode alterar o mundo. É protagonista e autor de si mesmo e, principalmente, da comunidade em que vive (DOLABELA, 2008, p. 24).

Conforme Danjou (2002), o empreendedorismo compreende, antes de mais nada, o fato de que indivíduos realizam ações concretas. Assim, separar o indivíduo do processo empreendedor é tomar abstrato aquele que sustenta a aventura pessoal e coletiva. Dessa forma,

focar-se, sobre o homem fora de sua ação é reduzi-lo às suas potencialidades e tomar o risco de se fechar dentro de modelos explicativos determinantes, estabelecendo ligações de causalidade muito estreitas entre as características psicológicas de um indivíduo e sua ação empreendedora.

Com este argumento, Danjou (2002) também se refere ao empreendedorismo, a partir da abordagem da ação empreendedora, a qual se origina dos estudos organizacionais. As pesquisas nesta abordagem, segundo o autor, abordam o processo empreendedor, ou seja, como o empreendedor, a partir da identificação de uma oportunidade no ambiente de negócios, desenvolve e gerencia as ações necessárias para concretizar sua idéia.

Na perspectiva da ação empreendedora, Ronstadt (1984) define o empreendedorismo como um processo dinâmico de criar mais riqueza. Esta riqueza é criada por indivíduos que assumem os principais riscos em termos de patrimônio, tempo e/ou comprometimento com a carreira ou que provêem valor para algum produto ou serviço. O produto ou serviço pode ou não ser novo ou único, mas o valor deve de algum modo ser infundido pelo empreendedor ao receber e localizar as habilidades e os recursos necessários.

Hisrich e Peters (2004, p. 29), por sua vez, definem o empreendedorismo como o “processo de criar algo diferente e com valor, dedicando o tempo e o esforço necessário, assumindo riscos financeiros, psicológicos e sociais correspondentes e recebendo as conseqüentes recompensas da satisfação econômica e pessoal”.

Ainda na perspectiva processual, Kuratko (2009) afirma que o empreendedorismo é um processo dinâmico de visão, mudança e criação e requer aplicação de energia e paixão, os quais são direcionados para a criação e implementação de novas idéias e soluções criativas. Para tanto, são necessários alguns “ingredientes”: vontade de assumir riscos calculados em termos de tempo, equidade ou carreira; habilidade de formular empreendimentos efetivos; habilidade criativa de conseguir recursos necessários; construção de um plano de negócios consistente e visão e capacidade para reconhecer oportunidades onde as outras pessoas vêem contradição, caos e confusão.

Spinelli Jr, Neck e Timmons (2007) propuseram um modelo de processo empreendedor no qual se deve priorizar a análise de três fatores fundamentais: oportunidade, equipe empreendedora e recursos. A oportunidade deve ser avaliada para que se possa tomar a decisão de continuar ou não com o projeto. A equipe empreendedora é formada por quem,

além do empreendedor, atuará em conjunto no projeto. Por fim, tem-se a questão dos recursos, ou seja, como e aonde a equipe irá obtê-los.

Diante do exposto, pode-se constatar que o pensamento de Danjou (2002) é coerente por tratar o empreendedorismo como um fenômeno complexo que não pode se analisado ou estudado de forma simplificada ou reducionista, já que envolve aspectos históricos, culturais, políticos, sociais, econômicos e comportamentais. Neste sentido, diante da amplitude do tema, Filion (1999) prefere se referir ao empreendedorismo como o campo que estuda os empreendedores, examinando suas atividades, características, efeitos sociais e econômicos e os métodos de suporte usados para facilitar a expressão da atividade empreendedora.